War of Hormone: Capítulo 13

           Meu triunfo no jogo continuava. Eu basicamente podia riscar Suga do jogo de Sehun. Este não iria mais ajudar Sehun em nada, isso porque ele agora estava tão afim de mim quanto Jungkook. Fácil demais, por algum tempo acreditei que Suga fosse ser um oponente forte, mas ele não fora, ele fora um oponente fraco.
E eu deveria estar desconfiando de toda essa facilidade, por um tempo desconfiei, mas eu conhecia Suga, eu conseguia saber muito bem quando ele estava fingindo, e aquele sorriso que ele deu quando eu menti dizendo que gostava dele, não fora um sorriso fingido, fora um sorriso sincero e alegre. E assumo que se fosse em outra ocasião o ver sorrindo tão puramente assim me faria rever meus atos, e me deixaria hesitante em iludi-lo, mas como eu estava em uma guerra contra Sehun, pena era um sentimento que eu não podia me permitir sentir.
Agora o mais necessário era atuar. Atuar como uma boba apaixonada.
— Então... — Suga levou uma mão dele a minha bochecha — Podemos parar com esse ódio todo que temos um pelo outro?
— É o que eu mais quero... — coloquei a minha mão em cima da mão dele que estava parada em minha bochecha.
— Você não sabe o quanto eu esperei por isso — Suga abaixou o rosto tentando esconder a emoção no rosto dele.
Eu oscilei ao vê-lo assim, eu cometi uma falha, esta nunca fora cometida antes com Jimin ou Chen. Por que com Suga eu não tinha apenas sentimentos de vingança? E a resposta já estava na pergunta, porque é com o Suga.
Me dei mais conta ainda que Sehun havia escolhido uma peça ótima para usar contra mim. Sehun tinha plena consciência que se eu quisesse derrotar Suga eu precisaria ter total controle sobre meus sentimentos, minhas emoções, minhas lembranças, e meu subconsciente sabia disso também, por isso o nome do Suga fora o ultimo da lista, é como em qualquer jogo o melhor fica guardado para o final.
No entanto, Sehun errara outra vez em alguma parte do calculo dele e deixara passar que apesar de Suga e eu termos compartilhados muitos momentos bons, também compartilhamos momentos ruins, e foram estes momentos que eu deixei tomarem conta da minha mente, estes sentimentos que eu usei para não me comover enquanto olhava para Suga caindo diante mim.
Minha oscilação sumira, no lugar desta usei a reação mais adequada para o momento, fiquei envergonhada e abaixei meu rosto também.
— Eu irei contar para o Sehun... — Suga sussurrou.
— Por quê? — me fiz de desentendida.
— Eu não posso mais te obrigar a nada, acho que o correto é te conquistar e não te forçar — Suga voltou a me encarar — Como demorei para perceber isso — ele arfou.
— Perceber o que? — continuei com a atuação.
 — Eu não posso te obrigar a me amar — um leve sorriso se formou nos lábios dele — E eu tentei fazer isso... Tentei fazer você se render a mim.
E estava ai a resposta de tudo, a resposta do porque ele viera tentando fazer um inferno na minha vida, tudo o que ele fizera era para chamar minha atenção, o tempo todo... Ele apenas me infernizando perseguindo minhas amigas tudo para conseguir me fazer o encarar ao menos uma vez, e ver o quanto ele estava desesperado me desejando de volta. E quem diria que o ódio e amor de fato andam juntos?
Infelizmente isso esclarece que isso que eu sinto por ele não é ódio, é raiva, é rancor. E por efêmeros segundos, pena.
— E quando você parou de tentar olha o que aconteceu — pressionei minha mão sobre a dele.
— Eu não parei de tentar — Suga falou — Somente agora fui me conformar... E eu acho que você não merece um cara tipo eu.
— Quero correr outra vez esse risco — agora eu que levei minha mão a bochecha dele.
Ele me encarou, olhou nos meus olhos, foi difícil consegui manter o contato com ele, mas me mantive firme, e a relutância para sustentar o olhar dele passara quando ele fechara os olhos, e em seguida eu fiz o mesmo, e segundos depois nossos lábios se encontravam, se acariciavam e se desculpavam, cada segundo em que ele me beijava era um pedido de desculpa por tudo que ele fizera, já as minhas desculpa era pelo o que eu estava fazendo e iria fazer, um pedido de desculpa por brincar com os sentimentos dele, por usa-los ao meu favor. Selamos nossos lábios e eu selei confidentemente minha vitória.
