Acabei simplesmente dando mais um belo gosto para Sehun. Sim, cai perfeitamente na armadilha dele.
Não apenas porque briguei com meus amigos, mas também estou tão confusa a ponto de não saber mais o que fazer, ter plena consciência que a diante eu só encontrarei mais humilhações, mais derrotas.
E mais uma vez, fui idiota. Confiei logo na pessoa errada, acreditei que o plano estava dando certo, que eu estava conseguindo iludir Suga, quando na verdade quem estava sendo iludida era eu, quem estava sendo usada era eu, não ele, este estava apenas me usando como uma diversão, assim como o Sehun, ambos estavam se divertindo as minhas custas.
Estou tão cansada.
E estar cansada me fez chorar, não chorar de soluços, mas meus olhos se marejaram igualmente como foi com a Pamela ao me ver sentada no colo de Sehun e todos meus amigos estavam vendo isso, e não só eles, mas de longe, consegui enxergar Sehun, ele estava encostado em uma parede próxima a porta de uma sala, do primeiro ano, e conversava com alguns garotos, porém o olhar dele estava sobre mim e o sorriso que ele dera também fora para mim.
— Que vídeos? — perguntou.
E logo estava e Baekhyun querendo saber de que vídeos eu estava falando, querendo saber tudo na verdade, eu até iria pedir para me ajudar a explicar, mas Suga me puxou, me levou até a quadra de basquete e fez eu me sentar sobre uma das arquibancadas, depois ele secou algumas lagrimas da minha bochecha.
— Você tem que pensar mais... — Suga falou.
— Me deixa em paz! — pedi.
— Sai de perto dela Suga — escutei falar.
— , por favor, preciso conversar com ela agora — ele falou.
— Não, eu que tenho, vai se ferrar e deixa minha amiga em paz — ela falou — E aproveita e manda o Sehun tomar naquele lugar também!
Ele desistiu de tentar protestar e se afastou de mim, em seguida saiu às pressas da quadra. pelo contrario se sentou ao meu lado e passou o braço pelas minhas costas com cuidado.
— Se você ficar chorando, você não vai conseguir por em pratica o plano de se livrar de Sehun — falou.
— Ela não vai conseguir de jeito nenhum — Sehun falou.
Eu e olhamos para ele, ele se aproximava de nós e eu já estava prestes a começar a falar um tanto de coisa para ele, quando puxou uma mecha do meu cabelo indicando para eu ter calma.
Sehun continuou a se aproximar e quando ele chegou até nós ficou a minha frente, ignorou que falou para ele ir caçar algo melhor para fazer e me fitou por alguns segundos antes de fazer mais uma das drogas que ele sempre faz! Antes de me beijar.
Dessa vez o beijo era abrandado, era como meu choro interior, ia se acalmando com o passar do tempo, enquanto eu ia me recuperando, sim, eu estava parando de chorar enquanto os lábios dele tocavam o meu, enquanto a língua dele carinhosamente se encontrava com a minha, e quando ele afastou os lábios dele dos meus, eu já estava calma o suficiente.
— Lide com isso — Sehun sussurrou.
Ele se afastou de mim e a expressão natural dele já se fazia presente, antes que eu e formulássemos alguma frase, pensássemos em alguma palavra, ou ao menos uma ofensa, Sehun já estava se distanciado de nós, seguindo o mesmo caminho que Suga outrora seguira.
E as lagrimas voltaram aos meus olhos, agora eu estava irritada, não só irritada, mas triste também, irritada porque não entender o jogo dele estava começando a me irritar, e triste por saber que um adolescente da idade dele conseguia ser alguém assim, triste por finalmente estar madura o suficiente para sentir pena de alguém como o Sehun.
Deve ser horrível ser como ele, ser ele, uma pessoa que recusava o amor de qualquer um, que se diverti com a dor alheia, leva uma vida peculiar demais para alguém da idade dele, e o pior de todos, é um fracasso! Isso mesmo! Ele ganhar contra mim, não significa que ele seja realmente um vitorioso quando o assunto é vida, pois ele não consegue o mais essencial para ser feliz, ele não consegue amar.
Imagino o que o garoto que ele fora antes de tudo acontecer com ele, antes dos pais dele se separarem, antes da mãe dele ir embora, antes da vó dele morrer, o que esse garoto pensaria da pessoa que ele é agora? O que ele sentiria vendo o Sehun assim? Orgulho eu sei que não, e provavelmente pensaria que este é um perdedor.
