KrisYeol: Como fumaça...



"Eles eram como fumaça... Eu podia vê-los, e até mesmo senti-los, mas eles escaparam por dentre meus dedos quando tentei agarra-los..."

Você amava rotinas. Não era uma paixão qualquer, era um amor de verdade por rotinas. Quanto mais tedioso o dia fosse, e quanto mais parecido ao anterior, mas graça tinha aos seus olhos.
Sua rotina era sempre a mesma. Acordava por volta das 08:00, chamava sua mãe para que ela não chegasse atrasada no serviço, voltava a deitar mais um pouco. Mas como já não tinha mais sono, não conseguia mais dormir.
Escrevia uma das suas fanfics, sempre baseadas naquele amor verdadeiro que sua cabecinha avoada sempre pensava em ter. Depois de uma ou duas horas afogada em seus próprios pensamentos, sonhos e desejos, levantava de sua cama e ajeitava o pouco que tinha para ajeitar na sua casa sempre muito bem organizada.
Depois de estar trocada, com a casa limpa e muito bem alimentada, você saía pelo portão de sua casa em direção ao mercadinho onde sua mãe trabalhava. Era rotina você ficar no lugar dela durante o horário de almoço, assim ela poderia descansar e você ainda sairia um pouco de casa.
Depois que ela voltasse, você voltaria para casa, comeria mais alguma coisa, tomaria um banho e então sairia de novo, dessa vez em direção ao ponto de ônibus. Você fazia faculdade a noite, num dos campus próximo ao centro, então sempre pegava o mesmo ônibus, no mesmo horário. E adorava essa rotina do ônibus mais do que tudo.
No caminho, seus olhos ficavam sempre atentos a qualquer pessoa diferente que entrasse no ônibus. Já existiam as típicas pessoas de sempre, como o cobrador, um rapaz de sobrancelha malfeita e um corte no canto da boca; o motorista, um loiro baixinho que sempre sorria para quem quer que fosse; a senhora de cabelos grisalhos que sempre sentava no primeiro banco, e nunca, nunca mesmo saía dali; e o moço do último banco depois da catraca, que sempre descia dois pontos antes do seu. Essas eram as pessoas que sempre cumpriam a rotina.
Agora existiam outras pessoas que eram cumpridoras de períodos da rotina. Como o rapaz indiano que pegava o ônibus somente as terças, quartas e sextas. E mesmo que você tivesse um tantinho de curiosidade de saber quem era aquele moço e o porquê de ele pegar o ônibus somente nesses dias, você se mantinha calada, apenas o observando de longe.
Uma coisa que você odiava eram as pessoas quebradoras de rotina. Como uma mulher que aparentava ter seus 39 anos, que havia puxado a cordinha antes do tempo ideal. E que a propósito não havia voltado no dia seguinte.
O fato era que você amava coisas que seguissem uma ordem, e quando fugia disso era como se alguma coisa estivesse errada ao seu ponto de ver. E naquela quarta-feira, dia que veria o indiano, o senhor dos dois pontos antes, a senhora do primeiro banco, o cobrador e o motorista, foi quando seu desespero começou.
Assim que você viu seu ônibus se aproximando, sorriu e agarrou a mochila, como sempre fazia, é óbvio, e deu sinal para que ele parasse. Mas qual não foi seu espanto ao ver que a pessoa que dirigia o ônibus naquele dia não era nenhum baixinho, e muito menos loiro.
O rapaz que conduzia o veículo tinha cabelos pretos, totalmente negros, e tinha os olhos puxados. A porta se abriu e ele a olhou, esperando que você subisse, mas suas pernas travaram por completo, fazendo você se sentir um tanto quanto estupida por estar parada, agarrada a sua mochila e olhando assustada para o novo motorista.
— Anda logo, não temos o dia todo, garota — a voz rouca do novo motorista te assustou, fazendo você dar um passo para trás.
Ele revirou os olhos e apertou o botão para que as portas voltassem a se fechar, mas você estendeu o braço novamente, fazendo ele voltar a abrir a porta.
— Vai entrar ou vai ficar nessa brincadeirinha? — Ele falou mais alto, e tudo o que você conseguiu fazer foi levantar o pé para subir no ônibus.
Colocou os dois pés dentro do ônibus e se assustou quando ele fechou a porta sem você mal ter entrado direito.
— Vai ficar o caminho inteiro olhando para minha cara? — Ele sorriu sarcástico — Uma hora você vai ter que sair para as pessoas entrarem...
E então ele simplesmente a ignorou, voltando a dirigir o veículo. Você teve de se segurar nas barras para não cair com a arrancada que ele deu. O olhou por mais alguns instantes e então se virou para ir em direção a catraca. Viu a senhora do primeiro banco, que a cumprimentou como sempre.
Olhou para o banco do cobrador e sentiu bem lá no seu âmago uma pontada de dor. O cobrador também era outro. Um rapaz de olhos puxados, da mesma forma que o cobrador, e com uma cabeleira ruiva, que chamava a atenção mais que tudo. Mas diferente do motorista, o novo cobrador tinha a cara fechada e um olhar irritado.