Ainda depois de separamos nossos lábios, os pedidos de desculpas e as lamentações continuavam, enquanto silenciosamente apenas por gestos nos redimíamos, a testa dele era mantida presa a minha enquanto as mãos dele tomavam conta das minhas bochechas e as minhas apertavam o tecido da blusa dele, próximo à região do peitoral dele.
— Estamos namorando? — perguntei.
— Não vamos tão rápido assim, mas já pode me chamar de seu — Suga falou.
— Ok, meu docinho... — falei e sorri timidamente.
Docinho.
Esse apelido. Um monte de lembranças agradáveis tomaram conta da minha mente, isso não era bom, e ao mesmo tempo era. As lembranças boas acabavam por neutralizar as ruins, e eu não deveria ter o chamado de docinho, como eu costumava chama-lo apenas para o deixar sem graça e rosa na frente dos amigos, enquanto os amigos dele repetiam o apelido e riam da cara dele. Apesar dele ficar tímido na frente dos amigos, ele adorava quando eu o chamava assim enquanto estávamos apenas entre nós.
Ótimas lembranças do tempo em que eu costumava o chamar assim. Infelizmente agora o doce estava amargo, ou talvez, felizmente. Isso trouxe a tona meu objetivo e afastaram as lembranças boas que eu tinha dele.
— Não me chame assim, você sabe o quanto eu odeio esse apelido — ele falou.
 — Não sei porque, é quase a mesma coisa de Suga... E não minta, você adorava quando eu te chamava assim — falei.
— Ok... Você esta certa, mas sabe — Suga não pode terminar a frase.
— O casalzinho ai poderia simplesmente desgrudarem e irem para a casa de vocês? — uma voz desconhecida chamara nossa atenção.
Me dei conta de que ainda estávamos na escola e o sino para ir embora já havia tocado. Também me dei conta de que eu ia me ferrar muito quando eu chegasse em casa, tudo porque Suga e Sehun me deduraram para meus pais, e estes me colocaram de castigo e qualquer minuto extra fora de casa e me relacionando com qualquer pessoa que fosse seria um minuto aumentado no meu castigo, ou na logica dos meus pais, um dia.
Quando estava indo pegar minha bolsa, a mão de Suga a alcançou primeira e ele a colocou em um ombro dele fazendo com que esta ficasse ao lado da bolsa dele, agora era a vez dele voltar aos costumes. Ele fazia muito isso quando voltávamos da escola, sempre levava minha bolsa e a dele, mesmo que as costas dele fossem doer, ele não permitia que eu carregasse minha bolsa, era quase como um crime para ele me ver carregando minha bolsa e também junto a esse costume ele passa o braço dele pelo meu ombro e durante o caminho vinha apertando e acariciando minha bochecha com a mão do braço que envolvia meu ombro e pescoço. E Suga também fizera isso.
— Não achem que estamos saindo daqui porque vocês pediram — Suga murmurou para a dona da voz desconhecida que também era uma aluna — Não daríamos nosso lugar para outro casalzinho idiota poderem se pegar.
Só então percebi que a menina estava acompanha de outro garoto, e me dei conta de que eles de certo eram um casal querendo fazer aquela típica ficada depois do final da aula, isso me fez ficar com raiva. A menina estava basicamente se pondo a cima dos outros, e isso era algo que eu odiava, estava prestes a falar algo para ela, mas Suga continuou.
— Alias se eu fosse vocês achariam outro lugar para se comerem — o tom zombeiro estava presente na voz dele — algo me diz que se vocês continuarem ai logo o guarda da escola aparecera por aqui para verificar a denuncia de um aluno que disse que tem um casal se pegando aqui atrás da escola... Até mais.
Suga apressou nossos passos e ignorou qualquer resposta que o casal tinha para dar, e ainda fizera mesmo a questão de dizer para o guarda no qual ele era amigo, que ele acabara de ver um casal quebrando as regras da escola e ficando na área gramada desta.
— Você não perdoa mesmo — comentei.
— Não me diz que você iria deixar isso passar quieto? — Suga sussurrou próximo ao meu ouvido — Você ainda esta de castigo, ?
— Sim, alias quando eu chegar em casa irei me dar muito mal — respondi — Tudo porque meu ex e uma praga resolveram me dedurar para meus pais.
