Sehun: Promessa


Era uma sexta feira e a tarde caia para dar lugar à noite. Você caminhava da parada do ônibus até a sua casa desanimada, estava totalmente cansada de tanto trabalho que teve durante a semana. No momento você não tinha mente para mais nada, queria apenas tomar um banho e dormir.
Andava completamente distraída quando uma senhora se chocou contra seu corpo.
Ambas acabaram caindo no asfalto quente e sua bolsa simplesmente voou e foi parar quase a 5 metros de onde você estava.
— Me desculpe — se apressou em dizer para a mulher.
Ela sequer lhe deu ouvidos e simplesmente se levantou, retomando apressada para onde quer que estivesse indo. Você suspirou de forma pesada antes de imitar a mulher, tinha vontade de somente rolar até onde estava sua bolsa e se pudesse, usaria a mesma de travesseiro e dormiria ali mesmo.
Levantou-se de onde ainda estava sentada e andou até sua bolsa, estava com desanimo até para abaixar e ficou alguns segundos apenas encarando a mesma.
— Você podia flutuar até minhas mãos — disse se abaixando e pegando por fim a bolsa do chão.
Abriu alguns dos zíperes atrás do seu celular, vasculhou dentro de outros bolsos para ver se nada havia caído ou se quebrado com a queda. Pegou seu celular por fim e olhou para a tela que piscava.
— Ótimo! Tudo inteiro — falou digitando a senha para desbloquear o aparelho — Caraca!
Seu espanto fez com que algumas pessoas que transitavam por ali lhe olhassem estranho. Haviam nada mais e nada menos do que 27 chamadas perdidas e 32 mensagens de texto não lidas.
— Quem diabos está me procurando tanto assim? — Exclamou para si mesma e outra vez as pessoas te olharam de soslaio. Tinha que perder a mania de falar sozinha em público.
3 das chamadas eram de uma amiga sua e as outras eram todas de seu namorado. As mensagens de texto por sua vez eram todas deles e se resumiam em perguntas de onde você estava que não o atendia. Tentou ligar para ele, mas sem sucesso. Para evitar perder mais alguma chamada dele ou qualquer outra pessoa que te ligasse, preferiu andar com o aparelho em mãos, só assim conseguiria ouvir ele tocando ou vibrando.
Continuou seu caminho para casa, só que dessa vez com os pensamentos tomados em suposições de por que seu namorado ter tentado falar com você tantas vezes e todas aquelas mensagens.
Passou em frente a um pequeno mercado e menos sonolenta, decidiu comprar algumas coisas. Cumprimentou o dono ao entrar e foi para o local onde ficava os doces. Encheu uma cesta com biscoitos, balas, chocolates e pirulitos. Foi para parte de salgados e escolheu algumas coisas rápidas e fáceis de fazer, pegou um tanto suficiente para duas semanas e se caso Sehun viesse te visitar como havia prometido, tudo isso acabaria em três dias.
Sorriu ao pensar nele e mesmo sem muita perspectiva de que ele fosse atender, ligou mais uma vez para o rapaz.
— Alô? ! É você? — Perguntou Sehun com uma voz desesperada.
— Oi amor — você falou tranquila — Você estava tentando falar comigo? O que era?
— Onde raios você está? — Ele questionou ainda no tom desesperado.
— Na rua da minha casa, passei no mercado para comprar umas coisinhas — respondeu — Vai querer algo?
— Pare de enrolar ai e vá para sua casa agora — ele ordenou.
— Aconteceu alguma coisa? — ele estava te assustando.
— Fique dentro de casa e não saia até eu chegar, entendeu?
— Oh Sehun! O que está acontecendo?
— Eu te explico depois tudo o que sei, só faz o que eu te pedi agora — ele falou rápido.
— Vir até aqui? Hoje é sexta-feira ainda, você tem permissão para sair do exército? Como pode vir até aqui? E o que vai vir fazer aqui essa hora? Não chegaria só amanhã aqui?
