Sua mãe berrava seu nome do outro lado da linha, estava ao telefone e ela claramente nervosa como seu atraso — Onde você está que ainda não chegou em casa?
— Onde realmente acha que eu estou?! — questionou irônica e a mais velha lhe repreendeu — Estou presa na escola por causa desse temporal.
— Vou sair daqui uns 20 minutos — ela falou em tom de aviso — Vai ficar para fora até que eu volte se não tiver em casa antes.
— Se me desse uma chave, não teríamos esse problema — resmungou e por azar, não foi apenas em pensamento.
A ouviu rir do outro lado da linha — Se você se comportasse... Talvez tivesse uma.
Ultimamente você vinha fazendo algumas coisas que desagradavam seus pais e como castigo, tiraram suas chaves de casa, te deixando sem escolha além de chegar em casa nos horários estipulados por eles, era isso ou dormir na rua.
— Tanto faz — respondeu com desgosto na voz e sentou-se na escadaria da entrada do colégio — Só vou voltar depois que essa chuva passar.
— Você que sabe — ela disse e continuou — Mas vou contar para seu pai que não estava em casa no horário marcado.
— Mãe — choramingou.
Ela encerrou a chamada e você ficou no mesmo lugar, apenas observando a chuva cair sobre o asfalto a sua frente. Suspirou e se levantou, tirou uma sacola que tinha na bolsa e embrulhou seus cadernos, iria enfrentar aquele aguaceiro e com alguma sorte, ficaria resfriada.
Com seus cadernos devidamente protegidos, encarou a tempestade que sequer dava sinais de que cessaria tão cedo, estava tomando coragem para se aventurar debaixo daquele toró e quando se sentia mentalmente preparada para sair, um menino te chamou.
—
? — ele estava incerto se havia acertado a pronúncia de seu nome, não se atreveu a repetir quando você se virou para o afrontar.
— Quem quer saber? — questionou um tanto arrogante, mas não era sua intenção, apenas acabou que sua voz saiu assim.
Ele sorriu e que sorriso, por um momento se sentiu hipnotizada, os lábios dele eram chamativos e a boca desenhada exibia uma pitada de malícia que não lhe passou despercebida quando ele repuxou os lábios de lado ao se apresentar.
— Me chamo P-Goon — ele disse e você franziu as sobrancelhas, que droga de nome era esse?
— Esse é realmente o seu nome?
Ele sorriu outra vez, mas de forma mais constrangida e tímida — Não, é um apelido, me chamo Park Sehyuk.
— Ah — exclamou desinteressada no menino — Oi e tchau.
Se virou preparada para sair debaixo do temporal, tinha que ir enquanto tinha coragem e disposição para se encharcar. Antes que pudesse dar o primeiro passo na rua, ele segurou sua blusa e impediu de seguir seu caminho.
— Espera — ele falou sem te soltar.
— O que foi agora?
— Vai ir assim mesmo?! — a mão dele continuava em seu casaco, sem dúvidas ele não te deixaria ir e o deixasse falando sozinho — Sem nem um guarda-chuva?
— Não tenho guarda-chuva, mas tenho horário para estar em casa — respondeu se soltando ele e se afastando alguns passos.
— Hm, posso te emprestar um se você quiser...
— Emprestar o que?
— Um guarda-chuvas... O que acha?
— Seria ótimo! — falou ingênua e ele sorriu.
— Mas — ele olhou ao redor de vocês e outra vez o sorriso malicioso se fez presente — Eu vou querer pagamento.
Olhou para o garoto e riu, ele se aproximou de você perigosamente e na mesma intensidade você recuou, se calando e o olhando assustada. Tinha a respiração falha pelo susto da abordagem do rapaz a sua frente.
— Poderíamos sair para nos divertir, o que acha
? — P Goon perguntou.
— Desculpa — você respondeu rápido e com uma audácia que surgiu em você de maneira indomável, concluiu — Bebês iguais a você não me divertem, é totalmente fora do meu estilo.
Saiu às pressas e somente quando se aproximou do portão da escola que se deu conta do que havia dito e que também ele estava indo atrás de você, acelerou os passos o máximo que pode. Sua mente trabalha em desespero numa forma de escapar do rapaz que vinha atrás de você, a melhor ideia que teve era continuar correndo até chegar em sua casa e assim fez.