E dói muito perder o jogo para um derrotado como ele.
Pensar dessa forma me da energias para voltar ao jogo e tentar outra vez, energia o suficiente para caso eu perca, voltar e voltar até eu ganhar, o suficiente para fazer as lagrimas nos meus olhos sumirem e minhas emoções se tranquilizarem.
Eu irei voltar para o jogo.
Voltarei a por em pratica o que eu falara antes, serei uma sadomasoquista, tomarei ao menos uma vantagem sobre ele.
— Você pensou em algo ? — perguntei.
— Não, mas estou tentando pensar... — ela falou — Que tal irmos ao banheiro para você lavar seu rosto.
Concordei e me levantei da arquibancada, em minutos eu e a já estávamos no banheiro, e enquanto eu lavava meu rosto ela se olhava no espelho e aproveitava para retocar a maquiagem dele, isso me fez rir um pouco e me sentir melhor, porque me passou a sensação de tudo ser como era antes, a sensação de que tudo estava normal.
Assim que saímos do banheiro e começamos a nos dirigir para a nossa sala, acabamos encontrando Suga no corredor, este parecia atordoado, e quando ele nos viu, rapidamente começou a se aproximar de nós, porém não conseguiu alcançar o objetivo dele, já que fora mais habilidosa e me empurrou rapidamente para dentro da sala.
Antes que a porta se fechasse só consegui escutar ele falando que precisávamos conversar, mas como ordenou eu ignorei o que é que ele tinha para dizer, e também ignorei no olhar de todos da turma sobre nós, fui apenas pedir desculpas para o professor e me dirigi para o meu lugar, se sentou ao meu lado e por fim nos concentramos na tarefa, ficamos assim até a aula acabar e os alunos saírem para beber agua ou ir ao banheiro.
Quando voltamos para sala, Jungkook e estavam na porta, e estes ao me ver abaixaram o rosto e suspiraram demostrando extrema frustação, percebeu e fez eu andar mais rápido.
A ultima aula também se resumiu a isso, um clima tenso, Baekhyun, , e Jungkook me olhando estranho, hora ou outra tentando me confortar, e Sehun, impassível, calculista e concentrado na aula, agindo como se nada estivesse acontecendo.
E quando o sinal para ir embora batera, eu já estava com muita revolta acumulada, o suficiente para me dar coragem de enfrentar Sehun outra vez, e mesmo tendo em mente que eu não conseguiria nada com isso, fui até ele, antes que este saísse da escola e o puxei para um lugar calmo, próximo ao gramado onde eu e os meninos costumamos a matar aula.
— Me poupe de suas lagrimas — ele murmurou.
— Agora que você ganhou, que você sabe que eu sou fraca, não da pra simplesmente me deixar em paz? — perguntei.
— Você acha mesmo que eu ligo para vitorias? — ele falou — Estou pouco me lixando para isso, eu só quero saber do acordo.
Eu nunca tinha parado para pensar por esse lado, o lado em que talvez Sehun nem ao menos esteja se esforçando para jogar, e fazendo isto enquanto se concentra em outras coisas mais interessantes, e pensar nesse lado me faz ter mais pena dele, porém também me faz pensar que ele é mais calculista do que eu imaginara.
E ele é mais do que eu imaginava, muito mais, isso porque este é sem duvidas o lado correto. Ele o tempo todo estava pouco se lixando para isso, apenas queria que eu perdesse logo, ou por um tempo resolveu brincar com isso, até que se cansou e resolveu trazer o primeiro acordo de volta a tona.
— Aproveitando que citei este — Sehun voltou a falar — Quero que você faça algo para mim hoje.
O que eu poderia fazer senão aceitar?
— O que você quer? — perguntei — E eu não posso fazer nada fora de casa, estou de castigo.
Já até sabia que ele iria responder que estava pouco se importando com isso, e que era para eu fazer de qualquer maneira o que ele pedisse, e tendo isto em mente teria que desobedecer meus pais e desligar meu celular para evitar contato com estes. Aproveitaria a hora da volta para pensar em uma boa desculpa.
— Eu não estou nem ai! Vamos até a minha casa — ele respondeu — Lá eu te...
Ele não terminou de falar porque eu completei, já sabia tudo o que ele iria falar e caso eu perguntasse algo, então fiquei quieta depois que o interrompi, fui até explicar que teria que ir para casa dele e pedi para ela já ir preparando o quarto dela porque eu provavelmente dormiria lá.
