War of Hormone: Capítulo 14


          Nessa tentativa de ferrar Sehun indo até a casa dele, eu acabei o ajudando, o que de uma maneira me rebaixou um pouco. E aquela crença de que ele era bom com qualquer outra pessoa além de Samuel, se desfez.
Ele é de fato um monstro, e ainda usa tudo ao favor dele. Dessa vez a arma que ele usou a favor dele fora eu mesma, porém eu não me incomodei em ajudá-lo. Confesso que dessa vez, por um tempo, até gostei. É estranho isso, eu não deveria ter gostado. Mas para me por ao nível de Sehun, terei que fazer isso até que eu consiga me livrar finalmente dele.
E não aceitei ser a arma dele apenas porque ele precisava, mas eu também precisava disso, desse troco. Precisava ao menos me redimir por ter me aliado aquela pessoa cruel, e fazê-la pagar por tudo. E o fiz sem hesitações.
E vou admitir que Sehun é mais do que bom nesse jogo de ferrar com pessoas, ele é ótimo. Me dói também admitir, porém ele é o tipo de pessoa que eu deveria me espelhar na hora de pôr em prática minha vingança contra os garotos.
Ele sabe como iludir uma garota, e isso já me abre os olhos quanto a esse poder dele. Me alerta que os beijos repentinos que ele vem me dado podem ser só mais uma peça nesse tabuleiro que ele está usando contra mim. Fica claro que ele não joga apenas comigo, mas com outras também. E o pior, ele sabe reaproveitar bem todos os jogos dele.
Isso ficou evidente quando ele me puxou para fora da cozinha, deixando a garota que até então eu não sabia quem era, sozinha. E resolveu me explicar do que se tratava essa ajuda e porque eu iria aceitar sem dúvidas.
— Você não gosta de vingança? — Sehun falou — É sua chance de fazer sua primeira vingança funcionar.
— E como magoar uma garota que gosta de você pode se tratar de uma vingança minha? — perguntei com desdém.
De início, quando ele me mostrou a “proposta”, que estava mais para uma ordem, só ficou claro que ele estava brincando com essa garota. Concluí que o porquê disso era meramente para o prazer dele, para se distrair, assim como ele fazia comigo. Ele me apresentara justamente nesse momento como namorada dele apenas para a menina ver todas as expectativas que ele a deu caírem por terra e o coração dela, por fim, se quebrar.
Sim, Sehun estava não só me infernizando, mas infernizando outra garota. E eu, por um tempo, achei que o meu inferno era pior que o dela. Mas eu não posso dizer isso. Ela gosta dele, e não deve ter nada pior do que achar que o Sehun é um garoto bom, quando na verdade ele é um monstro. Descobrir isso seria basicamente o mesmo caso do irmão de Sehun, que acredita que a mãe dele possa ser uma boa mulher e ainda está viva, mas a realidade é outra, e é cruel.
E ainda sem ter noção total do porquê eu o ajudaria, eu apenas argumentei que ele deveria imaginar isso acontecendo com o irmão dele, ou até mesmo com ele, achando que uma pessoa é boa, quando ela está apenas brincando. E claro, ele não me escutou e permaneceu inexpressivo até eu terminar de falar.
— Já acabou? — Sehun perguntou se se encostando à parede.
— Sim, e a menos que você tenha um ótimo motivo para eu te ajudar, eu já estou indo embora — falei ríspida — mas antes irei contar que eu não sou sua namorada coisa nenhuma! 
— Eu tenho um bom motivo — ele segurou meu braço — Ela é uma garota que você não gosta.
— Quem é ela? — perguntei. 
— Pâmela, esse nome te parece familiar? — ele respondeu. 
E as minhas teorias se explodiram, simplesmente se explodiram. Foi aí que eu desisti e pulei do barco por conta própria. Desisti de tentar entender o Sehun, que alegava que não fazia essas coisas todas que ele estava fazendo por vingança, quando estava claro que todas as pessoas que ele tratava mal eram justamente pessoas que um dia no passado, fizeram algo para ele. Por exemplo, Roberta, eu, e agora Pâmela. Desisto! 
— Ué, não foi você que falou que não se vingava? E ela não se lembra de você? Com certeza ela vai se lembrar de mim — falei.
