Acho que segunda-feira é o dia mais bipolar da semana.
Digo, você sabe me dizer quantas segundas-feiras na sua vida
foram marcadas por algo bom? E por algo ruim?
Eu sempre achei sexta-feira o melhor dia da semana, em
seguida sábado, e sempre odiei segundas-feiras, talvez por esse meu ódio
incontestável contra esse dia algum tipo de força resolveu me pregar uma peça.
Tudo de ruim que tinha para acontecer naquela segunda-feira
aconteceu, e tudo de bom também. O que eu quero dizer é que justamente em uma
segunda feira uma das melhores coisas que aconteceu desde que virei
adolescente, se iniciou nesse dia.
Na verdade, não fora apenas uma, fora duas.
Com certeza fora a segunda-feira mais bagunçada da minha
vida.
E também o dia em que eu assinara um contrato com tudo que
até então eu considerava proibido, imoral, e longe da minha realidade, o dia em
que eu começara a experimentar coisas que me levariam a outro mundo, onde
apenas outro corpo humano conseguiria me levar, apenas lábios e gemidos seriam
minha escada até lá.
Eu acordara cedo naquele dia para fazer café da manhã para o
meu pai que iria ter que ir logo cedo para delegacia devido algumas mudanças
que estava acontecendo lá, ele não me explicara detalhadamente do que se
tratava, apenas resumira dizendo sobre alguns policias transferidos e ele por
ser o delegado tinha que estar lá para resolver tudo, e mesmo que ele estivesse
disposto a me explicar eu não estava disposta a prestar atenção, até porque era
algo que não me interessava. Era.
Antes do relógio marcar oficialmente sete horas em ponto meu
pai já tinha ido.
Até então eu nem imaginava que ele estava indo receber os
dois rapazes responsáveis por salvar o resto da minha segunda-feira que se
estenderia por uma tortura constante e um nó na garganta, por culpa do Sehun.
Eu passei maior parte da manhã vendo TV e esperando dar a
hora de ir para escola, a hora de ser humilhada e então a tão esperada hora
chegou, me arrumei, me certifiquei de que eu estava bonita o suficiente para
ele e fui.
Assim que coloquei os pés na escola já pude sentir que algo
iria dar errado, mas eu estava cega e concentrada demais pensando em como sugeria
algo mais sério para o Sehun, estava confiante demais achando que por vários
garotos me acharem linda ele iria aceitar deixar de apenas ficar comigo, para
ter um relacionamento mais sério.
Quando arrumei meu material em cima da mesa na primeira
aula, este ficou naquela mesma posição em que fora posto mesmo com o quadro
cheio de tarefa, pois eu dediquei toda a minha primeira aula ao Sehun que se
concentrava resolvendo diversos cálculos, que logo iria me constranger.
até tentara puxar papo comigo, quando percebeu que
minha atenção era só do Sehun naquela aula acabou desistindo e foi fazer a
tarefa, mas não antes de murmurar que eu iria me arrepender por isso, eu
deveria ter escutado.
— Ele é só um idiota, , não sei porque perde tempo —
ela murmurou — Você vai se arrepender profundamente por gostar de um babaca
como ele.
Eu ignorei.
Na segunda aula eu consegui me concentrar um pouco na tarefa
já que era de história, era um trabalho valendo nota e também era de dupla e
acabei dando a atenção que eu negara a , me senti até mal por alguns
segundos por pensar que eu estava apenas ligando para ela quando me favorecia,
mas ela também fizera isso várias vezes e eu lembrei dessas inúmeras vezes,
minha culpa sumiu.
Terminamos o trabalho uns minutos antes do sinal para o
intervalo tocar e como o Sehun ficava próximo a mesa do professor resolvi ficar
aqueles minutos restantes jogando papo fora com a professora de história.
E por fim o sinal bateu.