Esse provavelmente estava errado.
● ● ●
Quando eu e Sehun chegamos a casa dele, Sam veio rapidamente nos receber, ele veio correndo em nossa direção e abraço Sehun depois me cumprimentou timidamente e saiu correndo disparado em direção a sala.
Sehun ainda sem me explicar nada, andou pela casa atrás de algo, e não demorou para ele encontrar, era uma mulher que eu nunca vira antes, ela ao ver Sehun sorriu, mas a “alegria” dela se desfez ao ver que Sehun não era nenhum pouco receptivo, ela acabou ficando constrangida e ele ainda a ignorava, sem ao menos tentar a tranquilizar um pouco.
— Roberta já acertou tudo com você? — ele perguntou enquanto procurava algo na geladeira.
— Sim — a mulher respondeu hesitante.
— Então pode ir — Sehun fechou a geladeira com as mãos vazias.
Ela assentiu, pegou uma bolsa que estava em cima de uma das cadeiras que ficava em volta da ilha, e se dirigiu para saída.
Sehun agora vasculhava as prateleiras da cozinha atrás de algo, porém também não encontrou algo que o interessasse e foi entrou em um cômodo menor que ficava ligado a cozinha, e que eu deduzi que fosse uma dispensa.
Quando ele saiu de lá também não havia encontrado nada que fosse do interesse dele, e isso pareceu deixar ele irritado.
E esse tempo todo eu tive vontade de perguntar a ele o que ele queria, saber quanto tempo iria durar isso, mas como eu já estava começando a aprender certas coisas sobre Sehun, sabia que eu faria perguntas a parede, mas quando ele se dirigiu para sala, vi uma boa oportunidade para tentar descobrir.
— Então... O que eu tenho que fazer? — perguntei.
— Nesse momento calar a boca, e agir como se fosse minha namorada para o Sam — Sehun respondeu.
Concordei e tomei liberdade para segurar a mão de Sehun, quando entramos na sala já estávamos atuando como um casal, Sam ao nos ver, sorriu por alguns segundos, mas voltou a se concentrar na TV, de maneira a nos ignorar, e isso foi bom para mim, pois pude soltar a mão de Sehun.
— Sam, vá trocar de roupa iremos ao mercado — Sehun falou.
— A bruxa falou que não posso sujar mais roupas — Sam respondeu.
Fique curiosa sobre quem ele estava se referindo, e tive um leve palpite que ele falava de Roberta, afinal, ele era irmão de Sehun, e não seria estranho se ele odiasse Roberta pelas costas dela.
— Temos uma nova empregada, anda logo — Sehun ordenou.
E Sehun ao mesmo tempo que respondeu uma pergunta minha, fez outra surgir sobre mim, se a bruxa era uma antiga empregada, quem era a nova? Ele estava se referindo a mim? Eu não duvido dessa possibilidade ainda mais porque Sehun já me fez limpar a casa dele antes, talvez fosse até essa a razão dele ter me trazido.
Quando Sam saiu da sala, a atenção de Sehun se voltou para mim, finalmente.
— Roberta e meu pai foram viajar — Sehun explicou — Você ira me ajudar a cuidar do Sam.
Acreditei por muito tempo que todos os pedidos de Sehun estariam de alguma forma, ligados a algo ruim para mim, mas cuidar de Sam não era algo ruim, era até vantajoso, mesmo que eu não tenha intensões de contar algo para Sam, eu poderia tentar por pressão no Sehun e talvez ele caia...
Não. Ele já deve ter pensado nisso, e provavelmente se ele me visse como uma ameaça ele não me traria.
— Tudo bem — falei.
— Vá por seus sapatos iremos ao mercado — Sehun falou e saiu da sala.
O segui até o hall onde ficava a porta de acesso da casa e coloquei meu tênis outra vez, ao mesmo tempo em que Sehun calçava os deles. Depois que Sehun os calçou, ele ordenou que eu o esperasse ali e saiu de perto de mim, foi para algum outro lugar da casa, presumi que ele iria pegar dinheiro.
— Quantas vezes você é Sehun já se beijaram? — Sam perguntou assim que apareceu no hall — Ele é azedo?
— Não sei quantas vezes foram — respondi — E como assim azedo?
— A Ro, falou que ele é um leite azedo — Sam explicou — E já ouvi meu pai falar que ele é mais amargo que pó de café.
— Eles estão certos — acabei rindo.
