J-Hope: You're perfect

Você caminhava em direção a escola sem vontade alguma de conseguir chegar a tempo da primeira aula, estava totalmente desanimada com tudo. Havia se mudado a pouco mais de 6 meses por conta do trabalho do seu pai, deixou para trás tudo o que eu conhecia e estava acostumada, achava ser uma droga tentar se adaptar não apenas a uma cidade nova, mas em um país completamente diferente do seu, tanto em costumes como em tradições. Nesses 6 meses, tentou o seu melhor para aprender o que pudesse e não passar vergonha na escola, o que vale ressaltar: o lugar era um tédio total.

O sinal avisando o final das aulas era o som mais perfeito do mundo para você, depois do professor passar os últimos avisos para a classe e os dispensar, guardou seu material e foi embora sem falar com ninguém, tal hábito havia se tornado comum.
No caminho, passou por uma pequena papelaria que era notada somente por seu letreiro luminoso que cegava qualquer um que olhasse para ele por mais de 5 segundos, aquele rosa neon misturado com verde era tenebroso! Num impulso, acabou entrando na loja e comprara algumas coisas das quais sequer necessitava, uma delas fora um diário que, não soube explicar o que sentiu, apenas algo em sua mente dizia que escreveria ali coisas incríveis.
Pagou pelas canetas, borrachas, lápis e enfeites que havia escolhido, além da pequena agenda toda decorada de uma forma que te daria dó de escrever nele.
Os passos para voltar à sua casa sequer poderiam ser comparados os de para ir à escola, você seguia um ritmo rápido e por vezes acabava por perder o ar devido a caminhada intensa que, era interrompida por um semáforo fechado ou um andante mais lento em seu percurso.
Chegou em casa quase que no mesmo horário dos demais dias da semana e sem fome, fora direto para seu quarto. Sentada de frente para seu computador desligado, sobre a escrivaninha você colocou todos os objetos que havia comprado e logo tratou de abrir o diário e colocar seus dados e outras mínimas informações. Escrevia com capricho e cuidado, usando as canetas novas que decidiu por gasta-las apenas no pequeno caderno com cheiro de morango, não havia palavras para descrever o quanto você estava encantada com a meiguice daqueles objetos.
Ao virar algumas páginas que continham adesivos, calendários do ano vigente e do seguinte, alguns feriados importantes e umas páginas destinadas a colagem de fotos, por fim chegou a parte em que poderia descrever o seu dia e suspirou ao se sentir frustrada por logo no primeiro dia não ter o que segredar a folha em tom rosa bebê a sua frente, ficou longos minutos encarando o papel e pensando no que poderia escrever para estrear o relato de seus dias.
Dia 01
— Mais um dia chato e sem graça.
Esse lugar não é nada legal como todos me disseram que seria —
[...]
Um mês havia se passado desde que comprara o tal diário e nada extraordinário tinha acontecido, somente estava bem mais acostumada a escrever nas folhas coloridas e perfumadas conforme os dias se passavam. Se tornara um hábito tanto quanto divertido, uma mania diferente de tantas outras que você possuía para pássaro tempo.
Dia 34
— Melhorei da minha gripe, esse frio é demais para alguém acostumada com o calor.
Não estava preparada para temperaturas tão baixas.
Aaaah, SOS! Amanhã tenho prova —
Você olhou para a próxima folha e ela era verde, pensava no que escreveria ali na noite do dia seguinte e só lhe ocorrera que seria um: Fui mal na prova.

● ● ●

Para variar um pouco, acordou atrasada e teve que sair de casa às pressas, vestindo o casaco para te abrigar do frio e deixando para conferir se tinha guardado na mochila todo seu material necessário para o dia e o que iria precisar para fazer a prova ao longo do caminho.
Livro de história, lápis, marca-texto, canetas, régua, transferidor, borracha e... BOOM! Você caída de costas sobre a grama molhada de algum jardim alheio. Poderia ter sido pior se fosse diretamente no asfalto, mas o capim bem aparado não fora o suficiente para amortecer a queda em sua totalidade.
— Me desculpe, senhor — você disse rapidamente, depois de se levantar.
Limpou suas próprias vestes ainda sem encarar o homem, se é que era um homem, já que você se recusava a encarar a pessoa por extrema vergonha que sentia por ter trombado com um completo estranho – ou estranha – e ter caído de maneira totalmente ridícula e desengonçada na frente dele – ou dela.
— Tudo bem, eu deveria ter prestado mais atenção no meu caminho também — ele respondeu, assim você confirmara que era um homem e isso só fez com que seu acanhamento piorasse.
“Como posso ser tão distraída?!”. Você pensava e concluiu que andando rápido e sem olhar para a frente só poderia dar nisso.
— Me desculpe — falou mais uma vez ao homem e reuniu suas coisas que se espalharam devido a mochila aberta, pegou tudo que viu o mais depressa que pode e ainda sem olhar para o rapaz, seguiu seu caminho a passos rápidos, mas atentos, até a escola.
Chegou até a portaria e alguns poucos alunos, tais como você, vinham correndo para evitarem ficarem do lado de fora e serem permitidos entrarem na aula apenas na segunda aula. Abriu a bolsa para mostrar sua identificação escolar para a inspetora e, ela não estava lá, sua carteirinha para entrar na instituição havia sumido.
Por ter esquecido o documento mais de 3 vezes aquele mês, sua entrada seria permitida apenas se depois cumprisse algum castigo e você não estava nem um pouco afim de ter que ficar depois do horário na escola.
Já estava em desespero, revirava cada bolso da mochila pois tinha a certeza de ter pego sua identificação sobre sua escrivaninha. A inspetora te olhava impaciente e você sabia que a qualquer segundo a mulher de meia idade lhe repreenderia pela demora, pensava se realmente a tinha pego ou se a tinha perdido. Era uma hipótese a ser considerada, pois tinha esse dom de simplesmente perder alguns pertences.
Entre pensamentos divagando entre ter perdido a carteirinha ou simplesmente a ter deixado em casa, ouviu uma voz atrás de você e ele sussurrava ao pé de seu ouvido.
— Procura por isso? — ele questionou e pela primeira vez você o encarou, se sentiu ainda mais envergonhada com toda a cena anterior, ao contrário do que você pensava que ele era e o havia chamado, ele não era um ‘senhor’, suas idades deveriam variar bem pouco e, tinha que confessar, ele era lindo!
— O. Obr. Obrigada! — respondeu e sua voz saiu um pouco esganiçada, sentia à vontade de se transformar em um avestruz e enfiar a cabeça no asfalto, talvez assim se sentiria menos constrangida.
Reparou que por debaixo do casaco espesso que ele usava e reconheceu a veste verde bandeira do uniforme de seu colégio, delatando que o rapaz também era um estudante da mesma instituição.
Entrou na escola e foi direto para a sua sala, se permitindo no caminho pensar sobre o menino e do quanto ele estaria rindo de você e de sua queda ridícula momentos atrás, além de seu momento distraído e esquecido. Pensava que ele podia ser qualquer outra pessoa e poderia estudar em qualquer outro lugar, mas não, sua sorte não permitiria isso e vocês provavelmente se veriam todos os dias a partir daquele momento.
Foi para sala e sentando em seu lugar habitual, recebeu a prova do professor e começou a ler o conteúdo da mesma. “Até que está fácil”, pensou dando um sorriso satisfeito por ter estudado o suficiente para conseguir responder a todas as questões.
As outras aulas seguiram normalmente tediosas e quando chegaram ao fim, guardou seu material com calma e saiu da sala quando a maioria dos alunos já tinham feito o mesmo.
