Havia seis meses que você e Kai tinham terminado um namoro de mais de dois anos, decidiram romper após inúmeras brigas entre vocês, principalmente nos últimos dias em que estiveram juntos. Ele dizia que você nunca estava feliz com nada do que ele fazia e você o acusava de ser imaturo e irresponsável, que pensava apenas em si próprio.
Cada um tentou seguir com sua vida normalmente depois do fim da relação entre você, mas era evidente que vocês ainda se amavam, você teve uma crise de depressão nos primeiros dois meses e atualmente precisava tomar remédios para conseguir dormir por mais de 3 horas seguidas. Ele, segundo amigos em comum de vocês, deixou de sair, estava mais magro e frequentemente era pego chorando olhando para uma foto sua que ele tinha no celular. Sua fuga daquele momento doloroso era o trabalho, você era enfermeira num grande hospital localizado bem no centro da capital e afim de sempre manter a mente cheia de coisas, porque já dizia sua vó que mente vazia é a oficina do diabo, trabalhava o máximo de tempo que seu corpo aguentava, até trocou a ala infantil que tanto gostava para o pronto-socorro, onde as ocorrências eram muito mais frequentes e graves.
Estava de plantão desde o dia anterior e trocou sua folga com uma amiga, então ao invés de trabalhar 12 horas, trabalharia 24 horas direto. Bem, virar uma noite no hospital ou virar a noite em casa, não tinha diferença para você. Seria liberada às 10 da manhã e o relógio do seu pulso marcava 7h54 da manhã, aproveitava os 15 minutos de intervalo que tinha para se debruçar sobre a mesa do refeitório e tirar um breve cochilo, o qual foi interrompido quando um outro enfermeiro te chamou.
— Hey ! — ouviu o homem te chamar — Tem uma pessoa te procurando no hall principal.
— Obrigada! — você o agradeceu pelo recado entregue e se dirigiu até a entrada do hospital, aparentava estar exausta e realmente estava, precisava de um banho e tomar uns 3 remédios para dormir mais de 7 horas seguidas.
Passou por uma porta de vidro fosca que separava a sala de espera das salas de atendimento, caminhou mais alguns metros e chegou na recepção, olhou em volta procurando se tinha algum rosto conhecido e não viu ninguém a quem conhecesse de imediato.
— Oi Srta. Park — chamou a atenção de uma das meninas da recepção — Alguém veio aqui me procurando?
— Olá — respondeu a moça com um sorriso no rosto — É.. Um rapaz estava perguntando sobre você, ele estava sentado aqui até um minuto atrás — ela olhava em volta o procurando — Ali! — falou apontando para a porta, ele estava do lado de fora ao celular.
— Obrigada — você agradeceu indo em direção a saída, Assim que se aproximou, mesmo estando de costas, o reconheceu imediatamente, era o seu ex, Kai.
“O que ele está fazendo aqui?” — pensou consigo mesma. Ele estava falando com algum amigo no celular, não te notou se aproximando, o que para você foi um alivio. Não queria falar com ele nem por telefone, imagina pessoalmente, deu meia volta para entrar outra vez para o hospital, estava perto da porta quando a mesma se abriu e um dos médico de quem você era auxiliar no plantão noturno saia de lá de dentro.
— Olá Srta. — falou o médico te cumprimentando, ao ouvir seu nome, Kai se virou — Trabalhando 24 horas direto outra vez?
Você demorou alguns segundos para processar a questão na sua mente, metade de você estava concentrada no Kai e em se manter longe dele.
— Oi Dr. Lee — o cumprimentou formalmente — Pois é, gosto da minha profissão.
“Hyung, mais tarde eu te ligo.” — ouviu Kai dizer e encerrar a chamada.
Olhava para do médico para o chão, do chão para o Kai e do Kai para a porta, sua mente estava entrando em colapso. Queria fugir dali, mas não podia deixar um médico tão legal falando com as árvores.
— Não se descuide menina — ele falou se retirando, o bom de alguém na mesma profissão que você, é que ele entende que você tem horários e cumprir e não te prende falando coisas inúteis — Vou indo para você voltar para seu plantão.