Ouviu o rapaz bufar do outro lado da linha — Sua máquina de perguntas ambulante! Eu vou ir te encontrar daqui a pouco, não tenha medo.
— Medo do que?
— Amor — ele te chamou — Eu te amo!
— Eu também te amo! — Você respondeu para ele.
Antes de desligar, ouviu ele dizer mais algumas coisas e pedir outras, eram coisas bem estranhas. Garantiu que daqui uma hora te ligaria de novo. Você entendeu que ele não tinha muito tempo para te explicar o porquê daquilo tudo, foi para o caixa e depois que pagou pelos alimentos escolhidos foi para sua casa o mais rápido que pode.
As palavras de Sehun ficavam repassando em sua mente e as que mais lhe perturbavam os pensamentos era as que ele pedia para que você não tivesse medo. Ao que ele estava se referindo?
No momento em que entrou em casa, começou a fazer o que Sehun havia te pedido por telefone: desativou o controle automático do portão da garagem e trancou a entrada social com dois cadeados. Dentro de casa, fechou todas as janelas e as amarrou com barbante de maneira que para abrir, seria necessário o cortar. O que quer que fosse que Sehun queria que ficasse para fora, permaneceria do lado de fora.
Apenas as portas da sala e da cozinha aos fundos ficaram sem algum tipo de defesa contra o lado externo, mas Sehun não havia dito nada sobre isso, porém decidiu por passar um cadeado que tinha sobrando na entrada dos fundos, apenas por precaução.
Assim que terminou de fazer tudo o que seu namorado paranoico pediu, você foi tomar um banho e depois finalmente comer alguma coisa. Por mais que estivesse cansada e exausta, sentia vontade de cozinhar e assim o fez, aproveitaria que Sehun estava vindo e fazia um tempo que estavam sem se ver devido ao alistamento militar do rapaz.
Queria fazer algo prático e delicioso para vocês dois, estava mais animada já que não jantaria sozinha outra vez, odiava ter que fazer comida somente para você, muitas vezes o alimento acabava estragando devido a quantidade que fazia e deixava de lado por não conseguir comer tudo.
Terminou de fazer uma macarronada e alguns outros aperitivos, sem contar a sobremesa. Foi para sala e deitou no sofá, ligando a TV em sequência. Um mosaico de canais apareceu na tela e você percebeu que todos eram noticiários, estranhou pelo motivo que aquele horário a maioria das emissoras exibia novelas ou algum programa de entretenimento.
Você escolheu um canal e assim a tela se encheu com o rosto do âncora, a voz do homem tomou o ambiente e finalmente você entendeu o que Sehun quis dizer com “não tenha medo”.
— Isso é surreal — você falou para si mesma.
Você trocou de canal e a mesma noticia era dada pela repórter em pleno centro da capital. Mudou de emissora mais algumas vezes para ter uma ideia mínima do que estava acontecendo e se assustou com as explosões e gritaria sem fim. Sua casa e trabalho eram em uma cidade pequena, mas, contudo, era próxima da capital do estado. Sabia que logo aquele tumulto chegaria até você.
— Ai senhor! Sehun está na capital — pensou em voz alta e saiu pela casa atrás do seu celular para ligar para o rapaz. Para seu desespero maior, apenas na sua quarta tentativa ele atendeu.
— Alô?
— SEHUN — você berrou quando ouviu a voz dele — Onde você está?
— Entrando na sua cidade agora — ele respondeu com a voz menos desesperada do que antes — Calma. Estou chegando até você.
— Eu fiz o que você pediu — informou a ele, sua voz estava embargada e não demoraria muito para não conseguir mais controlar suas lágrimas.
O tom do rapaz se tornou suave, ele te conhecia melhor do que qualquer pessoa no universo — Ótimo amor, ótimo! Quando eu estiver perto, vou te ligar para que abra o portão para eu entrar, certo?
— S.. Sim! — confirmou para ele e sentiu sua bochecha ser molhada por seu próprio choro.