Você se aproximou receosa, com medo até de encostar no novo cobrador. Assim que encostou seu cartão na máquina e sua passagem foi liberada, sentiu o olhar do cobrador em você enquanto girava a catraca. O olhou de relance e o viu mais sério ainda. Desviou o olhar envergonhada e olhou para o lugar que deveria ser seu, mas como se o universo estivesse totalmente contra você, seu lugar de sempre já estava ocupado.
Sentiu seus olhos lacrimejarem e ficou parada, desejando que aquele pesadelo acabasse e você acordasse na sua cama.
— Acho melhor você sair daí — a voz do cobrador era tão rouca quanto a do motorista, e lhe assustou da mesma forma.
Você virou seu rosto para ele, e o encarou, tentando processar as palavras que ele havia dito. Seu cérebro estava tão confuso com toda essa quebra de rotina, que se alguém lhe dissesse "oi" você entenderia que a pessoa lhe deu feliz aniversário.
— Qual é, garota — o rapaz segurou seu braço e puxou para um espaço vago que havia ao lado do banco em que ele estava — É tão difícil assim decidir um lugar para ficar?
Você o encarou e ele soltou seu braço. Ele desviou o olhar de você e liberou a passagem de um passageiro que acabara de embarcar no ônibus. E todo o restante do caminho foi assim, você agarrada a sua mochila, em completo choque, e a centímetros daquele cobrador que lhe era estranho aos olhos.
Quando percebeu que seu ponto estava chegando, saiu daquele espaço para ir até a porta, não sem antes dar o sinal, mas antes que saísse do ônibus, olhou para o cobrador que lhe encarava sério. Desceu do ônibus apressada e quando a porta se fechou atrás de si, agarrou sua mochila e virou para olhar o ônibus partindo, e soltando muito fumaça.
Sua maior vontade era que esse dia fosse apenas um sonho e que no dia seguinte você acordasse e visse o mesmo cobrador e motorista de sempre. Mal sabia você que na verdade seu pesadelo só iria se tornar bem pior...

● ● ●

No dia seguinte, depois de fazer as mesmas coisas de sempre, enquanto esperava o ônibus, você fazia mil e uma teorias do que poderia ter sido aquelas imagens do dia anterior. Cogitou a possibilidade de estar ficando louca, ou de pior, ter sido envenenada e ter tido alucinações.
Quando ouviu o som do coletivo se aproximando, ficou de prontidão em pé, e quase caiu de joelhos ao ver que era o mesmo motorista oriental da tarde anterior. Ele abriu a porta, e ao te ver, revirou os olhos. Você, ainda relutante, subiu no ônibus, o encarando.
— Que foi, garota? — Ele perguntou, apoiando os cotovelos no volante.
— N-nada — você se apoiou nas grades e saiu dali o mais rápido possível, se esquecendo de que teria um segundo desafio pela frente.
Encarou o cobrador, que dessa vez a olhava com mais atenção. Passou seu cartão na máquina e atravessou a catraca, sob o olhar atento do cobrador oriental. Olhou para seu lugar, que estava vago, e rumou para ele apressada, sentindo que o rapaz ainda a olhava. Sentou e olhou para frente, tremendo demais para conseguir olha-lo.
Mas seu controle durou pouco, já que em menos de 10 segundos seus olhos saíram da janela e foram de encontro aos dele, que lhe encarava fixamente. Sentiu seu sangue gelar e sua cabeça rodar levemente. Dois novos passageiros entraram, mas o cobrador não tirava os olhos de si, liberando a passagem dos dois passageiros com os olhos colados nos seus.
Você já estava sentindo como se suas roupas fossem sair de seu corpo só com o olhar do rapaz quando seus dois dedos a cutucarem. Se libertou do seu transe e olhou para o lado, vendo uma de suas colegas da faculdade sorrindo para você.
, o que você está fazendo aqui? — Você perguntou, sua garganta falhando por ter ficado tanto tempo em silêncio.
— Precisei vir na casa do meu namorado, aí me lembrei que você pegava esse ônibus — lhe explicou, sorrindo de orelha a orelha.
E então, como toda noite fazia, ela começou a falar de seu namorado, coisas que não interessavam em nada a você, mas que você fingia entender e que as vezes até dava uma opinião ou outra.
Enquanto ela tagarelava sem parar, seus olhos voltaram a parar no cobrador, que sorriu travesso e deu uma piscadinha para você.
E quando você achava que seu inferno seria mais gostoso, durante todos os dias do restante da semana, e da semana seguinte, você continuava a ver o mesmo cobrador e o mesmo motorista na hora de ir para a faculdade. O motorista passou a lhe medir de cima a baixo, sempre com um sorrisinho no rosto, e o cobrador lhe encarava por minutos a fio, se dependesse todo o caminho do ponto que você entrava até o ponto que você descia.
E foi então, que um dia, quando toda essa situação começou a se tornar rotina, tudo mudou de novo...

● ● ●

Você acordou decidida a mudar toda aquela situação, e sim aquela era você mesmo. Você havia acordado disposta a largar a rotina e procurar coisa novas durante seu dia. Começando pela manhã, que ao invés de ficar deitada escrevendo, você foi até a praça mais próxima da sua casa e fez uma caminhada.
Ao ir para cobrir o almoço da sua mãe, ao invés de tomar um caldo de cana com uma coxinha, decidiu apostar numa esfirra com um suco natural. Quando voltou para casa, ao invés de comer dois pratos de comida, comeu apenas um. E qual o motivo dessa mudança repentina? Você passara o fim de semana inteiro refletindo após ver um documentário na TV, na sexta à noite, que falava sobre psicologia.
