War of Hormone: Capítulo 3



          Pela quarta vez na semana eu tive o mesmo tipo de sonho, sempre com o mesmo menino do rosto no qual eu não consigo ver e ele sempre sussurrando algo que eu não consigo entender, mas a maldade esta visível na voz dele. Eu sinto como se o menino fosse alguém familiar, alguém que eu vejo quase sempre, que até mesmo eu possa confiar, mas eu também vejo o perigo em me aproximar ou responde-lo. Era como se eu estivesse diante uma armadilha no qual eu sabia a existência, e eu estivesse disposta o suficiente para correr o risco de enfrentar a armadilha.
Tentei achar um motivo para justificar esses sonhos, tipo, sonhos tem algum significado certo? Mas não consigo achar nenhum significado real em algum menino provavelmente da minha idade sussurrando coisas pervertida e eu tentada a ir atrás dele.
Guardar isso apenas para mim esta me deixando incomodada, esse sonho esta começando a me atormentar, se eu ao menos tivesse sonhado com isso uma vez, mas o mesmo tipo de sonho quatro vezes? Tem algo errado ai.
—  terra chamando — me trouxe de volta para a realidade.
— Que horas são? — me virei para trás na direção dela.
— , por favor, olhar para o quadro — o professor chamou minha atenção.
Qual é? Eu mal havia virado, não ia fazer nem dois segundos que eu me virei para direção da e ele já pulou com as garras em cima de mim. Às vezes sinto que ele tem algum tipo de implicância em particular comigo, desde que ele chegara na escola ele nunca perdoara e relevou um errinho meu, por mais bobo que fosse, enquanto o resto da sala estava prestes a colocar fogo na escola ele ainda insistia em se voltar particularmente para me contrariar.
Me virei constrangida e com certeza com as minhas bochechas pegando fogo, pela milésima vez no bimestre tive vontade de começar o maior barraco com ele, mas uma coisa que eu aprendi que é essencial para sua sobrevivência na escola, ainda mais no médio (no meu caso eu estou no primeiro ano do ensino médio) é que conflitos com professores não contam lá como um ponto positivo na sua moral escolar. Esperei ele terminar de explicar para ir falar com a .
— me ajuda — pedi.
— Com o que? — ela perguntou já percebendo que vinha muita coisa.
— Primeiro com um sonho, eu estou sempre sonhando com um menino que parece encrenca — falei.
— Talvez seja o Jimin... — ela murmurou.
Eu ainda não havia contado pra ela que eu havia ficado com ele e muito menos que o filho da diretora tinha pegado nós no flagra ficando no banheiro masculino, e se eu contasse com certeza ela me mataria sem pensar duas vezes, já que eu de uma forma nua e crua acabei ficando com o ex de uma amiga minha, mesmo que as minha razões pareçam boas, o fato é que eu não agi como uma amiga.
— P-por quê? — perguntei.
— Ai , me poupe, até parece que eu não sei que tu ficou com o Jimin, eu te conheço — ela respondeu.
— Então você acha que eu estou tendo esses sonhos por causa disso?
— Claro, você esta com peso na consciência.
— Mas e se não for o Jimin?
— É só um sonho! A não ser que tenha mais coisa que tu não me contou.
— O filho da diretora pegou eu e o Jimin ficando.
Os olhos dela arregalaram, se inclinou mais sobre a mesa para aproximar o ouvido dela de mim, já imaginando que a coisa tinha ficado feia.
— E ai? — o medo estava visível na voz dela.
— Ele disse que não era pra nós nos preocuparmos, ele não iria contar para mãe dele, só.
— Sério? Estranho isso.
— Talvez ele não seja dedo duro como o povo diz.
— Sei não, algo nisso não me cheira bem. 
— Mas ele realmente não parece alguém mal. Olha para ele — procurei o menino que geralmente ficava sentado no canto da sala, o mais isolado possível.
E lá estava ele, dormindo. Incrível que se fosse eu no lugar dele o professor já teria dado azia, mas acho que ser filho da diretora deu alguns benefícios pra ele. Um belo motivo pra esse menino ser odiado. O filhinho da diretora, o menino intocável. Mas vendo ele dessa forma tão calmo e tranquilo, ele parecia mais um menino inofensivo e fofo.
— Esta bem, ele parece ser um menino legal, mas isso não muda que você esta brincando com fogo, o Jimin não me parece alguém bom.