Você se sentou no chão da sala, olhava incrédula para a TV e não tinha ideias de como reagir aquilo. Como pode ser real? Sehun te ligou 20 minutos depois te pedindo para ficar atenta que ele estava próximo, você caminhou até o portão e abriu os cadeados. Olhou com receio para a rua e aparentemente tudo estava em seu devido lugar, aparentemente estava tranquila como deveria ser, mas a calmaria do entorno era anormal, não se ouvia as crianças brincando, os cachorros latindo ou rádios com músicas antigas tocando nos bares ou pendurados na janela das senhoras de mais idade. O ronco do motor de um carro foi o que rompeu com todo aquele silencio que te amedrontou, era Sehun chegando.
Ele parou o veículo e abriu a porta, saindo de dentro com o respirar falho. Ele estava pálido e suava. Você correu até ele e não foi mais capaz de conter suas lágrimas, o agarrou agradecendo por ele não te deixar, estava cada vez mais apavorada.
— Jamais te deixaria. Fique calma . Eu estou aqui com você e sempre vou estar — ele falou alisando seus cabelos num carinho que lhe transmitia calmaria — Vamos guardar o carro e lá dentro conversamos.
Ele falou que no desespero, as pessoas poderiam roubar o veículo e mais tarde vocês usariam para fugir dali. Depois que ele entrou com o carro na garagem, vocês trancaram e vedaram o portão com o que tinham, Sehun verificou se realmente não abriria caso insistissem, vendo que estavam seguros, vocês trancaram a entrada menor com os cadeados novamente e travaram a fechadura deixando a chave na horizontal.
— Sehun — você o chamou — Quando tudo isso começou?
— Faz pouco mais de uma semana que o primeiro caso aconteceu — ele respondeu e entrelaçou suas mãos. Vocês foram para a sua sala e sentados no sofá, ele continuou a explicar como tudo aquilo havia desencadeado.
Ele contou-lhe que foi informado pelo seu superior à pouco mais de 3 horas sobre o que estava acontecendo, porque até então, ele sabia de nada que acontecia fora do quartel. Ele concluiu dizendo que todos os oficiais administrativos foram dispensados e foi ai que ele passou a tentar falar com você.
Sehun pegou o controle da TV e trocava de canal sem parar, ouviram em uma emissora um repórter relatando que isso estava acontecendo em todo o mundo, tudo tomado pelo caos. Em outro canal, pediam que todos ficassem em casa e que logo tudo seria normalizado já que o exército estava nas ruas.
— Besteira — Sehun balbuciou e mais uma vez trocou de emissora.
Nesta o âncora dizia que o governo estava providenciando abrigos, que todos deveriam se encaminhar para os locais indicados por policiais.
— O que vamos fazer? — você questionou confusa sobre quais providencias deveriam tomar.
— Vamos ficar aqui — ele respondeu confiante, sem brechas para que suas palavras hesitassem — Pelo menos até esse surto amenizar.
— Como está a capital?
— Assustadora — Sehun soltou o ar de forma pesada — Está completamente dominada.
— Como você saiu de lá?
— Luhan e Xiumin estavam comigo, aí depois nos separamos.
— Eles estão bem? — apesar de serem amigos de Sehun, eles também tinham um vínculo de amizade com você.
— Espero que sim.
Os seus olhos estavam ardendo, toda aquela necessidade que sentia em tirar um cochilo que sentia antes voltava a te dominar, agora com muito mais intensidade. Você queria ficar acordada, queria saber mais sobre esse surto anormal e surreal que acontecia, mas seu corpo implorava por sua cama.
— Você precisa dormir — Sehun falou vendo seu estado.
— Eu fiz um jantar para nós dois — falou e ele sorriu — Vamos comer e depois eu vou deitar.
Ele assentiu e depois de esquentar a comida, vocês se sentaram à mesa e aproveitaram o que você tinha preparado. Depois que terminaram, Sehun falou para você ir dormir enquanto ele tirava a mesa e lavava os pratos.
