Duas semanas.
Exatamente duas semanas fora o necessário para pôr em pratica a lista. E confesso que foi mais fácil do que eu imaginei. Não estava nos meus cálculos o Jimin não desconfiar dessa minha aproximação repentina e associar isso com a . De fato ele é um canalha.
Obviamente se ele não desconfiou que eu ter me aproximado dele e ainda ter dado moral era algum tipo de vingança, ele deve estar pensando que eu sou o tipo de amiga falsa e uma puta atirada. Pobre menino.
Porém essa aceitação dele torna as coisas mais perigosas. Por mais que ele seja um idiota, o Suga não é, talvez ele tenha contado para o Suga sobre minha aproximação, talvez Suga esteja usando o Jimin como uma estratégia para me ferrar. É complexo chegar a uma conclusão agora, talvez depois que eu consegui ter uma aproximação mais intima com o Jimin eu possa desvendar se as intensões dele só meramente coisa de garotos pervertidos ou se há outro proposito por trás disso.
Minha mente só veio se esvaziar dessas paranoias na terceira semana após começar trocar mensagens e conversar com ele na hora de ir embora – isso foi um dos passos mais importante para pegar mais intimidade com ele. Se nas duas semanas anteriores eu já considerava nosso nível de intimidade alto, nessa terceira eu creio que já estava perfeita para brincar com os hormônios dele.
E eu estava certa sobre isso, estava mais do que na hora de começar a provoca-lo e isso tudo veio a realização na sexta-feira. O que eu não idealizava era que as menores ameaças — as que nem mesmo pareciam ameaças — ao longo do tempo, se tornariam apenas mais uma peça no xadrez para o Destino e Inferno.
● ● ●
Era intervalo, mas o pátio se encontrava quase vazio por exceção de alguns outros alunos do terceiro B que estavam sentados no palco que ficava grudado com o pavilhão dos primeiros anos. A maioria dos alunos sentados no palco eram meninos, havia apenas um grupo de três meninas que estavam muito concentradas rindo de alguma fofoca que outra estava contando.
Os meninos também conversavam, mas a conversa deles era algo mais suave eles não ficavam tão focados nisso e conversando o tempo todo. E um dos meninos era Jimin, este não estava no meio deles, estava um pouco isolado mesmo que ainda estive sentado no palco junto a eles, este estava concentrado em outra coisa. Em mim.
— Ele está te comendo com os olhos — sussurrou.
— Eu sei... Olha que descarado — eu ri — Como ele tem a cara de pau de me olhar dessa maneira depois do que ele fez com a ? Ele sabe que eu sou amiga dela.
— Você sabe, meninos... — bufou.
— A já superou aquilo? — questionei.
— Ah, claro que não né — respondeu — ela estava resmungando ontem por mensagem sobre o quão ela está arrependida de ter conhecido ele.
— Já está mais do que na hora torturar esse garoto — falei pensativa.
— Você ainda está com essa ideia de vingança? — a desaprovação veio junto a voz dela.
— Considere isso uma justiça — tentei tranquilizar ela, mas a verdade era que nem eu mesma acreditava que isso era justo.
— O que você vai aprontar? — havia desconfiança e hesitação na voz dela.
Escutar ela dizer isso me fez sorrir sadicamente pensando na minha mais nova brincadeira que provavelmente iria render muito para o ano todo.
— Vou seduzi-lo. — disse.
— Como? — ela estava confusa.
— Assim — abri os botões da gola do meu uniforme, deixando a sugestão de um decote — Me diz se ele ainda tá olhando.
— Você não presta ... E sim ele tá olhando, falta babar — ela riu.
— Se eu não presto, esse menino não tem valor nenhum — me defendi.
— Mas por que você vai fazer isso? A ainda gosta dele.
— Eu vou iludir ele... Vou apenas dar o troco.
— E é só esse o plano? Tipo, cuidado viu...
— Eu estou prestes a fazer 17 anos, não sou uma bobinha iludida de 12 anos que cai na lábia de qualquer menino — argumentei.
— Sim, mas também não é lá uma pessoa adulta — ela respondeu.
Acabei nem respondendo, sabia que não iria dar em nada ficar discutindo com a . Ela já deixou bem claro no dia em que fiz a lista não apoiar esse tipo de coisa e ainda me alertou que eu iria acabar ficando mal falada.