A costuma estar certa sobre muitas coisas, mas sobre o Jimin ser elevado ao nível de “fogo”, ela exagerou demais, não a culpo, ainda naquela ocasião eu não havia brincado realmente com o fogo, então Jimin naquele momento realmente aparentava ser um perigo, mas isso durou até a teoria de que ele era o menino do sonho acabar.
Voltei a olhar para o Jungkook, ele dormia feito um anjo. Talvez naquele momento ele fosse realmente fosse um anjo, ele ainda não havia sido corrompido pelo mal, ainda estava puro. Gostaria de ter conhecido esse Jungkook e não o Jungkook malvado que se revelou pra mim junto com o Inferno.
Eu acredito que esse momento no qual eu reparava a pureza dele, foi quando o Inferno me viu admirando o garoto e achou que ele seria uma boa peça para o tabuleiro dele, é, tenho quase certeza disso.
Foi eu encontrar o olhar dele (Inferno), que ele abriu um sorriso típico dele, sádico e com a encrenca evidente, e se virou para a carteira atrás dele, a carteira de Jungkook e cutucou o menino.
Eu não podia continuar a olhar eles, ia parecer que eu estava curiosa, na verdade eu estava, mas eu não podia ser descarada a esse ponto, ficar olhando para a direção deles, tentando descobrir o que eles falavam, fora que nesse tempo como eu já deve ter ficado claro eu nem suspeitava de nada.
Voltei a pensar no sonho, não saber quem era o menino estava me preocupando muito. Eu precisava descobrir o nome do garoto encrenca. Se eu tivesse suspeitado que o garoto encrenca era o Inferno, talvez eu nunca tivesse me ferrado tanto na mão dele. Mas é claro, a sorte não costuma a estar ao meu lado, então, eu naquele momento acreditei que o garoto era o Jimin.
—  — outra vez alguém me acordando de meus desvaneios, será que não tenho mais direito de pensar também?
E isso foi algum tipo de maldição ou coincidência ou obra das trevas? Era justamente o Jungkook que estava me chamando me trazendo de volta ao mundo e eu nunca havia conversado com ele, estranhei de cara, ainda mais depois que vi Sehun conversando com ele.
— Sua bolsa esta no chão — ele falou e seguiu para a porta.
Confesso que cheguei a me iludir achando que ele ia dar algum tipo de cantada me zoando (típico do Sehun) ou ele tentar puxar assunto, já que é o que a maioria dos garotos vem tentando fazer comigo. Porém era mais que isso, era um aviso. Eu estava sendo descuidada. E nessa parte entra mais um dos “se”, se eu tivesse percebido, se eu tivesse me tocado, se eu tivesse entendido. Aquilo era um recado. Me dizia claramente pra tomar cuidado.

● ● ●

Quando as coisas vão bem demais é melhor desconfiar, e eu não desconfiei.
Jimin já estava na palma da minha mão, acabou descobrindo, mas ela me entendeu e falou que estava até disposta a me ajudar, e estava me ajudando mesmo, me contando os pontos fracos dele que ela conhecia. Jimin já estava completamente apaixonado prestes a me pedir em namoro. Mas isso não era nem o melhor. Eu já estava com outras vitimas na corrente, o pobre J Hope que eu precisei apenas de palavras pra ele ficar na minha, nenhum beijo. Isso que eu considero um sucesso. O V eu tive que pular, ele jamais iria cair nos meus papos, ele me odeia. E então tive que começar a ficar com o Chen. E foi ai onde tudo desandou.
Eu ainda estava ficando com o Jimin quando comecei a ficar com o Chen, eu tinha que ficar enrolando os dois, ambos não perceberam, mas o Inferno e o Demoniozinho (Jungkook), já estava me observando, enquanto eu ainda nem imaginava que eles eram uma ameaça.
Mas é claro, não ia demorar até eles mostrarem as garras deles. E foi um dia após eu ficar com o Chen perto da biblioteca da escola.
O fato de ser da mesma sala que o Demônio e o Inferno é um azar em si e ficar com eles, sozinha, é um perigo. A prova disso é que bastou eu ficar apenas alguns minutinhos a mais na sala com eles.
O maldito professor que tanto me “ama”, encheu o quadro de tarefa, nem considerou que já estava prestes a bater o sino para ir embora e continuou a encher o quadro de tarefa. E eu tenho uma desvantagem nisso, eu demoro muito copiando. que estava impaciente ficou apenas dois minutos esperando eu copiar até que resolveu ir embora sozinha.