— Adeus Dr. Lee — você falou se curvando outra vez para o médico, assim que ele seguiu para o estacionamento, você se virou para entrar no hospital, dava passos apressados para dentro do local.
— Espera! — ouviu Kai dizer — Yaa! !
— Vai embora — você respondeu quase chegando a porta.
— Não — disse ele te segurando e impedindo que a abrisse — Você tem que me escutar por 5 minutos, só isso.
Você o olhou pensativa e concordou em escutar o que ele tinha para dizer, mas ele teria que te esperar acabar o plantão. Duas horas depois, quando finalmente estava liberada do trabalho, ele estava te aguardando como havia dito que faria.
— Ficou realmente me esperando — falou anunciando que estava ali — Deve ser algo sério.
— Sem ironias .
Você caminhava lentamente até seu apartamento e ele te acompanhava contando o porquê de ter ido te procurar, após te falar a razão te ter ido atrás de você, você ficou estática na calçada, o olhava como se estivesse maluco.
— Isso é loucura — falou por fim na entrada do prédio antigo no qual morava.
— Loucura? — ele questionou incrédulo.
— Sim — você respondeu — Isso é absurdo!
Você subiu as escadas até o segundo andar, onde ficava seu apartamento e ele ia atrás de você tentando te convencer do que ele estava falando.
— Você tem que acreditar em mim — ele disse e te puxou pelo braço, deixando-os cara a cara.
— KIM JONGIN — você o chamou para trazê-lo de volta à realidade, ele estava em desespero — É impossível algo assim acontecer!
— Eu não estou mentindo !
— Jongin... Tchau! — disse soltando as mãos dele do seu braço e terminando de subir os degraus que faltavam, parou em frente à sua porta e procurava cansada a chave em sua bolsa.
— O que eu tenho que fazer para você acreditar em mim? — ele questionou atrás de você.
— Certo — você falou sem paciência, ainda procurava as chaves na bolsa — Quem te contou sobre isso?
— Suho.
— E quem acreditou nele?
— Nosso grupo inteiro, ele não ia brincar com algo assim.
— E o que os outros estão fazendo?
— Foram buscar as pessoas que eles amam e estão tentando convencer elas de que isso é real, igual eu estou fazendo aqui com você.
Você engoliu a seco aquelas palavras, virou-se e costas para ele outra vez e com uma das mãos enfiadas na bolsa procurando as chaves, as encontrou, já as encaixava na fechadura, queria se livrar dele o mais rápido possível, queria chorar, mas não sabia se era de frustração, dor ou alegria, porque ele ainda mexia com você.
— Vai embora por favor — pediu tentando se controlar.
— Me peça qualquer coisa — ele falou e te abraçou por trás, te envolveu completamente nos braços dele e sussurrou no seu ouvido — Me peça o que você quiser, menos para ir embora, não posso te deixar outra vez.
— Jongin — sua voz saiu embargada, tentou sem sucesso segurar o choro, então apenas abaixou a cabeça e deixou que a lágrimas caíssem. Com um dos braços ele te segurava e com o outro ele abriu a porta para que entrassem, você chorava sem parar, tentava se controlar, mas não dava certo, só de saber que era ele que estava ali com você, mesmo com a estória mais mirabolante do universo, te deixava naquele estado deplorável.
— Não te dei permissão para entrar — disse tentando se soltar dos braços dele que voltaram a te cercar quando fechou a porta atrás de vocês — Vai embora de uma vez.
— Você não está bem — ele retrucou.
— Estou bem sim — respondeu saindo de perto dele e se jogando no sofá, enterrando o rosto numa almofada, queria abafar seu choro, sabia que não daria certo, mas tinha que tentar alguma coisa. Ele se aproximou, agachou próximo do seu rosto e alisava seus cabelos com carinho e tirava a almofada da frente do seu rosto — Por que ainda tenho que te amar tanto Kai? — questionava mais para si mesma do que para ele.