Passando pelo lugar que havia caído mais cedo, se lembrou daquele garoto outra vez, será que o encontraria de novo? Não gostaria tanto, pelo menos não recentemente. Sacudiu a cabeça negativamente para espantar os pensamentos e retomou o caminho de volta para sua casa.
Dia 35
— Estava demorando, hoje passei a minha maior vergonha nessa cidade estranha!
Trombei com uma cara no meio da rua e cai com a traseira no chão, não quero nem imaginar minha cara quando tudo aconteceu, nem consegui olhar para ele, pedi desculpas o mais depressa possível e sai correndo toda imunda com a sujeira que estava acumulada na via.
Sem contar que deixei minha identificação escolar cair também, estava quase chorando quando o cara com quem e colidi apareceu para me devolve-la, ele é lindo e estuda na mesma escola que eu, o que só fez minha vergonha aumentar.
Me achei mais idiota ainda, uma trombadinha de nada e voei longe, não sou tão leve assim... Vou dormir esperando não o ver novamente tão cedo, ainda estou com vergonha.
Aaah, acho que fui bem na prova —

● ● ●

Na manhã seguinte ainda estava pensando naquele garoto, ficou impressionada com tamanha perfeição em uma pessoa só, nunca ninguém havia te chamado tanto a sua atenção, caminhava totalmente focada na lembrança de sua voz meio rouca te chamando e o sorriso dele ao ver seu semblante surpreso e um tanto encabulado.
Ao longo do caminho, sua mente fora levada para o dia do incidente e recordava que ele seguia na direção contrária à escola, mas voltara para lhe devolver sua identificação e assim, tendo que adentrar para as aulas do dia, era claro que ele planejava cabular, porém desistiu, afinal ele poderia muito bem continuar seu caminho para onde quer que fosse, contudo resolveu voltar e você cria que era apenas por sua causa.
Seguia para a escola perdida com seus pensamentos cada vez mais abundantes e absurdos, o dia estava agradável, não muito calor, mas também não fazia frio, dispensando casacos mais grossos. Suspirava entre seus devaneios e, distraída, levou um susto daqueles quando um pequeno e rápido vulto passou em frente aos seus olhos, seu coração disparado pareceria que saltaria por sua boca. Descobriu segundo depois que se recompôs que o espanto fora causado pela palma de uma das mãos do menino que estava dominando seus pensamentos, ele parecia alegre enquanto o fitava confusa.
— Não vou desviar meu caminho outra vez e ser obrigado a assistir aulas causativas se você perder sua identificação mais uma vez, hein?! — ele falou e você sorriu sem graça, ele parecia ter gostado de te ver dessa forma, envergonhada.
— Obrigada por ontem — você disse meio sem jeito, agradeceu mentalmente por não gaguejar — De verdade, muito obrigada e desculpa, de novo, pela trombada...
— Não foi nada e também não precisa ser tão formal comigo — ele respondeu gentilmente entre um sorriso amigável — Não acho que sou tão mais velho que você e a propósito, me chamo Jung Hoseok, qual é o seu nome?
Disse seu nome e não aguentou segurar o riso da careta que ele fez ao tentar repeti-lo, constatou que até contorcendo a boca para tentar pronunciar meu nome corretamente ele conseguia ser belo, você ainda estava incrédula que alguém como ele estava falando contigo, uma estudante que só se destacava dos demais por ser novata.
Depois de repetir seu nome umas sete ou oito vezes ele disse por fim — Nome diferente, é bonito, eu realmente gostei. De onde você é?
Hoseok mostrava certa curiosidade por você e não sabia dizer se era por educação ou bisbilhotice mesmo.
Respondeu de onde veio e seu humor mudou drasticamente, se sentia triste ao falar de sua cidade pois sentia falta de tudo que deixara para trás, ele pareceu notar, ele estava realmente atento a suas expressões e não apenas em suas palavras.
— Oh, desculpe, você parece não gostar de falar disso, sinto muito — Hoseok se apressou em dizer.
— Tudo bem, só sinto falta das coisas de lá, são bem diferentes das daqui — deu um sorriso fraco e ele o retribuiu, observou que ele se sentiu mal com a sua reação.
— Ah sim, imagino como devem ser diferentes mesmo – concluiu parecendo triste.
Ficou incomodada depois, já que o assunto cessara e ele deixava transparecer que gostaria de fazer muitas outras perguntas para você, porém a sua súbita mudança de humor o fez recuar.
“Sou uma idiota”, pensava que tinha acabado com a única chance de fazer um amigo ali.
Sua mente maquinava loucamente pensando em como quebrar aquele silencio constrangedor que pairou no ar entre vocês, ele percebeu seu esforço em vão de querer falar alguma coisa, de manter a conversa ativa e, te pegando de surpresa, ele pediu o número de seu celular.
— O quê? — foi a coisa mais inteligente que conseguiu articular.
— Seu número de celular — repetiu sorrindo novamente — Você ainda é nova aqui, não deve ter tantos amigos ainda, certo?
— Sim — assentiu tímida.
Vocês caminhavam lado a lado rumo à escola, ele falava e gesticulava com as mãos de uma forma animada, vez o outra, quando você arriscava olhar para Hoseok, o rapaz te encarava com o semblante iluminado por seu sorriso e isso te fazia sorrir também, de forma automática.
— Então quero ser seu amigo, se você quiser também, é claro — ele prosseguiu — Posso te levar em alguns lugares que conheço da cidade e mostrar que aqui não é tão ruim quanto você parece acreditar que é.
Aqueles olhos negros deveriam ser capazes de ler mentes e ver através de quaisquer mentiras de tão profundos que eram. Pegou seu celular na bolsa e trocaram seus números, para ser sincera, você realmente não esperava que ele fosse te ligar.
Até que chegassem a um ponto dentro do colégio onde eram obrigados a seguirem por corredores diferentes, vocês conseguiram manter uma conversa agradável e sem espaços para momentos constrangedores que a quietude proporcionava.
Antes que tomassem seus rumos para suas respectivas salas, ele falou, um tanto ruborizado, que tinha acordado mais cedo aquele dia e caminhara até o local onde tinham colidido apenas para lhe ver e poder falar com você. O som de seu riso escondido atrás de sua mão ecoou pelo corredor, mas a conversas dos demais alunos ali abafou a repercussão de sua risada, deixando apenas que Hoseok a escutasse com nitidez.
— Por que fez isso? — questionou para o rapaz — Poderia falar comigo aqui na escola.
— Senti vontade de me aproximar de você e fazer isso aqui, na escola, é estranho...
O sinal para o início das aulas soou e assim, se despediram com um breve aceno um para o outro.
[...]
Chegou em casa no horário de sempre, cumprimentou sua mãe e rapidamente foi para seu quarto, jogou a mochila num canto qualquer e sentou-se na cadeira de frente a escrivaninha, puxou a gaveta lateral e tirando seu diário de dentro da mesma, o abriu e se pôs a escrever sobre o seu dia que ainda estava pela metade.
Na realidade, queria apenas relatar sobre a conversa e os momentos que teve ao lado daquele menino antes que esquecesse de algum detalhe.
Jung Hoseok.
Dia 36
— Jung Hoseok.
Ai céus, encontrei com ele novamente...
E foi ele que puxou conversa comigo, se o encontrar amanhã, não sei o que dizer, será que ele espera que eu inicie o assunto na próxima vez?
Jung Hoseok.
Ele é tão lindo, sou levada por sua voz rouca, é perfeita demais para realmente existir. Fiquei sem graça no começo da conversa, parecia que ele queria me zoar, tirar uma com a minha cara, mas ainda assim foi simpático, ele também perguntou meu nome, foi hilário ele tentando pronunciar certo.