— Sim, eu não me vingo, porém isso não é da sua conta — ele soltou meu braço — Agora, se quiser ir lá contar, sinta-se à vontade. E não, ela não sabe quem eu sou, e com certeza não vai se lembrar de você.
Ele me emboscou, eu não poderia ir lá simplesmente salvar Pâmela, absolutamente não! Essa menina, apesar de ter sido minha aliada que ajudava a assustar crianças no fundamental, fora a mesma que espalhara boatos ruins sobre mim por toda a escola, fora a mesma que deixara minha imagem suja entre vários grupos de amizade por três anos seguidos até que eu consegui mudar de turma.
Eu não iria ajudá-la.
Dessa vez eu teria que ajudar Sehun. Dessa vez a vítima seria ela, não ele. E acredito eu que essa vingança doeria mais que ser trancado em um banheiro, muito mais. Porém também é certo que ela superaria mais rápido que Sehun. Uma paixão não correspondida não dura mais que o trauma de um desespero, o pânico e a sensação de que seria esquecido pelo mundo e ficaria pelo resto da vida trancado em um banheiro.  Isso porque as pessoas já estão acostumadas a se desiludirem, mas não estão acostumadas a serem trancada em um banheiro na pior fase da vida delas.
E me lembrar de que por causa dela eu tive que fazer isso com Sehun, me faz ter mais vontade ainda de querer magoa-la. Mesmo que isso me faça por um momento ser igual a ele, tenho que pensar que se estarei sendo igual a ele, também estarei ao nível dele.
— Como iremos fazer isso? — perguntei ao mesmo tempo em que deixei claro que estava concordando com a proposta — E quanto tempo vai durar?
— Como iremos fazer é simples — Sehun respondeu.
Ele não explicou mais nada, digo, não com palavras. Ele explicou de outra maneira, acho que podemos dizer linguagem corporal, é, acho que um beijo pode se aplicar a linguagem corporal, certo? Pois foi assim que ele explicou, me beijando mais uma vez nesse dia, dessa vez o beijo não tinha gosto de nada, era vazio, assim como deve ser o lugar onde deveria ter um coração em Sehun.
— Vai levar um dia — ele falou assim que separou nossos lábios.
— Quando vai ser isso? — perguntei.
— Hoje e agora — ele falou.
Me perguntei o que seria dele se eu não tivesse vindo até a casa dele para provocá-lo, e também se algum dia eu poderia me vingar de Pâmela assim. E tipo, acho que dessa vez o Destino acabou tendo que me ajudar para ajudar Sehun, e se ele fez isso, mostra que este também tem falhas, assim como o Inferno. E a dúvida sobre o que Sehun teria feito, eu tenho certeza que nunca será respondida, mas tenho uma leve sensação de que ele, com certeza, deveria ter outras opções, outra garotas. 
Ele segurou minha mão e me levou até a cozinha onde Pâmela se encontrava, sentada em uma cadeira próxima a ilha na parte central do local. Quando a olhei detalhadamente, percebi que ela ainda se parecia com a garota antiga, porém agora não era mais rechonchuda, e o cabelo ruivo quase laranja, agora estava mais escuro, ainda demostrava claramente que ela era ruiva, e ela estava bonita, sim. A garota monstro que eu conhecia, se tornara quase uma daquelas princesas da Disney, só não posso afirmar isso quanto à personalidade dela, pois não convivo com ela. Tive vontade de perguntar ao Sehun se ela ainda era o mesmo diabinho de antes, mas ele com certeza não responderia, ele nunca responderia nada. 
— Desculpa, Pâmela, eu ainda não tinha contado a ela que você era minha amiga — Sehun falou — E como ela é ciumenta, tive que explicar a situação...
— Tudo bem — a voz dela saiu seca, está também estava diferente. Ela se recusava a me olhar, a me encarar.
Por alguns segundos ela encarara Sehun, mas parecia que a minha presença ali era com uma fonte de luz fortíssima, se ela olhasse iria ficar cega por bons minutos.
Ela já estava sofrendo.
— Você trouxe as pesquisas? — Sehun, de certo, estava atuando.
— Trouxe — ela respondeu, estava evidente que ela lutava para manter a voz firme, e que a qualquer momento ela poderia cair em lágrimas.
Eu não iria perder essa oportunidade, então tomei ar e entrei oficialmente no jogo, na vingança.
— Há quanto tempo vocês se conhecessem mesmo? — perguntei.