Você o ouvir suspirar, mas não era de cansaço, estava mais parecido com um riso leve, como se tivesse obtido uma vitória. Um sorriso leve se formava nos lábios dele, você sabia o porquê mais do que ninguém, já que desde que vocês tinham rompido, nunca mais o chamou pelo apelido, vocês algumas vezes se encontraram por coincidência em alguns lugares, mas mantiveram distância um do outro como dois desconhecidos sem conexão alguma. Ao ouvir você o chamar daquele jeito e se perguntar porque que ainda o amava tanto, soube que você não teria mais forças para manda-lo embora, não só do seu apartamento, mas da sua vida, mesmo que não tenha dito isso claramente, ele te conhecia bem demais para você tentar engana-lo dizendo que não desejava nada mais ou que nunca mais queria o ver na sua frente.
— Vou ficar aqui com você, não adianta me expulsar — falou com o sorriso tímido estampado no rosto — E também, quando tudo enlouquecer, quero estar ao seu lado, assim vou poder te proteger.
— Ainda acho isso loucura — você falou séria.
— Não achei que você ia acreditar de primeira mesmo — falou cabisbaixo, você sabia que ele ficava um pouco magoado quando não acreditavam no que ele dizia — Pode ir dormir agora .
Ele não precisou falar duas vezes, você fechou os olhos e suspirou de forma profunda, iria dormir ali mesmo, estirada no sofá.
— Aqui não! — o ouviu exclamar, segundos depois sentido seu corpo ser erguido pelos braços dele — Seu quarto é no mesmo lugar ainda?
— S-sim.
Você passou os braços em torno do pescoço dele e apoiou a cabeça próxima ao ombro, ele sorriu com seu gesto e deu um beijo na sua testa. Te levou até sua cama, te colocando com delicadeza sobre a mesma, foi até o guarda-roupas e pegou uma coberta e a estendeu sobre seu corpo.
Você o olhava e ele por sua vez, andava pelo seu quarto, parou em frente a sua cômoda, sabia que ele observava os vários frascos de remédios espalhados em cima dela, todos antidepressivos.
— Kai — você o chamou baixo e ele virou para te olhar — Fica aqui comigo?
Ele assentiu e deitou-se ao seu lado. Você fechou os olhos e sentiu ele acariciar seu rosto, estava quase dormindo quando ele começou a cantarolar uma música.
This time, this place
Nesta hora, neste lugar
Misused, mistakes
Desperdícios, erros
Too long, too late
Tanto tempo, tão tarde
Who was I to make you wait?
Quem era eu para te fazer esperar?
Just one chance, just one breath
Apenas mais uma chance, apenas mais um suspiro
Just in case there’s just one left
Caso reste apenas um
‘Cause you know, you know, you know
Porque você sabe, você sabe, você sabe
That I love you
Que eu te amo
I have loved you all along
Eu te amei o tempo todo
And I miss you
E eu sinto sua falta
Been far away for far too long
Estive tão longe por muito tempo
I keep dreaming you’ll be with me
Eu continuo sonhando que você estará comigo
And you’ll never go
E você nunca irá embora
Stop breathing if I don’t see you anymore
Paro de respirar se eu não te ver mais
Você se aninhou nos braços dele, queria adormecer ao lado daquele que era a causa e solução de todos os seus recentes problemas depressivos, aquela manhã de sexta-feira foi o recomeço de vocês dois. Mas não apenas para vocês dois, era um recomeço para o mundo, que logo mais entraria em caos e abalaria completamente todas as crenças do que pode existir de fato e o que não pode, do que ficaria apenas nas HQs e nos filmes e do que se tornaria realidade.
— Por você eu vou resistir a qualquer coisa — Kai falou ao seu ouvido antes de você pegar no sono profundo — Por você vou dar tudo de mim, enfrentarei o que for para poder continuar a segurar firmemente suas mãos, para permanecer ao seu lado e manter você ao meu, vou fazer tudo por nós.
● ● ●
Teria conseguido dormir por muito mais tempo se não fosse por helicópteros voando baixo, sacudindo as janelas e disparos sendo feitos freneticamente a poucos metros de distância do seu apartamento, isso sem contar as explosões que ficavam mais frequentes a cada momento.
