Chanyeol: Algo mais que apenas amigos




— Chanyeol — você o chamava.
— Me deixa em paz!
— Chanyeol — você voltou a o chamar pelos corredores do colégio.
Alguns alunos olhavam para vocês dois e ambos apenas ignoravam os curiosos que os encaravam por onde iam, você continuava perseguindo o mais alto e ele permanecia numa tentativa frustrada de te ignorar e deixar para trás.
— Ya! Chanyeol... Me espera.
— Não — ele retrucou — Vai embora...
— Seu poste ambulante, pode deixar de ser ignorante por 2 minutos e me escutar?
— Não quero falar com ninguém, muito menos você...
Vocês tinham acabado de ter uma discussão idiota e nada agradável por causa de um trabalho que você fez e passou para ele apenas entregar com o nome dos dois, você tinha feito tudo e ele só precisava imprimir e levar na aula, porém o mesmo não fez nem isso e agora ambos estavam de dependência na matéria.
— Quem deveria estar brava e revoltada aqui era eu — você disse ainda o seguindo pela escola — Como você pode ser tão idiota?
Idiota que você estava cansada de gostar. Sim, infelizmente você era apaixonada por ele. Eram apenas amigos até o presente momento, porém era nítido que sentiam algo um pelo outro, bem... Pelo menos você sentia e em certos momentos tinha plena certeza de que tal sentimento era reciproco.
— PARK CHANYEOL — você berrou furiosa — Para de me ignor-AAH!
O menino tinha acelerado os passos e você ia atrás dele ainda, só que agora correndo para o alcançar e sem se importar de olhar para os lados, por conta disso, algum outro distraído se chocou contra você e ambos foram ao chão de uma maneira vergonhosa, mais para você do que para ele.
— Machucou? — ouviu o menino perguntou abaixado ao seu lado.
Você estava massageando o seu tornozelo que torceu com a queda e estava pronta para dar uma bela resposta para o garoto, porém todas as palavras sumiram quando você o encarou. Ele deu um sorrisinho envergonhado e isso quase te levou a óbito, ele tinha uma covinha que sugou todo o ar de seus pulmões e dispersou qualquer hostilidade de sua mente.
— Es-Estou bem — você falou ainda o olhando e ele levantou.
— Está bem mesmo? — ele estendeu as mãos para você e sem hesitar, você as segurou.
Tirando o fato que estava morrendo de vergonha por ter caído de uma maneira toda torta no chão na frente dele e de metade da escola, acreditava que estava tudo bem. Até tentar levantar e sentir uma fisgada no tornozelo que estava massageando segundo atrás.
— Acho que não muito bem quanto gostaria — você respondeu envergonhada.
— Eu te levo até a enfermaria — ela falou solicito.
— Não precisa — uma terceira voz invadiu meus ouvidos — Você já causou problemas demais.
O menino com quem eu havia trombado olhava para o outro confuso — Quem é você?
— Sou namorado dela — Chanyeol respondeu e eu o olhei espantada. Como assim sociedade?

● ● ●

— QUEBRADO? — você questionou incrédula — Mas eu só caí.
— Tá vendo o que você fez?! — Chanyeol rosnou para o outro — É tudo culpa sua.
— E você ignorando a menina, ela não estaria correndo pelos corredores se você não fosse um idiota — Lay, o menino que caiu junto com você, falou.
Acabou que os dois foram ao seu lado até a enfermaria e numa discussão tripla, Chanyeol vs. Você, Chanyeol vs. Lay e Lay vs. Você, sim... Acabou que no caminho você acabou discutindo com o menino que acabará de conhecer também.
— Da para vocês pararem? — você bradou — Foi tudo culpa exclusivamente minha! Eu confiei em você — você apontou para Chanyeol — E você não fez a única coisa que te pedi e ainda ficou bravo quando reclamei... E você — dessa vez apontou para Lay — Me desculpe, eu não deveria estar correndo pelos corredores, mas você também não estava andando muito devagar.
— Desculpa — Lay falou se aproximando e Chanyeol o segurou.
— Onde você pensa que vai?
— Ficar perto dela — o mais baixo respondeu — Afinal, segundo você mesmo, foi culpa minha, então vou ficar com ela até a ver melhor.
— Como é?
— Como é o que? — Lay falou irônico — Você não é nada dela, felizmente — ele se sentou numa cadeira próxima a maca que você estava deitada.
Você soltou um suspiro pesado e fechando os olhos para os dois meninos se provocando de infinitas maneiras, você ficaria ali esperando um responsável vir te buscar e te levar para o hospital.