— Foi para o seu bem — Suga falou — Você parou com essa idiotice de se vingar né?
— É, parei — menti.
— Espero que você esteja mesmo dizendo a verdade... — Suga falou — E não esteja praticando esse plano de vingança comigo, porque se eu me lembro bem meu nome estava lá.
Ele estava tentando arrancar a verdade de mim com pressão psicológica, sei disso, porque Suga sempre fizera isso quando desconfiava que eu estava mentindo, felizmente, para minha sorte, a maioria das vezes em que ele desconfiava de algo eu estava sendo sincera, então eu podia facilmente agir como se estivesse sendo sincera mesmo que eu estivesse mentindo.
— Não — falei — Esse plano só serviu para me dar uma boa lição.
— Fico feliz que você tenha aprendido — Suga riu — Você ainda teve sorte porque Sehun resolveu não compartilhar com a escola...
— Ele ia compartilhar com a escola? — perguntei.
— Para ser sincero, eu não sei... Mas foi sorte, porque ele podia ter compartilhado — Suga admitiu — E só para deixar o jogo limpo entre nós, eu jamais compartilharia os vídeos.
Isso era um bom sinal. Ele estava de fato se abrindo para mim o que significa que ele confia, o mesmo caso de quando eu contei para o Jungkook tudo que estava acontecendo. É Suga não revelaria as intensões dele, se ele não confiasse, esse gesto dele me deixou mais confiante.
Ainda sim não posso me permitir achar que esta na hora de anunciar minha vitória. Aprendi a não fazer isso depois das tantas vezes que eu acreditei que tinha vantagem sobre Sehun, e ele me mostrou que eu estava enganada. Então para o caso de eu estar me enganando novamente sobre Suga e a minha estratégia, ao menos se eu descobrir que eu na verdade estou fazendo errado, ele não terá o enorme gosto de me contrariar e ainda posso tentar engana-lo dizendo que apenas estava pondo a lista em pratica, e isso poderia ser um bom tapa na cara dele, porque mostraria perfeitamente a ele que mesmo que ele tivesse contado para meus pais eu ainda não iria me conter por causa disso, mostraria para ele que eu ainda tenho ao menos um pouco de controle.
— Por que você veio me chantagear? E porque você fez aquilo no dia em que me chantageou? — perguntei.
— Porque como eu disse, eu queria te obrigar... E como assim aquilo? — ele levantou franziu o cenho.
— Pediu para eu começar por baixo, tipo para eu fazer uma oral em você — expliquei.
As bochechas dele ficaram rosas imediatamente e ele virou o rosto para direção oposta do meu, para o lado da avenida no qual estávamos percorrendo.
— Porque eu sabia que se você ainda fosse a mesma garota que eu conheci, você não faria isso — ele falou — Você iria chamar seus pais...
— Ufa, isso significa que você ainda é o mesmo Suga virjão — falei e deixei um sorriso se formar nos meus lábios.
— Se você acha isso — ele mordeu os lábios maliciosamente e riu pensativo.
Confesso que fiquei um pouco assustada com a revelação, mas também não poderia dizer nada, afinal ele tinha o direito de fazer o que bem entendesse já que não namorávamos mais... E não! Porque eu estou me importando com isso? Tentei não dar importância para a virgindade de Suga, não liga se ele já tinha transado alguma vez na vida. Se eu estou me vingando dele isso não pode ser o tipo de coisa que eu vá me importar.
— Quando fui contar para seus pais... Eles disseram que sentiam saudades de mim — Suga comentou.
 — É, eles gostam de você — admiti.
— Então, irei fazer dois favores hoje — Suga falou — Te poupar de ouvir uma bronca deles, e fazer uma visita a eles...
E isso era uma boa estratégia para me safar de broncas e provavelmente ter meu castigo aumentado, era uma ótima estratégia. Ainda mais porque meus pais acreditariam que eu estava me endireitando de novo.
E foi uma boa ideia. Assim que eu e o Suga chegamos a minha casa, quando eu me afastei um pouco dele, minha mãe veio me perguntar se nós tínhamos ficado, eu não precisei de palavras para responder a duvida dela, apenas sorri e ela já “sacou”, falou que estava feliz e que adorava ele. Me livrei de mais um problema.