— Fica deitada — Kai falou quando percebeu que você havia acordado.
— O que está acontecendo? — você o questionou.
— Uma coisa absurda! — respondeu com ironia.
— Como assim?
Ele ligou a TV do quarto e deitados, vocês assistiram os relatos que a repórter deu brevemente da situação em diversos pontos da cidade, você ficou horrorizada com o que foi mostrado e dito, não era possível que o que Kai havia lhe dito a algumas horas atrás fosse verdade.
— Temos que sair daqui — você falou agitada, estava em choque com o que tinha visto.
— Não dá mais tempo, não agora — ele falou sério — Vai ser suicídio irmos para rua nesse instante.
— Mas tem militares nas ru...
Você foi interrompida pelo som de uma explosão.
— É mais seguro continuarmos aqui — Kai falou e te abraçou — Confia em mim dessa vez. Os militares têm preocupações maiores nesse momento, não vamos sair e correr o risco de sermos mortos por engano, ok?
Você assentiu e ficou ali com ele durante o restante da tarde e parte da noite, apenas ouvindo a TV, explosões, gritos desesperados vindos da rua e do corredor do seu apartamento, além dos disparos incessantes. De algum modo, você se sentia culpada, se tivesse acreditado nele no momento em que ele te contou sobre o que iria acontecer, ambos estariam longe o bastante daquele caos, teriam uma boa dianteira sobre aquele surto e não teriam tantos problemas como os quais estavam para acontecer.
— Kai — você o chamou — Me desculpa.
— Pelo o que? — perguntou com os olhos fechados, ele estava quase dormindo.
— Por não ter acreditado em você mais cedo.
— Eu também não teria acreditado em mim — respondeu dando um beijo na sua testa.
Você sorriu mesmo percebendo que ele estava mentindo, sabia que ele havia ficado chateado com a sua incredulidade nele, por que se fosse ao contrário, se você o tivesse procurado e dito que dinossauros ou algo mais absurdo do que isso iria atacar a cidade, ele teria acreditado em cada palavra sua. Você o abraçou com força, queria o agradecer por ter ficado ali com você, por mais que fosse perigoso e incerto de que sobreviveriam, ele permaneceu ao seu lado.
● ● ●
Estavam a 10 dias trancados, na dispensa não tinha mais quase nada e há 3 dias não tinha mais luz ou água da rua, sabiam que logo mais acabaria também a água da caixa.
— Não podemos mais adiar — Kai falou pensativo voltando da cozinha — Não temos mais razões ou condições para continuarmos aqui.
— Mas ainda não é perigoso para sair? — você questionou indo até a janela e olhando para a rua, via ainda muitos zumbis, mas não tantos como nos primeiros dias.
— Vai ser arriscado de qualquer forma, mas precisamos ir.
Você vasculhou o seu guarda-roupas por inteiro atrás do que poderia ser útil para essa nova fase, não voltaria ali tão cedo. Separou o que julgou essencial e colocou numa mochila.
— Kai — o chamou saindo do quarto — Estou pronta! — Usava uma calça jeans antiga, tênis e uma camisa de um time de basquete, estava um pouco grande em você, mas era confortável.
— Ótimo — ele respondeu se levantando do sofá — Vamos ir andando daqui até a minha casa, preciso pegar algumas coisas minhas também, além da minha moto.
— Mas você mora a uns 5 km daqui!
— É mais fácil irmos andando até a minha casa do que até a fazenda do Suho.
Você assentiu, não fazia tanto sentido pra você adentrar mais a cidade, mas pelo que notou, Kai compreendia mais daquele assunto do que você. Caminhando até a entrada do apartamento, estava evidente no seu rosto que você estava apavorada, abriu a porta o suficiente para olhar para o corredor, estava deserto exceto por alguns corpos imóveis no chão, dias atrás você tinha visto pelo olho mágico sua vizinha sendo devorada por um grupo de zumbis, o corpo dela ainda estava lá, mas não representava perigo, ela estava sem as pernas, sem os braços e apenas grunhia quando escutava algum som. Kai foi até você e te puxou para dentro, tinham lágrimas nos seus olhos.