Julguei que depois que era fora, era só e na sala, já que Sehun e o Jungkook estavam tão silenciosos no fundo da sala, se eu tivesse visto, não teria cometido o erro de ficar só com eles lá, iria embora sem copiar, mas jamais ficaria com eles.
Ai o estopim para o terror começar se realizou. Meu celular que por um costume bobo eu costumo deixar em cima da mesa, vibrou, eu peguei ele e o desbloqueei, era uma mensagem no What’s da , eu estava prestes a responder, quando escutei um barulho originado da carteira atrás de mim, e uma mão pegou meu celular, olhei para trás confusa, ache que fosse até um  assalto, mas era o Sehun. 
Só o sorriso que ele me deu, enquanto os olhos estavam pregados na mensagem da , fora o suficiente para fazer uma ira subir em mim. Me levantei prestes a matar ele.
— Hey! Isso não é da sua conta me devolve meu celular agora Sehun! — bufei.
 Irritante, idiota e intrometido. Como uma pessoa podia ser tão miserável e desgraçada como Oh Sehun? Tudo que eu queria naquele momento era arranjar a hora certa pra meter a mão na cara dele, mas infelizmente minha falta de força e coordenação física dificultava minhas reais intenções. Então, eu fiz o melhor que eu conseguiria fazer naquele momento:
Tentei tirar o celular da mão dele, mas minha tentativa foi inútil ele era mais alto que eu e mais forte também, além de colocar o celular no alto com uma das mãos me afastou dele com a outra mão.
— O que poderia ter demais no seu celular? — ele provocou — Suas conversar indecentes com o Jimin? Ou com o Chen?
A sugestão dele foi como um balde de agua fria. Como Sehun sabia deles?
— Do que você esta falando? Está ficando louco? — tentei tomar outra vez o celular dele, mas ele se esquivou.
— Oh... Não se faça de inocente — a voz dele saiu com um tom escárnio.
Ignorei ele e tentei pegar outra vez o celular, dessa vez ele me segurou e me imprensou contra a mesa utilizando uma das pernas dele para me manter presta entre ele e a mesa. Uma das mãos dele foi até meu queixo e levantou meu rosto até a altura dele.
— Você pode esconder de outras pessoas o fato que você é uma putinha, mas não de mim — ele sussurrou — agora vamos lá, me diga que lista é essa que você estava conversando sobre com a ...
Será que ele tinha lido o suficiente sobre a lista? Se ele descobrir sobre esta será o suficiente pra por meu plano por água abaixo. Ele não pode de nenhuma maneira ter acesso à lista, que por um acaso de grande azar estava totalmente desprotegida em cima da minha carteira dentro da agenda que eu havia comprado junto com a .
Ele acabou percebendo meu olhar sobre a agenda e um sorriso sádico logo se formou no rosto dele. Não, ele não podia ter de jeito nenhuma associado a agenda a lista.
— Jungkook, pega a agenda. — ele ordenou.
Jungkook que até então só estava quieto assistindo Sehun me infernizando, por fim se moveu e desceu da carteira que ele estava sentado, foi até a minha e pegou a agenda.
— E agora? — Jungkook perguntou.
— Me dê. — Sehun respondeu.
— Não Jungkook... — implorei.
Nessa hora vi um pouco de hesitação do Jungkook. Ele parecia confuso, olhava para a agenda com profunda duvida e depois olhava para a mão do Sehun estendida para ele esperando a agenda.
Tentei empurrar Sehun, mas ele estava muito firme com uma das coxas entre as minhas pernas e agora passou a usar a mão que estava com o celular para segurar os meus braços que ele conseguiu imobilizar sem muito esforço.
— Anda Jungkook. — ele falou.
— Mas... Isso é a privacidade dela Sehun! — Jungkook tentou argumentar.
— É só a lista! — Sehun falou.
— Mas o que é essa lista? — Jungkook perguntou.
— É isso que eu quero descobrir — Sehun falou.
Jungkook pareceu se convencer e estava prestes a entregar a agenda para Sehun quando meu celular vibrou e voltou a chamar a atenção de Sehun.
Ele me soltou e se afastou de mim para ler a mensagem, tentei pegar dele, mas infelizmente o Jungkook tinha descido do muro e ficado totalmente do lado do Sehun e me impediu de tomar o celular do Sehun me imobilizando com meus braços presos atrás.