E sobre essa questão de ficar mal falada, eu realmente não ligo muito para o que vão pensar de mim. Tanto é que quando terminei com o Suga, a escola me olhava com pena quando me viam andar pelos corredores, já que depois do fim do namoro o Suga só foi para a gandaia. Eu nem ao menos tentava mudar qualquer tipo de ideia que ficou aplicada a mim para o povo da escola, já aconteceu de meninas me chamarem de corna na minha presença achando que eu iria me doer de alguma forma com isso, quando no final eu apenas ri como se isso fosse uma piada que só eu mesma entendia e o resto do mundo fosse insuficiente demais para entender.
— Me diz se ele ainda está olhando — desviei o assunto.
— Ele está vindo aqui — ela falou.
Por isso eu não esperava. Ouvir dizendo isso fez meu coração acelerar e meu estomago se remoer quando o nervosismo e um pouco de timidez tomaram conta de mim. Fiquei insegura temendo que eu não conseguisse conversar com ele.
Jimin nos cumprimentou e sentou ao meu lado.
— Oi Jimin — a voz de não demostrava nem um pouco de simpatia — Acho que vou lá pra sala, tenho umas tarefas pra fazer — ela se levantou e saiu sem ao menos esperar eu dizer tchau.
— Ela não gosta de mim né? — Jimin perguntou.
— Não sei... — menti.
— Então, vai ter alguma aula vaga hoje? — ele desviou o assunto.
— Não, por quê? Você vai ter? — fiquei interessada, quem não adora aula vaga?
— Ah, não, mas é que caso tivesse, eu estava pensando que poderíamos passar o tempo juntos — ele pareceu meio embaraçado ai dizer.
— E fazer o que? — provoquei.
A expressão dele oscilou, ele mordeu o lábio tentando conter algum tipo de emoção dentro dele. Se a intensão dele era não demostrar ter sido abalado pela minha pergunta, isso não funcionou. Eu estava ganhando. Estava...
Jimin mudou de expressão, e a nova expressão era o típico menino pervertido. A expressão não foi o pior de tudo, o problema começou quando ele aproximou os lábios do meu ouvido e sussurrou.
— Você sabe o que eu quero né? — a excitação estava visível na voz dele.
— Quero que você diga — ousei provocar mais ainda.
— Então , quer ficar comigo? — ele não hesitou nada ao dizer, parecia ter as palavras prontas na ponta da língua.
— Sim. Quando? Onde? — fui direta.
— Depois que bater o sino pra ir embora, me encontre perto do banheiro masculino.
— Banheiro masculino? Tem certeza que quer fazer isso lá?
Ficar logo no banheiro? Isso em si já era um perigo enorme e com o Jimin só tornava a situação mais perigosa. Com certeza ele ia tentar fazer coisas a mais que apenas uns beijos e isso ia ser o começo oficial da tortura dele.
— É, algum problema?
— Só achei que lá fosse sujo.
— Na última aula sempre lavam os banheiros...
— Então tudo bem, te vejo lá.
— Não invente de dar pra trás, ok? — ele se levantou — Agora vou ir pra minha sala, boa aula.
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As outras duas aulas foram maçantes. Ainda mais porque meu pensamento ia a voltava no que eu iria fazer assim que todos fossem embora. Eu sabia dos riscos, mas essa me pareceu a única oportunidade para ficar com o Jimin. Para minha sorte, nas sextas sempre tinha quinto horário que geralmente era voltado para Educação Física, aula de pintura ou violão. Meus pais não iriam suspeitar de nada se eu dissesse que fiquei para assistir a aula de pintura, já que desde cedo sempre gostei de desenhar.
Nos últimos 30 minutos da última aula, tive que convencer a de que eu iria mesmo assistir a aula de pintura e que era pra ela avisar meus pais. Ela não era tão burra a ponto de acreditar totalmente nisso e aceitou falar para os meus pais apenas para não discutimos.
Quando bateu o sino, acompanhei até a saída da escola e depois segui para o banheiro.
Confesso que acreditei que já estava crente de que seria realmente tudo fácil, mas é claro que o Destino não ia deixar as coisas tão fácil assim. Eu acredito que foi nesse dia que ele resolveu acrescentar o Inferno e começar a jogar de vez comigo.
Quando cheguei perto do banheiro, estava cheio de meninos, Jimin também se encontrava lá, é claro, ele estava encostado na parede com os braços cruzados, parecia impaciente.
De início pensei que fosse algum tipo de armação dele, quando me aproximei realmente de Jimin ele me deu um sorriso simpático, mas no olhar dele tinha algum tipo de alerta.