— Vai dar tudo certo — ele falou te abraçando — Pode ser assustador em alguns momentos, mas vou estar ao seu lado.
— Kai...
— Para te convencer que vamos conseguir, eu tenho que me convencer antes, mas sinceramente falando, eu não tenho certeza de nada, só de que eu quero ficar com você— ele falava segurando seu rosto com as duas mãos e te olhava nos olhos — Seja onde for, quero estar com você e estou feliz mesmo com tudo isso acontecendo, por que você está comigo e no tempo que tivermos, é aqui, ao seu lado que eu quero estar, seja num momento ruim, seja num momento bom, é com você que eu quero dividir toda a minha vida.
Você sorriu com a declaração dele, ele diminuía cada vez mais a distância entre vocês, os olhos dele percorriam da sua boca para os seus olhos e voltavam para sua boca, o viu umedecer os lábios antes de tocar os seus para um beijo suave e ao mesmo tempo quente, algo único dele. Uma das mãos dele deslizou para sua nuca, acariciava com delicadeza a região e a outra se entrelaçou com a sua mão. Se sentiu mais confiante para sair e do mesmo modo que ele queria estar ao seu lado, você queria estar ao lado dele também. Cessaram o beijo com alguns selares e você o abraçou.
— Eu amo você! — você sussurrou no ouvido dele.
— Eu também amo você ! — ele respondeu sorrindo.
Assim que você o soltou, ele pegou sua mochila e pendurou nas próprias costas —Vamos descer pela escada externa na lateral do prédio e na rua, vamos andar longe da avenida principal, assim evitamos confrontos desnecessários — explicou antes de abrir a porta.
Você concordou e assim ele tirou as travas, abrindo a porta devagar na tentativa de reprimir qualquer ruído que alertasse os zumbis. A saída para a escada de incêndio era no final do corredor, vocês caminharam até lá com cautela, seguiam de mãos entrelaçadas e protegendo um ao outro ao longo do caminho, uma tensão se fazia presente entre vocês naquele instante, poderiam ser encurralados facilmente ali. Quando finalmente abriram a porta que dava para a escada de emergência de qual o Kai havia falado, vocês começaram a descer lentamente, por ela ser de ferro, uma pisada mais forte ecoava no silencioso beco no qual ela era localizada. Chegaram no térreo e caminharam pela viela maltratada até a avenida que supostamente deveriam evitar, estava quase que deserta, e os poucos zumbis que ali tinham, vocês conseguiriam desviar sem problema algum.
Andaram por algumas centenas de metros até você parar em frente a uma loja de materiais esportivos, você apontou para um bastão de baseball largado no canto da vitrine estilhaçada e Kai entendeu, ele o pegou com cuidado para não acabar se cortando, era um bastão pesado, feito de madeira maciça. Kai sorriu para você como se dissesse “Boa ideia” e continuaram o caminho até a casa dele.
Alguns metros mais a frente escutaram uma sirene que alertava a população caso fosse acontecer alguma catástrofe, deveria ter disparado por algum erro interno, funcionava a base de bateria, então ficaria tocando por um longo tempo, sorte de vocês, pois era isso que estava atraindo a atenção dos zumbis e liberando o caminho para vocês passarem sem grandes problemas, apesar de que o perigo não desapareceu em nenhum momento.
Conseguiram chegar até a casa dele inteiros, apesar do caminho que normalmente levaria cerca de 1 hora e 30 minutos andando normalmente, vocês tenham gastado quase 3 horas por conta dos desvios e momentos em que tiveram que se esconder e esperar uma pequena horda passarem por onde vocês estavam.
Assim que entraram, você sentou no sofá e Kai colocou sua mochila num canto e foi direto para cozinha, você o ouvia abrindo os armários, sabia que ele procurava algo para comer, ele voltou alguns minutos depois para a sala com um pacote de salgadinho e uma lata de refrigerante.
— Tenho comida para mais 10 dias aqui — falou sentando-se ao seu lado.