Enquanto Suga conversava com meus pais e mentia dizendo que ele pedira para eu ficar com ele lá na escola para ajuda-lo a arrumar a quadra da escola, eu aproveitei para me trocar e ir comer algo, depois que me alimentei Suga se afastou dos meus pais e veio até mim, no meu quarto, ele se sentou na beira da minha cama próxima a mim, que estava sentada à escrivaninha resolvendo alguns exercícios de casa.
— Assim que eu for para minha casa irei dizer para o Sehun que estou fora... Com certeza ele vai te deixar em paz por um tempo... — Suga parou por um segundo pensativo — Não quero ser pessimista, mas eu acho que é melhor você se preparar...
— Por quê? — virei meu rosto para ele demostrando que eu estava esperando uma boa explicação.
— Eu não sei... — Suga falou, ele parecia estar sendo sincero — Mas sei que ele ira aprontar algo.
Ele dera um tipo de resposta que eu já previa, Sehun não contaria os planos dele para ninguém, isso me deu uma alerta quanto a isso, e então não falei nada, apenas voltei minha atenção para os exercício, já que se eu esboçasse alguma reação e Suga estivesse blefando e ainda estivesse do lado de Sehun, ele não poderia dizer que eu estava com medo ou confiante.
 — Já vou indo, tenho treino — ele se levantou da beira da minha cama, se inclinou até mim e deu um beijo na minha bochecha — Boa sorte com as tarefas...
— Até mais, boa sorte com o treino — me despedi.
— Aguarde firmemente a fúria de Sehun, logo ele ira aparecer explosivo para cima de você — Suga dissera a ultima frase dele antes de fechar a porta do meu quarto.
E Suga estava um pouco certo, mas Sehun não veio “explosivo”, estava mais para intimidado e derrotado.
Durante a noite, de certo após Suga contar ao Sehun que estava abandonando o jogo, Sehun me enviou uma mensagem desejando felicidades a mim e ao Suga, e disse que era para eu esquecer a existência dele e que ele aceitava o acordo, meu silencio pelo silencio dele, e que para manter esse acordo mesmo era para eu nunca mais aparecer na casa dele.
E só pelo gosto de contraria-lo decidi que eu iria aparecer na casa dele durante a manha no dia seguinte.

● ● ●

O relógio já marcava 7h30m quando eu toquei o interfone da casa de Sehun. Eu estava um pouco hesitante, pois sabia que estava abusando demais, porém com certeza Roberta gostaria dessa visita, e eu acredito que Sam gostaria mais ainda de ver novamente a “namorada” do irmão. Quando Roberta veio me receber ela já imaginou que eu estava aqui apenas para me divertir e sorriu cinicamente.
— Ele andou mais calmo desde a sua ultima visita — Roberta comentou enquanto me guiava pela casa — E eu acho que ele ainda esta dormindo.
— Irei acorda-lo — falei.
— Não acho que é uma boa ideia... — ela aconselhou — Ele pode ficar furioso.
— Qualquer coisa eu ponho a coleira nele — respondi e a resposta fez com que ela risse.
— Já que você quer correr esse risco... — ela parou perto da escada e indicou para eu subir — Boa sorte.
Agradeci ela, mesmo sabendo que eu não iria precisar de sorte alguma, diferente da ultima vez que eu estive aqui, agora a situação era outra, agora eu estava a par com Sehun, ele não tentaria fazer nada sem temer as consequências disso. Dessa vez quem precisava de sorte era ele.
Subi as escadas com confiança, mas ao chegar a porta do quarto dele, senti uma leve hesitação, talvez pelas lembranças anteriores, quando o que me esperava atrás daquela porta era um leão feroz, mas dessa vez me tranquilizei pensando que agora era um cachorro que estava mansinho.
Suspirei e girei a maçaneta, a porta não estava trancada e a luz do quarto estava apagada, o ambiente estava totalmente escuro, e só ficou mais claro devido a luz que veio da porta, fechei a porta e acendi a luz do quarto dele.
Ele estava mesmo dormindo, e com o cobertor na altura da barriga dele, e eu acabei ironizando esta cena, pois Sehun era frio, então não tinha muita logica ele sentir frio, mas lá estava ele, não só coberto, mas também com uma camiseta de manga longa e no único pé dele que estava para fora do cobertor, dava para ver que ele usava meia e calça.
— Apaga essa luz — ele murmurou e mudou de posição na cama.
— Por que eu faria isso? — perguntei.
