Era uma sexta feira e a tarde caia para dar lugar à noite.
Você caminhava da parada do ônibus até a sua casa desanimada, estava totalmente
cansada de tanto trabalho que teve durante a semana. No momento você não tinha
mente para mais nada, queria apenas tomar um banho e dormir.
Andava completamente distraída quando uma senhora se chocou
contra seu corpo.
Ambas acabaram caindo no asfalto quente e sua bolsa
simplesmente voou e foi parar quase a 5 metros de onde você estava.
— Me desculpe — se apressou em dizer para a mulher.
Ela sequer lhe deu ouvidos e simplesmente se levantou,
retomando apressada para onde quer que estivesse indo. Você suspirou de forma
pesada antes de imitar a mulher, tinha vontade de somente rolar até onde estava
sua bolsa e se pudesse, usaria a mesma de travesseiro e dormiria ali mesmo.
Levantou-se de onde ainda estava sentada e andou até sua
bolsa, estava com desanimo até para abaixar e ficou alguns segundos apenas
encarando a mesma.
— Você podia flutuar até minhas mãos — disse se abaixando e
pegando por fim a bolsa do chão.
Abriu alguns dos zíperes atrás do seu celular, vasculhou
dentro de outros bolsos para ver se nada havia caído ou se quebrado com a
queda. Pegou seu celular por fim e olhou para a tela que piscava.
— Ótimo! Tudo inteiro — falou digitando a senha para
desbloquear o aparelho — Caraca!
Seu espanto fez com que algumas pessoas que transitavam por
ali lhe olhassem estranho. Haviam nada mais e nada menos do que 27 chamadas
perdidas e 32 mensagens de texto não lidas.
— Quem diabos está me procurando tanto assim? — Exclamou
para si mesma e outra vez as pessoas te olharam de soslaio. Tinha que perder a
mania de falar sozinha em público.
3 das chamadas eram de uma amiga sua e as outras eram todas
de seu namorado. As mensagens de texto por sua vez eram todas deles e se
resumiam em perguntas de onde você estava que não o atendia. Tentou ligar para
ele, mas sem sucesso. Para evitar perder mais alguma chamada dele ou qualquer
outra pessoa que te ligasse, preferiu andar com o aparelho em mãos, só assim
conseguiria ouvir ele tocando ou vibrando.
Continuou seu caminho para casa, só que dessa vez com os
pensamentos tomados em suposições de por que seu namorado ter tentado falar com
você tantas vezes e todas aquelas mensagens.
Passou em frente a um pequeno mercado e menos sonolenta,
decidiu comprar algumas coisas. Cumprimentou o dono ao entrar e foi para o
local onde ficava os doces. Encheu uma cesta com biscoitos, balas, chocolates e
pirulitos. Foi para parte de salgados e escolheu algumas coisas rápidas e
fáceis de fazer, pegou um tanto suficiente para duas semanas e se caso Sehun
viesse te visitar como havia prometido, tudo isso acabaria em três dias.
Sorriu ao pensar nele e mesmo sem muita perspectiva de que
ele fosse atender, ligou mais uma vez para o rapaz.
— Alô?
! É você? — Perguntou Sehun com uma voz
desesperada.
— Oi amor — você falou tranquila — Você estava tentando
falar comigo? O que era?
— Onde raios você está? — Ele questionou ainda no tom
desesperado.
— Na rua da minha casa, passei no mercado para comprar umas
coisinhas — respondeu — Vai querer algo?
— Pare de enrolar ai e vá para sua casa agora — ele ordenou.
— Aconteceu alguma coisa? — ele estava te assustando.
— Fique dentro de casa e não saia até eu chegar, entendeu?
— Oh Sehun! O que está acontecendo?
— Eu te explico depois tudo o que sei, só faz o que eu te
pedi agora — ele falou rápido.
— Vir até aqui? Hoje é sexta-feira ainda, você tem permissão
para sair do exército? Como pode vir até aqui? E o que vai vir fazer aqui essa
hora? Não chegaria só amanhã aqui?