— Podemos passar a noite aqui e sair amanhã cedo para a casa do Suho — você sugeriu — Ai levamos a comida para 9 dias numa mala extra, acho que ninguém vai achar ruim disso.
— Peso extra — ele falou enchendo a boca do salgadinho sabor queijo — Pode nos atrasar.
— Vamos de moto Kai — você o lembrou — Para de dar desculpas.
— Tudo bem — concordou rindo — Vamos dormir aqui hoje, amanhã bem cedo saímos, ok?
— Sim — assentiu sorrindo e pegando um pouco do salgadinho para você.
● ● ●
Fazia mais ou menos 4 horas que estavam ali, a noite estava começando a surgir. Kai estava fechando todas as janelas e as trancava com fios dos aparelhos eletrônicos, tipo rádio, TV e essas coisas todas. A modo que não sabiam como era a situação ali a noite, era melhor se prevenirem. Pelo que notaram no trajeto até ai, outras casas estavam intactas, então deduziam que era dentro do normal que havia se propagado pela cidade, zumbis perambulando em multidões, atraídos apenas por sons e investindo contra suas vítimas quando as avistavam claramente a sua frente.
— Jongin — você o chamou indo de cômodo em cômodo procurando por ele — Vamos dormir? — perguntou quando o encontrou no quarto separando algumas roupas — Nós temos que acordar cedo amanhã...
— Repete — ele pediu deixando o que estava fazendo e se aproximando de você.
— Repete o quê?
— Meu nome — ele falou e parou na sua frente.
— Por quê?
— Apenas o diga outra vez — ele olhava no fundo dos seus olhos como se pudesse ler sua mente.
— Jong In... — você falou lentamente, um pouco confusa, mas deu um sorriso no final.
Ele levou uma das mãos até próxima do seu rosto e com delicadeza ele colocou uma mecha do seu cabelo atrás da sua orelha, você acompanhou o movimento de segundos pelo canto dos olhos e quando tornou a encara-lo seu coração acelerou de tal forma que era quase possível ouvi-lo palpitar sem nenhum equipamento médico especial.
— Kai — o chamou num sussurro e um sorriso se formou nos lábios dele.
Havia uma distância mínima entre vocês e ele a findou dando um selinho no canto da sua boca e se afastando o suficiente apenas para olhar seu rosto, você estava corada e sorria tímida.
— Seja minha — ele pediu num sussurro manhoso. Se aproximava outra vez, estava com um semblante travesso quando mordeu levemente seu lábio inferior, o prendendo por alguns instantes.
— Eu sempre fui sua — você o respondeu como se fosse a coisas mais óbvia do mundo, e era.
Ele ergueu seu queixo suavemente com a ponta dos dedos, te encarou de uma maneira gentil e acolhedora antes de tomar seus lábios num beijo mais aprofundado, mas era calmo e prazeroso, cessaram apenas para retomarem o ar e aproveitaram o momento para se desfazerem de algumas das roupas que cobriam seus corpos.
Seus lábios voltaram a se encontrarem e se encaixavam em perfeita sincronia enquanto vocês terminavam de despir um ao outro, estavam apenas com suas peças intimas e envolvidos numa atmosfera lasciva, respondiam com gemidos aos estímulos e caricias que se faziam mutuamente.
Ele prensava seu corpo contra o guarda-roupas enquanto te segurava pela cintura, alisando a região e provocando atrito mais acentuado entre suas intimidades ainda cobertas, ao mesmo tempo você beijava sem pudor o pescoço dele e arranhava-o as costas. Sentia as mãos do seu amado percorrem pelo seu corpo e com deleite se livrarem das últimas peças que a cobriam, ele dava leves apertões em algumas partes que te excitavam cada vez mais. Suas respirações estavam descompassadas e inundavam o ambiente.
Te puxando para ele, Kai ia te guiando cada vez para mais perto da cama, sentia as mãos dele descerem pelas suas costas sem nenhum impedimento e subirem pela lateral do seu corpo, mudando o trajeto conforme chegavam perto de seus seios, passando vagarosamente por cima deles e indo em seguida para sua nuca, conduzindo suas bocas para outro beijo, os quais ficavam cada vez mais íntimos e eróticos.