Antes que eu pensasse em me virar na direção de Sehun, este
já estava perto de mim me segurando pelo braço e me arrastando para fora da
sala, pela expressão dele algo sério estava por vir, enquanto ele me carregava
para um canto abandonado da escola tentei me lembrar se eu tinha feito algo de
errado nos últimos dias, se eu tinha magoado ele, ou se ele não havia gostado
de alguma coisa em mim, não lembrei de nada e acabamos chegando ao lugar sem eu
estar com o mínimo de preparo para o que estava por vim.
— O que... — eu já ia perguntar, porém Sehun fora direto.
— Precisamos parar — ele disse.
Parar? Para com o que?
Pela expressão dele eu já sabia que não iriamos parar apenas
para dar início a algo novo e melhor, iriamos acabar com tudo, não iriamos mais
nos ver após o fim das aulas, não iria ter mais a companhia dele até meu
apartamento, não teria mais os lábios dele tocando os meus, não teria mais ele
na minha vida, ele não seria mais o meu Sehun, o Sehun que está ficando com a
— como a escola o conhece — seria apenas o Sehun.
— Como assim? — Perguntei, o que foi a pior coisa que eu
poderia fazer naquele momento, eu não queria saber, eu já sabia e ouvir isso só
me desmoronaria mais.
— Eu não quero mais sair com você — ele respondeu.
Se fosse qualquer outro garoto me dizendo isso, um garoto
que eu não gostasse profundamente, eu conseguiria dizer algo como “você tem
certeza disso? ” ou “você está mesmo me deixando”, mas era o Sehun, o menino
que não está nem ai para o fato de eu ser uma das garotas que os meninos da
escola mais querem.
— Por quê? — Outra pergunta que eu não deveria ter feito, as
vezes acho que meu subconsciente é masoquista.
Ele me olhou sem emoção alguma, com uma expressão vazia, e
respondeu a verdade sem receios.
— Eu não gosto mais de você.
A resposta doeu, mais do que eu poderia imaginar, eu fui
idiota ao ponto de perguntar algo obvio, e no final a culpa das lagrimas terem
começado a escorrerem pelas minhas bochechas fora meramente minha, pois se não
houvesse uma pergunta, não existiria uma resposta.
Eu não esperei mais nenhuma palavra dele, até mesmo porque
ele não iria dizer mais nada, nem sequer pediria desculpas e mesmo que pedisse
eu não estaria disposta a perdoa-lo, então eu saí às pressas de perto dele,
andei pelos corredores da escola sem fazer nenhum esforço para esconder minhas
lagrimas e fui até o banheiro feminino.
E quando eu achei que teria ao menos um pouco de
tranquilidade no banheiro feminino escutei sair da boca da menina que eu mais
menosprezava na escola que está estava trocando mensagens com o Sehun.
Antes que ela pudesse me ver entrei em um dos vestiários e
me tranquei lá, depois pude escutar ela debochando de mim e por fim ela e a
amiga dela saíram do banheiro.
Eu me vi tomada pela raiva, e eu quando estou irritada, no
meu limite, faço o caos, tudo que aparece na minha frente se torna alvo do meu
ódio, naquele momento e só tinha um banheiro feminino, o que eu poderia fazer
em um banheiro feminino?
Eu sabia o que deveria fazer, acabei me lembrando onde eu e
a escondemos um dos batons que a Fernanda — a líder da nossa sala — vive
usando, só me restava torcer para que este estivesse lá, mas com certeza
estaria, a menos que tenha desistido da aposta, que se tratava de
esconder mesmo o batom dela por um mês, e devolvido para Fernanda, mas com
certeza não faria isso, ela não iria perder nunca uma aposta para o
Chen.
O batom estava lá, grudado por uma fita em baixo da pia,
sabia bem como fazer essas coisas funcionarem, eu acreditei que em algum
momento naquele um mês a fita iria se descolar e o batom iria cair no chão, mas
ele ainda estava lá sendo mantido em baixo da pia pela fita firme.
Peguei ele imediatamente e na mesma velocidade comecei a
escrever o nome de Sehun no espelho, porém me vi em uma dúvida assim que
terminei de escrever o nome dele, o que eu colocaria para completar? me
fez falta nesse momento, ela saberia algo bem feio para escrever.