Ele pediu o número do meu celular, será que ele vai me ligar mesmo?
Jung Hoseok! —
Você fitava a tela de seu celular, o número dele estava ali, você se pegava sorrindo e de tanto olhar para os algarismos, já havia decorado e saberia dizer até de trás para frente. Pensava se ele estava esperando que você ligasse primeiro, mas não tinha coragem para isso, não por enquanto. Deixou o aparelho sobre o criado mudo e foi tomar um banho, afim de o esquecer por um instante.
Passara a tarde inteira em seu quarto e somente quando o cheiro do jantar que sua mãe preparava tomou conta da casa e ela lhe chamou, você saiu do cômodo sem pensar duas vezes. Sem dúvidas que comeria duas vezes e iria dormir mais do que satisfeita, sorriu com o pensamento guloso e entrando na cozinha, se deparou com uma mesa caprichada e se sentiu ainda mais faminta só de olhar a comida ser servida.
O jantar delicioso terminou antes do que você esperava, mas estava cheia e os demais assentados a mesa contigo idem. Seu pai elogiava sua mãe e você se juntava a ele para demonstrar o quanto a comida estava divina, a mais velha sorria e dizia que vocês estavam a bajulando demais, que seria uma vez ou outra que ela teria tempo de se dedicar de tal maneira ao jantar, deixaria essa tarefa para os domingos.
Você voltou a seu quarto, viu o celular piscando e isso só poderia indicar uma nova mensagem. Você não tinha amigos na escola, então ninguém de lá tinha seu número de seu celular, seus pais estavam em casa, não haveria necessidade de mandar uma sms para falar com você, bastaria berrar, poderia ser a operadora lhe atualizando de alguma promoção, então apenas lhe restava uma alternativa e, ao se lembrar dela, saiu correndo com o coração quase saltando pela boca.
Sorriu com o aparelho em mãos ao constatar que era ele, recebera uma mensagem de Jung Hoseok.
Andava de um lado para o outro animada, não havia nem lido a mensagem e já sorria parecendo uma criança que acabara de ganhar o melhor presente de aniversário do mundo, não estava acreditando que era realmente uma mensagem dele, quando por fim abriu a sms, ficou ainda mais feliz e deitada sobre a cama, rolava de um lado para o outro e agitava as pernas, tentativa frustrada de amenizar sua alegria.
SMS HOSEOK – “Olá, você vai estar livre no sábado? Pensei num lugar para te mostrar o quanto aqui pode ser legal também”
Você se sentou na beirada da cama com um sorriso bobo nos lábios, ele não estava mentindo quando disse que iria te mostrar a cidade, que queria ser seu amigo, esse pensamento lhe tomou por inteira, um amigo. Quem diria? Respondeu que estava sim, livre no sábado, perguntando em seguida qual horário poderiam se encontrar, ficou olhando a tela do celular por alguns instantes e logo veio a segunda mensagem dele.
SMS HOSEOK – “Sério? Então nos encontramos as 8 da manhã em frente da sua escola, tudo bem por você?”
Confirmou e deitou-se, relendo a curta conversa diversas vezes, estava num estado de felicidade que não cabia em você, nunca imaginara que teria um amigo naquele lugar, apesar de ser cedo ainda para chama-lo de amigo.
[...]
O final de semana estava chegando e você pensava em como dizer para seus pais que iria sair no sábado, eles sabiam que não conhecia ninguém, então exigiriam uma boa explicação.
Depois de jantar daquela sexta, informou a sua mãe que havia feito um ‘amigo’ e contou a ela como o conheceu e tudo o que aconteceu depois, pediu permissão para ela para sair com ele no sábado e, mesmo não gostando muito da ideia de você sair com um garoto com o qual teve pouco contato, concordou.
Você não gostava de mentir para sua mãe, ela era sua melhor amiga ali, escutava todas as reclamações que tinha sobre a escola e mesmo não querendo te dizer, percebeu que ela ficou feliz por você ter conhecido alguém para poder chamar de amigo. Sentiu-se mais confiante para ir encontrar com Hoseok no dia seguinte.
Foi para seu quarto depois de lavar a louça e foi escovar seus dentes para finalmente ir deitar, contudo, estava contente demais para conseguir dormir tão cedo. Leu as mensagens que Hoseok havia te enviado te chamando para sair, sorriu como da primeira vez e adormeceu.
“Amanhã já é sexta-feira, será que o encontrarei de novo pela manhã?”. A vergonha da queda ainda fazia parte de você, mas agora não o bastante para não querer o ver novamente como da primeira vez.
Acordou no horário, o que era raridade, ainda mais pela hora em que finalmente consegui adormecer. Trocou-se lentamente, tomou o café da manhã e ainda ficou enrolando para ir para escola, o tempo ainda estava frio o bastante para precisar de pelo menos 3 casacos. Saiu de casa atenta, queria tentar o encontrar pelo caminho, o pegar de surpresa igual fizera com você, sem sucesso, de casa até a escola não o viu sequer uma vez.
“Ele está bem? Será que amanhã ele vai aparecer?”, pensou consigo mesma, virando para trás e correr seus olhos por toda extensão do caminho que acabara de passar esperando o encontrar. Tinha uma leve expectativa quando saiu de casa que o veria essa manhã. “O conheço há poucos dias, conversamos por no máximo cinco minutos e já sinto falta dele”. Desabafou se sentindo um tanto frustrada por não o ver.
“Jung Hoseok”. Você repetira o nome do rapaz várias vezes no caminho inteiro da volta da escola pra casa, ponderava se o encontro no dia seguinte ainda estaria marcado, se questionava o que deveria fazer para confirmar se sim ou não.
— O que aconteceu? — indagou sua mãe assim que você chegou em casa.
— Oi? — a olhou nos olhos saindo repentinamente do seu transe. Seus pensamentos estavam divagando por qualquer coisa, mal sabia como havia chego em casa, talvez por osmose de fazer o percurso quase todo dia.
— Perguntei o que aconteceu com você — repetiu devagar, te fazendo parecer uma deficiente mental — Você está pensativa demais, queria saber o motivo, mesmo já imaginando qual seja... O tal do Hoseok desmarcou o encontro? — perguntou a mais velha sem rodeios, você fez uma careta e ela sorriu.
— Não, só que também não falou mais nada desde que combinamos que íamos nos ver amanhã — respondeu se jogando no sofá, isso estava me deixando louca.
— Vocês só se conhecem há poucos dias, tá querendo o que do garoto?
Ela estava certa, bufou e mal tinha se deitado no sofá, se ergueu e foi para seu quarto. Deitou-se na cama depois de fechar a porta, encavara a tela do celular e pensava se deveria ligar ou não para ele.
“Vou ligar!”. Digitou o número e... “Não!”. Apagou o número. “Melhor, vou mandar uma mensagem”. Digitou a mensagem e perguntava para ele se iriam mesmo sair no dia seguinte, ficou olhando para o botão de enviar por alguns segundos, estava com medo dele a achar uma chata, era a última coisa que gostaria que ele pensasse.
— Covarde — disse para você mesma — O pior que pode acontecer é ele desmarcar e dizer que nunca mais quer falar comigo de novo.
Contei até três e enviou a mensagem.
Sentou-se no centro de sua cama e colocou o celular debaixo do travesseiro, não queria ver o que ele responderia, esperava que ele sequer visse, talvez algum erro impedisse a mensagem de ser entregue, mas não demorou muito para ouvir o som do aparelho vibrando e logo após um sinal de nova sms.