No documentário era explicado sobre pessoas que tinham medo do novo, e nesse mesmo documentário haviam dicas para mudar o seu dia a dia. Aquilo entrou de tal modo na sua cabeça, que quando deu por si estava decidida que iria começar do zero na segunda. E foi o que fez.
Mas com toda certeza sua maior mudança viria no caminho para a faculdade. Estava decidida a perguntar o nome do cobrador que tanto lhe encarava nas duas últimas semanas. Havia vestido sua melhor saia, aquela rodadinha, toda preta, e sua melhor blusa, uma daquelas de um dos tantos grupos de indie que você ouvia.
Ao ver o ônibus se aproximando, respirou fundo decidida, e assim que a porta se abriu, diferente das outras vezes, sorriu para o motorista, que ergueu uma sobrancelha surpreso.
— Boa tarde — você falou sorridente, o que fez o rapaz arregalar os olhos surpreso.
— Boa tarde... Eu acho... — ele fechou a porta e esperou você chegar perto da catraca para dar partida.
Sorriu para a senhora do primeiro banco e a cumprimentou como nunca havia feito. Ao desviar seus olhos da senhora, viu o cobrador a encarando. Tirou dinheiro da mochila, nada de cartão naquele dia, e entregou a ele. Ele ficou alguns segundos parado, olhando para sua mão estendendo o dinheiro, e então levantou a mão para pegar.
Quando os dedos dele tocarem os seus, pôde ver o quanto ele tinha a mão fria, e sentiu um leve arrepio percorrer seu braço. Enquanto pegava o troco, ele liberou sua passagem, e assim que você atravessou a catraca, se postou ao lado dele, como da primeira vez que o viu naquele ônibus.
Ele esticou o braço para lhe entregar o troco e você pôde perceber a surpresa dele ao te ver ali parada, ao lado dele. Pegou o troco da mão dele e guardou na mochila.
— Eu não ganho boa tarde? — Ele falou, e você se virou para olha-lo.
— Boa tarde — sorriu fofo para ele, colocando a mochila entre suas pernas para conseguir se equilibrar mais com o sacolejar do ônibus.
— Qual seu nome? — Ele perguntou e você respondeu, perguntando o dele em seguida — Meu nome é Park Chanyeol.
— Sabe, eu achei muito estranho ver vocês dois aqui... Eu estava acostumada com os antigos funcionários — confessou.
— Garanto que somos muito melhores que eles — Chanyeol falou baixo, olhando para seu rosto.
Você sorriu envergonhada e olhou para a janela, vendo as casas passarem bem rapidinho. Espera ter uma conversa normal com o cobrador, mas estava percebendo que de normal ele passava longe.
— Quer ir tomar um café? Digo, qualquer dia desses... — você o olhou de lado, analisando a situação.
Mal o conhecia, como aceitaria um pedido desses? E se ele fosse um estuprador? Mas aí você se lembrou da sua promessa de tentar fazer coisas que quebrassem sua rotina, e então se recordou do que havia prometido a si mesma. Faça coisas que te desafiem.
Voltou a olhar para o rosto de Chanyeol.
— Eu aceito — você disse, sua voz firme e confiante. Chanyeol sorriu largamente e balançou a cabeça.

— Tem algum problema meu amigo ir? — Chanyeol apontou para o motorista, que os olhava pelo retrovisor — É que ele ainda não conhece muito a cidade e nem ninguém, gostaria de deixa-lo mais enturmado.
— Ah... — você olhou para o motorista novamente, que sorriu e voltou a se concentrar em dirigir o automóvel — N-não... Digo, não tem problema nenhum ele ir também...
— Que ótimo — Chanyeol sorriu fechado e você retribuiu sorrindo de forma doce. Até que quebrar a rotina não estava sendo ao todo ruim.
Já fazia uns dias que vinha reparando o quanto o olhar de Chanyeol era sedutor, ou o quanto o sorriso do motorista parecia lhe tirar todas as suas estruturas. E tinha de concordar consigo mesma que os dois eram lindos, cada um à sua maneira.
— Acho que você vai perder seu ponto — olhou para Chanyeol com as sobrancelhas franzidas e o viu apontando para o lado de fora do ônibus. Seu ponto estava bem próximo, e estava tão distraída que sequer reparou.
Mas mesmo que você estivesse totalmente desligada do mundo, Chanyeol e seu parceiro já haviam decorado qual era o ponto que você descia, então não foi nem necessário apertar o botão.
— Até amanhã — Chanyeol falou, se despedindo com um aceno.

● ● ●

Um mês. Exatamente um mês desde que você fora a uma lanchonete com Chanyeol e Yifan, o motorista. Achou meio estranho estar num encontro a "três", mas havia colocado em sua cabeça que faria coisas diferentes e inovadoras. E dentre essas coisas se incluíam aqueles dois rapazes.
Assim como você, os dois também tinha suas manias. Chanyeol era acumulador. Segundo o que Yifan lhe dissera no segundo encontro que vocês tiveram, Chanyeol colecionava desde tampinhas de garrafas até placas de carros, colocando todas essas tranqueiras num galpão no fundo da casa que os dois dividiam.