E eu acabei conseguindo pensar em algo, era uma mentira, mas
iria ajudar a queimar a imagem dele com várias garotas, provavelmente muitos
desconfiariam que fora eu que escrevera, mas iria valer a pena.
Então eu escrevi “Sehun tem pau pequeno”, e ainda completei
escrevendo dentro de um dos vestiários que a — garota cujo Sehun estava
trocando mensagens — era uma escrota, falsa, o que não era mentira, me lembro
muito bem do dia em que eu e a trancadas no vestiário escutamos ela
falando mal de Vitoria, uma das meninas que vive andando com ela no intervalo.
Depois que risquei guardei o batom no mesmo lugar e enfim
fui para minha sala, quando cheguei lá Sehun estava com , e esta ao me ver
dentro da sala teve capacidade de me lançar um sorriso cínico, que se
aproximava de mim percebeu o clima e franziu o cenho.
— O que está acontecendo? — Ela perguntou.
— Está sendo a pior segunda-feira da minha vida — falei.
Até aquele momento aquilo era verdade, mas logo viria a ser
uma mentira.
— Sehun te deu um fora e está com a agora? — Ela
perguntou.
— Sim, mas já dei um jeito de não sair perdendo — expliquei.
— E esse jeito funcionou?
— Sim.
— Você está mal — ela afirmou.
Ela estava certa, não seria escrever uma mentira sobre o
Sehun — na verdade eu nem sabia se era mentira ou não porque eu nunca o vira
sem roupa — que iria me deixar melhor, não iria ajudar em nada para ser
sincera.
Nada me deixaria melhor naquele dia, a não ser...
Kyungsoo e Jungkook.
● ● ●
Toda a magia de ter Jungkook e Kyungsoo na minha vida
começou antes mesmo de eu me dar conta, começou quando eu estava voltando da
escola em passos lentos lamentando a minha cornisse,
minha falta de sorte com garotos, minha falta de sorte com relacionamentos
sérios, quando eu estava cogitando virar uma freira e desistir de vez de ter um
namorado.
Eu observava com a cabeça baixa uma folha se mover com o
vento se arrastando pelo asfalto da avenida, quando meus uma viatura da polícia
chamou minha atenção, pensei que pudesse ser algum conhecido do meu pai e tentei
fazer uma cara feliz, mas não era ninguém que eu conhecesse, a viatura estava
parada em frente uma lanchonete que é comum ter policiais frequentando, os
responsáveis pela viatura estavam encostados nela jogando conversa fora
enquanto bebericavam o café deles.
Eram dois belos meninos, jovens ainda por cima, não deveriam
ter mais de 23 anos, um deles por sinal parecia estar na faixa dos 19,
estranhei de início, era algo incomum, ainda mais aqui na minha cidade onde a
população já não é grande, algo incomum se torna, não só algo “incomum”, mas
uma raridade.
Era isso que o garoto era, uma raridade, não apenas pela
idade, mas pela beleza, era lindo de se observar, já o outro parecia ser mais
calado apenas ouvia o que o mais novo dizia e hora ou outra abria um sorriso
curto.
Diminui o passo para enrolar mais na hora de passar por
eles, para retardada a hora em que eles sumiriam das minhas vistas, estava mais
fascinada que observando Chen se matando para resolver cálculos de
matemática.
Quanto mais eu me aproximava, mas o outro garoto, o calado,
me parecia admirável, ele era mais adorável de perto, os olhos dele eram
chamativos e atenciosos, e os lábios, eu e qualquer outra garota da minha idade
adoraríamos nos perder naqueles lábios.
precisava saber disso, saber que tem trabalhando com
meu pai, duas raridades dessas, nessa cidade que se os meninos são bonitos, são
babacas igual ao Sehun, ou já estão namorando.
Quando passei por eles, minhas pernas tremeram e eu pude
sentir o olhar deles fixo em mim, também escutei eles cochichando algo que com
certeza era relacionado a mim, pois assim que eles me viram ficaram calados por
alguns segundos, bem daquele jeito que acontece quando você está conversando
com suas amigas e passa um garoto bonito e por alguns segundos você se esquece
do que estava conversando.