— Ai céus, o que eu faço? — você bagunçou os cabelos, — Por que fiz isso?
Pegou o celular rapidamente e de uma maneira desesperada e ansiosa, desbloqueou a tela e leu a resposta do rapaz, seu coração parou por alguns milésimos de segundos.
SMS HOSEOK – “Claro que vamos, não acredita em mim?”
Leu a mensagem como se ele mesmo estivesse dizendo aquilo na sua frente, pode ouvir até o riso no final da frase e *bip*, mais uma mensagem havia chego.
SMS HOSEOK – “Você vai ir também né?”
Seu coração estava descompassado, não sabia o que responder, um simples ‘sim’ seria o bastante? Ou deveria escrever algo a mais? Sua mente estava um caos, como alguém que mal conhecia poderia te deixar sorrindo tão estupidamente? Confirmou com um simples sim que iria e mandou um smile no final.
Correu para sua escrivaninha e pegou o diário na gaveta, abrindo na página que correspondia ao dia atual, a única coisa que pensou e conseguiu escrever foi:
Dia 40
— Amanhã vou sair com Jung Hoseok —

● ● ●

Finalmente sábado havia chego e você não precisou ir até a frente da escola, o que era um alivio, pois odiava aquele lugar e não queria logo em um dia especial como aquele ter que chegar perto de lá. Hoseok te esperava no lugar em que se conheceram, aquela esquina fatídica e testemunha de sua queda. Ele estava sentado num banco e se levantou assim que te avistou, acenando alegre enquanto você se aproximava.
— Oi — ele te cumprimentou.
— Olá Hoseok — respondeu com um sorriso.
— Você fala como se eu fosse um estranho — ele falou fingindo estar irritado e sorriu em seguida.
Você estava desacostumada a manter um diálogo por mais de 5 minutos com qualquer pessoa que estivesse na mesma faixa etária que a sua ou próximo. Hoseok teria que ser paciência com você e alguns momentos de extremo silencio de sua parte, o alertou sobre isso e ele riu, rebatendo que se você ficasse calada por mais de 3 minutos, ele lhe repreenderia.
— Ahn, e onde nós vamos ir?
— Hm — ele ficou pensativo por um tempo — Você já tomou café da manhã?
— Não — estava nervosa e não havia comido nada desde que acordara.
— Oh, eu também não, vamos num lugar legal que eu vou as vezes com meus amigos então — ele te informou, sempre com o tom alegre empregado na voz.
“Amigos do Hoseok, como será que eles são? Divertidos, no mínimo”. Você pensou e sorriu a tentar imagina-los.
Andaram algumas quadras e a maioria das lojas estavam fechadas ainda, você nunca tinha ido para aquela parte da cidade, olhava curiosa para todos os lados, ouviu Hoseok abafando um riso e pensou que o menino ria de você, perdida e olhando para tudo quanto é canto por onde percorriam.
— O que você faz, Hoseok? — você perguntou dando fim ao silêncio de 2 minutos daquela caminhada.
— Faço o quê? — ele rebateu sem te encarar.
— Com o que você trabalha? Se trabalha... — reformulou a questão.
— Ah sim, eu sou músico — respondeu sorrindo, dessa vez te olhando nos olhos.
— Wow, que legal — ficou realmente surpresa, nunca imaginara isso.
Ele sorriu um tanto tímido, envergonhado pela sua atitude surpresa, mas realmente estava admirada, Gosta de música e ficava maravilhada quando alguém podia tocar algum instrumento ou simplesmente cantar, achava isso um dom espetacular.
— Se quiser, um dia te levo em uma apresentação.
— Sério?
— Sim, mas não sei se vai gostar do tipo de música que eu faço.
— Por que?
— Eu canto hip-hop com meus amigos.
Realmente, não era o seu estilo de música favorito, escutava uma música ou outra com alguns segundos de um rap misturado com pop e nada mais.
— É bom tentar coisas novas, certo? — falou sorrindo, não poderia desperdiçar a chance de o conhecer um pouco mais. Era bom ter alguém para socializar além de seus pais.
— Sempre — respondeu sorrindo, você o havia agradado de alguma maneira que ainda desconhecia.
Caminharam mais alguns minutos e mantinham uma conversa ininterrupta, tentavam descobrir mais um sobre o outro, vocês tinham uma diferença de idade pequena, ele cantava com os amigos em um grupo com o nome esquisito, queria cursar uma faculdade que o permitisse se aprofundar em sua música e no tempo livre, ele fazia algum trabalho beneficente.
— Chegamos, é aqui — ele anunciou abrindo a porta para você entrar.
Passou à frente do rapaz e entrei, o lugar era aconchegante, uma lanchonete no estilo americano, daquelas que só havia visto em filmes. Sentaram em uma mesa no canto e veio uma garçonete os atender. Depois de fazerem seus pedidos, você correu os olhos por todo o lugar e examinou cada detalhe que passara despercebido a primeira vista, passaria o dia ali se ele assim quisesse. Simplesmente amara o local.
— Gostou daqui? — ele te perguntou.
Assentiu com um aceno breve.
— Não imaginei que existe um lugar igual a esse por aqui — sorriu e continuou — Estou me sentindo em um cenário de algum filme dos anos 70.
Ele sorriu e olhou para você de uma maneira terna, seu olhar cruzou com o ele e sentiu seu rosto ruborizar, não foi capaz de sustentar por muito tempo seus olhos fixados nos dele e então desviou sua atenção para os guardanapos que estava, em cima da mesa, mas isso não significou que ele parou de encara-la.
— Onde vamos depois daqui? — perguntou tentando disfarçar o nervosismo em sua voz.
— Hm, eu tenho que comprar uma coisa que só vende em uma galeria no centro da cidade, é aqui perto, pensei em te levar comigo até lá — pausou um pouco, talvez esperasse que você recusasse, mas sorriu quando o incentivou com um aceno positivo e um sorriso que estava tudo bem, então ele continuou — E depois podemos ir em uma loja de instrumentos de um amigo meu tem aqui perto, ai te deixo em casa antes de ir para uma aula de dança.
— Eu posso assistir uma aula algum dia? — perguntou já aguardando um não como resposta
— Claro — respondeu feliz com a sua pergunta — Mas algumas aulas são demoradas, tipo a que eu dou mais tarde, tem duração de duas horas, se estiver tudo bem, pode ir comigo hoje mesmo...
“Como fui conhecer uma pessoa dessas? Ele é incrível”, pensou sorrindo e ele deve ter notado.
A garçonete reapareceu trazendo seus pedidos, parecia melhor do que você tinha imaginado e estava delicioso, ficou com o sentimento de quero mais rondando sua mente quando acabou, mas era apenas gula da sua parte, não aguentaria comer mais nada. Saíram de lá satisfeitos e foram em direção ao ponto de ônibus.
— Gostou mesmo? — ele perguntava preocupado se havia mesmo lhe agradado aquele café da manhã.
— Muito, de verdade, não se preocupe tanto — tentou o acalmar.
Hoseok andava ao seu lado e acompanhava seus passos lentos, era divertido. “Ele deve ter tantos amigos com esse jeito alegre de ser”, imaginou em alguns momentos. Conversaram o trajeto todo até chegar em centro da cidade, ele te perguntou sobre seus pais, a escola, se você tinha feito muito amigos, por que havia ido parar naquela cidade, se tocava algum instrumento, que tipo de música te agradava e outros diversos tipos de perguntas, respondeu a todas e lhe fez outras várias. Sua conversa com o rapaz apenas cessou quando chegaram ao segundo lugar daquele passeio.