— Melhor namorado do mundo — você brincou e selou os lábios dele.
Se sentia segura com Sehun ali com você. Você foi para o seu quarto depois que o fez prometer que te acordaria caso precisasse ou acontecesse alguma coisa.
Já deitada em sua cama, pode ouvir a TV da sala ser ligada e escutou o âncora dizer:
Estamos vivendo em um mundo que a estórias em quadrinhos viraram realidade, submergimos em um verdadeiro e assustador apocalipse zumbi, os mortos caminham!
— Ótimo — você sussurrou e virou-se de lado — Fiz um banquete para comemorar o fim do mundo, droga!
Enquanto você dormir, Sehun trocava de canal desinteressado no que falavam, queria saber sobre seus amigos agora que tinha certeza que você estava bem. O rapaz foi até o carro e pegou uma mochila no banco de trás e dela tirou um rádio com sinal por satélite.
— Luhan? — Ele chamou pelo mais velho depois de apertar um botão na lateral.
— Fala Sehunnie — disse Luhan em resposta — Que bom que você conseguiu, que alivio.
— Sim, consegui chegar bem até a casa da , vou esperar alguns dias para sair e ir encontrar com vocês — informou Sehun ao mais velho.
— Não espere demais, mas não seja precipitado ao sair! — Alertou Luhan — Nos vemos na casa do Suho como combinado.
— Hei Luhan — Sehun tinha a voz preocupada — Vi que a capital está pior do que antes... Tome cuidado.
— Isso aqui é o retrato do inferno — Luhan rebateu depois de um suspiro — Sehun...
— Sim?
— Não deixe que essas coisas cheguem muito perto de você ou da sua namorada — Luhan fez uma pausa e Sehun sabia que era para tomar coragem para o que diria a seguir — Sei que nunca precisou atirar, mas você tem treinamento. Mire no cérebro, sempre.
Sehun engoliu a seco e depois assentiu as ordens do mais velho.
Os dois rapazes marcaram de tentar se comunicar pelo rádio sempre ao amanhecer.
Depois da conversa com Luhan, Sehun se levantou e foi até a cozinha, verificou se tudo estava completamente fechado e antes de sair do cômodo, bebeu um pouco de água e depois rumou para ver as demais janelas, voltou para a sala e aumentou um pouco o volume da TV e foi para o quarto. Deitou-se ao seu lado sem fechar os olhos, encarava o teto e quando você se remexia, ele te observava. O rapaz esquio ouvia o que o repórter falava e imaginava quando seria a última transmissão que veria ou ouviria, canais de audiências menores já haviam saído do ar.
Você despertou horas depois com o som de tiros e helicópteros sobrevoando sua casa, estavam tão próximos que faziam as janelas tremerem no mesmo ritmo das hélices. Você virou-se para Sehun e o viu fazer um sinal negativo e levar o dedo indicador à frente dos lábios, indicando que era para você continuar como estava e quieta. Você obedeceu e se aninhou nos braços do rapaz, ambos ficaram ali esperando toda aquela desordem se acalmar, a cidade tranquila com a qual você estava acostumada estava sendo devastada por esse caos.
Vocês ficaram isolados de tudo por exatos 7 dias.
Nos primeiros dois dias, centenas de pessoas buscando abrigo passaram pela cidade, porém entre elas haviam infectados. Os militares eram categóricos e tinham ordens expressas de abater qualquer um que apresentasse sinais de que fora mordido ou simplesmente arranhado por um dos zumbis. Nos dias que vieram só se ouviam gritos, tiros e explosões por todos os cantos da pacata cidade.
Para evitarem serem atingidos por balas perdidas, Sehun e você dormiam no chão de seu quarto e sua cama fora desmontada pelo rapaz para usar a madeira como trava extra nas entradas. Como Sehun havia planejado, o que queriam que continuassem fora, permaneceu fora.