Outra coisa incontestável foi, eu fiquei corada, a sorte foi
que eles não viram, pois eu já estava de costas para eles.
Voltei o resto do percurso com uma sensação diferente da que
eu estava sentindo quando comecei a me dirigir de volta para o apartamento que
ficava a algumas quadras do colégio.
Minha mente foi tomada pelos rostos dos meninos que iam se
desmanchando na minha mente com o passar dos minutos, mas a impressão ainda
estava lá, eles eram lindos, eu sabia disso, era o que bastava.
Eu já estava começando a me animar com a ideia de descobrir
quem eram eles, com a ideia de me aproximar deles, com a ideia de fazer
qualquer coisa que estivesse relacionada aos dois, e estar animada com eles me
fez esquecer um pouco da tristeza que Sehun me causara, mas quando pisei no
apartamento fiquei triste novamente, porque lá não tinha Sehun me amando, e
muito menos dois policias novinhos à minha espera.
Só tinha eu e a solidão.
Acho que nasci para isso, ser solitária, e é algo que eu
costumo ser boa parte do tempo em que estou longe da escola, como nas férias
quando e Chen viajam, e meu pai fica cada vez mais preocupado com o
trabalho, a ausência da minha mãe — que fora embora com meu padrasto para outro
país — acaba tomando conta de mim e eu me sinto completamente só.
Dois amigos como aqueles garotos policias seriam uma boa
companhia.
Mas acabo deixando isso de lado e volto a minha rotina, me
certifico de que não tem nenhuma mensagem do meu pai na caixa eletrônica, e tem
um aviso dele falando para eu preparar jantar para convidados e que ele
provavelmente volte depois das sete e uma mensagem da minha mãe me informando
que já está em Londres, o engraçado é que eu não me recordo dela ter me dito
que estaria indo para lá, mas isso não faz diferença já é esperado ela estar
milhas de distância de mim conhecendo o mundo com .
Antes mesmo de ir tirar meu uniforme ligo para meu pai e
peço para ele comprar pizza já que com certeza não vai ter nada para preparar o
jantar, pois a última vez que ele fez compra foi no começo do mês e já estamos
basicamente encerrando o mês e pizza parece ser uma comida mundial, qualquer
pessoa deve gostar, meu pai concorda com a ideia e diz para eu pedir, avisa que
é para eu arrumar o quarto de hospedes, algo que eu não esperava, se despede e
desliga.
Por que meu pai quer que eu arrume o quarto de hospedes? Na
verdade, não é nem quarto de hospedes é o quarto dos meus dois primos que
vieram morar aqui por um tempo e quando se foram meu pai resolveu deixar o
quarto do jeito que estava para visitas e parentes que viessem passar algum
tempo aqui, o que eu tenho certeza que não é o caso, se fossem parentes meu pai
com certeza iria me avisar, ele sempre me avisa esse tipo de coisa, ele confia
a mim tudo que está acontecendo, tudo que estamos passando diferente da minha
mãe que sempre escondia tudo.
Acabo indo arrumar o quarto primeiro, este não se encontra
tão bagunçado, apenas troco os lençóis das camas e tiro o pó de alguns moveis,
depois vou tomar banho e por fim ligo para a pizzaria, peço o sabor tradicional
e passo o endereço, depois dirijo minha atenção para a TV.
Meu pai acaba chegando antes das sete, posso ouvir o carro
dele sendo estacionado e o vejo da janela da sala que a vista da para o
estacionamento, e então vejo duas figuras desconhecidas, eles parecem responder
uma série de perguntas do meu pai, enquanto descarregam as malas deles e por
fim acabam desaparecendo das minhas vistas quando se aproximam do condomínio.
O nervosismo que faz meu estomago se tremer me diz que algo
incrível vem por aí, tento me controlar durante os segundos que se passam até
meu pai aparecer na porta acompanhado dos meninos, e o momento chega, escuto o
barulho da maçaneta se girando e meu pai logo aparece no meu campo de vista,
seguido pelas duas figuras que eu vira momentos atrás.