— Eu acabei de te falar, amor — Sehun continuou com a atuação — Conheci ela assim que comecei o curso de logística, ela é minha colega.
E eu acabei ficando naquela situação de quando se está aprontando algo muito maligno e tem que se segurar para não rir, e consequentemente se entregar. Sim, enquanto a outra estava quase chorando, eu estava quase rindo. Tive que levar a mão até meus lábios e me recuperar antes de falar outra coisa.
— Aqui — ela entregou umas folhas que tirara da mochila.
 Sehun se aproximou dela e pegou as folhas, porém as mãos dela continuaram a segurar estas. Ele a encarou, ela respondeu o olhar dele. Pude ver que ela tentava dizer algo através do olhar, mas Sehun, ainda pondo em prática esta nossa possível vingança — isto porque ainda não poderia confirmar se ele estava se vingando também, ou como ele sempre dizia, era apenas porque ele queria —, ele fingiu não ter entendido nada com o olhar dela, e sorriu, e isso, com certeza, foi uma facada no peito dela, porque Sehun sorrindo é algo de outro mundo.
— Podemos fazer mais rápido esse trabalho? — ela perguntou — Tenho outros compromissos...
— Tudo bem — Sehun concordou sem esperar outras justificativas dela — Vamos lá para cima.
Ele indicou para ela ir até o corredor e me chamou com os dedos. Quando ele passou pelo vão da porta, ficou parado lá até que eu estivesse perto dele. Quando o alcancei, ele fez questão de deixar que Pâmela o visse passando o braço pelo meu ombro, e ainda para completar, enquanto subíamos a escada, ele também inventou de ir na frente comigo, enquanto ela nos seguia atrás. 
Ele estava indo muito bem. Agora era a minha vez.
Antes de entrarmos no quarto dele, assim que pisamos no corredor, da maneira mais indiscreta possível e sem avisos, levei meus lábios até o pescoço de Sehun e depositei um leve selar.
— Você sabe que eu tenho sensibilidade no pescoço — Sehun entendeu de primeira o que eu estava fazendo — Mais tarde você irá pagar por isso. 
Sorri maliciosamente e encarei Pâmela. Ela estava com rosto baixo, e as bochechas dela tinha um tom rosa mais marcante que o natural dela. Sem dúvidas ela estava muito desconfortável com a situação.
Quando entramos no quarto de Sehun, o terror dela fez apenas aumentar. Eu espero que ela não tenha se iludido acreditando que entrar no quarto dele faria isso diminuir, porque era aí que ia começar toda a humilhação dela.
Sehun indicou para eu sentar na cama dele que ainda estava bagunçada e puxou uma cadeira para perto da escrivaninha do quarto dele. Pâmela se sentou nessa cadeira assim que ele indicou para ela sentar ali, e ele puxou a cadeira da escrivaninha e se sentou lá.
Por um tempo posso dizer que ela teve paz, mas isso era apenas mais uma das jogadas. Ele estava esperando ela se recuperar e pensar que agora tudo ficaria calmo, quando na verdade algo pior estava por vir.
Ele não precisou de me dizer nada, para eu pensar em algo ruim o suficiente para ela ver, foi apenas ele virar a cadeira para me perguntar se eu estava com frio, que eu aproveitei a oportunidade para ir até ele e me sentar no colo dele.
— Não estou com frio, não, você está quente — menti e ainda tive que me segurar para não rir, porque Sehun nunca está quente. Ele é frio, e a temperatura física dele quase não conta.
Ele também atuando, passou o braço pela minha cintura e deixou a mão encostada no meu colo. Em seguida virou a cadeira para o lado da escrivaninha outra vez e voltou a prestar atenção na tarefa. De novo Pâmela evitou qualquer olhar direcionado a mim, e vendo que ela não me encararia de jeito nenhum, não me importei em sorrir – já que eu não podia rir, tentei ir aliviando esta vontade com um sorriso. E então eu percebi que os olhos dela estavam levemente marejados, Sehun também havia percebido.
Eu achei que ele, assim como eu, hesitaria, mas ele não o fez. Ele continuou, e dessa vez ele beijou meu ombro e depois meu pescoço, até que olhou para ela.
— Está tudo bem, Pâmela? — ele perguntou, e droga! Ele parecia mesmo preocupado.
— Um cisco — ela mentiu. 