— Quem você está você chamando de bebê? — o ouviu perguntar exaltado, a voz dele era abafada pela chuva espessa que os banhava durante todo o percurso.
— Some garoto! — berrou de volta, mas sem cessar a corrida que fazia — Me deixe em paz.
— Você acha mesmo que vai escapar? — era quase que palpável a maldade na voz de P-Goon.
Como se tudo não estivesse mal o bastante, a tempestade se agravou e uma ventania castigava as árvores e toldos das lojas fechadas pelo pouco movimento ao longo do caminho que você passava. Mesmo com esses infortúnios, conseguiu se manter a uma distância considerável do rapaz, mas não poderia se dar ao luxo de diminuir o ritmo que seguia adiante. Suas roupas estavam cada vez mais pesadas, da mesma forma que a mochila em suas costas parecia ter aumentado 3 vezes sua carga atual.
P-Goon ainda berrava coisas que agora você era incapaz de distinguir pelo som da chuva caindo ainda mais intensamente, nem queria saber também e se concentrava apenas em conseguir o despistar.
— Espere só quando eu te pegar — o ouviu dizer.
Tropicou na calçada irregular quando virou na terceira rua da avenida, como fazia todos os dias, sabia que dali até a sua casa era questão de poucos metros. Estava a poucos metros de onde morava e então o pensamento mais aterrorizando se passou em sua mente: e se a sua mãe já tivesse saído?
Você morava em um bairro residencial comum, seus vizinhos saiam para trabalhar logo cedo e voltavam apenas quando o Sol já havia se posto, os muros altos de algumas casas impediam que alguém visse o que se passava na rua, consequentemente, que você estava sendo perseguida.
— MÃE — berrou e esmurrou a portão de madeira diversas vezes — Abre a portão! Mãe!
Olhou para trás e viu o que seria seu pesadelo parado a alguns metros, aguardava para ver se alguém viria ao seu socorro e o sorriso dele se abriu quando notou que ninguém apareceu ao mesmo tempo que suas lágrimas desceram por suas bochechas.
— Mãe... — falei batendo na porta mais uma dúzia de vezes em poucos segundos — MÃE!
P-Goon se aproximava a passos lentos, sua camiseta branca estava transparente por causa da chuva e seria até uma imagem atraente se você não estivesse apavorada. Ele chegou por trás de você e uma de suas mãos se prenderam ao seu cabelo de uma maneira bruta enquanto a outra deslizou por sua cintura e subiu para seus seios.
— Vou te mostrar quem é o bebê — ele sussurrou próximo ao seu ouvido.
Sempre olhando ao redor, ele conseguiu destravar a entrada social de sua casa e te arrastou para os fundos pela lateral livre dos recuos do terreno. Você implorava aos prantos para ele parar, pediu inúmeras vezes desculpas pelo o que havia dito e chegou até a prometer que não contaria nada disso para ninguém.
— Tarde demais — ele falou te soltando de uma vez e seus joelhos cederam, fazendo com que você caísse no chão da soleira da porta dos fundos.
Ele se aproximou e você sentiu seu rosto arder pelo tapa que recebeu do rapaz — Isso é por me ignorar e — ele deu outro tapa, com mais violência. Ele usava alguns anéis e por conta disso, alguns filetes de sangue escorreram por seu rosto e se misturaram com a água da chuva que provinha de seus cabelos — E isso porque eu quis mesmo.
— Por favor, P-Goon — suplicou mais uma vez enquanto ele afrouxava o cinto da calça — Não, por favor.
Ele se abaixou e sentiu as mãos que se apoiavam em seus joelhos descerem por suas coxas até adentrarem por dentro da saia do uniforme que usava, ele apertava a área com maneira bárbara e sorria com crueldade quando ouvia seus gemidos de dor.
— Não vou te machucar muito.
— Para — pediu quase sem voz — Por favor, para.
— Nem comecei ainda — ele disse se divertindo com seu desespero.
— E nem vai.
Antes que ele pudesse reagir a terceira voz ali presente, seu rosto foi acertado por um soco e ele caiu desacordado aos seus pés. Recuou até suas costas encontrarem a porta e chorava como nunca havia feito antes.