— Você pediu a pizza, filha? — Meu pai pergunta deixando as
chaves em cima da ilha da cozinha — Ah meninos, essa é a .
As figuras, malditas e raras figuras olham para mim, meu
coração dispara no mesmo instante em que um sorriso vai surgindo nos lábios dos
dois seguido por um olá.
Eram os mesmos garotos que estavam encostados na viatura, e
algo me diz que eles se lembram de mim também, principalmente o mais calado,
ele com certeza se lembra de mim.
— Este é o Kyungsoo — meu pai aponta para o menino mais
reservado e depois para o mais novo — e este o Jungkook, eles foram
transferidos para cá hoje, por isso tive que sair cedo para o trabalho, fui
recebe-los.
Eu dou um oi sem jeito para eles, e estes não se importam
muito com isso, acabam voltando a atenção para meu pai que parece se lembrar de
algo, na verdade, se lembra de fato.
— Me sigam, vou levar vocês até o quarto onde irão ficar —
meu pai fala.
Eles deixam a sala que é colada com a cozinha e vão para o
corredor onde ficam os quartos, só consigo escutar o murmúrio deles depois disso.
E enquanto eles, as duas belezas, se alojam no quarto eu
fico abstrata pensando que ambos estarão hospedados na minha casa sabe lá por
quanto tempo e como meus desejos feitos pelo meu subconsciente foram atendidos
tão imediatamente, digo, eu estava no fundo desejando ter a companhia de dois
garotos assim e olhe só o que estava acontecendo.
Quando eles retornam à sala eu me lembro de desmanchar o
sorriso bobo que está nos meus lábios, mas o garoto mais novo, que eu esqueci o
nome, percebe que eu estava pensando em algo e tenta disfarçar uma risada e
ontem resultado.
— Eles ficarão morando aqui com nós até o apartamento que
tem aqui do lado ser liberado — meu pai me explica.
Eu me preparo para responder ou pergunta algo, mas não o
faço pois nesse momento o interfone do apartamento toca e meu pai vai ver o que
é, e todos já sabemos do que se trata, pizza.
Enquanto meu pai acerta com o entregador, os dois me lançam
olhares discretos e eu os retribuo, quando meu pai retorna eles passam a se
entreolhar e voltam a me ignorar, acabo sacando o que está acontecendo, eles
estão tentando se comportar bem na presença do meu pai, porque meu pai é
delegado e claro que eles não vão ser loucos de trocar nenhuma palavra
desnecessária com a filha do delegado, eles ficam intimidados com a presença do
meu pai.
E eu não posso deixar de brincar um pouco com isso,
com certeza iria me adorar mais se me visse fazendo isso, brincando com a cara
dos dois que não podem fazer nada de indevido na presença do delegado pai da
menina que eles estão de olho.
Me aproximo deles que estão sentados próximos a ilha da
cozinha e escutam meu pai contando uma história qualquer dos dias de trabalho
dele, de certa forma acabo salvando eles de escutar essa história do meu pai,
porque meu pai com certeza irá contar essa história outras milhares de vezes,
então uma que for poupada já será lucro para eles, e interrompo a fala do meu
pai.
— Como é o nome deles mesmo? — Pergunto mantendo meus olhos
fixados no mais novo.
A bochecha dele assume por um momento efêmero um tom rosa e
bingo, eu consegui o intimidar.
— Esse — ele aponta para o que corou por alguns segundos — É
o Jungkook e esse — ele aponta para o mais quieto — é o Kyungsoo.
Jungkook e Kyungsoo, repito os nomes duas vezes para tentar
me lembrar.
— Caso você se esqueça, é só perguntar — Kyungsoo acaba se
pronunciando.
— Não, já decorei — respondo.
Ele sorri e volta a atenção para meu pai que começa a
distribuir a pizza entre nós, descubro outra coisa sobre eles, amam pizza, e
mais, amam Coca-Cola também.