O que lhes restava de contato com o mundo externo era um rádio a pilhas que Sehun roubou de sua vizinha que decidiu por sair da cidade. Poucas rádios ainda se mantinham no ar e as notícias eram dadas esporadicamente ao longo do dia.
— Temos sorte de ainda ter luz aqui — Sehun falou enquanto vocês tomavam café na cozinha.
— Vou deixar as velas preparadas — você falou depois de um gole em seu suco.
Isso foi tudo que falaram durante o tempo que ficaram ali. Terminaram de comer e você limpou a mesa enquanto ele lavava os pratos, copos e talheres que usaram.
— A água está mais fraca — você falou se aproximando dele.
— Vamos pegar alguns baldes e armazenar para usarmos quando cortarem de vez — ele respondeu com um sorriso mínimo e você assentiu. Era nítido que ele estava preocupado com algo e você sabia exatamente o que era. Luhan não havia chamado ele pelo rádio.
O dia clareava e o sol timidamente invadia a cozinha pelos vidros da janela. Sehun e você acordaram muito cedo devido a uma explosão que aconteceu próxima de onde você morava e depois disso não conseguiram dormir novamente. Depois do café e de ter organizado por cima o que estava fora de ordem, você foi tomar um banho.
Sentir a água quente tocando suas costas lhe aliviava e por minutos era capaz de se esquecer do caos em que tudo estava. Saiu do banheiro trocada e caminhou para a sala secando os cabelos, Sehun mantinha os olhos atentos ao rádio sobre a mesa de centro.
Você olhou para o relógio e eram pouco mais de 7 da manhã, Luhan sempre o chamava antes das 6h30.
— Se está preocupado, ligue para ele — você sugeriu.
— Mas e se ele estiver se escondendo? Posso acabar revelando o local dele e esses bichos se movimentam por sons — ele rebateu com uma careta.
— E se ele esqueceu?
— Aconteceu alguma coisa com ele — Sehun disse.
— Chama ele apenas uma vez — você falou colocando as mãos sobre os ombros dele e massageando a área — Vocês têm aqueles códigos esquisitos, certo? Ele vai saber que é você.
Ele assentiu de uma maneira um pouco infantil e você sorriu, achava fofo a forma como ele era próximo do mais velho. Sehun tomou o aparelho nas mãos e mandou um sinal, um alerta para a frequência do rádio do Luhan. Segundos se passaram antes do mais velho responder, porém pareceram intermináveis minutos.
— Sehun? — Luhan estava ofegante.
— Luhan, você está bem? E a sua namorada?
— Estamos bem! Hm, você está precisando de alguma coisa importante ou urgente?
— Não, é que você não mandou nada quando amanheceu — Sehun explicou.
— Sehunnie, estou ótimo — Luhan falou e ao fundo ouviram um com que fez com que você corasse violentamente rápido — Me chama daqui meia hora, ou eu te chamo...
Vergonha definia Sehun e você nesse momento e se puseram a rir quando o rádio fora posto sobre a mesinha de centro outra vez.
— Luhan é um depravado — Sehun falou rindo — Estamos no meio de um ataque de mortos-vivos e ele está transando.
— Ele está vivendo — você rebateu também rindo e se levantou, indo para o lado externo aos fundos de sua casa.
O dia seguiu extremamente tranquilo, o que era estranho se comparassem com os dias anteriores. Vocês estavam sentados numa rede e conversavam sobre coisas aleatórias, até que o tema foi parar em quando vocês sairiam dali, visto que a água estava cada vez mais fraca e as luzes logo lhes abandonaria também.
— Domingo?
— Sim — Sehun confirmou — Vamos partir de madrugada e como você conhece a cidade, podemos ir sem que nada nos atrapalhe.
— E quando amanhecer, vamos estar chegando na estrada — você concluiu e ele assentiu.
O medo de vocês era de locais cheios e sem rota alternativa, a estrada pela qual precisavam passar era um deles por ser rota de saída e entrada para a capital.
[...]