— Mas qual gosto ele tem mais? — Sam perguntou.
— Amargo.
— Eca, odeio café.
— Então você odeia o Sehun também?
— Não, dele eu gosto.
Sehun apareceu no hall com uma chave de carro na mão, e o celular em outra, ele verificava algo neste, porém isto não o impediu de prestar atenção no final de nossa conversa que acabou quando ele apareceu.
— Gosta do que Samuel? — ele perguntou.
— De café — Sam respondeu e piscou para mim.
— Mentira, você odeia café — Sehun guardou o celular no bolso — Vamos.
Saímos da casa, e esperamos Sehun a trancar, quando ele se certificou de que nada sairia ou entraria nesta, depois ele nos guiou até a garagem e destravou o carro, quando ele já estava entrando no carro, Sam chamou a atenção dele e falou que ele deveria abrir a porta do carro para mim, isso foi o cumulo para o Sehun, mas mesmo assim ele o fez e abriu a da Sam também.
— Você tem que parar de ser esse gelo e aprender a abrir as portas para as meninas — Sam falou — Matheus sempre faz isso para a namorada dele.
— E por acaso quem é o Matheus? — Sehun perguntou enquanto manobrava o carro.
— É o irmão mais velho do Henrique — Sam falou — Ele também tem uma namorada, e ele também é mais legal, mas eu já falei para o Henrique que o meu irmão é mil vezes melhor que o dele!
— Ah, você pensa isso? — Sehun fingiu estar interessado na conversa dele.
— Sim, você é o melhor irmão do mundo! — ele explicou — Apesar de as vezes você não querer ver TV comigo e não me deixar pular na sua cama e mexer nas suas coisas, eu ainda te acho o melhor irmão do mundo!
Queria que Sehun fosse essa pessoa que Sam conceituava, uma pessoa boa, digna de ser chamada pelo irmão mais novo de “o melhor irmão do mundo”, não é como se eu achasse que Sehun não pudesse ser, mas Sehun vive de mascaras, e talvez essa seja apenas mais uma delas.
— E você também tia — Sam continuou — Você é a melhor namorada de irmão do mundo.
— Obrigada — sorri mesmo sabendo que ele não veria.
Sam continuou a falar, para a sorte do Sehun a maioria das coisas que Sam falava era direcionadas a mim, e na verdade não acho que é apenas para sorte dele, mas também para a minha e de Sam, pois Sehun em algum momento poderia se desconcentrar e perde o controle do volante, ou ao menos eu acho que sim, só andei com ele uma vez na vida, mas acabei me lembrando de que Sehun pode executar mais de uma coisa ao mesmo tempo e ainda executa-la perfeitamente.
E as palavras continuaram a sair da boca de Sam, algumas apenas ignorava e outras eu acabava rindo, Sehun uma hora acabou deixando um sorriso escapar também, e o clima de alegria tomava conta do carro, porém Sam o mesmo que o criava acabara tornando o clima em algo denso.
— Quando vocês irão ter filhos? — Sam perguntou — Eu quero um sobrinho.
— Nunca — Sehun fez questão de responder essa.
— Por que não? — Sam insistiu — É só vocês cruzarem.
E eu acabei rindo, não apenas pela ingenuidade do menino, mas por ter que imaginar Sehun sendo pai, Sehun cuidando de uma pequena versão dele e a melhor de todas, Sehun tendo relações sexuais, esta era algo que eu duvidava muito, ainda mais por ele ser todo esnobe, com certeza ele não acharia nenhuma garota digna dele.
— Sam quem cruza é cachorro — Sehun o corrigiu.
— E os humanos fazem o que? — Sam perguntou.
Olhei para Sehun, já esperando alguma resposta como “transam”, mas Sehun é do tipo que não deixa oportunidades passarem, e ele aproveitou isso para me ferrar.
— Pergunte a — Sehun respondeu — Ela entende bem essas coisas de adulto.
— Tia como os humanos se reproduzem? — Sam perguntou.
— Você ainda não aprendeu isso na escola? — perguntei.
— Não, aprenderemos ano que vem — ele falou.
— E você acha que os seres humanos se reproduzem como? — continuei a perguntar tentando me livrar de responder.
— Não sei, eu acreditava que era tipo os cachorros, cruzando, já o Henrique disse que as mães vão lá e chocam os ovos com os filhos dela dentro, e depois colocam dentro da barriga dela e ele vai crescendo... — Sam parou para pensar — Eu achei que isso estava totalmente errado, mas agora não sei de mais nada. Estou começando a pensar que ele esteja certo.