Ouviu o rapaz bufar do outro lado da linha — Sua máquina de
perguntas ambulante! Eu vou ir te encontrar daqui a pouco, não tenha medo.
— Medo do que?
— Amor — ele te chamou — Eu te amo!
— Eu também te amo! — Você respondeu para ele.
Antes de desligar, ouviu ele dizer mais algumas coisas e
pedir outras, eram coisas bem estranhas. Garantiu que daqui uma hora te ligaria
de novo. Você entendeu que ele não tinha muito tempo para te explicar o porquê
daquilo tudo, foi para o caixa e depois que pagou pelos alimentos escolhidos
foi para sua casa o mais rápido que pode.
As palavras de Sehun ficavam repassando em sua mente e as
que mais lhe perturbavam os pensamentos era as que ele pedia para que você não
tivesse medo. Ao que ele estava se referindo?
No momento em que entrou em casa, começou a fazer o que
Sehun havia te pedido por telefone: desativou o controle automático do portão
da garagem e trancou a entrada social com dois cadeados. Dentro de casa, fechou
todas as janelas e as amarrou com barbante de maneira que para abrir, seria
necessário o cortar. O que quer que fosse que Sehun queria que ficasse para
fora, permaneceria do lado de fora.
Apenas as portas da sala e da cozinha aos fundos ficaram sem
algum tipo de defesa contra o lado externo, mas Sehun não havia dito nada sobre
isso, porém decidiu por passar um cadeado que tinha sobrando na entrada dos
fundos, apenas por precaução.
Assim que terminou de fazer tudo o que seu namorado
paranoico pediu, você foi tomar um banho e depois finalmente comer alguma
coisa. Por mais que estivesse cansada e exausta, sentia vontade de cozinhar e
assim o fez, aproveitaria que Sehun estava vindo e fazia um tempo que estavam
sem se ver devido ao alistamento militar do rapaz.
Queria fazer algo prático e delicioso para vocês dois, estava
mais animada já que não jantaria sozinha outra vez, odiava ter que fazer comida
somente para você, muitas vezes o alimento acabava estragando devido a
quantidade que fazia e deixava de lado por não conseguir comer tudo.
Terminou de fazer uma macarronada e alguns outros
aperitivos, sem contar a sobremesa. Foi para sala e deitou no sofá, ligando a
TV em sequência. Um mosaico de canais apareceu na tela e você percebeu que
todos eram noticiários, estranhou pelo motivo que aquele horário a maioria das
emissoras exibia novelas ou algum programa de entretenimento.
Você escolheu um canal e assim a tela se encheu com o rosto
do âncora, a voz do homem tomou o ambiente e finalmente você entendeu o que
Sehun quis dizer com “não tenha medo”.
— Isso é surreal — você falou para si mesma.
Você trocou de canal e a mesma noticia era dada pela
repórter em pleno centro da capital. Mudou de emissora mais algumas vezes para
ter uma ideia mínima do que estava acontecendo e se assustou com as explosões e
gritaria sem fim. Sua casa e trabalho eram em uma cidade pequena, mas, contudo,
era próxima da capital do estado. Sabia que logo aquele tumulto chegaria até
você.
— Ai senhor! Sehun está na capital — pensou em voz alta e
saiu pela casa atrás do seu celular para ligar para o rapaz. Para seu desespero
maior, apenas na sua quarta tentativa ele atendeu.
— Alô?
— SEHUN — você berrou quando ouviu a voz dele — Onde você
está?
— Entrando na sua cidade agora — ele respondeu com a voz
menos desesperada do que antes — Calma. Estou chegando até você.
— Eu fiz o que você pediu — informou a ele, sua voz estava
embargada e não demoraria muito para não conseguir mais controlar suas
lágrimas.
O tom do rapaz se tornou suave, ele te conhecia melhor do
que qualquer pessoa no universo — Ótimo amor, ótimo! Quando eu estiver perto,
vou te ligar para que abra o portão para eu entrar, certo?
— S.. Sim! — confirmou para ele e sentiu sua bochecha ser
molhada por seu próprio choro.