● ● ●

Você ficaria 2 meses com o pé engessado, desse tempo só havia passado 1 semana e esses dias foram os mais curiosos da sua vida.
Depois de três dias afastada da escola, os quais você falava com veemência que eram escassos, afinal queria ficar pelo menos um mês em casa, voltou as aulas sem muito ânimo e assim que se sentou na sua carteira habitual, notou que havia três envelopes pequenos sobre a mesma, um azul, um vermelho e outro verde.
Olhou para o lado buscando de quem poderiam ser antes de notar seu nome escrito em ambos.
Ficou surpresa quando os abriu e leu o conteúdo do papel delicado que havia dentro, eram versos de amor... Nos outros haviam as mesmas coisas, só que um tanto mais brutas e extensas do que versos românticos. Você sorriu ao reler as três cartas que, indiscutivelmente, eram da mesma pessoa. No dia seguinte a cena se repetiu, mas era apenas um envelope e dentro, palavras de incentivo e trechos melosos, você achou aquilo incrivelmente fofo.
O mês passou voando e todas as manhãs o envelope estava lá. Teve algumas vezes que até tentou chegar mais cedo para ver se descobria quem era o autor das cartas, mas sem sucesso e puro tédio por ter que ficar quase uma hora sozinha esperando o restante da turma chegar e o professor iniciar a aula.
O professor era aquele que havia deixado você e Chanyeol com as notas abaixo da média, depois de muito insistir para o mesmo, afinal não queria passar as férias na escola, ainda mais com um gesso de brinde — que por sinal estava incomodando mais do que deveria, o mestre aceitou que você e Chanyeol entregassem o trabalho que você havia feito — mas ele não sabia desse pequeno detalhe — e teriam que fazer um outro e os entregar na semana seguinte.
Tudo para se livrar da escola, você aceitou de imediato e foi falar com o mais alto.
— Como é? Eu vou fazer? — ele questionou com a voz estrondosa completamente elevada. Se não fosse acostumada com o tom do rapaz, teria se assustado.
— Sim — você confirmou — Eu fiz o outro sozinha, nada mais justo do que você fazer esse sozinho também.
— Mas a nerd é você ! — o menino protestou.
— Eu sei que você é uma anta sem cérebro, mas é assim que vai ser, anda... Termina logo.
— De que adianta eu fazer se vamos tirar zero? Melhor você fazer e eu te pago, como sempre — ele falou.
— Sem pagamentos, eu posso te ajudar para você enfim aprender a matéria — você sugeriu — O que acha?
O menino bufou e ficou em silencio por alguns segundos — Tudo bem, na sua casa ou na minha?
— Na sua — você disse apressada, não aguentava mais ficar em sua própria casa sem fazer nada ou até mesmo fazendo alguma coisa. Se sentia sufocada. Ele sorriu e concordou, vocês marcaram um horário naquele mesmo dia.

● ● ●

Estava parada a frente da escola esperando sua mãe ir te buscar e para variar, ela estava atrasada.
— Não acredito que ela me esqueceu — você resmungou para si mesma.
— Quem te esqueceu? — Lay perguntou parando ao seu lado e rindo do susto que você tomou quando ele se pronunciou.
— Minha mãe — você respondeu tentando controlar a respiração que havia se descompassado — Geralmente é meu pai que vem me buscar, mas hoje ele não poderia vir e era ela que viria me buscar...
— Se quiser, posso te acompanhar até em casa — ele se ofereceu e devido a hora, você acabou aceitando.
Você morava perto da escola, mas devido ao tornozelo quebrado, ficava complicado ir andando até em casa e por isso estava dependendo de seus pais para te levar e buscar.
Ele segurou sua mão e pediu para que se apoiasse nele e a curtos e lentos passos, começaram a andar. Ele levava a própria mochila e a sua também, além de te ajudar a equilibrar, já que dispensou as muletas convencionais e optou por uma espécie de bengala.
Um caminho que você fazia em 10 minutos, acabou levando quase 40 e você se sentia envergonhada. Se desculpou algumas vezes e ele apenas ria, esbanjando aquela covinha que te cativou completamente, sem contar que ele inteiro era lindo, por infelicidade do destino, seu coração acelerava apenas por outro, ou era o que você pensava.
Quando se despediu do menino, ele se aproximou e deu um demorado selar sobre seus lábios — Pagamento pelo meu tempo.
E assim ele foi embora, te deixando atônita parada com os dedos tocando os próprios lábios, desacreditando o que tinha acabado de acontecer. Sua mãe saindo apresada com um pano de prato no pescoço te acordou dos devaneios.
— Ai meu Deus — ela falou com a voz chorosa — Me desculpa filha...