— Quantos anos vocês têm? — Continuo a perguntar.
— Jungkook tem dezenove e o Kyungsoo tem vinte e dois — meu
pai responde por eles.
— Tão novos — exclamo.
— Sim, meus amigos do trabalho estão surpresos com isso
assim como eu — meu pai confessa.
— Por que vieram para cá? — Minhas perguntas começam a
deixar eles desconfortáveis.
— Era um concurso do estado — Kyungsoo responde — e o estado
acabou distribuindo os aprovados pelos diversos municípios.
— Não liguem muito meninos, ela é curiosa mesmo — meu pai
percebe que eles estão sem jeito e tenta os confortar.
Acabo dando uma trégua para eles durante o jantar, que está
mais para lanche e investigação, mas quando terminamos de comer começo a pensar
em outra forma de intimidar eles mais um pouco, infelizmente eles vão para o
quarto deles acompanhados do meu pai e eu não posso simplesmente ir atrás então
vou para meu quarto.
Uma vez que estou trancada no meu quarto me lembro de
verificar minhas mensagens e quando vejo só encontro uma da me alertando
sobre a prova de matemática que vamos ter amanhã, resolvo resumir o que acaba
de acontecer comigo contando sobre os dois policiais novinhos hospedados no meu
apartamento, e quando envio a mensagem resolvo voltar para sala e ver TV.
E aquele tudo de bom que eu dizia que salvou minha
segunda-feira começa realmente ali, naquele momento, na sala, acompanhada dos
dois que estão sentados no sofá, cada um em uma ponta e eu decido me sentar
entre eles, com a ausência do meu pai eles nem ao menos se importam em ser
discretos ao me encarar, me olham o máximo que pode, e posso ver alguns risos
abafados vindos de Jungkook que provavelmente está pensando algo como “ela tem
belas pernas” ou “que peitos bonitos”, porque é isso que os meninos sempre
pensam em relação a mim.
— Era você a garota que faltou nos comer com os olhos
enquanto voltava da escola? — Jungkook pergunta.
— É claro que é ela — Kyungsoo afirma.
— Comer vocês com os olhos? — Eu acabo arfando com a
pergunta do mais novo.
Eles continuam lindos e admiráveis, porém um pouco menos
depois que começaram a mostrar realmente a personalidade deles, aprendo que
Jungkook não é do tipo que teme em falar algo e Kyungsoo é bem observador, e
ambos não se sentem intimidados nenhum pouco por mim quando meus pais estão
longes, na verdade acontece o reverso a intimidade acaba sendo eu, e não fico
apenas sendo a intimidada como a ousada que estava comendo eles com os olhos.
— Digo o mesmo sobre vocês — acabo rebatendo e tento prestar
atenção na TV, o que é algo quase impossível com os dois perto de mim.
— Existe uma diferença — Jungkook fala pensativo.
Uma diferença? Como assim? Do que ele está falando? Não vejo
nenhuma diferença da maneira em que ele me olhou para a maneira no qual eu
olhei para eles.
Jungkook se aproxima de mim e passa o braço pelo meu ombro,
Kyungsoo ao ver isso acaba arfando e posso ver ele balançando a cabeça
negativamente de relance, depois disso Jungkook faz algo que basicamente leva
minha segunda-feira as alturas.
— Você olha para mim como uma adolescente que sonha ganhar
um selinho desse garoto — ele explica — Eu e Kyungsoo enquanto te olhamos
estamos pensando que você é o tipo de garota que gostaríamos de passar uma ou
várias noites trocando caricias. Entendeu?
As palavras dele fazem com que minhas bochechas queimem
imediatamente, ambos acabam rindo da minha situação, deve ser algo delicioso
para eles vendo uma menina sendo tomada por reações químicas dos hormônios,
eles devem se maravilhar com isso e o pior é que fica claro que eles sabem o que
estão fazendo, eles entendem mesmo esse jogo que e estava tentando fazer.
— E quer saber outra diferença? — Jungkook continua — Tudo o
que nós pensamos... Nós fazemos acontecer.