Você se sentou no chão da sala, olhava incrédula para a TV e
não tinha ideias de como reagir aquilo. Como pode ser real? Sehun te ligou 20
minutos depois te pedindo para ficar atenta que ele estava próximo, você
caminhou até o portão e abriu os cadeados. Olhou com receio para a rua e
aparentemente tudo estava em seu devido lugar, aparentemente estava tranquila
como deveria ser, mas a calmaria do entorno era anormal, não se ouvia as
crianças brincando, os cachorros latindo ou rádios com músicas antigas tocando
nos bares ou pendurados na janela das senhoras de mais idade. O ronco do motor
de um carro foi o que rompeu com todo aquele silencio que te amedrontou, era
Sehun chegando.
Ele parou o veículo e abriu a porta, saindo de dentro com o
respirar falho. Ele estava pálido e suava. Você correu até ele e não foi mais
capaz de conter suas lágrimas, o agarrou agradecendo por ele não te deixar,
estava cada vez mais apavorada.
— Jamais te deixaria. Fique calma
. Eu estou aqui
com você e sempre vou estar — ele falou alisando seus cabelos num carinho que
lhe transmitia calmaria — Vamos guardar o carro e lá dentro conversamos.
Ele falou que no desespero, as pessoas poderiam roubar o
veículo e mais tarde vocês usariam para fugir dali. Depois que ele entrou com o
carro na garagem, vocês trancaram e vedaram o portão com o que tinham, Sehun
verificou se realmente não abriria caso insistissem, vendo que estavam seguros,
vocês trancaram a entrada menor com os cadeados novamente e travaram a
fechadura deixando a chave na horizontal.
— Sehun — você o chamou — Quando tudo isso começou?
— Faz pouco mais de uma semana que o primeiro caso aconteceu
— ele respondeu e entrelaçou suas mãos. Vocês foram para a sua sala e sentados
no sofá, ele continuou a explicar como tudo aquilo havia desencadeado.
Ele contou-lhe que foi informado pelo seu superior à pouco
mais de 3 horas sobre o que estava acontecendo, porque até então, ele sabia de
nada que acontecia fora do quartel. Ele concluiu dizendo que todos os oficiais
administrativos foram dispensados e foi ai que ele passou a tentar falar com
você.
Sehun pegou o controle da TV e trocava de canal sem parar,
ouviram em uma emissora um repórter relatando que isso estava acontecendo em
todo o mundo, tudo tomado pelo caos. Em outro canal, pediam que todos ficassem
em casa e que logo tudo seria normalizado já que o exército estava nas ruas.
— Besteira — Sehun balbuciou e mais uma vez trocou de
emissora.
Nesta o âncora dizia que o governo estava providenciando
abrigos, que todos deveriam se encaminhar para os locais indicados por
policiais.
— O que vamos fazer? — você questionou confusa sobre quais
providencias deveriam tomar.
— Vamos ficar aqui — ele respondeu confiante, sem brechas
para que suas palavras hesitassem — Pelo menos até esse surto amenizar.
— Como está a capital?
— Assustadora — Sehun soltou o ar de forma pesada — Está
completamente dominada.
— Como você saiu de lá?
— Luhan e Xiumin estavam comigo, aí depois nos separamos.
— Eles estão bem? — apesar de serem amigos de Sehun, eles
também tinham um vínculo de amizade com você.
— Espero que sim.
Os seus olhos estavam ardendo, toda aquela necessidade que
sentia em tirar um cochilo que sentia antes voltava a te dominar, agora com
muito mais intensidade. Você queria ficar acordada, queria saber mais sobre
esse surto anormal e surreal que acontecia, mas seu corpo implorava por sua
cama.
— Você precisa dormir — Sehun falou vendo seu estado.
— Eu fiz um jantar para nós dois — falou e ele sorriu —
Vamos comer e depois eu vou deitar.
Ele assentiu e depois de esquentar a comida, vocês se
sentaram à mesa e aproveitaram o que você tinha preparado. Depois que
terminaram, Sehun falou para você ir dormir enquanto ele tirava a mesa e lavava
os pratos.