— Hoseok — o chamou em um tom inseguro — Se me soltar aqui, eu não sei como voltar para casa.
Ele entendeu o que você quis dizer, percebeu o medo que ficou de me perder naquela multidão de gente. Se existia algo que te assustava, era de ficar sozinha em lugares cheios e algo pior que isso, era se perder em lugares cheios que você não conhecia.
— Não vou sair do seu lado, pode relaxar — falou num tom calmo, te tranquilizando com um sorriso no final — Vamos aproveitar o passeio juntos, acredito que você vai gostar.
Você segurou a ponta do casaco do menino, afim de me certificar que não sairia de seu lado, ele sorriu com a sua atitude e então se virou para você.
— Foi uma má ideia vir aqui? Podemos voltar se quiser.
— Não, é só que tenho medo de me perder e não conseguir voltar para minha casa — respondeu sem rodeios.
— Confie em mim — disse fixando seus olhos nos seus — Não vou te deixar sozinha nem um segundo.
Ele tirou sua mão do casado dele e a segurou enquanto passavam por entre as pessoas que transitavam por ali em busca de algo que as agradasse, apesar de cedo, o lugar já estava cheio e a tendência era lotar ainda mais. Em algum ponto do caminho da parada do ônibus até a loja que ele queria te levar, seus dedos se entrelaçaram e quando o fluxo de pessoas diminui ao redor de vocês, não se importaram em se soltar.
Ele acariciava o torço de sua mão enquanto te mostrava algumas vitrines, você sorria e mostrava interesse em tudo que ele te falava, mas era realmente coisas atraentes, apesar de muitas serem insignificantes e servirem só para terem algum assunto.
Chegaram depois de mais alguns minutos na loja em que ele sugeriu em te levar, lá tinha vários artigos fofos para presente e enquanto ele ia até o atendente, você ficou observando a vitrine com todos aqueles bibelôs. Perdeu a noção do tempo e só foi quando um pequeno embrulho entrou em seu campo de visão que percebeu que Hoseok já estava do lado de fora.
— Pra você — ele disse com um daqueles sorrisos maravilhosos.
Você retribuiu ao sorriso dele sem nem perceber e agradeceu, podia jurar que seus olhos brilhavam ao o encarar. Abriu o pequeno embrulho e se deparou com uma pulseira um tanto delicada, tinha um tom rosa bem suave mesclado com verde oliva e algumas pedrinhas cravadas na superfície. Era simplesmente linda!
— Posso? — ele estendia uma das mãos e indicava seu pulso, ele pedia permissão para colocar a pulseira em você.
Com um aceno suave, você assentiu e ele outra vez segurava sua mão, a puxou de maneira delicada para ele e erguendo um pouco a manga de seu casaco, pegou o presente recém lhe entregue e prendeu ao seu pulso.
— Obrigada Hoseok — você falou.
O toque em seu rosto lhe surpreendeu, fazendo desviar o olhar do presente para o responsável daquele contato repentino, Hoseok te encarava de uma maneira terna e você não conteve um sorriso. Ele se aproximou e você pode sentir o resvalar do respirar dele em sua pele, suave e sutil, engoliu a seco e ao tentar recuperar seu próprio folego, ele selou seus lábios.
— Espero não estar indo rápido demais — ele falou ao se afastar poucos centímetros de você, mantendo a testa colada à sua.
[...]
O passeio de vocês seguiu em frente e foi um dia agradável, o tempo todo ele estava ao seu lado e lhe fazia rir com um comentário alheio, uma piada, careta ou apenas uma atitude boba como lhe rodar enquanto caminhavam por um trecho mais deserto, ele mantinha suas mãos unidas por onde iam.
Ele era inacreditável, possuía tantas qualidades que era impossível de as contar. Se sentiu à vontade para lhe segredar tal fato e ele riu, cobrindo aquele sorriso que tanto lhe fascinava e você quis o repreender por isso.
— Eu não sou perfeito — Hoseok disse um tanto envergonhado — Estou longe de ser e nem quero, deve ser cansativo... Quer sorvete?
Ambos entraram na sorveteria e você se inclinou levemente sobre o freezer, verificando quais os sabores disponíveis que eles tinham a oferecer. Seus músculos se tencionaram quando Hoseok se colocou atrás de você e lhe segurou pena cintura, ao ficar com a postura ereta e o rosto ardendo por mais um contato tanto quanto íntimo demais por parte dele, viu de esgueira ele abafar um riso, sem dúvidas estava contente por um simples ato lhe afetar tanto.
— Já escolheu qual vai querer? — ele perguntou próximo demais e isso apenas fazia com que você o quisesse ainda mais perto — Eu gosto do de melancia.
— Gosto um tanto exótico — você respondeu tentando parecer normal — Prefiro os clássicos, quero de morango!
Estar ao lado dele fez com que as horas que, quando estava sozinha pareciam dias, se tornassem minutos. Ele era uma pessoa agradável, transmitia uma tranquilidade absurda para quem o rodeava, não gostaria nunca de sair dessa atmosfera que emanava do rapaz, se questionava se ele permitiria que permanecesse ao lado dele, estava muito tempo sozinha e Hoseok estava lhe resgatando desse universo sombrio que criara para si mesma.
— O dia foi agradável — Hoseok falou e lhe lançou mais um dos diversos sorrisos encantadores — Mas estou chateado que tenha passado tão rápido.
— Obrigada, foi um dia incrível para mim.
— Contudo eu estou chateado — ele prosseguiu e você o encarou um tanto apreensiva, o que havia chateado o rapaz que lhe fez se sentir nas nuvens desde que se mudara para tal cidade
— Eu fiz algo errado?
Ele riu — Você gosta dos clássicos, isso que me chateia um pouco... Isso significa que não posso ser apressado, ter uma atitude mais moderna.
Vocês estavam sentados em um banco de frente para uma fonte que jazia desligada e acumulava uma centena de folhas em sua base.
— Não é porque gosto dos clássicos que não possa admirar algo que seja contemporâneo — respondeu sem o encarar, não tinha coragem para tal, toda sua ousadia fora usada na frase recém pronunciada.
— Coisas novas? — ele indagou e você confirmou, repetindo o que ele havia acabado de dizer, mas de maneira afirmativa.
Coisas novas.
As pontas dos dedos de Hoseok estavam geladas e lhe provocou uma sensação prazerosa ao tocar seu rosto e com cuidado, o erguer e o virar para ele. Seu olhar se perdia por toda a paisagem ao redor de vocês enquanto as orbes do rapaz eram fixas em seus lábios, vagando por alguns segundos para seus olhos, nariz, bochechas e voltando para sua boca.
Ele se aproximava de maneira lenta, lhe dava tempo de recuar caso não quisesse que ele continuasse, contudo era isso que mais ansiava naquele momento, ambicionava pelo toque dos lábios dele sobre os seus, desejava sentir a textura macia que circundava o sorriso que te seduzia, queria descobrir se o sabor era tão convidativo quanto a presença dele e quando o espaço entre vocês se findou, apenas comprovou que era tudo isso e muito mais.
Hoseok negava que era perfeito, mas para você ele era, não se sentiu apenas afortunada por estar ao lado dele e sim completa, como se o que tivesse fosse suficiente e não que nada lhe faltasse.
Sentiu uma das mãos dele deslizar para sua nuca e acariciar a área enquanto a outra foi de encontro a sua cintura. De maneira afetuosa Hoseok lhe puxava para ele e você correspondia, de início timidamente, mas depois passou para algo mais intenso, sem deixar de ser doce e gentil.