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— Esse trecho é legal colocar — você falou grifando o que tinha acabado de apontar.
— Isso é muito complicado.
— Para de ser chato e faz logo — disse deitada sobre a cama do menino e com a perna um pouco mais erguida por conta dos travesseiros — Está quase acabando.
 Hm — ele se limitou a dizer.
Ficaram mais um tempo discutindo sobre um trabalho e você dizendo o que ele deveria colocar ou não, como escrever algumas coisas e diagramando a folha para que tudo ficasse perfeito e vocês se livrassem da dependência.
Se recusava e ter que ir para a escola nas férias, inadmissível.
— Chanyeol — você o chamou quando por fim acabaram e esperavam as folhas serem impressas — O que você faria se alguém te beijasse do nada?
— Esse alguém se chama Lay? — você assentiu e o menino rodou a cadeira do computador e ficou te encarando por um longo momento — Você gosta dele? — ele questionou com o timbre tenso.
— Ele é bonito, simpático, legal, educado — o mais alto revirou os olhos e você riu — Enfim, ele me levou em casa hoje porque minha mãe me esqueceu na escola... Mas não, não gosto dele.
— E o menino das cartas?
— O que tem o menino das cartas? — você perguntou, mas depois se sentou na cama com a mente confusa — Como você sabe sobre as cartas?
— Por que sou eu que escrevo.
— Como assim é você? — sua mente deu um curto circuito por alguns instantes, não podia negar que amava as cartas e apenas estava indo todos os dias com a missão de chegar lá pela manhã e ler as doces — um tanto grossas por vezes — e incentivadoras palavras.
— Por que você o beijou? — Chanyeol questionou ignorando a sua pergunta — Porque se não gosta de alguém, você não beija essa pessoa.
— Eu não o beijei, ele que me beijou.
— Mas você correspondeu — ele arriscou em dizer — Não é?
— Não.
Você só notou que Chanyeol estava a sua frente, literalmente, quando ergueu os olhos para o mesmo, sentiu suas respirações cruzarem de uma maneira suave e o olhar dele para você, te convidava a se aproximar mais. Seu olhar para ele deveria estar emanando o mesmo para o rapaz, que diminuía a distância entre vocês a cada segundo.
— Eu odeio gostar tanto de você — Chanyeol sussurrou próximo ao seu ouvido e isso te fez ficar arrepiada, havia malicia na voz dele e isso de alguma forma te excitou.
— Yeol — você nunca o chamava pelo apelido e quando ele ouviu, um sorriso que desbancava qualquer outro no universo surgiu no rosto do mais alto.
O chamou para tentar protestar, mas falhou completamente. Você estava de short e era quase possível ouvir um coro de aleluia vindo do rapaz quando tocou suas coxas descobertas e as alisou, deixando em alguns momentos apertões que de entorpeciam.
Ele parou as caricias em suas pernas e levou as mãos para seu rosto, acariciando a área de uma forma suave — apaixonada — e selou seus lábios algumas vezes.
— Você não pode nunca mais deixar outro cara te beijar — ele falou antes de tomar seus lábios de uma maneira possessiva, ainda assim gentil.
Depois de algum tempo apenas descobrindo as áreas sensíveis um do outro, ambos já estavam deitados e com todo cuidado com o seu tornozelo ainda engessado, Chanyeol distribuía beijos, leves chupões e mordicava seu pescoço e sorriu ao ouvir você não conter um gemido.
Levados pelo calor do momento e por sentimentos que nutriam a um tempo consideravelmente longo, a cada oportunidade que surgia, uma peça de roupa de ambos ia parar um canto qualquer do quarto masculino. Uma das mãos dele apertava sua coxa e subia para sua cintura e alisava a região, enquanto a outra apoiava o peso do próprio corpo.
Os beijos que vocês trocavam estavam cada vez mais vorazes e excitantes, você acariciava o tórax do rapaz e enroscava seus dedos nos cabelos do mesmo, o puxando para si. O cômodo, trancado, se tornava cada vez mais quente e lascivo, a mãos dele que voltava a sua coxa por diversas vezes, dessa vez sumiu e foi de encontro a sua intimidade, coberta apenas pela sua calcinha. Ele massageou a área e quando você gemeu e chamou pelo nome dele, os movimentos se intensificaram.
Ele já estava completamente nu e em você, apenas restava o tecido fino que cobria as suas partes de baixo, logo Chanyeol tratou de te despir completamente e se posicionou entre suas pernas. O membro dele se atritava contra a sua intimidade e suaves gemidos saiam da boca de ambos entre os beijos.
Ele brincava com o bico de um de seus seios enquanto te invadia aos poucos, tal lentidão estava te levando a loucura, você confiava que a intenção dele era te torturar ao invés de dar prazer. Chanyeol passou a se mover, ainda devagar demais para o seu gosto e continuou sendo arrastado, mas não deixou de ser bom, você vez ou outra erguia seu quadril buscando mais do galego. A boca do rapaz envolvia seu mamilo e você sentia a língua do mesmo rodar sobre a área.
 Yeol — você o chamou, na verdade estava mais implorando — Por favor...
Chanyeol apenas riu, a luxuria nos olhos dele era quase palpável. As estocadas ganharam mais velocidade e seus corpos suados — tanto pelo o que fazia, tanto pelo clima quente que tinha sobre a cidade nos últimos dias — se chocavam e o som de tal atrito era como um estimulante para vocês. Chanyeol te invadia de forma mais agressiva, mas sem te machucar ou ferisse de alguma maneira, estava sendo completamente prazeroso.
A missão dele era te ver fora de seus sentidos e ele conseguia isso com total sucesso com as estocadas e caricias por todo seu corpo. Ora investidas rápidas e precisas, ora lentas e torturante, sem um ritmo constante. Chanyeol tinha as mãos em sua cintura e te puxava contra ele a cada estocada, aprofundando o contato entre seus íntimos, o sentia por inteiro em você, te preenchendo e fazendo seu interior estremecer.
O ápice do momento entre vocês não tardou para chegar, seus arfares estavam pesados e descompassados, misturados com seus gemidos e o estalo de seus corpos se encontrando a cada estocada do mais alto.