— Melhor namorado do mundo — você brincou e selou os lábios
dele.
Se sentia segura com Sehun ali com você. Você foi para o seu
quarto depois que o fez prometer que te acordaria caso precisasse ou
acontecesse alguma coisa.
Já deitada em sua cama, pode ouvir a TV da sala ser ligada e
escutou o âncora dizer:
Estamos vivendo em um mundo que a estórias em quadrinhos
viraram realidade, submergimos em um verdadeiro e assustador apocalipse zumbi,
os mortos caminham!
— Ótimo — você sussurrou e virou-se de lado — Fiz um
banquete para comemorar o fim do mundo, droga!
Enquanto você dormir, Sehun trocava de canal desinteressado
no que falavam, queria saber sobre seus amigos agora que tinha certeza que você
estava bem. O rapaz foi até o carro e pegou uma mochila no banco de trás e dela
tirou um rádio com sinal por satélite.
— Luhan? — Ele chamou pelo mais velho depois de apertar um
botão na lateral.
— Fala Sehunnie — disse Luhan em resposta — Que bom que você
conseguiu, que alivio.
— Sim, consegui chegar bem até a casa da
, vou
esperar alguns dias para sair e ir encontrar com vocês — informou Sehun ao mais
velho.
— Não espere demais, mas não seja precipitado ao sair! — Alertou
Luhan — Nos vemos na casa do Suho como combinado.
— Hei Luhan — Sehun tinha a voz preocupada — Vi que a
capital está pior do que antes... Tome cuidado.
— Isso aqui é o retrato do inferno — Luhan rebateu depois de
um suspiro — Sehun...
— Sim?
— Não deixe que essas coisas cheguem muito perto de você ou
da sua namorada — Luhan fez uma pausa e Sehun sabia que era para tomar coragem
para o que diria a seguir — Sei que nunca precisou atirar, mas você tem
treinamento. Mire no cérebro, sempre.
Sehun engoliu a seco e depois assentiu as ordens do mais
velho.
Os dois rapazes marcaram de tentar se comunicar pelo rádio
sempre ao amanhecer.
Depois da conversa com Luhan, Sehun se levantou e foi até a
cozinha, verificou se tudo estava completamente fechado e antes de sair do
cômodo, bebeu um pouco de água e depois rumou para ver as demais janelas,
voltou para a sala e aumentou um pouco o volume da TV e foi para o quarto. Deitou-se
ao seu lado sem fechar os olhos, encarava o teto e quando você se remexia, ele
te observava. O rapaz esquio ouvia o que o repórter falava e imaginava quando
seria a última transmissão que veria ou ouviria, canais de audiências menores
já haviam saído do ar.
Você despertou horas depois com o som de tiros e
helicópteros sobrevoando sua casa, estavam tão próximos que faziam as janelas
tremerem no mesmo ritmo das hélices. Você virou-se para Sehun e o viu fazer um
sinal negativo e levar o dedo indicador à frente dos lábios, indicando que era
para você continuar como estava e quieta. Você obedeceu e se aninhou nos braços
do rapaz, ambos ficaram ali esperando toda aquela desordem se acalmar, a cidade
tranquila com a qual você estava acostumada estava sendo devastada por esse
caos.
Vocês ficaram isolados de tudo por exatos 7 dias.
Nos primeiros dois dias, centenas de pessoas buscando abrigo
passaram pela cidade, porém entre elas haviam infectados. Os militares eram
categóricos e tinham ordens expressas de abater qualquer um que apresentasse
sinais de que fora mordido ou simplesmente arranhado por um dos zumbis. Nos
dias que vieram só se ouviam gritos, tiros e explosões por todos os cantos da
pacata cidade.
Para evitarem serem atingidos por balas perdidas, Sehun e
você dormiam no chão de seu quarto e sua cama fora desmontada pelo rapaz para
usar a madeira como trava extra nas entradas. Como Sehun havia planejado, o que
queriam que continuassem fora, permaneceu fora.
O que lhes restava de contato com o mundo externo era um
rádio a pilhas que Sehun roubou de sua vizinha que decidiu por sair da cidade.