Já Yifan tinha bipolaridade, e você havia percebido isso quando no terceiro encontro ele estava sorrindo quando ficou sério do nada. E segundo o Chanyeol lhe dissera, as crises de Yifan ficavam bem piores se ele não tomasse diariamente sua cartela de remédios controlados.
Foi com eles dois que você aprendeu que não era uma estranha no mundo, e muito menos sozinha. Você percebeu através deles que na verdade suas loucuras eram semelhantes às deles, e isso fez com que a aproximação de vocês três se tornasse mais profunda e inesperada do que você esperava.
A primeira vez que você deu um beijo em Chanyeol foi numa quinta-feira, ele havia pego um atestado médico para faltar no serviço, e então lhe ligara chamando para irem no cinema. Você tinha um trabalho para entregar na faculdade, mas após conversar com seus amigos, conseguiu os convencer a entregarem o trabalho por você.
Você e Chanyeol estavam sozinhos após tantos encontros a três, e quando deu por si já estava com a boca colada na do rapaz. Chanyeol tinha um beijo selvagem e atencioso ao mesmo tempo. Ele, nesse dia, tratou de te levar até a porta de sua casa, se despedindo de você com um beijo sob a luz do luar.
Já seu primeiro beijo com Yifan havia sido um pouco diferente... Vocês três estavam num clube da cidade, aproveitando a folga de ambos os rapazes, e então ele te puxou até alguns coqueiros, te beijando sob o calor do sol. Seus corpo molhados por terem acabado de sair da piscina se colaram como que automaticamente, fazendo vocês dois arfarem um contra a boca do outro.
O beijo de Yifan era diferente do de Chanyeol. O descendente de chineses tinha um beijo delicioso e profundo, que fez você quase ir ao chão no que terminou de beija-lo.
E então você se via nessa dúvida de qual dos dois lhe atraía mais, quando Chanyeol veio com uma proposta que lhe deixou desnorteada.
Você entrou no ônibus e sorriu para Yifan, que lhe mandou um beijinho no ar, fazendo você balançar a cabeça em negação. Assim que chegou na catraca, viu Chanyeol lhe estender uma rosa. Pegou a flor com dois dedos e agradeceu enquanto passava pela catraca. Se acomodou no mesmo lugar ao lado de Chanyeol e olhou para o ruivo.
— Eu tenho uma proposta para você — ele falou baixo, fazendo com que você se aproximasse para conseguir ouvi-lo — Na verdade nós temos uma proposta para você.
— Nós? — Olhou para Yifan pelo retrovisor, que estava concentrado em dirigir — Que proposta?
— Sabemos que você está dividida entre nós dois, mas diferente de outros caras que pediriam para você tomar uma decisão, vamos sugerir que você fique com nós dois — Chanyeol falou, lhe deixando um tanto quanto chocada. Nunca esperava ouvir isso dele, e isso lhe deixava em certo ponto desnorteada.
— Vocês são loucos — foi o que conseguiu sair da sua boca, acompanhado de um riso soprado.
— Lembra o que você disse quando conversamos sobre nossas manias? Você nos disse que tentaria sempre fazer coisas novas para quebrar sua rotina — sua cabeça balançou em concordância — Então! Imagina que essa será a coisa mais diferente que acontecera na sua vida! E não é querendo me gabar, mas a melhor também!
Você sorriu diante o comentário dele, balançado a cabeça e agitando os cabelos. Observou Chanyeol olhar para os lados para garantir que ninguém estava olhando e então lhe acariciar os cabelos de leve. Você passou a sorrir sem mostrar os dentes, olhando para o rosto de Chanyeol concentrado em lhe fazer o cafuné.
Seus olhos despreocupadamente rolaram do rosto de Chanyeol para o retrovisor, onde Yifan a olhava. Aqueles olhos que lhe desprendiam do corpo, fazendo sua alma vagar sem rumo.
— Eu aceito.

● ● ●

Você já estava sentindo seu cérebro entrar em colapso. Eram apenas dois minutos, dois míseros minutos de demora, mas seu interior insistia em entrar em ebulição e insistir em lhe mandar mensagens negativas para seu cérebro. Eles não vão vir e você vai ficar como uma idiota esperando! Eles vão te dar um bolo e ainda vão rir da sua cara! Você foi tola o suficiente em acreditar que eles iam mesmo se interessar por você?
Agitou os dedos, os estralando por diversas vezes, na tentativa de se concentrar em qualquer outra coisa que não fosse o atraso de Chanyeol e Yifan para lhe levar até a casa de ambos para verem filme.
Não que você fosse tarada ou algo do tipo, mas havia se preparado quando eles lhe chamaram para a tal sessão, tomando os remédios necessários e as precações que sua mãe sempre lhe dera. Não era a virgem a um tempo, mas pensar que você poderia naquela noite transar com dois caras ao mesmo tempo, já fazia você sentir um incômodo no estômago.
Foi acordada de sua revolta quando ouviu a campainha de sua casa tocando.
— Tchau, mãe — você falou alto para sua mãe, que estava na cozinha. Não havia contado a ela que saía com dois caras ao mesmo tempo, e até mesmo morria de medo de falar.