— Espera — a voz do Jimin quase saiu como um sussurro.
— Ok — assenti.
Alguns meninos entraram no banheiro e outros saíram. No grupo dos que saíram eu vi o rosto que iria me provocar medo e fúria nos próximos tempos, não era como se esse rosto já não me desse antipatia, mas eu não imaginava que poderia vir a se tornar pior. O dono desse rosto era Sehun.
Ele me viu assim que pôs os pés para fora do banheiro, ficou claro na expressão dele que este havia pensando algo fútil de mim, era isso que ele sempre fazia, era essa a natureza dele: me odiar.
— E ai Jimin, vai jogar hoje não? — a voz do Sehun saiu visivelmente como deboche, ele nem ao menos se importava de mostrar um pingo de respeito pelos outros.
— Não Sehun, mas que bom que você vai — Jimin percebeu de cara a implicância e respondeu no mesmo nível — Estão precisando de alguém para segurar a bolas... Ouvi dizer que você é muito bom nisso.
— Que eu me lembre a função de goleiro é sempre sua — ele riu com escarnio — Não se preocupe não irei roubar seu lugar.
Jimin ia responder, mas alguém acabou chamando Sehun, que deu um último sorriso sádico para ele e foi acompanhar os meninos que ia saindo do banheiro.
O humor de Jimin pareceu mudar totalmente com a conversinha do Sehun, até temi que ele fosse deixar para trás a ideia de ficar comigo. Mas quando ele se certificou de que não havia mais ninguém no banheiro e ninguém nos veria entrando lá, vi que a ideia ainda estava de pé e estava mais próxima do que nunca.
Agora eu não podia voltar atrás e nem pensava em fazer isso. Mesmo com um pouco de medo e ainda com poucas possibilidades de Jimin se apaixonar mesmo por mim e entrei no banheiro atrás dele.
Ele segurou minha mão, que só então me fez perceber que eu estava suando e tremendo, e me levou mais para dentro do banheiro, até uma parte que não era visível para quem passasse perto da porta.
Ele se encostou na parede e me encarou com outro tipo de expressão, o olhar dele demostrava algum tipo de desejo e então o clima todo mudou.
— Vem — a voz dele continha tesão.
Deixei o medo e o nervosismo de lado e fui até ele, quando me aproximei o suficiente ele inverteu nossas posições, e então eu estava presa entre os braços e o corpo dele. Minhas mãos foram ligeiras e encontraram rapidamente o cabelo dele, enquanto os lábios do Jimin já se ocupavam se harmonizando com os meus.
Uma coisa que eu não imaginava, era gostar do beijo dele. Me senti uma idiota sem dignidade por gostar dos mesmo lábios que a minha amiga tanto amava, mas não deixei que esses pensamentos me afastassem, me permitir lembrar que isso era apenas vingança.
Não demorou para o clima ir esquentando, as mãos de Jimin que começaram nas minhas costas, uma agora se encontrava indo para o meu bumbum e a outra sobre a minha cintura brincando com a minha curva por baixo do meu uniforme. As minhas eu também não limitei aos cabelos dele, agora eu deslizava ela no peitoral dele em rumo ao zíper da calça dele.
Eu com certeza iria chegar lá, se não tivéssemos sido interrompido.
Realmente não escutamos ninguém entrar no banheiro, mas a tosse nos alertou de que havia alguém presente. Quando nos separamos, pude ver o rosto em choque e sem jeito, já assumindo uma vermelhidão. Era um rosto familiar, no entanto, eu estava muito desnorteada e envergonhada para lembrar como ele se chamava, mas algo me dizia que esse menino era muito próximo de mim e que ele significava encrenca na certa.
Ele ainda sem jeito foi até uma das pia que tinha no banheiro, tirou um pequeno frasco que parecia remédio da bolsa dele, o abriu, depois fitou o espelho e aproximou o frasco dos olhos dele, era um colírio, e o aplicou, fez o mesmo processo com o outro olho, depois guardou o colírio novamente na bolsa, lavou as mãos e voltou a nos fitar.
— Vou fingir que não vi nada, e não se preocupem, não irei contar para a minha mãe — ele falou.
Acabei lembrando quem era esse menino. Ele era da mesma turma que eu, essa provavelmente era a primeira semana dele aqui na escola, pois eu me lembro de não ter visto nenhum menino igual a ele nas outras semanas. Ele é o tão comentado filho da diretora, que segundo alguns é um dedo duro e chato, e o nome dele é Jungkook.