Poucas rádios ainda se mantinham no ar e as notícias eram dadas esporadicamente
ao longo do dia.
— Temos sorte de ainda ter luz aqui — Sehun falou enquanto
vocês tomavam café na cozinha.
— Vou deixar as velas preparadas — você falou depois de um
gole em seu suco.
Isso foi tudo que falaram durante o tempo que ficaram ali.
Terminaram de comer e você limpou a mesa enquanto ele lavava os pratos, copos e
talheres que usaram.
— A água está mais fraca — você falou se aproximando dele.
— Vamos pegar alguns baldes e armazenar para usarmos quando
cortarem de vez — ele respondeu com um sorriso mínimo e você assentiu. Era
nítido que ele estava preocupado com algo e você sabia exatamente o que era.
Luhan não havia chamado ele pelo rádio.
O dia clareava e o sol timidamente invadia a cozinha pelos
vidros da janela. Sehun e você acordaram muito cedo devido a uma explosão que
aconteceu próxima de onde você morava e depois disso não conseguiram dormir
novamente. Depois do café e de ter organizado por cima o que estava fora de
ordem, você foi tomar um banho.
Sentir a água quente tocando suas costas lhe aliviava e por
minutos era capaz de se esquecer do caos em que tudo estava. Saiu do banheiro
trocada e caminhou para a sala secando os cabelos, Sehun mantinha os olhos
atentos ao rádio sobre a mesa de centro.
Você olhou para o relógio e eram pouco mais de 7 da manhã,
Luhan sempre o chamava antes das 6h30.
— Se está preocupado, ligue para ele — você sugeriu.
— Mas e se ele estiver se escondendo? Posso acabar revelando
o local dele e esses bichos se movimentam por sons — ele rebateu com uma
careta.
— E se ele esqueceu?
— Aconteceu alguma coisa com ele — Sehun disse.
— Chama ele apenas uma vez — você falou colocando as mãos
sobre os ombros dele e massageando a área — Vocês têm aqueles códigos esquisitos,
certo? Ele vai saber que é você.
Ele assentiu de uma maneira um pouco infantil e você sorriu,
achava fofo a forma como ele era próximo do mais velho. Sehun tomou o aparelho
nas mãos e mandou um sinal, um alerta para a frequência do rádio do Luhan.
Segundos se passaram antes do mais velho responder, porém pareceram
intermináveis minutos.
— Sehun? — Luhan estava ofegante.
— Luhan, você está bem? E a sua namorada?
— Estamos bem! Hm, você está precisando de alguma coisa
importante ou urgente?
— Não, é que você não mandou nada quando amanheceu — Sehun
explicou.
— Sehunnie, estou ótimo — Luhan falou e ao fundo ouviram um
com que fez com que você corasse violentamente rápido — Me chama daqui meia
hora, ou eu te chamo...
Vergonha definia Sehun e você nesse momento e se puseram a
rir quando o rádio fora posto sobre a mesinha de centro outra vez.
— Luhan é um depravado — Sehun falou rindo — Estamos no meio
de um ataque de mortos-vivos e ele está transando.
— Ele está vivendo — você rebateu também rindo e se
levantou, indo para o lado externo aos fundos de sua casa.
O dia seguiu extremamente tranquilo, o que era estranho se
comparassem com os dias anteriores. Vocês estavam sentados numa rede e
conversavam sobre coisas aleatórias, até que o tema foi parar em quando vocês
sairiam dali, visto que a água estava cada vez mais fraca e as luzes logo lhes
abandonaria também.
— Domingo?
— Sim — Sehun confirmou — Vamos partir de madrugada e como
você conhece a cidade, podemos ir sem que nada nos atrapalhe.
— E quando amanhecer, vamos estar chegando na estrada — você
concluiu e ele assentiu.
O medo de vocês era de locais cheios e sem rota alternativa,
a estrada pela qual precisavam passar era um deles por ser rota de saída e
entrada para a capital.
[...]