— Se cuida, e se for dormir fora não esquece de mandar mensagem — balançou a cabeça confirmando, mesmo que ela não estivesse olhando, e abriu a porta, vendo um Chanyeol e um Yifan muito bem ajeitados e cheirosos lhe olhando.
Sorriu minimamente e fechou a porta atrás de si, logo em seguida se voltando para os dois rapazes. O primeiro a lhe cumprimentar foi Chanyeol, que lhe deu um selinho rápido. Em seguida Yifan se aproximou e lhe deu um selar um pouco mais demorado.
— Quando poderemos conhecer nossa sogra? — Yifan brincou, esticando o braço para você.
— Se ela souber que eu estou ficando com dois caras é capaz dela entrar em choque — você zombou, passando cada braço seu por um dos dois rapazes — Ou querer esganar vocês por estarem levando a filha dela para o mal caminho.
O trajeto de carro, um Azera modelo 2013, que Yifan havia ganho do próprio pai, foi dentre risadas e trocas de farpas entre Chanyeol e Yifan, todas na forma de brincadeira. Os dois rapazes estavam aceitando até que bem demais estarem ficando com a mesma garota, isso não passou despercebido aos seus olhos. O que era um fato um tanto quanto estranho.
Yifan estacionou em frente a uma casa de dois andares. A fachada casa era tingida em tons de verde e preto, uma janela de madeira fechada no segundo andar, uma garagem coberta em frente à casa, dando acesso a porta de madeira entalhada. Você olhou para Chanyeol, que sorria de lado para você.
— Espero que goste — Yifan falou após estacionar, abrindo a porta para você.
Assim que desceu do carro, sentiu o cheiro da gasolina recém usada do carro e olhou para os lados meio envergonhada. Segurou seu próprio braço, esperando os donos da casa entrarem primeiro.
— Vamos — Chanyeol passou o braço por seu ombro, a puxando de leve em direção a entrada da casa.
Assim que seus pés passaram pela porta, sentiu um cheiro muito bom de perfume lhe invadir o nariz. Olhou para tudo com o máximo de atenção que conseguiu, se surpreendendo com o fato de que a casa era organizada demais, por mais que Chanyeol fosse acumulador.
Sorriu para os dois rapazes numa forma de dizer que havia gostado e que se sentia confortável ali, o que era a mais pura verdade.
— Vou pegar bebidas para nós — Chanyeol falou, tirando o braço de seu ombro, e caminhando por uma porta.
— Muito bonito aqui — você falou, olhando para o lustre da sala.
— Tento manter a mania do Chanyeol do lado da porta para fora — Yifan sorriu largo e se aproximou — Imagina isso daqui um amontoado de coisas...
A voz dele foi diminuindo conforme ele se aproximava, olhando diretamente em seus olhos.
— Acho que seria um caos completo — você falou, sem ter muita certeza do que dizia, já que aqueles olhos a fitando lhe deixavam completamente desnorteada.
— Acho que caos foi o que você fez na nossa vida — o rapaz quebrou toda a distância entre vocês dois, tomando seus lábios num beijo.
Ele primeiro começou mordiscando de leve seus lábios, para então aprofundar aquela língua macia e quente na sua boca, procurando sua língua. Quando as mãos de Kris foram parar na sua cintura, você passou os braços pelo pescoço dele, evitando assim levar uma queda graças a diferença de altura entre vocês dois.
Ele passou a mão lentamente por suas costas, acariciando a região delicadamente, enquanto seus dedos passavam de leve pela nunca dele, vez ou outra arranhando de leve.
O beijo começou a se tornar mais intenso, com Yifan apertando sua cintura, a puxando para colar seu corpo ao dele. Você prendeu o lábio dele dentre seus dentes, puxando de leve, o fazendo sorrir. Ele abriu os olhos para te ver puxando o lábio dele, mas aqueles olhos profundos voltaram a se fechar assim que ele voltou a te beijar, dessa vez completamente diferente de antes. Estava começando a gostar dessa bipolaridade do moreno.
Sentiu um arrepio percorrer toda sua espinha quando sentiu um outro corpo se aproximar por trás, a prendendo mais ainda contra Yifan. As mãos de Chanyeol percorreram os mesmos locais por onde Yifan havia tocado, lhe arrepiando mais ainda. A cintura do rapaz contra sua bunda, lhe pressionando cada vez mais para perto de Yifan estava lhe deixando insana.
Separou sua boca da de Yifan e sem sair da posição que estava, entre os dois, virou seu rosto em direção a Chanyeol, que de prontidão passou a te beijar, segurando os cabelos de sua nuca. As mãos de Yifan adentraram a sua blusa, lhe causando um tremor gostoso ao ter o moreno passando os dedos por sua barriga.
Você e Chanyeol travavam uma briga para ver que ficaria no controle, enquanto Yifan subia a mão, chegando perigosamente perto de seus seios. Os dedos do moreno adentraram seu sutiã, e automaticamente suas mãos puxaram com um pouco mais de força os fios avermelhados de Chanyeol, atrás de si.
Os dedos de Yifan começaram a brincar com os bicos de seus seios, deixando seu corpo mole, e seu Chanyeol não estivesse segurando sua cintura com as duas mãos, com toda certeza você já teria caído no chão. Acabou por gemer contra a boca de Chanyeol quando Yifan começou a massagear seus seios com mais precisão.