— É talvez ele esteja certo — concordei.
— Esse Henrique tem algum tipo de problema na cabeça? — Sehun perguntou.
— Não, ele tem cabelo — Sam respondeu e mostrou que não entendeu muito o que Sehun perguntara.
A essa altura estava sendo quase impossível não gostar de Sam, ele se demostrou tão ingênuo e fofo, uma criança bem carismática, energética, com uma mente um tanto criativa, até demais, a ponto de passar a cogitar que pessoas nascem de ovos e achar que o irmão é uma boa pessoa.
Talvez Sehun tenha sido assim na idade dele, gosto de imaginar que Sehun tenha dito algumas coisas desse nível, tenha sido engraçado e energético, e tenha tido um amigo com uma imaginação tão boba quanto a dele, mas algo no meu interior diz que as coisas foram diferente para Sehun e foram ruins.
O momento de diversão com Sam no carro chegou ao fim quando Sehun entrou no estacionamento, em resultado disso Sam passou a observar tudo ao redor deixando de lado a conversa.
— Quero que você segure a mão da e não solte quando sairmos do carro — Sehun disse enquanto olhava pelo retrovisor tentando estacionar o carro.
Sam concordou, e quando saímos do carro ele fizera justamente isso, segurou a minha mão até entrar no mercado, e uma vez que estávamos dentro deste ele se sentiu livre para solta-la, Sehun o repreendeu, porém Sam não se importou.
— O que você quer comer hoje? — Sehun perguntou para Sam.
— Churrasco — Sam respondeu sem rodeios.
— Algo que seja fácil de preparar — Sehun falou.
— Bolacha — ele falou.
— Bolacha não mata a fome — Sehun pegou uma cestinha.
— Tia você sabe por que a agua foi presa? — ele ignorou Sehun que ainda esperava uma resposta e olhou para mim.
Eu já sabia a resposta e iria fingir que não, mas Sehun acabou com a brincadeira dele e falou a resposta correta, o menino exclamou indignado pelo irmão ter entregado o jogo e então Sehun aproveitou que Sam prestava atenção nele outra vez para saber o que ele iria querer.
— Pizza? — Sam sugeriu.
Sehun assentiu e começou a andar pelas sessões do mercado, eu e Sam o seguimos, e este acabou segurando minha mão outra vez, até que ele parou de andar e indicou para eu me abaixar, pois ele queria cochichar algo.
— Vamos nos esconder? — Sam propôs.
Olhei para Sehun que estava concentrado nos produtos e considerei isso uma boa peça a pregar nele, ainda mais porque ele era alguém serio, do tipo que nunca brinca, acabei aceitando a proposta de Sam e no mesmo instante eu e Sam aproveitamos para nos distanciar de Sehun, vendo que ele não percebera aumentamos o passo e saímos da sessão onde estávamos.
— Vamos para o mais longe possível — Sam falou.
Concordei e continuei a caminhar com Sam entre as sessões indo para um lugar mais distante da onde nos afastamos de Sehun.
Quando nos distanciamos, Sam começou a olhar os produtos da sessão onde estávamos, que era alguns temperos com cheiro forte, ele ficava escolhendo o mais chamativo e o cheirava para decidir qual tinha o cheiro mais forte.
E então uma pessoa que eu não esperava ver ali, no mercado, naquela sessão, apareceu no corredor e olhar dela encontrou o meu, ao me ver esta pessoa sorriu e se aproximou de mim, eu queria poder me afastar dela, mas Sam estava comigo, não poderia sair as pressas puxando o menino pelo mercado.
— ... — Suga falou — Seus pais me ligaram preocupados.
— Some da minha frente — o ameacei.
— Quem é ele? — Sam perguntou.
— Olá menino, sou o Suga — Suga se inclinou para bater na mão de Sam, o garoto hesitou por um tempo, porém acabou respondendo o high five de Suga.
— Eu sou o Sam — ele respondeu.
— Ele é o irmão mais novo de Sehun — expliquei.
Suga ao ouvir o nome de Sehun perdeu totalmente o sorriso carismático que ele tinha no rosto, mas ainda sim alisou o cabelo de Sam e explicou a este que precisava conversar comigo, Sam assentiu o voltou a analisar os temperos, e eu fui para outro lado da sessão dando uma chance a Suga.