— Queria te levar em mais um lugar hoje — Hoseok falou depois que se separaram, ele te abraçava pela cintura — Mas está tarde, então apenas vou lhe deixar o convite para uma próxima vez...
Aconchegada ao lado dele, faria de tudo que estivesse ao seu alcance para estender o tempo junto ao garoto, porém como ele mesmo havia dito, estava tarde e seu horário para retornar havia passado a muito. Levantando do banco que lhes abrigou por longos minutos as caricias inocentes trocadas entre vocês, Hoseok te acompanhou até sua casa, sempre com o bom humor o cercando e te contagiando, conversaram sobre coisas bobas durante todo o caminho.
— Obrigada, de novo, pelo dia incrível — você falou e mostrou o melhor sorriso que pode.
— Espero que tenha realmente gostado para aceitar sair comigo outras vezes...
— Mas é claro que eu gost-
Antes que pudesse completar a frase, Hoseok havia lhe puxado para ele e parado a milímetros de seus lábios, suas respirações se fundiam e devido ao clima frio daquela noite, era possível ver o vapor que varavam por suas bocas se extinguir no ar. Ele colocou uma mecha de seu cabelo atrás de sua orelha e acarinhou seu rosto com se fosse um delicado cristal que poderia se partir em mil a qualquer momento, seu nariz tocava o dele e quando o rapaz se pronunciou, sentiu seus lábios se encostarem e precisou de um extremo controle para não ser levada por aquela atmosfera provocativa que ele criou em questão de segundos.
— É clássico o mocinho interromper a fala da mocinha, a calando com um beijo de despedida? — ele questionou e você não respondeu.
Paralisada com o ato dele, esqueceu-se até de onde estava. Sem lhe dar a chance de se recompor, Hoseok mordeu seu lábio inferior e com a boca entreaberta, apenas facilitou para que ele tivesse acesso a sua cavidade. A língua dele estimulava a sua e você se deixava ser levada pelo ritmo que ele ditava, sendo uma mistura de momentos mais suaves com outros mais ávidos, sendo este último apenas possível pela rua deserta.
Cessaram o ósculo por alguns selares e ambos mantinham os olhos fechados, aproveitando-se das recentes sensações sentidas. Você levou suas mãos até a nuca de Hoseok e o puxou para si com zelo, devagar o bastante para que admirasse o olhar dele sustentando o seu, encostou seus lábios sobre os dele novamente e mesmo com o impulso de uma vez mais aprofundar o contato, se manteve ali, apenas sentindo o formigamento deleitoso de o ter para si.
— Boa noite — ele se afastou, sorrindo para você — Durma bem.
— Boa noite, Jung Hoseok.
Dia 41
— O dia de hoje não pode ser descrito em palavras.
Entretanto se pudesse escolher apenas uma para enfatizar tudo o que aconteceu, seria:
Insuperável —

● ● ●

4 meses haviam se passado e sua vida havia melhorado consideravelmente. Apesar ainda não ter conseguido se enturmar com seus colegas de sala, as manhãs tediosas não eram mais tão tenebrosas e muito menos desanimadoras.
Aquela manhã você havia, pela primeira vez em sua vida, cabulado as aulas, Hoseok lhe encontrara no meio do caminho e guiou seus passos para qualquer caminho que fosse oposto à escola. Vocês se dirigiram para qualquer lugar que permitisse que ficassem sozinhos durante aquela manhã agradável, estava entre as pernas do rapaz enquanto o mesmo tinha as costas escoradas numa árvore.
— Acha que seus pais deixam você sair à noite? — ele questionou deixando um selar próximo ao seu ouvido.
— Não sei — você confessou — Provavelmente não se descobrirem que não fui a aula hoje por culpa de um certo alguém...
Ele riu e pediu desculpas por isso, contudo você não se sentia amedrontada por tal feito, era até excitante, um sentimento novo, mais um dos vários que descobrira ao lado de Hoseok.
— Vou me apresentar mais tarde — o rapaz falou apertando os braços em sua cintura — Gostaria que você pudesse ir me ver, será que consegue?
— Vou tentar, mas não posso garantir nada — disse se afastando dele e se ergueu, limpando suas vestes — Deu a hora que eu preciso ir embora...
— Não gosto disso, o tempo passa muito rápido quando estamos juntos!
Você sorriu e mesmo já acostumada aos comentários que ele fazia quando tinham que se separar, não obtinha sucesso em disfarçar o seu rubor.
Ao chegar em casa, correu para se trocar e minutos depois estava na cozinha oferecendo para ajudar no que fosse preciso, fez mais da metade do almoço, depois lavou a louça e até limpou os cômodos que estavam bagunçados.
Deitada em sua cama, pensava agora em como abordaria sua mãe para lhe pedir permissão para sair à noite, seria a primeira vez e estava incerta se a mais velha permitiria ou diria a famosa frase “pergunte para o seu pai” e isso era ruim, porque quase significava um não.
— Hei — ela chegou a porta de seu quarto sem que você a notasse, abriu os olhos num espanto momentâneo — O que é que você quer?
— Nada não, quem disse que quero alguma coisa?
— Mocinha, você acha que eu nasci ontem? — ela indagou irônica e você sorriu, se dando por vencida, não tinha como enganar sua mãe.
— É que o Hoseok tem uma apresentação hoje à noite e me chamou para ir, queria saber se eu posso...
A demora dela para responder lhe angustiava, em sua mente podia até ouvir o alto e sonoro não sendo pronunciado e foi pega totalmente desprevenida quando o sim foi dito.
— É sério? — questionou incrédula com a permissão concedida.
Ignorando sua descrença no que tinha ouvido, sua mãe saiu o quarto para qualquer outro aposento e você ficou imóvel ali, sorrindo como uma idiota para o nada. Mandou uma sms para seu namorado contando a novidade e não demorou para vir uma resposta da parte dele.
HOSEOK SMS – “É sério? Woah, estou ansioso agora... Que horas posso passar ai para te buscar?”
Respondeu que quando fosse melhor para ele e ficou marcado então para as 19h00. Seu coração estava a mil, o sentia palpitando não apenas em seu peito e sorria com a sensação de ter quase um colapso mental apenas por poder sair com ele outra vez. Pouco depois as 17h00 você já estava de banho tomado, cabelo arrumado e roupa escolhida, mas deixou para se trocar quando estivesse próximo do horário dele aparecer.
[...]
O lugar estava completamente lotado do mais variado tipos de pessoas, muito mal iluminado e com o cheiro muito forte de cigarro misturado com álcool, aquele sem dúvidas era um ambiente que você só entraria por engano e logo sairia correndo.
Se agarrou ao braço de Hoseok e ele sorriu, você não soube se era para você ou de você com sua atitude nada madura naquele momento.
— Por favor, não me diz que vai me largar aqui no meio desse bando de desconhecidos e sumir — você falou quase que berrando, o som vindo das caixas de som deixava difícil escutar até quem estava a centímetros de você.
Hoseok, ali no meio de toda aquela gente eufórica pela música que tocava naquele instante, tomou seus lábios e te puxando para ele, o sentiu mordicar seu lábio inferior ao fim do rápido contado e nada precisou ser dito por parte dele, você sabia que Hoseok ficaria o tempo que pudesse ao seu lado, nunca te deixaria a mercê de toda aquela gente que tanto você, quanto ele, sequer conheciam.
Guiando você por aquele galpão reformado e adaptado para apresentações, chegaram até uma escada lateral que você só notou quando se aproximaram, guardada por um homem que mais te lembrava um armário, subiram depois de Hoseok se identificar e dizer que você era acompanhante dele. Subiram os degraus e se depararam com um ambiente infinitamente mais tranquilo que o andar abaixo de seus pés.