Percebi que Sehun e ela eram completamente opostos. Ela demostrava o lado sensível tão facilmente, mentia mal, não conseguia controlar o tom de voz dela. E isso parecia algo tão fácil e normal para Sehun. Para ele era quase como beber água, para ela isso deveria ser o mesmo que comer pimenta.
— Pode dizer — falei com um tom de voz gentil — Se estiver acontecendo algo, talvez eu e o Sehun podemos ajudar... 
— Não — ela falou. 
E o que não deveria acontecer, aconteceu. Eu fiquei com pena dela.
Tudo por causa de Suga. Por causa da maldita lembrança que tive da vez em que nos separamos para sempre. Quando eu falei que eu não queria mais namorar ele, e então os olhos dele se encheram de lágrimas, e eu falei que sentia muito e perguntei se eu não poderia ajudar de alguma maneira, e ele então falou “não”. Esse “não” dele estava tentando dizer tantas coisas.
Ele claramente estava gritando o quão ele estava destruído por dentro, ele estava arrasado, eu também estava, mas sabia que logo superaria. Mas ele estava pior que eu, e eu já sei o quanto a dor que eu senti naquele dia foi ruim. Imagino o quanto a dele foi pior, e agora imagino quanto ela estava sofrendo.
Eu não ia conseguir se forte.
Eu estava prestes a me levantar do colo de Sehun, quando ela se levantou da cadeira, pegou o todos os pertences dela em cima da escrivaninha e rapidamente e os colocou na bolsa, e por fim saiu às pressas do quarto de Sehun.
— Isso não está certo — falei com a voz baixa, porque eu não estava falando para Sehun, mas para mim. 
— Você acha? — ele perguntou — Então o que é o certo? 
— Você é um... — eu ia o xingar, mas me dei conta que estava perdendo tempo.
Deixei ele no quarto dele, e saí rapidamente atrás de Pâmela. A alcancei quando ela já estava saindo da casa, a segurei pelo braço e a impedi que desse mais algum passo. Ela me encarou assustada, e várias lágrimas desciam pelo seu rosto.
— O que foi? — ela perguntou com a voz falha.
— Não chore por ele... — falei — Ele não é digno de suas lágrimas.
— Mas não é... — ela ia mentir outra vez, provavelmente inventar uma desculpa para esconder o que já estava claro, para negar que gostava de Sehun.
— Não minta, eu sei que você gosta dele — a interrompi — Mas acredite em mim, esse Sehun que você conhece não é Sehun verdadeiro, é apenas uma ilusão, ele é uma pessoa ruim e você não deve chorar por caras assim.
— Por que você está falando isso? — ela perguntou.
— Por que eu não sou igual a ele, e não consigo brincar tanto assim com uma pessoa — sussurrei.
E por um tempo, eu achei que essa coisa de ser igual a ele me faria ser alguém, mas acabei me dando conta que eu estava apenas me deixando virár uma pessoa ruim, perdendo minha personalidade, deixando de ser quem eu sou, tudo por causa de uma obsessão cega em derrotá-lo. E dessa maneira, cedo ou tarde, eu acabaria caindo do cavalo, e se eu quisesse ganhar esse jogo, eu teria que conseguir porque eu sou boa, não porque eu sou igual ao Sehun, por mérito meu, por meus esforços, sem ter que me por ao nível dele.
— O que isso quer dizer? — ela claramente não estava entendendo, mas não era culpa dela. Essa frase fora para mim, não para ela.
— Só esquece ele, não deixe alguém como ele te fazer chorar — falei.
— Eu pensei que ele gostasse de mim — ela confessou.
— Ele não gosta de ninguém — contei — Acho que ele não gosta nem dele mesmo. Ele só estava brincando com você. E eu nem sou namorada dele.
— Obrigada por me contar — ela tirou minha mão de seu braço.
— Me promete que você não irá deixar mais nenhuma lagrima cair por causa desse idiota? — perguntei.
Ela balançou a cabeça positivamente, eu sabia que ela está mentindo. Ela provavelmente iria o caminho até a casa dela ou onde é que fosse a nova parada dela, chorando sem parar, até mesmo sem se importar com tudo ao redor dela. Mas pelo menos acredito que ela tentaria superar isso mais rapidamente.
— Sabe, ele já até me beijou... — ela começou a soluçar — Eu achei mesmo que ele gostasse de mim. Eu sou uma burra.