Vocês haviam guardado quase tudo no carro, o dia de sábado
foi apenas de preparativos para deixarem a casa para trás. O destino era a
fazenda de um dos melhores amigos de Sehun, Suho. O local era um tanto longe,
mesmo saindo de madrugada, chegariam lá próximo do horário de anoitecer, cada
minuto de claridade era necessário, afinal vocês nem cogitavam adentrar num
caminho de terra no escuro.
A fazenda dos Kim era afastada de tudo, portanto era um
local significativamente seguro. O combinado entre você e Sehun era de sair da
sua casa por volta das 4 da manhã, você encarou o relógio em seu pulso e ainda
não tinha passado da 1 da manhã.
— Sehun — você o chamou e deveria ser a décima vez que fazia
isso — Você precisa dormir.
— Mas eu não estou com sono — ele protestou.
— Quer que eu te deixe com sono? — Você questionou e soltou
um riso leve.
— Está me colocando no mesmo nível que o Luhan?
— Se for preciso para que você deite e durma — você falou se
levantando e sentou-se na ponta do
colchão — Você precisa descansar!
Em 2 segundos Sehun estava atrás de você, sentiu as mãos do
rapaz pousarem em sua cintura e te puxarem com delicadeza para o colo dele.
Sehun tirou suas roupas de uma forma lentamente torturante, acariciava seu
corpo com as pontas dos dedos e lhe causava suaves arrepios. Deitou-lhe sobre o
colchão novamente enquanto tinha a boca trabalhando em explorar a área entre
seu ouvido e ombro, você puxava a camiseta dele para cima querendo tirá-la de
uma vez e só conseguiu quando ele a ajudou, aproveitando-se para se despir das outras
vestimentas que ainda te restavam.
Você sorria para ele e ele te encarava como se fosse algo
deslumbrante.
Suas bocas se encontraram com mais fervor e intensidade. Uma
das mãos dele deslizava do seu rosto para a sua nuca, descendo depois pela
lateral de seu corpo e depois voltando por todo o caminho que percorreu. Foi um
momento rápido comparado com as outras vezes com que tinham dormidos juntos,
mas não deixou de ser especial ou menos prazeroso. Poderia dizer que foi até
melhor devido a tensão do momento.
Ambos acabaram compreendendo porque Luhan perdera a hora de
falar com o mais novo e mesmo não querendo admitir, no tempo em que ficaram
trancados esperando o momento certo de saírem, vocês sentiam falta de sexo e
você ansiava por um toque mais íntimo de seu namorado. O problema era que
tinham outras prioridades e preocupações que faziam com que vocês desistissem
de algo a mais e inibissem tal desejo. A ânsia e vontade de terem um ao outro
veio com tanto vigor durante essa última madrugada na casa que lhes proporcionara
antes tantos momentos alegres e memoráveis que seria um pecado a deixar sem que
antes consumassem o que sentiam da forma mais verdadeira e pura que sabiam da existência.
O momento se tornou como uma despedida do conforto que
estavam tendo durante esses últimos dias.
O nome de Sehun saia dos seus lábios com extremo prazer, ele
estava te levando ao delírio diminuindo o ritmo do ato quando você estava quase
chegando ao seu ápice.
— Ainda está cedo — falou com uma voz rouca no seu ouvido.
O desejo e a satisfação de sentir ele em você era
indescritível, inundava suas veias e entorpeciam seus sentidos. Sehun continuou
com movimentos lentos e totalmente fora de ritmo. Aquilo te fazia arfar
igualmente fora de sincronia e era deliciosamente agonizante!
Cada beijo entre vocês apenas fazia com que tudo ficasse
ainda mais excitante, você implorava com palavras desconexas e escassas para
ele ir mais rápido pois aquela lerdeza estava a ponto de te enlouquecer. Sehun
sorria da forma que você estava entregue a ele e por fim aumentou o ritmo das
estocadas, deixando-as mais fortes e rápidas.