— Me solta, por favor... — tentei fazer um tom choroso.
Não tive nenhuma resposta e tive que ficar observando Sehun encostado na lousa lendo sabe lá qual conversa minha e pelo jeito se divertindo muito com o que lia, já que ele sorria vitorioso a cada segundo que passava.
— Então você quer se vingar desses meninos... — Sehun riu — Além de biscate é uma capetinha mesmo...
A atenção dele foi para a agenda. Nessa hora fechei os olhos e rezei para ele não encontrar a folha onde estava escrito o nome dos meninos, cruzei os dedos e esperei algo acontecer para me salvar disso.
Sehun soltou um riso sádico e fez um estalo com a língua.
— Oh, aqui esta... — Nessa hora eu juro que vi os olhos mais demoníacos do mundo. 
Ele pegou a folha que estava à lista e colocou a agenda em cima de mesa. Os olhos deles voltaram para a lista, enquanto ele lia, parecia mais sádico do que de costume, foi o suficiente para eu me dar conta que ele era o garoto do sonho, ele era o perigo. A expressão dele enquanto lia era quase desumana, não esperei mais nada de bom depois disso.
— Então o Jimin foi o primeiro? — Sehun perguntou — Por isso o nome dele esta com um ‘x’ na frente?
— Isso não é da sua conta! — respondi.
— Será que vou ter que usar o vídeo também? Só o fato de eu ter a lista em minhas mãos não é suficiente para você ser uma boa garotinha? — ele se aproximou de mim — Pode soltar ela agora Jungkook.
— Video? — perguntei.
— Dois, um de você quase transando com o Jimin no banheiro, onde vocês sempre se pegam durante a sexta e outro que eu gravei ontem, você e o Chen se pegando perto da biblioteca.
Aquela expressão “O gato comeu sua língua” nunca se aplicou tão bem a mim quanto agora, eu não estava só muda, como em choque, enquanto eu processava o que ele falara, era como se o tempo tivesse parado, como se fosse só eu e o meu coração acelerado. Só quando ele riu, que eu voltei a realidade.
— Agora vai se comportar né? — ele perguntou enquanto acariciava a minha bochecha com o indicador.
— Vai se ferrar! — praguejei.
Tentei me distanciar dele, mas este segurou meu braço e com a outra mão segurou firme meu queixo e me fez o encarar outra vez.
— Você ainda não esta entendendo a situação né?
Eu não estava mesmo, qual é a dele?
— O que você quer? — tentei entender.
— Uma boa pergunta... — Sehun riu — Vejamos... Que tal uma proposta justa? Meu silêncio, pelos seus favores.
Isso foi uma ameaça? O que é que ele tenha insinuado com isso, eu fingi não me afetar e mantive minha expressão firme sem oscilar, eu não iria deixar ele usar nada contra mim, nenhum vídeo, nenhuma lista.
— Enfia o seu silencio no cu! — tentei deixar a minha voz o mais ácida possível.
A expressão dele continuou a mesma, eu esperava que ele fosse se irritar ou rir, mas nada, continuava com aquele mesmo ar de superioridade, como se ele já esperasse isso de mim.
— Muito agressiva pra alguém que esta por baixo não acha Jungkook? — ele finalmente riu, sadicamente é claro — Então você não liga se eu espalhar por todos os grupos do What’s você com o Chen e com o Jimin? Contar para os meninos sobre essa lista boba e infantil?
— Vai lá, boa sorte — respondi.
— Vou começar pelos seus pais, depois quem sabe avós...
Eu não tinha pensando nessa parte. Quando ele me ameaçou achei que ele só tentaria me sujar para a escola, não iria tão afundo. Isso me fez perguntar, o que ele tinha contra mim? Por que ele estava fazendo isso? Que ele nunca foi com a minha cara eu já sabia, eu também nunca fui com a dele, mas nunca tentei o atingir ou se quer falei o nome dele.
— O que eu fiz pra você? — perguntei.
Essa não foi uma das melhores reações que eu poderia ter, o certo era me manter firme, mas com a pergunta acabei demostrando uma hesitação e logico uma falha que ele iria aproveitar para explorar.
— Nada em particular — ele respondeu — Mas e ai, temos um acordo?
— O que você vai querer? — nesse momento já tinha ficado claro que ele me tinha na palma das mãos.
— Que você faça tudo que nós pedirmos.