Vocês haviam guardado quase tudo no carro, o dia de sábado foi apenas de preparativos para deixarem a casa para trás. O destino era a fazenda de um dos melhores amigos de Sehun, Suho. O local era um tanto longe, mesmo saindo de madrugada, chegariam lá próximo do horário de anoitecer, cada minuto de claridade era necessário, afinal vocês nem cogitavam adentrar num caminho de terra no escuro.
A fazenda dos Kim era afastada de tudo, portanto era um local significativamente seguro. O combinado entre você e Sehun era de sair da sua casa por volta das 4 da manhã, você encarou o relógio em seu pulso e ainda não tinha passado da 1 da manhã.
— Sehun — você o chamou e deveria ser a décima vez que fazia isso — Você precisa dormir.
— Mas eu não estou com sono — ele protestou.
— Quer que eu te deixe com sono? — Você questionou e soltou um riso leve.
— Está me colocando no mesmo nível que o Luhan?
— Se for preciso para que você deite e durma — você falou se levantando e  sentou-se na ponta do colchão — Você precisa descansar!
Em 2 segundos Sehun estava atrás de você, sentiu as mãos do rapaz pousarem em sua cintura e te puxarem com delicadeza para o colo dele. Sehun tirou suas roupas de uma forma lentamente torturante, acariciava seu corpo com as pontas dos dedos e lhe causava suaves arrepios. Deitou-lhe sobre o colchão novamente enquanto tinha a boca trabalhando em explorar a área entre seu ouvido e ombro, você puxava a camiseta dele para cima querendo tirá-la de uma vez e só conseguiu quando ele a ajudou, aproveitando-se para se despir das outras vestimentas que ainda te restavam.
Você sorria para ele e ele te encarava como se fosse algo deslumbrante.
Suas bocas se encontraram com mais fervor e intensidade. Uma das mãos dele deslizava do seu rosto para a sua nuca, descendo depois pela lateral de seu corpo e depois voltando por todo o caminho que percorreu. Foi um momento rápido comparado com as outras vezes com que tinham dormidos juntos, mas não deixou de ser especial ou menos prazeroso. Poderia dizer que foi até melhor devido a tensão do momento.
Ambos acabaram compreendendo porque Luhan perdera a hora de falar com o mais novo e mesmo não querendo admitir, no tempo em que ficaram trancados esperando o momento certo de saírem, vocês sentiam falta de sexo e você ansiava por um toque mais íntimo de seu namorado. O problema era que tinham outras prioridades e preocupações que faziam com que vocês desistissem de algo a mais e inibissem tal desejo. A ânsia e vontade de terem um ao outro veio com tanto vigor durante essa última madrugada na casa que lhes proporcionara antes tantos momentos alegres e memoráveis que seria um pecado a deixar sem que antes consumassem o que sentiam da forma mais verdadeira e pura que sabiam da existência.
O momento se tornou como uma despedida do conforto que estavam tendo durante esses últimos dias.
O nome de Sehun saia dos seus lábios com extremo prazer, ele estava te levando ao delírio diminuindo o ritmo do ato quando você estava quase chegando ao seu ápice.
— Ainda está cedo — falou com uma voz rouca no seu ouvido.
O desejo e a satisfação de sentir ele em você era indescritível, inundava suas veias e entorpeciam seus sentidos. Sehun continuou com movimentos lentos e totalmente fora de ritmo. Aquilo te fazia arfar igualmente fora de sincronia e era deliciosamente agonizante!
Cada beijo entre vocês apenas fazia com que tudo ficasse ainda mais excitante, você implorava com palavras desconexas e escassas para ele ir mais rápido pois aquela lerdeza estava a ponto de te enlouquecer. Sehun sorria da forma que você estava entregue a ele e por fim aumentou o ritmo das estocadas, deixando-as mais fortes e rápidas.