— Está atrasado — um cara extremamente pálido falou ao se achegarem numa mesa.
— Deixa de ser chato, só porque você chegou que eu tinha que chegar também — Hoseok retrucou — Suga, essa é a minha namorada, .
— Olá, muito prazer — você o cumprimentou.
Antes que ele pudesse dizer qualquer palavra direcionada a você, sentiu um peso extra em seus ombros e ao olhar para o lado, se deparou com um outro indivíduo, esse por sua vez tinha a pele mais morena e os cabelos descoloridos, quase no tom quase que branco. Ele não soltava todo o peso sobre você e mentalmente, agradecia por isso, contudo ele continuou ali, sem mexer um musculo sequer.
— Sinto que hoje a vitória é nossa, concorda? — ele te encarou e sorriu, a luz que iluminava o local passou sobre vocês e os cabelos do rapaz refletiram em uma tonalidade diferente.
— Esse é o Rap Monster — Hoseok falou em seu ouvido — O nosso líder.
Cumprimentou o mais alto que fez o mesmo, descobrindo que respectivamente seus nomes verdadeiros eram Yoongi e Namjoon. Eles eram legais, brincalhões e em nenhum momento se sentiu deslocada na conversa já que quando você encarava Hoseok um tanto perdida, eles lhe explicavam com extrema paciência o que significava cada coisa que desconhecia o significado.
A conversa seguia normalmente, até um homem na casa de seus 50 e poucos anos se aproximar de onde estavam e falar para os meninos se aprontarem, eles seriam os próximos.
— Quer ficar aqui ou atrás do palco? — Hoseok te questionou.
— Pelo que vi das outras apresentações, não vai demorar muito, prefiro ficar aqui... Está tudo bem e não tão cheio quanto lá embaixo — falou simpática ao rapaz que te tratava tão bem.
— Prometo voltar antes que sinta minha falta — ele retrucou e deixou um selar em sua bochecha, Yoongi já berrava pelo mais novo da ponta da escada.
— Menino bobo — você exclamou assim que Hoseok se afastou alguns passos e se surpreendeu quando ele olhou para trás, mirando diretamente seus olhos, notou que ele falou algo, mas pelas conversas ao redor e a música soando por todo o ambiente, fora incapaz de ouvir.
Ele sorriu e retomou o caminho que fazia, chegando aos outros que o esperavam para subir ao palco.
A batida forte e contagiante, o público indo ao delírio a cada rima pronunciada, não tinha como não se deixar levar por aquele ritmo que você tão pouco conhecia, sentia o seu coração palpitando em sincronia com a melodia, era algo que nenhuma música havia lhe causado antes. No meio de todo esse turbilhão de sensações inusitadas, seu olhar buscou o do rapaz que havia lhe levado até ali e sem delongas o encontrou.
Não sabia como descrever o que aconteceu, de repente tudo havia ficado em silencio e era apenas você e ele. O viu levar o microfone até os lábios e cantar sua parte, mas sem em nenhum momento deixar de te encarar, ele cantava diretamente para você.
Nosso encontro não foi só uma coincidência, era o que eu queria
Você é uma flor e eu sou uma abelha e se você é o mel então eu sou um urso
Palavras clichês saem como se eu estivesse lendo um livro
Parece que você se parece comigo de alguma forma
Você é tão bonita, tem estilo, seus encantos explodem, agora se entregue para mim.

● ● ●

O relógio estendido a alguns metros do chão por uma estrutura metálica marcava pouco depois das 23h00. Vocês caminhavam por uma avenida bastante movimentada e iluminada pelos inúmeros bares e lanchonetes, sem contar as torres gigantescas que abrigavam renomados escritórios e funcionavam quase que 24 horas todos os dias da semana.
Com suas mãos unidas, você sentia o rapaz fazer um carinho suave onde os dedos dele encostavam, Hoseok a havia levado para comer alguma coisa depois que saíram da apresentação dele com os outros dois meninos. Aquela havia sido uma noite mais do que especial e você pensava em como retribuir o que ele havia feito e dito, notava que ele estava inquieto ao seu lado à espera de uma resposta sua, já que ele, diante de todas aquelas pessoas que nunca havia visto e provavelmente não veria mais em toda sua vida, disse que te amava.
— Hoseok — você o chamou e de imediato ele lhe respondeu — O que você cantou lá...
— Sim, é tudo verdade — ele confirmou como se lesse sua mente e soubesse o que queria saber dele — Cada palavra, eu realmente gosto de você de uma maneira absurda, eu te amo.
Você queria pular, gritar, sair rodopiando por entre os carros enquanto cantava qualquer música que falasse de amor, mas se conteve e apenas deu uma breve resposta — Hm.
— Hm?! — ele repetiu impaciente — Eu acabei de dizer que te amo e você responde apenas com uma sílaba que não quer dizer nada...
— Hoseok...
— Por favor, diga que é reciproco antes que eu surte...
O menino voltou a respirar quando você lhe mostrou o seu melhor sorriso a ele, outra vez nada precisava ser pronunciado por sua parte para que ele entendesse tudo o que sentia por ele.
— Hoseok... Eu não quero alguém que me complete ou mais clichê ainda, que me transborde — você falou e ele te encarava, atento as suas palavras — Que alguém que me ajude a fazer o que eu não consigo por mim mesma, entende?
Naquele instante ele não compreendia o que você queria, mas em sua mente, você cria que um dia ele seria capaz de entender o que quis dizer com tais palavras e estaria ao seu lado, para dar a resposta que nem mesmo você sabia.
[...]
Outra vez se encontravam em frente à sua casa, sequer se importou de ver as horas, mas tinha certeza que já passara da 1 da manhã e assim que entrasse, encontraria sua mãe espumando de raiva, preocupada por você não dar notícias. Hoseok segurava suas mãos e não se despedia, por vezes abria a boca para dizer alguma coisa, mas se calava sem pronunciar uma palavra sequer.
— Eu preciso entrar — você falou tentando dar fim aquela tortura, também não queria o deixar ir, mas era necessário, uma hora ou outra tinha que se separar — Já estou ferrada o bastante, era para ter voltado às 23h00.
— Eu — ele hesitava em continuar — Eu, é... Eu posso te sequestrar só por essa noite?
— Oi? Você está maluco?
— Eu assumo a culpa para sua mãe depois, então por favor, fica comigo essa madrugada — ele pediu te envolvendo em um abraço carente e afundando o rosto em seu pescoço — Fica?
Da entrada de sua casa até onde Hoseok morava, deu cerca de 20 minutos em uma caminhada lenta e muda, mas o silencio não era incomodo de maneira alguma para nenhum de vocês. Desfrutavam apenas da presença um do outro, por vezes apenas segurando suas mãos de forma mais firme, garantindo que tudo aquilo era real.
Ele abriu a porta e assim que você entrou na residência, deu de cara com uma mulher saindo de um dos cômodos e se dirigindo a outro.
— Olá crianças — ela falou com um sorriso gentil e acolhedor — Como foi o encontro?
— Oi mãe, foi ótimo...— Hoseok articulou passando por você e indo abraçar a mulher que retribuiu o carinho — Ela não está linda hoje?
Você corou com o que ele disse e por um instante fuzilou o garoto com os olhos por te fazer ruborizar diante de sua sogra, não queria mostrar o quanto era vulnerável a ele a ponto de se sentir envergonhada por um singelo elogio.
— Muito linda — ela disse tentando se livrar dos apertos do mais alto — Se sinta em casa , Hoseok pega uma roupa da sua irmã para ela poder dormir.