Com sua mão livre você arranhou de leve o braço esquerdo de Yifan, colocando sua mão sobre a dele, o incentivando a acariciar seus seios mais rápido. Quando sentiu a ponta da língua de Yifan no seu seio, não conseguiu mais continuar a beijar Chanyeol, se separando do ruivo para gemer baixinho.
— Você vai deixar a menina doida, Yifan — Chanyeol zombou, acariciando os seus cabelos.
Você colocou suas duas mãos nos cabelos de Yifan, o coordenando enquanto ele se concentrava em chupar um de seus seios. Voltou a fechar os olhos, encostando a cabeça no ombro de Chanyeol, que passou mordiscar sua orelha de forma sensual.
— Você está preparada para isso? — Yifan falou, após tirar a boca do seu seio — Se você quiser podemos esperar mais um pouco... Não queremos te forçar a nada.
Seus olhos percorreram os rostos dos dois rapazes, os vendo na mesma situação que você. Completamente extasiados de vontade. E você teve certeza que sim, era aquilo que queria.
— Eu quero, de verdade — Yifan sorriu e segurou sua cintura para que você não caísse quando Chanyeol se afastou.
— Se não se sentir confortável, não hesite em nos falar — Yifan falou doce, acariciando sua bochecha.
— Eu quero experimentar isso — você falou decidida, beijando as pontas dos dedos de Yifan — Eu quero vocês dois...
O moreno sorriu e lhe pegou no colo, caminhando com você até o sofá, onde você foi depositada delicadamente. Olhou para os lados a procura de Chanyeol, viu o rapaz parado em frente a garrafa de vinho que Yifan havia trazido, sorvendo alguns goles da bebida. Voltou a olhar para Yifan, que sentava ao seu lado.
— Senta aqui — o rapaz falou, apontando para o próprio colo. Sem que você pudesse perceber suas pernas agiram por conta própria, cada uma se postando ao lado do corpo do moreno.
Olhou para ele assim que sentou no colo do mais alto. Ele lhe olhava com o lábio preso entre os próprios dentes, a franja caindo em frente aos olhos, o deixando fofo e sexy ao mesmo tempo. Tirou o cabelo da testa dele, para que pudesse admira-lo melhor.
Virou a cabeça para o lado quando Chanyeol sentou no sofá, o braço no encosto atrás de Yifan.
— Já beijou a três, ? — Chanyeol lhe perguntou, acariciando a nuca de Yifan.
— Não — você olhou para Yifan, que sorria de lado para Chanyeol — Como seria?
— É simples — Chanyeol falou — Você começa o beijando e eu entro em seguida.
Você assentiu e se aproximou de Yifan, que já lhe esperava ansioso. As línguas de ambos voltaram a se enroscar, e foi um tanto quanto estranho quando você percebeu que uma terceira língua tentava entrar na brincadeira também. No começo foi uma das coisas mais estranhas, já que diferente de Yifan que tinha um ritmo mais calmo, o ritmo de Chanyeol era mais insano. Mas logo vocês três conseguiram achar um ritmo que se encaixassem para todos, tornando o beijo o mais prazeroso que você já tivera na sua vida toda.
Vocês três se separaram e se fitaram, sorrindo.
— Deita ela no chão — Chanyeol pediu a Yifan, que prontamente atendeu ao pedido do ruivo, te deitando devagar no chão.
Você olhou para os dois rapazes em cima de si e sentiu sua bochecha arder. Era perfeito demais para ser real. Dois rapazes extremamente lindos e gostosos estavam ali, lhe dando toda a atenção do mundo.
Se assustou um pouco quando Chanyeol puxou sua blusa lentamente para cima, mas relaxou, afinal, não poderia ficar tensa ou tudo daria errado. Ergueu levemente o corpo para que os dois rapazes pudessem tirar sua blusa e então voltou a colar as costas no tapete. Chanyeol foi o primeiro a colocar a mão sobre seu sutiã, logo o puxando para baixo.
Yifan passou as mãos por suas costas, desabotoando seu sutiã, e com a ajuda de Chanyeol o tirando. Olhou para o lado levemente envergonhada.
— Ei, princesa — Chanyeol falou em seu ouvido — Não precisa ficar assim, te daremos a melhor noite da sua vida.
— Eu sei disso — olhou para o rapaz, que sorriu e desceu distribuindo beijos do seu pescoço até chegar no seu seio, onde ele se concentrou em passar a língua pela região várias vezes.
Yifan foi mais direto, pegando o seio livre com uma das mãos e o apertando de leve enquanto chupava o bico. Aquilo era loucura demais para o seu frágil coração aguentar. Os dois, cada um chupando um seio seu, cada um no seu ritmo.
Arranhou a nuca de ambos, gemendo baixinho com o contato tão afoito.
— Tirem isso — falou quase sem ar, puxando a gola da camisa dos dois rapazes um pouco para cima.
Os dois levantaram suas cabeças e te olharam, sorrindo em seguida. Yifan foi o primeiro a tirar a própria camiseta, voltando a chupar seu seio em seguida. Chanyeol puxou a própria camiseta para cima, a jogando em cima da de Yifan. Ele se aproximou ajoelhado de você, lhe beijando.