Suas mãos desciam pelo corpo dele e começavam a trabalhar sobre o membro desperto que ainda estava dentro da única vestimenta que restava para ser dispensada entre vocês dois. Você o acariciava e explorava a área, revelando o falo notável do rapaz aos pouco, a medida em que retirava a peça remanescente.
Ele te deitou com cautela sobre a cama desarrumada e te proporcionava beijos intensos e que exalavam luxuria, ao mesmo tempo em que ele descia uma das mãos até sua intimidade e introduzia alguns dedos, fazendo movimentos que alternavam entre lentos e apressados.
Estava pronta para receber o membro do rapaz e ele havia notado isso também, pois se posicionou entre suas pernas e começou a te penetrar, realizando num primeiro instante movimentos lentos. Ele apoiava o peso do corpo dele em um dos braços, enquanto o outro deslizava sobre seu corpo, a mão livre dele ora se concentrava em um dos seus seios, ora descia para sua cintura, puxando-a para um contato mais profundo. Mal conseguia manter seus olhos abertos de tanta que era a excitação em você, tentava manter um contato visual constante, mas a cada investida de Kai fechava os olhos tomada por prazer absoluto de senti-lo dentro de você cada vez mais duro e arrebatador.
Seus lábios se encontravam e a excitação entre vocês se transformava em puro êxtase, as estocadas estavam mais fortes, rápidas e ritmadas. Seus gemidos foram reprimidos pelos beijos do Kai e da mesma forma, sua boca omitia os sons de prazer que escapavam da garganta do moreno, assim o som predominante no quarto era apenas o da batida e impacto de seus corpos um no outro.
Chegaram ao ápice praticamente juntos, apenas com segundo de diferença.
— Você continua incrível — falou Kai deitando ao seu lado exausto, você se limitou a dar uma risada e dizer que ele que era incrível.
Sua respiração ainda estava pesada, mas se normalizava aos poucos, assim como a de seu amado. Kai estirou um lençol sobre seus corpos e passou um dos braços por cima da sua cintura, momentos depois, ambos estavam dormindo.
● ● ●
— O que você está fazendo ai em cima? — você questionou quando saiu para o quintal na manhã seguinte e viu Kai em cima do telhado.
— Procurando pelo melhor caminho — respondeu descendo por uma escada de madeira nada confiável ao seu ponto de vista.
— E qual vai ser o caminho então?
— Vamos ir pela rua principal, como se fossemos para o norte — falou indo destravar o portão, vocês já estavam prontos para partir a qualquer minuto — No início da estrada tem uma saída que faz um retorno e nos dá a opção de irmos para o oeste, onde fica a fazenda do Suho.
— Tudo bem — você concordou se lembrando do caminho, conhecia aquela saída de qual ele falava e era mais garantida que estivesse livre do que a rodovia primária.
Colocou sua mochila nas costas e parou ao lado da super moto que seu namorado tinha, lembrava o quanto ele trabalhou para compra-la, sorria com a memória.
— O que foi? — perguntou Kai te olhando confuso, ele empurrava a moto para a rua e voltava para fechar o portão.
— Nada não — se apressou em dizer e subiu no banco traseiro quando ele se aproximou e colocou a chave na ignição para dar a partida.
— Boba — falou e selou seus lábios, te entregando um dos capacetes que tinha em mãos — Vamos lá.
Partiram pela segunda vez, mas agora o destino era bem distante dali.
● ● ●
Ao contrário do que esperavam, o caminho para a fazenda do Suho estava infestado de zumbis, algo os tinha atraído até ali.
— Como vamos passar por eles agora? — você perguntou num sussurro.
Por duas horas de viagem, o caminho havia sido calmo, a sirene no centro da cidade chamou a atenção dos zumbis das intermediações da casa do Kai, então conseguiram sair sem grandes problemas da capital, mas conforme se aproximavam da fazenda, maiores eram os sustos. Uma horda com mais de 50 zumbis passaram por vocês enquanto tinham parado para estender as pernas, se esconderam subindo em uma árvore e permanecendo ali por quase uma hora inteira.