— Sim senhora — ele assentiu por fim a soltando.
Ela sumiu indo para outro cômodo, mas vocês puderam a ouvir dizer para vocês não irem dormir tão tarde e ambos concordaram, mesmo sem ter planos para tal. A recepção da mais velha que lhe tratava tão bem todas as vezes que fora até a casa dele lhe fez acreditar que Hoseok já havia perdido a permissão dela para que passasse a noite ali e suas suspeitas foram sanadas quando entrou no quarto do rapaz, dando de cara com travesseiros e cobertores extras.
— Seu gatuno — disse quando entrou no cômodo sem se dar ao trabalho de acender a luz — Fez tudo de caso pensado, né?
— Mas eu não sabia se você aceitaria ou não, preparei minha parte e ai só faltava a sua — ele rebateu te envolvendo pela cintura.
— Certo, e onde eu vou dormir?
— Do meu lado — Hoseok respondeu em seu ouvido, a voz dele num sussurro não proposital que lhe fez arrepiar e responder no mesmo tom demasiadamente baixo.
Ele lentamente te virou para ele, seus rostos estavam próximos e então você tomou a iniciativa de cessar a curta distância existente entre vocês, um simples selar no canto da boca do rapaz que não se demorou em tocar sua cintura diretamente, por debaixo do tecido de sua camiseta. Podia ver os olhos dele inflamados de querer, você também ansiava por algo a mais que nunca tiveram a chance de experimentar um com o outro.
— É o que você quer? — ele perguntou e você assentiu — Tem certeza? Eu posso esperar...
O calou com um beijo que não se demorou em aprofundar-se, o contato entre vocês estava repleto de toques mais ousados que nunca tiveram audácia de experimentarem. Vocês apenas se conheciam por olhares e tímidos beijos, se davam por satisfeitos apenas por terem o carinho um do outro quando o dia era cansativo.
Hoseok levou uma das mãos para a sua nuca, enovelando seus cabelos aos dedos dele e a prendendo para si. Seus corpos passeavam pelos quatro cantos do ambiente, trombando com a mobília e derrubando algumas coisas quando buscavam apoio, vocês se distanciavam apenas para recuperar o fôlego e despirem das roupas que estavam sendo desnecessárias e limitantes para que suas mãos pudessem vagar sem reservas.
— Sua mãe vai ouvir...
— Só irmos com calma que ela não vai escutar nada — ele garantiu te puxando de volta para ele.
Quando por fim caíram sobre o colchão da cama do rapaz, você o sentiu distribuir beijos e suaves mordidas por sua pele quase toda exposta, coberta apenas por apenas as roupas íntimas, assim como o rapaz que no momento somente tinha sua intimidade encoberta. As mãos dele deslizavam por seu corpo de uma maneira que lhe causava formigamento por onde passava e deixava alguns apertões, fazendo com que leves gemidos escapasse por seus lábios com a atitude dele.
Sentir o resvalar dos lábios do mais alto sobre sua pele te deixava extasiada e com vontade de mais, sua respiração já estava descompassada e a de Hoseok não estava diferente.
O que restava de tecido sobre ambos os corpos foram retiradas com acanhamento, mas o desejo de ter um para o outro superava qualquer vestígio de vergonha que surgia no ambiente. Hoseok estava por cima de você, apalpou suas coxas e subiu lentamente para seus seios, os tocando e massageando.
— Você é maravilhosa — ele sussurrou em seu ouvido e voltou a sua boca, seus lábios se encaixavam com sincronia.
Hoseok se posicionava entre suas pernas enquanto prosseguia com o ósculo, a língua dele deslizava para sua boca lentamente e acariciava a sua de maneira carinhosa. Seus íntimos se atritavam e cada vez que isso acontecia, suspiros tomavam conta do quarto que parecia estar em chamas, tal como seus corpos que suavam e estavam pegajosos, contudo isso pouco importava e até tornava a cena mais lasciva.
Ele conseguia despertar em você um lado que jamais saberia da existência, talvez os toques nos lugares certos era o que trazia essa personalidade mais impetuosa à tona.
Ao cessar o beijo, Hoseok mantinha o rosto próximo ao seu, apoiado em uma das mãos, usou a outra para lhe tocar. Interessou-se primeiro por suas bochechas, descendo lentamente para seu queixo e em seguida foi em direção aos seus ombros, tudo com extremo cuidado, ele prosseguia com aquele ritual para te conhecer. Ele mantinha os olhos abertos e observava cada reação que tinha, o que mais lhe agradava ou que o que te deixava desconfortável, Hoseok queria saber tudo.
Quando tocou em sua intimidade, sorriu ao ouvir um baixo gemido seu, massageou a área por alguns instantes e sussurrou em seu ouvido o quanto era extraordinária, perfeita e outros adjetivos que lhe fizeram sorrir.
— Olhe pra mim — ele disso beijando sua bochecha.
Você abriu os olhos e mesmo com todo o breu presente no local, a fraca luz que passava pela fresta em baixo da porta fora o suficiente para que pudesse ver o semblante de Hoseok. Ele parou a caricia em seu íntimo e tendo você preparada para o ato, somente ai começou a te penetrar.
As tentativas de abafar seus gemidos eram bem sucedidas, mordiam seus lábios, apertavam os lençóis, se beijavam. O cabelo encharcado de ambos denunciava o quanto aquilo estava demandando energia, mas sequer pensavam em parar antes que garantisse o prazer um do outro.
Hoseok sorria cada vez que seus lábios se desconectavam ou você o chamava, clamando por mais. Não suportando mais manter aquele controle, o momento cobrava de dois jovens que se amavam por mais vivacidade, intensidade. O rapaz ergueu seus braços e com suas mãos unidas sobre sua cabeça, investiu com mais rapidez e empenho, tocando-lhe fundo e fazendo seu corpo estremecer sob o dele.
Ele sorriu quando sentiu você se contrair envolta do membro dele, chegando ao seu ápice e permitindo que ele alcançasse o dele pouco tempo depois.
Ofegante, Hoseok deixou o corpo dele cair sobre o seu e sem forças para resmungar do peso do rapaz, apenas o envolveu com seus braços e adormeceu enquanto acarinhava os cabelos dele.
— Eu amo você — falou baixinho e para sua surpresa, o escutou rir e em seguida dizer que te amava muito mais.

● ● ●

Aquela segunda estava com o clima agradável, dispensando o uso de qualquer casaco e era possível ver até algumas pessoas mais otimistas vestindo vestidos ou bermudas, você por precaução colocou um fino casaco na mochila antes de sair de casa rumo à escola.
Como sempre, andava desatenta a sua volta e perdeu todo o ar de seus pulmões quando sentiu sua mão ser segurava por uma outra alheia.
— Amor, você está bem? — Hoseok questionou analisando seu rosto.
Fechou os olhos para não o ver rindo de seu susto com a abordagem dele, respirou fundo e pigarreou para sua voz não sair tremula e ele acabasse rindo ainda mais de sua cara.
— Estou ótima.
— Sabe, eu pensei no que me disse... De querer alguém que te ajude a fazer o que não consegue sozinha — ele falou esbanjando aquele sorriso que poderia ficar admirando por toda a vida sem enjoar nunca.
— E qual a resposta?
— Isso — ele ergueu suas mãos unidas — Sou o cara perfeito para você, você não pode andar de mãos dadas com você mesma.
Você começou a rir, nunca havia pensado em uma resposta tão inocente e apesar de toda simplicidade que havia ali, a verdade era que realmente não existia alguém no mundo mais perfeito para você do que Jung Hoseok.