E ele se deu conta que era eu ali próxima a porta do quarto dele e subitamente se sentou sobre a cama dele. Antes de olhar diretamente para mim ele coçou os olhos e passou os dedos sobre o cabelo desgrenhado, quando o olhar dele se encontrou com o meu percebi que ele ainda estava se adaptando com a iluminação.
— Você não entendeu o acordo? — ele se levantou da cama.
Por um momento achei que ele iria vir até mim e me colocar para fora do quarto dele, mas ele me ignorou e foi para o banheiro que tinha no quarto dele. Enquanto aguardava ele sai analisei cada pedaço do quarto dele com muita atenção e fui até a janela e a abri deixando o calor do dia se penetrar naquele inferno frio.
Assim que abri a janela Sehun saiu do banheiro ainda escovando os dentes, pegou o controle do ar-condicionado e o desligou, depois verificou algo no celular dele e voltou para o banheiro, e eu o tempo todo me mantive próxima a janela apreciando a temperatura morna enquanto observava os passos dele, quando ele fechou outra vez a porta do banheiro olhei para a cama dele onde estava o celular, desbloqueado.
Não perdi a oportunidade e fui o mais rápido possível até a cama dele, consegui chegar a tempo, antes que a tela se bloqueasse. Quando coloquei o celular sobre minhas mãos sai imediatamente do quarto dele e fui atrás de Roberta, ela estava na cozinha e se encontrava com uma roupa diferente da que ela vestia quando me recebera minutos atrás, isso indicava que ela ia sair.
— Espero que não tenha problema deixar vocês a sós ai — ela falou.
— Ah não — falei — Eu peguei o celular dele.
— Ótimo! Se descobrir qualquer coisa relevante me conte — ela falou.
E eu com certeza iria descobrir, comecei pelas mensagens dele, e diferente do que eu imaginava Sehun conversava com bastante pessoas, algumas eu conhecia, outras não fazia a mínima ideia de quem poderia ser, resolvi começar pelas pessoas que eu conhecia, uma delas era Suga, outra era Jungkook, ao ver o nome de Jungkook ali confesso que senti um calafrio percorrer pelo meu corpo, e foi a conversa deles que eu resolvi ver primeiro, para minha alegria a data da conversa era muito antiga o que confirmava mesmo que o Jungkook e ele não estavam mais conspirando contra mim, ou pelo menos por mensagem não. Depois foi a vez de Suga, e como já era de se esperar estava lá o aviso de Suga dizendo que não o ajudaria mais e a resposta de Sehun com um simples “ok”, ele parecia não ter se importado nenhum pouco com a traição de Suga, e era um bom motivo para levantar suspeitas em mim.
Se ele não se importou com Suga, significa que ele tem outros planos escondidos, Sehun não deixaria a derrota vir assim tão fácil, se eu estou o conhecendo bem, ele já esta tramando algo pior para mim, só não consigo prever o que seja, mas sei que não será nada bom.
E ele andara trocando mensagens com outra pessoa que eu conhecia, e isso me pareceu muito estranho, pois se eu me recordava bem essa mesma pessoa alegara que não sabia nada de Sehun, então não iria fazer o mínimo sentido Sehun ter ele nas lista de contatos, mas lá estava o nome dele, o nome de Baekhyun. E a conversa deles estava em branco, Sehun com certeza apagara tudo o que conversaram, e se ele apagou é porque não queria deixar vestígios, e o que eles conversaram era algo de importância.
E ainda enquanto eu investigava o celular dele, uma mensagem chegou, eu fiquei em duvida se deveria ler ou não, mas criei coragem para vê-la porque se fosse o Sehun ele não hesitaria em ler minhas mensagens.
Era a mensagem de uma garota, ela estava avisando que já estava a caminho da casa dele. Eu não sei o que mais me surpreendeu, Sehun conversar com outra garota, ou Sehun trocar mensagens consideravelmente agradáveis com ela. As conversas anteriores que ele teve com ela, eu me recusei a acreditar que fora ele que digitara tudo aquilo, ele a tratava bem demais, e a respondia educadamente, e confesso que isso me levantou curiosidade. Primeiro fiquei curiosa sobre quem era aquela garota, e depois sobre o porquê dele a tratar bem enquanto as demais pessoas ele parece odiar, e minhas ultima duvidas eram de onde ele a conhecia e como ele a conheceu.
— Eu acho que isso me pertence — Sehun murmurou tomando o celular da minha mão — Essa mensagem chegou agora pouco?