— Estou pensando — Kai respondeu.
Tinham andado poucos metros na estrada de ferro quando Kai teve que frear bruscamente, uns pequenos grupos de zumbis caminhavam por ali. Vocês voltaram alguns metros e se esconderam atrás de um carro preso numa vala, Kai falou que aquele era o carro do Sehun.
— Amor — você o chamou — Sehun gosta muito desse carro?
— Acho que sim — replicou confuso — Esse foi o primeiro que ele comprou.
— Escolhe — falou tirando um canivete da bolsa e cortando um pedaço da própria blusa, fazendo uma tira de pano e dando um nó no meio — O carro ou sua moto?
— O que você está pensando?
— Vamos explodir um dos dois — sugeriu com um brilho nos olhos pela própria ideia — Vai chamar a atenção deles e ai passamos correndo.
— Como a inteligente vai incendiar esse pano para começo de conversa?
— Sou enfermeira — retrucou — Tem álcool no KIT de primeiros socorros da minha bolsa e podemos usar a bateria do carro para criar as faíscas, então escolhe logo.
— O carro.
Você abriu a bolsa, procurou o álcool dentro do KIT de P.S. e encharcou um parte do pedaço rasgado da camiseta e jogou o restante do líquido sobre os bancos do automóvel, enquanto isso Kai abria o capô e puxava alguns dos fios ligados a bateria. Em questão de segundos o pano estava em chamas e você o jogou dentro do carro torcendo para seu plano dar certo e se afastaram o bastante para não serem pegos na explosão. Aguardavam ansiosos o momento para poderem passarem de uma vez por todas para dentro da segura residência que estava alguns km a frente.
Em alguns minutos, o carro foi tomado pelas chamas e finalmente o grande estouro. A propulsão foi tão forte que, mesmo estando numa distância considerável, lançou vocês para trás. O barulho atraiu grande parte dos zumbis e no instante em que vocês viram uma oportunidade, saíram correndo na direção da entrada. Pensaram em pegar a moto, mas o som do ronco do motor poderia atrai eles e o plano ser em vão.
Com passos urgentes, iam de encontro ao portão branco colossal, estavam perto. Cerca de sete zumbis seguiam vocês, eles eram lentos, mas ao contrário de vocês, eles desconheciam o significado de “exaustão”.
— SUHO! — Kai berrou próximo do portão.
Não obtiveram respostas, viam as luzes acessas e movimento na casa, eles deveria estar conversando, já que vocês não tinham como comunicar que chegariam aquele dia, não pode os deixar de sobre aviso.
— YAA! — Kai gritava e sacudia o portão tentando chamar a atenção dos outros que ele via sentados na varanda — SEUS PUTOS!
— Kai — você o chamava — JONGIN! — ele te olhou e você apontou para uma fenda no canto esquerdo do portão, tinha mais ou menos 35 cm. Você correram até lá e começaram a cavar mais no chão de terra seco.
— VAI, VAI, VAI — Kai te apressou olhando para trás para ver onde os zumbis já estavam - a menos de 50 metros de vocês - você deitou e passou rastejando pela abertura - 30 metros - Kai jogava as bolsas por cima do portão - 20 metros.
— VEM LOGO — você gritou - 10 metros - Kai se lançou ao chão e começou a rastejar igual você acabara de fazer. Assim que ele puxou a perna para dentro do terreno, o zumbi se lançou ao chão, por fração de segundos não abocanhou a perna do moreno.
Inconscientemente, o bicho se arrastava para dentro da residência igual vocês tinham feito. Metade do corpo estava para dentro quando teve a cabeça decepada por uma espada. Vocês permaneciam no chão, olharam para cima ainda ofegantes, ambos tinham as mãos ensanguentadas pela escavação. Kai se levantou chorando e abraçou o mais velho.
— Luhan... — falou entre soluços e aliviado.
Estavam finalmente salvos.