Você arranhava as costas dele e mordia seu próprio lábio
inferior para evitar berrar ou deixar escapar um gemido mais alto que o
necessário, mas era difícil se controlar por tanto tempo. Sehun pareceu notar
seu empenho em tentar se manter quieta e resolveu te ajudar, ele tampou sua
boca com uma das mãos e aquilo serviu apenas de estimulo a mais. Um lado sadista
surgiu no rapaz e em instantes depois, você tinha sua mente tomada em sentir
seu namorado.
Suas pernas estremeceram e espasmos atravessaram seu corpo,
suas costas formaram um arco sobre onde estava deitada. Sehun continuava com as
investidas e tinha um sorriso satisfeito no rosto vendo que havia feito você
chegar ao prazer absoluto. Os estalos de seus corpos se chocando continuaram e
eram mais constantes, Sehun estava próximo de seu ápice e soube que ele o
obteve quando o mais alto gemeu rouco próximo ao seu ouvido.
— Você é perfeita — Sehun disse baixinho e sorriu de canto.
Esperou um pouco aquele sentimento extasiante passar e assim
que se sentiu melhor para levantar sem que suas pernas vacilassem e foi tomar
um banho. Já trocada, decidiu por deitar no sofá e deitar que Sehun descansasse
sozinho o tempo que lhes restavam ali.
— Amor!
! — Sehun te chamava — Está quase na hora.
Ele estava com os cabelos molhados e outras roupas, te
chamava para comer alguma coisa que ele havia preparado. Era fofo quando ele
tentava ser romântico, mas você sabia que ele te despertava uns bons minutos
antes do horário de saída porque precisava de você alerta junto com ele.
Depois de comer, você deu uma última olhava em toda a casa.
Sentiria falta do lugar, mas precisava sair.
— Sehun — você o chamou — Nós vamos conseguir, né?
Ele caminhou até você e selou seus lábios — Sim. Nós
conseguiremos!
Mandaram um sinal para o rádio de Luhan e descobriram que o
mais velho havia conseguido sair da capital a salvo, ele estava a caminho da
casa de campo do Suho assim como vocês estariam daqui a alguns minutos.
— Vamos! — Falou Sehun tirando a chave que trancava a
entrada de carros e abrindo a saída de vocês.
Como você conhecia a cidade melhor do que seu namorado, era
você quem dirigia naquele primeiro momento. Tirou o veículo da garagem
lentamente e parou a poucos metros para esperar Sehun trancar sua casa. Deixou
os faróis desligados, mas se mantinha alerta a sua volta.
A ordem primária que vocês haviam estabelecido era a de
evitar fazer qualquer tipo de som desnecessário. Assim que ele entrou no carro,
você engatou a marcha e saiu pelas ruas destruídas de seu bairro. Seguia com
cautela e mantinha os olhos atentos a todo e qualquer movimento anormal que
notassem, deram sorte que por onde foram, nada vivo ou morto apareceu.
— Tem certeza que é por aqui? — Sehun parecia estar
preocupado.
— Quer dirigir? — Perguntou bufando, era a vigésima vez que
ele perguntava a mesma coisa e isso estava te irritando.
— Só estav...
— Estava enchendo o saco! — Você o interrompeu — Tenho
certeza que é por aqui.
— Mas é que você está subindo e a autoestrada é para baixo —
ele argumentou.
— Confie em mim, é por aqui.
Vocês deram a volta por uma área sem muitas casas e saíram
em uma estrada de terra mal iluminada, você conhecia o percurso como as palmas
de suas próprias mãos e por fim iniciaram uma descida, depois de quase 40
minutos em que só viam mato e uma estrada de terra, você apontou para o lado e
indicou a estrada.
— Quando entrarmos nela, você dirige — o informou e o rapaz
assentiu.
[...]
Estavam a apenas 5 quilômetros da entrada da fazenda, mas
ambos estavam tensos apesar da viagem tranquila. Odiava quando tudo estava
dando certo demais, sabia que uma coisa ruim iria acontecer mais cedo ou mais
tarde! Se reprendia por tal pensamento, mas isso martelava na sua mente sem
cessar.
Três dos 11 que marcaram de se encontrar na fazenda já
haviam chegado e isso fez com que vocês sorrissem, era um alivio saber disso.