Ele estava se referindo a menina, fiquei na duvida de respondia ou não, era só ele olhar a hora, e também se eu respondesse iria acabar soando amigável demais com ele, e por ultimo acredito que ele não estava esperando uma resposta minha, então apenas balancei a cabeça confirmando.
— Eu já vou ir para a loja Sehun, se a escola de Sam ligar informando alguma coisa ligue para mim, seu pai esta ocupado hoje — Roberta avisou.
Ele não falou nada, mas tanto Roberta como eu sabíamos que ele tinha escutado e entendido o recado, ela não se deu o trabalho de obriga-lo a responder e por fim Roberta caminhou até mim e beijou minha bochecha se despedindo, eu também me despedi dela e a observei sair da cozinha e respectivamente da casa.
Passei a encarar Sehun, iria tentar intimida-lo, mas ele pareceu não se incomodar nenhum pouco com meu olhar ou até mesmo minha presença, ele continuou sem esboçar nenhuma reação e se concentrava apenas no celular dele e na xicara de café onde hora ou outra ele bebericava um pouquinho.
E parece que o silencio me torturou mais do que meu olhar sobre ele. Eu não sabia o que fazer ou como reagir, não sabia nem o que falar, e ele parecia não se importar nenhum pouco em tentar acabar com esse silencio.
E a minha tentativa de intimida-lo só serviu para intimidar a mim mesma, quando ele resolveu distribuir meu olhar, o dele viera tão afiado que eu não consegui sustentar a agressividade e em defesa abaixei meu rosto.
— É difícil admitir isso... — ele falou pausadamente — Mas irei precisar da sua ajuda.
— Hum — fiz desdém — Por que eu te ajudaria?
— Você não sabe? — ele se aproximou de mim — Você já deveria saber.
Ele levou uma mão dele até meu queixo e levantou meu rosto para ficar a altura do dele e inesperadamente os lábios deles tocaram suavemente os meus, e por mais efêmero que esse beijo tenha sido, durara tempo suficiente para sentir o sabor do café adocicado impregnado na saliva dele, e esses efêmeros segundos me fizeram querer mais, dessa vez eu que tomei a iniciativa e juntei nossos lábios, ele cedeu por alguns segundos, deixou nossos lábios se acariciarem por um tempo, me deixou tomar mais do vicio que os lábios dele continham impregnado e resolveu mostrar mais uma das armadilhas dele, me deixou viciada e não alimentou meu vicio da maneira correta, quando tentei tomar os lábios dele outra vez, ele colocou o dedo indicador dele sobre meus lábios e se afastou de mim.
— Você tem que fazer tudo o que eu quiser e pedir — ele sussurrou a resposta para a pergunta anterior.
Antes que eu pudesse pensar em uma resposta para protestar ele calou todos meus gritos interior com a maldita armadilha dos lábios dele, dessa vez ele tocara suavemente a pele do meu pescoço e o massageara levemente com os lábios, e em reação a essa armadilha estremeci e arfei, isso soou quase como uma permissão a ele, uma permissão para ele ir mais a frente e aprofundar os lábios sobre meu pescoço e ele fez isso, e outra vez arfei dando mais uma permissão dessa vez para ele aprofundar ligeiramente os dentes sobre a região e eu queria pode arfar mais e permitir ele se aprofundar cada vez mais, porém o interfone tocara e Sehun imediatamente se afastara de mim e fora atender.
Não precisei perguntar para saber que se tratava da garota da mensagem, e tive mais certeza que se tratava dela, porque Sehun fora até o portão recebe-la.
Antes que eles aparecessem na cozinha já podia ouvi a voz deles, ele conversava normalmente com ela e até mesmo a fazia rir, eu acabei tendo um misto de sentimentos, inveja e pena. Inveja por ela conhecer um Sehun legal e pena por ela acreditar que esse Sehun legal era mesmo o Sehun verdadeiro.
Quando eles apareceram na cozinha o sorriso que tinha sobre o rosto dela se desfez rapidamente, enquanto um sorriso apareceu sobre o meu. Com certeza ela não tinha gostado de me ver ali, e eu ainda não sabia se isso poderia ser algo bom ou ruim para o Sehun, mas preferi considerar que era algo ruim para ele ver a amiga ou até mesmo namorada/ficante de cara fechada para mim, e então se eu queria o confronta-lo iria infernizar essa menina o máximo que eu pudesse.

— Ah esqueci de avisar, essa é a minha namorada — Sehun falou assim que deteve o clima da situação.