Você arranhava as costas dele e mordia seu próprio lábio inferior para evitar berrar ou deixar escapar um gemido mais alto que o necessário, mas era difícil se controlar por tanto tempo. Sehun pareceu notar seu empenho em tentar se manter quieta e resolveu te ajudar, ele tampou sua boca com uma das mãos e aquilo serviu apenas de estimulo a mais. Um lado sadista surgiu no rapaz e em instantes depois, você tinha sua mente tomada em sentir seu namorado.
Suas pernas estremeceram e espasmos atravessaram seu corpo, suas costas formaram um arco sobre onde estava deitada. Sehun continuava com as investidas e tinha um sorriso satisfeito no rosto vendo que havia feito você chegar ao prazer absoluto. Os estalos de seus corpos se chocando continuaram e eram mais constantes, Sehun estava próximo de seu ápice e soube que ele o obteve quando o mais alto gemeu rouco próximo ao seu ouvido.
— Você é perfeita — Sehun disse baixinho e sorriu de canto.
Esperou um pouco aquele sentimento extasiante passar e assim que se sentiu melhor para levantar sem que suas pernas vacilassem e foi tomar um banho. Já trocada, decidiu por deitar no sofá e deitar que Sehun descansasse sozinho o tempo que lhes restavam ali.
— Amor! ! — Sehun te chamava — Está quase na hora.
Ele estava com os cabelos molhados e outras roupas, te chamava para comer alguma coisa que ele havia preparado. Era fofo quando ele tentava ser romântico, mas você sabia que ele te despertava uns bons minutos antes do horário de saída porque precisava de você alerta junto com ele.
Depois de comer, você deu uma última olhava em toda a casa. Sentiria falta do lugar, mas precisava sair.
— Sehun — você o chamou — Nós vamos conseguir, né?
Ele caminhou até você e selou seus lábios — Sim. Nós conseguiremos!
Mandaram um sinal para o rádio de Luhan e descobriram que o mais velho havia conseguido sair da capital a salvo, ele estava a caminho da casa de campo do Suho assim como vocês estariam daqui a alguns minutos.
— Vamos! — Falou Sehun tirando a chave que trancava a entrada de carros e abrindo a saída de vocês.
Como você conhecia a cidade melhor do que seu namorado, era você quem dirigia naquele primeiro momento. Tirou o veículo da garagem lentamente e parou a poucos metros para esperar Sehun trancar sua casa. Deixou os faróis desligados, mas se mantinha alerta a sua volta.
A ordem primária que vocês haviam estabelecido era a de evitar fazer qualquer tipo de som desnecessário. Assim que ele entrou no carro, você engatou a marcha e saiu pelas ruas destruídas de seu bairro. Seguia com cautela e mantinha os olhos atentos a todo e qualquer movimento anormal que notassem, deram sorte que por onde foram, nada vivo ou morto apareceu.
— Tem certeza que é por aqui? — Sehun parecia estar preocupado.
— Quer dirigir? — Perguntou bufando, era a vigésima vez que ele perguntava a mesma coisa e isso estava te irritando.
— Só estav...
— Estava enchendo o saco! — Você o interrompeu — Tenho certeza que é por aqui.
— Mas é que você está subindo e a autoestrada é para baixo — ele argumentou.
— Confie em mim, é por aqui.
Vocês deram a volta por uma área sem muitas casas e saíram em uma estrada de terra mal iluminada, você conhecia o percurso como as palmas de suas próprias mãos e por fim iniciaram uma descida, depois de quase 40 minutos em que só viam mato e uma estrada de terra, você apontou para o lado e indicou a estrada.
— Quando entrarmos nela, você dirige — o informou e o rapaz assentiu.
[...]
Estavam a apenas 5 quilômetros da entrada da fazenda, mas ambos estavam tensos apesar da viagem tranquila. Odiava quando tudo estava dando certo demais, sabia que uma coisa ruim iria acontecer mais cedo ou mais tarde! Se reprendia por tal pensamento, mas isso martelava na sua mente sem cessar.
Três dos 11 que marcaram de se encontrar na fazenda já haviam chegado e isso fez com que vocês sorrissem, era um alivio saber disso. As marcas de pneus na terra úmida era o que os denunciava.