Sentiu sua mão ser pega pela de Chanyeol, e o que sentiu em seguida fez sua mão tremer. Chanyeol colocava sua mão em cima da calça dele, fazendo você tocar o pênis dele por cima da calça. Ele parou de te beijar e voltou a chupar seu seio, deixando que você fizesse o serviço sozinha.
Sua mão começou com uma massagem leve no pênis de Chanyeol, percebendo que ele ficava arrepiado conforme sua mão se movia, já que você podia sentir vibrações de encontro com seu seio.
Yifan lhe olhava sensual enquanto mordia o bico de seu seio, e você o puxou pelo pescoço para ficar na mesma posição que Chanyeol, para que você pudesse fazer com ele o mesmo que estava fazendo com o ruivo. Yifan se posicionou e voltou a lhe beijar, enquanto sua mão o acariciava por cima da calça.
Já conseguia sentir os dois volumes duros sobre suas mãos, e sentiu que você mesma precisava de mais. Yifan levantou um pouco e cutucou Chanyeol.
— Cadê as camisinhas? — Yifan perguntou, fitando o ruivo.
— Está lá na cabeceira da sua cama — Chanyeol respondeu, indicando a escada.
— Já volto — Yifan levantou e correu pela escada, sob seu olhar atento.
— Você é tão linda — Chanyeol falou, atraindo sua atenção. Ele lhe olhava dos pés à cabeça, como se gravasse cada parte do seu corpo.
— E você é tão perfeito... — sua voz saiu fraca, seus lábios estavam secos e as palavras saíram um pouco emboladas.
Chanyeol se inclinou sobre você, mordendo sua bochecha de leve.
— Você está me fazendo pensar coisas nada próprias — você confessou, passando a mão pelo braço levemente malhado do ruivo.
— E qual o problema nisso? — Aquela voz extremamente rouca, e que com toda certeza deveria ser de um deus, e não de um cobrador, lhe sussurrou ao ouvido. Chanyeol passou a língua pela pontinha da sua orelha, lhe causando reviravoltas no estômago.
Passos foram ouvidos e você se virou para o lado para olhar Yifan se aproximando, as camisinhas na mão esquerda. Ele voltou a sentar ao seu lado e colocou as camisinhas perto da sua cabeça.
— Anda logo com isso — você pediu, olhando para eles enquanto mordia o lábio para provoca-los.
Yifan puxou seu short para baixo, acompanhado de Chanyeol que tratou de se livrar da sua última peça de roupa. Se sentiu um tanto quanto envergonhada por estar como veio ao mundo em frente aos dois rapazes, e sua vergonha aumentou mais ainda quando os dois desabotoaram as próprias calças e as tiraram junto com as cuecas.
Chanyeol acariciou sua coxa, puxando sua perna levemente para o lado, de forma que você ficasse mais "aberta". Yifan abaixou um pouco a cabeça e passou a distribuir beijos por sua perna, a mão dele tomando caminho por baixo de sua coxa, tocando seu baixo ventre. Você sabia o que viria em seguida, e isso em certa parte lhe dava medo.
Quando Yifan tocou sua intimidade, você pode perceber o quanto já estava molhada só de ter aqueles dois rapazes lhe instigando ao pecado. Dois dedos do moreno entraram em você, fazendo suas pernas se abrirem mais inconscientemente. Ele começou a movimenta-los devagar, olhando para seu rosto. Chanyeol aproveitou a deixa e colocou dois dedos dele também, aumentando a pressão dentro de você.
Os dois rapazes moviam os dedos no mesmo ritmo, as vezes lento e na maioria do tempo mais rápido. Era como se fossem um só, mesmo sendo cada um no seu ritmo. Quando os movimentos se tornaram cada vez mais rápidos, você não conseguiu evitar os primeiros gemidos, suas mãos de fecharam em punho.
Quando deu por si, estava rebolando contra os dedos dos rapazes. Poderia gozar a qualquer instante, só de vê-los fazendo tal ato. Fechou as pernas quando sentiu um ritmo ficar tão insano que já sentia seu orgasmo quase ali.
Os dois rapazes tiraram os dedos, Yifan deitou ao seu lado, pegando uma das camisinhas e abrindo o pacotinho com o dente. E foi nessa hora que algo lhe preocupou. Se fosse qualquer outra garota, ela estaria preocupada se engravidaria, mas a sua preocupação era algo muito mais... Idiota.
Será que os rapazes lhe penetrariam ao mesmo tempo ou revezariam? Seria dolorido ter os dois investindo contra si? Acabou por soltar uns gemidos ao imaginar o prazer de ter seu corpo prensado entre os dois rapazes enquanto eles estivessem lhe fodendo. Ouviu Yifan rir baixinho ao seu lado e então percebeu que você estava olhando fixamente para o pênis dele, enquanto ele colocava a camisinha.
Ele terminou de se proteger e te olhou, indicando que você subisse em cima dele. E assim você o fez. Segurou o membro do rapaz com uma das mãos e sentou nele lentamente, sentindo o rapaz lhe preencher aos poucos. Quando colocou todo o pênis do rapaz dentro de si, parou o olhando. Ele se segurava para não se mover precipitadamente, e você em certa parte também se controlava para não começar a fazer o serviço antes da hora.
Viu de canto de olho Chanyeol pegar outra camisinha, mas logo seus olhos se voltaram para Yifan, que movia lentamente a cintura para cima e para baixo. Você se apoiou nos ombros do rapaz, movendo o quadril de forma que assim que o pau dele saísse de dentro de você, voltasse a entrar.