As marcas de pneus na terra úmida era o que os denunciava.
Estavam indo bem até que por um descuido o carro cair numa
vala e ficar preso.
Sehun tentou fazer de tudo para o tirar de lá, mas sem
sucesso. Depois de ficarem alguns minutos discutindo o que fariam, vocês
optaram por ir andando o que faltava do caminho e depois voltariam para ver o
que poderiam fazer e buscar o que por ora deixariam para trás.
Juntaram o essencial e iniciaram a caminhada por entre as
sombras das grandes arvores que margeavam a estrada.
Andaram por quase 1 hora sem parar e assim que passaram por
cima de uma ponte larga de madeira, conseguiram ver a entrada principal da
fazenda. Tinha muros fortes cercando todo o terreno além de arrames e cercas
eletrificadas.
Estava a 200 metros da entrada quando ouviram um zunido
rouco atrás de vocês. A princípio era apenas um, quando apressaram os passos,
outros surgiram das laterais e vocês se viram cercados por 15 daquelas
criaturas acéfalas sedentas por suas carnes. Sehun te mantinha atrás dele e
aprontava uma arma aleatoriamente, pensava em qual atiraria primeiro, mas se fizesse
isso, outros seriam atraídos e colocariam a vida dos demais em risco.
Estavam próximos da entrada da fazenda, mas sentiam como se
houvesse um abismo entre vocês. Com o auxílio de suas mochilas, usavam como
escudo contra aqueles bichos e os empurravam à medida que se aproximavam,
estavam ficando cada vez mais encurralados e cansados. O caminho irregular do
percurso que fizeram até ali colaborava para que vocês estivessem exaustos.
Era fim de tarde e não demoraria muito para tudo ficar
escuro, ainda mais na área rural em que estavam. De soslaio viu um deles se
aproximar de você, tentou se defender, mas acabou caindo e sentiu que sua vida
iria acabar ali.
Gritou por Sehun, mas ele nada poderia fazer pela distância
que tinha de você. Ele também estava cercado por aquelas criaturas asquerosas
de pele pálida e olhos vítreos amarelados. Você fechou os olhos e desejou ter
uma morte rápida, porque indolor você sabia que era impossível. O que você
estava esperando acontecer, por alguma dádiva não se concretizou.
Você abriu os olhos descrente que realmente continuava viva
e encarou assustada o bicho que quase te matou inanimado aos seus pés e com uma
flecha atravessando-lhe o cérebro.
— Levanta cunhada — Luhan falou te ajudando a levantar — Vou
salvar seu namorado agora.
— Você está bem? — A namorada do Luhan questionou.
Ela era bonita e mesmo estando com o aspecto cansado, ela
estava com uma katana desembainhada. A menina pediu para que você ficasse onde
estava enquanto ia ajudar Luhan a liquidar com aqueles monstros. Você se sentiu
um pouco enciumada ao ver os dois juntos, eram de alguma forma totalmente
compatíveis um com o outro e se completavam, ao mesmo tempo sentiu vergonha por
tal sentimento, mas você queria ver mais útil para Sehun nesse novo universo em
que viveriam.
Estava perdida em seus pensamentos que só voltou a si quando
a menina passou ao seu lado e lhe puxou pelo pulso.
— Vamos — ela disse correndo lhe trazendo com ela.
— Mas e os meninos?
— Vindo logo atrás — ela respondeu rápido e te pareceu um
pouco seca, mas sabia que palavras demais durante uma corrida eram
desgastantes.
A entrada estava livre e Suho lhes esperava atento ao que
acontecia, sentia que ele queria ir os ajudar, mas não podia se dar ao luxo de
deixar os portões desprotegidos. Assim que vocês 4 ultrapassaram a entrada e se
viram seguros, desabaram na grama bem tratada da fazenda que chamariam de lar a
partir desse momento.
— Somos os primeiros? — Você ouviu Luhan questionar.
— Xiumin, Kris e Baek chegaram a poucos dias — Suho
respondeu.
— Apenas eles? — Dessa vez foi Sehun que questionou.
— Até agora sim.