—
— A-Tom abaixou próximo a você e tentou tocar seu rosto, se afastou dele tremendo, não queria que ninguém mais lhe tocasse — Você está bem? O que ele fez?
— Não encosta em mim — sua voz falhava e nada saia de maneira coerente.
— Eu não vou te machucar
, nem vou deixar ninguém fazer isso — ele falava tentando te tranquilizar e sua voz calma cada vez mais surtia mais efeito sobre você — Respira com calma.
Desabou em lágrimas quando ele te garantiu que nada de mal lhe aconteceria. A-Tom te observava com apreensão e sem saber o que fazer para te ajudar, talvez tenha sido por instinto, mas ele te envolveu num abraço que no início você tentei recusar, mas ele permaneceu ali, ao seu lado de uma maneira protetora e acolhedora.
— Está tudo bem — ele dizia inúmeras vezes e acariciava seus cabelos, um carinho que você sentia falta que lhe fizessem.
A-Tom era seu vizinho, morava de frente para a sua casa e estudava no mesmo colégio que você, porém vocês nunca se falaram mais do que o essencial, poucas vezes a conversa se estendia a uma pergunta sobre o tempo ou alguma outra coisa tão relevante quanto.
O rapaz abriu te levou para casa dele, abriu a porta e te deu passagem para entrar na residência, te auxiliou a chegar até a sala, você sentia suas pernas fracas e tinha a mente um tanto que muito perturbada, sequer sabia para onde seguir.
A única coisa que sentia vontade era de deitar e se possível, sumir do universo. Queria ir para o seu quarto ao mesmo tempo que queria ficar ali com A-Tom, pensou em ir embora e tomar um banho, mas não queria ficar sozinha e a companhia do A-Tom estava lhe sendo tão agradável que desistiu logo de qualquer outra ideia que te fizesse sair do lado do rapaz. Depois desse dia, sua relação com A-Tom mudou da água para o vinho, incrivelmente passaram a conversar muito mais e ser muito mais próximos.
Ele lhe contou que vira toda a cena da escola e que quando saiu correndo, ele também saiu em disparada atrás de vocês.
Ambos haviam decidido não contar nada para seus pais, você queria esquecer tudo o que acontecera e falar para eles seria apenas mais doloroso, afinal fariam perguntas que você não gostaria de responder e tinha medo que te olhassem diferente. Não queria ser excluída.
Você estava sendo gentil com o A-Tom por estar grata a ele, agora não entendia o do porquê de ele estar sendo igualmente educado e sem as implicâncias que o via tendo com outros, pensara que talvez fosse por pena do que te aconteceu, deduziu que seria isso.
Se soubesse que o A-Tom era tão divertido, teria conversado e se aproximado dele muito antes, se arrependia por não ter dado uma oportunidade de conversar mais com o rapaz da casa a frente. Em pouco tempo de amizade, notou o quanto tinham em comum e em incomum, muitos gostos parecidos e muitos gostos completamente opostos. O melhor era que com ele, era que conseguia ser você mesma e ele ee aceitava assim, com todos seus defeitos e medos.
— Sério Sanggyun — você falava sentada ao lado dele no sofá da sala da casa dele, estavam sozinhos e vendo um filme qualquer que passava — Não precisa ir mais me esperar, acho que posso voltar sozinha.
— Você disse isso semana passada e depois me ligou quase chorando quando não me viu no portão te esperando — ele retrucou zombeteiro.
— Essa vez não conta.
— Ontem você faltou porque eu disse que não poderia estar lá no horário de sempre — ele lembrou e te encarou com um semblante divertido.
Depois do que aconteceu com o P-Goon, todos os dias A-Tom passou a te esperar na porta da escola para irem embora. Você a muito tempo não tinha tal privilégio de se sentir cuidada e protegida, estar com ele lhe fazia bem e esquecia de tudo o que poderia te atormentar.
— Para de me olhar — falou o empurrando e virando seu rosto com uma das mãos.
— Por que?
— Porque sim, Sanggyun — respondeu, não poderia admitir naquele momento que estava envergonhada por ele estar te encarando tão sério e pensativo — Olha para TV.