Sentiu a mão de Chanyeol nas suas costas, lhe empurrando levemente para frente de forma que você ficasse inclinada sobre Yifan. Sentiu o moreno se mover um pouco mais rápido, e prendeu o lábio entre os dentes, segurando os gemidos. Aquele homem dentro de si estava te deixando mais do que tarada.
Arfou um pouco quando sentiu Chanyeol se aproximar por trás, roçando o pau dele na sua outra entrada.
— É só relaxar — Yifan falou, e você imaginou que talvez seu rosto estivesse aparentando estar preocupado.
Você assentiu e sentiu o moreno embaixo de si parar de se mover. Aquele era o momento. Quando a cabeça do pênis de Chanyeol entrou, você apertou com mais força o ombro de Yifan. Era uma sensação que não dava para explicar. Sentia Chanyeol lhe corromper por trás enquanto o membro de Yifan ainda permanecia dentro de si.
O membro de Chanyeol entrou por completo, te deixando com uma sensação incômoda. Era coisa demais dentro de você. Mas assim que os dois começaram a se mover, o restante da sua sanidade foi para o espaço. Assim como fizeram com os dedos, eles se moviam em perfeita sincronia, como se tivessem sido colocados na terra apenas para lhe dar prazer.
Yifan se movia embaixo de você lhe olhando nos olhos, a boca entreaberta fazendo com que pequenos gemidos saíssem da boca do moreno. Chanyeol havia se inclinado sobre você, se movendo na entrada de trás enquanto beijava e mordia seus ombros. E você não sabia qual dos dois estava te dando mais prazer, talvez estivessem tentando de te deixar louca, talvez estivessem testando seu controle.
Os dois passaram a se mover mais rápido, cada um segurando em uma parte do seu corpo, para te manter parada entre eles. Você conseguia sentir aqueles dois paus duros lhe fodendo como se o mundo fosse acabar naquele instante, e aquela era a sua certeza de que quebrar a rotina era a melhor coisa que havia feito na vida.

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Vocês haviam dormido juntos, após três doses de sexo e posições que você nunca havia sequer ouvido falar, na noite de sábado para domingo. E então chegou a segunda, o dia em que você iria olhar para seus dois quase namorados, trocar olhares secretos com eles e ter uma noite maravilhosa na faculdade se lembrando do fim de semana mais do que perfeito.
Enquanto esperava o ônibus, se recordou que o indiano não havia mais aparecido. Era um tanto quanto estranho. Viu o ônibus se aproximando e levantou animada. Animação essa que foi por água abaixo quando a porta do ônibus abriu.
— Olá, moça, senti sua falta — aquele que estava sentado no banco do motorista não era Yifan. Era o antigo motorista, aquele que trabalhava antes dos dois rapazes orientais.
Seus pés agiram por conta própria e entraram no ônibus, torcendo para que ao menos Chanyeol ainda estivesse lá. Mas seus olhos se encheram de lágrimas ao ver o rapaz cicatriz no banco, te olhando com um sorriso de lado.
Não, não, não, não. Estava tudo errado. Cadê o moreno sensual e fofo? Cadê o ruivo sério e calado? Antes que o antigo motorista pudesse fechar a porta, você saltou para fora, correndo pela calçada em direção a sua casa. Entrou correndo e largou a mochila no quintal mesmo.
Saiu em disparada em direção a casa dos orientais, era a algumas quadras dali. Se corresse no ritmo que estava, em menos de dez minutos estaria lá. Seu cabelo já grudava na testa e seu pulmão implorava para parar, mas você não poderia, não enquanto não chegasse naquela casa.
Ao chegar na rua dos rapazes, parou de correr, seu pulmão se contraindo em seu peito a procura de ar. Ignorou o aperto e caminhou em passos decididos até o portão dos rapazes. O carro de Yifan não estava lá,e nem o cheiro de gasolina.
Tocou a campainha, seu coração batendo tão acelerado que chegava a doer, sua cabeça explodindo em expectativa. Tocou a campainha mais uma vez, suas mãos tremendo enquanto apertavam a grade do portão.
— Você está procurando os rapazes que moravam aqui? — Você virou para olhar quem falava consigo e viu uma senhora baixinha lhe olhando.
— Isso! — Se aproximou tão rápido que assustou a velhinha — Cadê eles?
— Eita, menina, se eu fosse você desistia, eles foram embora ontem a noite, fizeram a mudança de madrugada, as crianças lá de casa não conseguiram nem dormir direito com a barulheira — sua mente apagou depois do "foram embora ontem a noite".
Sabia que a senhora falava mais alguma e então se afastava, mas seu cérebro não conseguia raciocinar mais nada. Olhou para a casa, a mesma janela de madeira fechada, a mesma porta entalhada deveria estar trancada com chave. Seus joelhos cederam e você sentou na calçada.
Seu coração tentava achar explicações para isso. Eles haviam ido embora de propósito? Eles haviam mentido para você? O que será que tinha acontecido?
Você até que tentou chorar, mas era como se nada saísse. Era um vazio dentro do peito e da mente. Um vazio que te fazia pensar se tudo era real. Você havia quebrado sua rotina por eles, e então eles haviam simplesmente viradofumaça.