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Vocês acabaram adormecendo depois de recuperarem o folego para o que tinham acabado de fazer, cobertos com um fino pano que amenizava o calor do ambiente.
Quando você abriu os olhos, estava deitada sozinha. Olhou ao redor tentando se lembrar se havia perdido algum detalhe que, devido ao sono, pudesse ter escapado se tivessem falado com você. Ouviu o barulho do chuveiro e logo recordou que abriu os olhos brevemente quando sentiu aquele ao seu lado levantar e ele apenas exclamar “volte a dormir, só vou tomar um banho e já venho”.
Olhou para o relógio e teve uma surpresa quando viu um dos envelopes que sempre achava sobre a mesa na escola, obviamente fora posto ali pelo mais alto antes de ir para o banho, sem delongas, tratou de o pegar rápido e abrir para ler. Estava mais pesado que os outros que sempre recebia e sorriu quando começou a ler.
“Você é perfeita para mim, eu imaginei... Como seria se estivéssemos juntos? Se você somente disser "OK", tudo será perfeito, oh baby...”
— Chanyeol, idiota! — exclamou com lágrimas dos olhos.
— Idiota é você — ele falou saindo do banheiro e sentando ao seu lado apenas com uma toalha presa ao quadril — Minha idiota.
Dentro do envelope também havia duas pulseiras idênticas, elas marcariam de uma forma sútil que eram um do outro, mas bem antes de tudo isso, você sabia que era dele a muito tempo e ele se sentia da mesma forma, ele era seu.
De corpo e alma.