Ele continuou te olhando sem sequer disfarçar e eu sentia seu rosto ficar rubro a cada instante, sua cabeça pendeu para baixo e então levou suas mãos até seu rosto como se tal gesto impedisse que ele continuasse com aquela sessão de tortura.
— Está com vergonha
? — ele questionou tocando suas mãos e as afastando da frente de seus olhos — Vergonha de mim?
— Não — mentiu.
Ele riu soou como algo extremamente gostoso de se ouvir, A-Tom... Implorou mentalmente para que ele te deixasse ouvir suas risadas outras vezes mais e que elas sejam apenas para você. Sabia que estava se apaixonando por ele, mas seria isso permitido? Você não conseguia controlar seus sentimentos por muito mais tempo.
— Tem certeza? — ele perguntou com o rosto tão próximo ao seu que você era capaz de sentir dele respirar se fundir com o seu — Você é uma péssima mentirosa.
— Tudo bem — cedeu — Estou com vergonha.
— Você fica linda assim — o olhar dele buscava o seu e você desviava para qualquer ponto que não fossem os orbes do rapaz.
— Para com isso Sangg...
Sua frase morreu sem ser concluída. Sanggyun quebrou a distância entre vocês e ter seus lábios colados aos dele fazia com que seus pensamentos se embaralhassem e entrasse em pane em questão de meio segundo.
Correspondeu de maneira ávida ao ósculo, seus lábios se movendo contra os dele, suas línguas se atritando num ritmo ébrio, seus dedos pousaram na nuca dele e o puxava para si. Já as mãos dele, ora pousavam em sua cintura e pressionavam a área de uma forma suave, ora passeavam pelo seu corpo de maneira deleitosa. Quando se separaram, você estava sobre colo de A-Tom com uma perna de cada lado de seu corpo e ele tinha as mãos sobre suas coxas.
— Ainda está com vergonha? — ele questionou e você fez um aceno positivo.
O segundo beijo foi mais intenso e desejoso que o primeiro, os toques que antes se limitaram ao lado externo de suas vestimentas, dessa vez foi mais ousado. As mãos de A-Tom te seguravam pela cintura por debaixo da camiseta e vez ou outra, ele te pressionava para baixo, podendo assim te fazendo sentir seu membro e o quanto ele se tornava cada vez mais evidente quando você se remexia e atritava seus íntimos.
Se afastaram relutantes e deixando diversos selares sobre os lábios um do outro, ambos estávamos suas vestes principais da parte superior, sentia os dedos do A-Tom trabalhando para abrir o fecho de seu sutiã e assim que ele o fez, te encarou como se pedisse permissão para continuar.
Não conteve os gemidos quando sentiu os lábios dele tocarem um de seus mamilos e uma mão trabalhar sobre o outro. Tudo com ele era diferente e intenso, sempre com muito zelo e maneiras agradáveis, desde os toques mais suaves até os mais vorazes e ousados. Suas unhas marcavam a pele do menino nos ombros e por vezes descia por seu tórax ou subia por suas costas.
Tudo perfeito e repleto de sentimentos. Seus corpos nus e suados sobre um móvel de madeira ao canto do cômodo buscavam a cada toque e investida por mais prazer, sentia o peso do corpo dele te pressionar a cada investida e seus lábios habilidosos deixando mordidas e chupões em cada centímetro de pele do seu pescoço e colo dos seios.
O abraçava com as pernas e o contato se aprofundava ainda mais. Ele era perfeito. Sua respiração desregulada saia pesada e intensa, mesclada com gemidos e palavras ditas sem o menor sentido, mas isso era a última coisa que você queria, algo que fizesse sentido. Você estava fora de si e gostaria de permanecer assim se fosse com o A-Tom.
Se nada era para ter sentido, que fosse com ele. Se tudo era para ser completamente inebriante, que fosse também com ele.
— Eu acho que te amo — disse se agarrando ao um último vestígio de sanidade, conseguiu dizer o que pensava antes de se entregar a ele totalmente outra vez.
— E eu tenho certeza, eu amo você — ele respondeu com um sussurro ao pé de seu ouvido.
Eram a partir desse momento mais do que confidentes e amigos, ele era muito mais do que seu protetor, se tornaram amantes.