— Sim, você é — Sehun falou — E por causa disso está chorando feito uma idiota.
Eu tive vontade de pular no pescoço dele, tive muita vontade. Mas já sabia que ele não se importaria com isso. Seria apenas mais um gostinho para ela me ver descendo de nível e tendo que usar agressão física.
Eu precisava fazer algo superior, e sentia que a oportunidade estava ali, só não sabia como e infelizmente vi ela se esvair quando Pâmela começou a chorar mais ainda e a expressão dele continuou a mesma, intacta, nem as lágrimas dela o comoviam.
— Vem — segurei o braço dela e a puxei para longe dela, em direção a saída da casa dele — Não fique dando a ele o gosto de te ver assim.
— Acho que estou começando a odiá-lo! — ela falou.
— Não, não faça isso — falei — Isso só vai tornar tudo pior, pois ele gosta disso. Simplesmente ignora a existência dele. Ele parece que se alimenta do ódio das pessoas.
Por fim, chegamos até o portão onde ela inesperadamente me abraçou. Eu acabei ficando desconfortável com isso, porque eu estava sendo abraçada pela garota que tempos atrás fora responsável por fazer uma grande turbulência na minha vida escolar, e também colocara o Sehun na minha vida, mas também estava sendo abraçada por uma garota que eu acabara de ajudar de alguma forma e que me ajudara a evoluir um pouco, que me mostrara de alguma maneira que vingança não é a solução, e que isso acaba nos afetando também, porque eu estava, sim, afetada, e com pena dela. Por alguns segundos, meus olhos também marejaram, mas Sehun não iria ter esse gosto. Eu a abracei de volta.
Quando nos separamos, ela abriu o portão e foi para a calçada da casa. Fui atrás dela, e ela se virou para mim, deu um sorriso sincero e cheio de gratidão, ao mesmo tempo em que algumas lágrimas caiam dos olhos dela.
— Quando você sair — sussurrei — Esqueça que esse menino algum dia existiu. Por favor — implorei — Faça isso por nós — sussurrei dessa vez, e não tive certeza se ela havia escutado.
— Farei isso, . — ela falou — E espero que você também esqueça que algum dia eu te fiz algo ruim.
E eu acabei oscilando, ela se lembrava de mim, e não só se lembrava como acabara de demostrar que se arrependia. Eu acabei ficando sem saber o que pensar e como reagir, até que ela sorriu outra vez, dessa vez tinha um pouco de sabedoria e felicidade no sorriso dela. 
— Eu já te perdoei há muito tempo — falei. 
— Obrigada — ela falou — As pessoas mudam, e eu me arrependi muito da criança que eu fui.
— Sim as pessoas mudam, algumas para a pior — olhei para dentro da casa de Sehun — Você se lembra dele? 
— Não... — ela falou — Por quê? Eu o conhecia? 
— Ele só era da mesma turma que nós... — falei.
Eu não iria contar o que ela havia feito com ela, porque isso só a deixaria pior. Ela não perguntou mais nada, apenas se despediu de mim e foi embora.
A observei até que ela sumisse de minhas vistas e voltei para dentro da casa de Sehun, acabei o encontrando na cozinha bebericando outra xicara de café enquanto escrevia alguma coisa em um caderno.
— Você é mais fraca do que eu pensei — Sehun falou sem olhar para mim, ainda concentrado no que ele escrevia. 
— Com quantas outras garotas você faz isso? — perguntei.
— Você sabe que eu não irei responder suas perguntas — ele murmurou —Por que ainda as faz? 
— Irei as fazer para o Samuel — falei. 
— Faça, se quiser pode ir até a escola dele agora e perguntar, até te levo lá — Sehun me encarou — Quer que eu te leve? 
Eu acabei perdendo minha firmeza e as palavras fugiram da minha boca. Sehun percebeu isso e acabou arfando, um sorriso se formou nos lábios dele.
— Você não tem coragem de contar — ele afirmou. 
E ele havia percebido minhas intensões? Ele tinha descoberto que eu jamais contaria ao Samuel a verdade ou então... Alguém tinha contado a ele, e se fosse essa a opção certa, eu já até sabia quem era esse alguém, Jungkook. 

— Porque você é boa demais para estragar a infância de uma criança — ele continuou — E isso acaba desfazendo nosso acordo. E voltamos para o antigo, meu silêncio pelos seus favores.