Estavam indo bem até que por um descuido o carro cair numa vala e ficar preso.
Sehun tentou fazer de tudo para o tirar de lá, mas sem sucesso. Depois de ficarem alguns minutos discutindo o que fariam, vocês optaram por ir andando o que faltava do caminho e depois voltariam para ver o que poderiam fazer e buscar o que por ora deixariam para trás.
Juntaram o essencial e iniciaram a caminhada por entre as sombras das grandes arvores que margeavam a estrada.
Andaram por quase 1 hora sem parar e assim que passaram por cima de uma ponte larga de madeira, conseguiram ver a entrada principal da fazenda. Tinha muros fortes cercando todo o terreno além de arrames e cercas eletrificadas.
Estava a 200 metros da entrada quando ouviram um zunido rouco atrás de vocês. A princípio era apenas um, quando apressaram os passos, outros surgiram das laterais e vocês se viram cercados por 15 daquelas criaturas acéfalas sedentas por suas carnes. Sehun te mantinha atrás dele e aprontava uma arma aleatoriamente, pensava em qual atiraria primeiro, mas se fizesse isso, outros seriam atraídos e colocariam a vida dos demais em risco.
Estavam próximos da entrada da fazenda, mas sentiam como se houvesse um abismo entre vocês. Com o auxílio de suas mochilas, usavam como escudo contra aqueles bichos e os empurravam à medida que se aproximavam, estavam ficando cada vez mais encurralados e cansados. O caminho irregular do percurso que fizeram até ali colaborava para que vocês estivessem exaustos.
Era fim de tarde e não demoraria muito para tudo ficar escuro, ainda mais na área rural em que estavam. De soslaio viu um deles se aproximar de você, tentou se defender, mas acabou caindo e sentiu que sua vida iria acabar ali.
Gritou por Sehun, mas ele nada poderia fazer pela distância que tinha de você. Ele também estava cercado por aquelas criaturas asquerosas de pele pálida e olhos vítreos amarelados. Você fechou os olhos e desejou ter uma morte rápida, porque indolor você sabia que era impossível. O que você estava esperando acontecer, por alguma dádiva não se concretizou.
Você abriu os olhos descrente que realmente continuava viva e encarou assustada o bicho que quase te matou inanimado aos seus pés e com uma flecha atravessando-lhe o cérebro.
— Levanta cunhada — Luhan falou te ajudando a levantar — Vou salvar seu namorado agora.
— Você está bem? — A namorada do Luhan questionou.
Ela era bonita e mesmo estando com o aspecto cansado, ela estava com uma katana desembainhada. A menina pediu para que você ficasse onde estava enquanto ia ajudar Luhan a liquidar com aqueles monstros. Você se sentiu um pouco enciumada ao ver os dois juntos, eram de alguma forma totalmente compatíveis um com o outro e se completavam, ao mesmo tempo sentiu vergonha por tal sentimento, mas você queria ver mais útil para Sehun nesse novo universo em que viveriam.
Estava perdida em seus pensamentos que só voltou a si quando a menina passou ao seu lado e lhe puxou pelo pulso.
— Vamos — ela disse correndo lhe trazendo com ela.
— Mas e os meninos?
— Vindo logo atrás — ela respondeu rápido e te pareceu um pouco seca, mas sabia que palavras demais durante uma corrida eram desgastantes.
A entrada estava livre e Suho lhes esperava atento ao que acontecia, sentia que ele queria ir os ajudar, mas não podia se dar ao luxo de deixar os portões desprotegidos. Assim que vocês 4 ultrapassaram a entrada e se viram seguros, desabaram na grama bem tratada da fazenda que chamariam de lar a partir desse momento.
— Somos os primeiros? — Você ouviu Luhan questionar.
— Xiumin, Kris e Baek chegaram a poucos dias — Suho respondeu.
— Apenas eles? — Dessa vez foi Sehun que questionou.
— Até agora sim.