— Eu ia te explicar tudo na escola mesmo, mas você parece que gosta de negar a verdade e só ir atrás de confusão — Suga começou.
E tudo que ele pode falar fora isso, pois Sehun apareceu na sessão e me puxou para trás, fazendo com que eu me afastasse de Suga, este ao ver isso balançou a cabeça negativamente cumprimentou Sehun e se afastou de nós.
— Irão querer mais alguma coisa? — Sehun perguntou — Estou levando pizza de frango e calabresa, Coca-Cola, sorvete e chocolate.
— Eu quero salgadinho! — Sam se animou.
— E você ? — Sehun perguntou, pude perceber que isso de alguma forma o remoeu por dentro.
— Ah, eu quero falar com Suga — falei — Já volto.
Antes que eu me distanciasse Sehun segurou meu braço e me encarou com um tom de alerta, isso me fez recuar e seguir Sam com ele até a sessão de salgadinhos, deixando totalmente de lado a opção de conversar com Suga.
— Não vai pedir nada? — Sehun verificou — Então podemos ir para o caixa agora?
— Tanto faz — fiz desdém.
Ele deu de ombros e foi para o caixa, enquanto ele pagava eu e Sam já fomos para fora do mercado e esperamos Sehun próximos a porta, quando ele apareceu tentei ajuda-lo a carregar as sacolas, mas ele recusou, só aceitou minha ajuda na hora de abrir o porta-malas.
Na volta para casa Sam não estava conversando tanto, porque ele se concentrava mais no aperitivo dele, e tenho certeza que isso foi algo bom para Sehun que demostrava não estar com animo para conversa alguma.
E depois que chegamos a casa dele enquanto assávamos pizza, aquela tranquilidade que eu estava tendo tempo todo desde que sai da escola, fora embora, e o medo tomara conta de mim, a essa altura meus pais já estavam furiosos, ou prestes a ligar para a policia achando que algo de ruim aconteceu comigo, eu não podia mais continuar na casa de Sehun sem fazer algo em relação aos meus pais.
— Até que horas terei que ficar aqui? — perguntei.
— Até Sam ir dormir — Sehun respondeu.
Eu ia protestar, eu não podia de jeito nenhum ficar até a hora que Sam fosse dormir, eu não podia ficar mais nenhum minuto na casa de Sehun, pois sabia que cada minuto iria pesar no meu castigo, só ajudaria a piorar tudo, eu ia falar para Sehun me deixar ir, mas Sam apareceu na cozinha e subiu na cadeira.
— Vamos brincar de esconde-esconde? — ele propôs.
— A brinca com você — Sehun falou.
— Tudo bem — concordei.
Mais uma coisa para a lista de coisas que eu não deveria ter feito, péssima ideia, não a brincadeira, mas oque aconteceu por causa dela.
Eu já falei que o Sehun não desperdiça oportunidades, certo?
E não seria nessa situação que ele faria uma exceção.
E então em resultado disso aconteceu que enquanto eu procurava Sam pela casa, acreditando que Sehun ainda estava na cozinha cuidando da pizza, eu entrei no lugar errado, na hora errada, em tudo errado.
No banheiro, ainda achando que eu estava na brincadeira de Sam, quando na verdade assim que girei a maçaneta do banheiro eu acabei entrando na brincadeira de Sehun que estava lá me esperando, ao ver que era eu entrando no local, ele me puxou sem hesitação e agressivamente para dentro e fechou a porta atrás de mim, logo me imprensando conta esta.
— A jogo acabou para você — ele sussurrou e envolveu nossos lábios.
Dessa vez eu queria e não queria, era como o pai de Sehun falara deste, era amargo, mas não era azedo, ele estava concentrado em duas essências, amargo e gentil, e ele não era o único que estava em duas partes, eu também estava dividida entre a parte que queria o beijar, e a parte que estava se remoendo de ódio querendo parar isso naquele mesmo tempo, infelizmente a parte que o queria beijar venceu.
Consenti oficialmente o beijo dele ao envolver meus braços sobre o ombro dele, e minhas mãos sobre o cabelo, Sehun depois disso tomou liberdade para levar as mãos dele até minhas costas, e feito isto ele teve mais facilidade para apertar meu corpo contra o dele.
Eu não sei dizer se isso fora totalmente planejado, ou se algumas coisas saíram dos planos dele, mas ao menos uma vez eu pude ver que Sehun também tinha um pouco de reação física, não apenas pela respiração descontrolada dele, mas também porque pude sentir o membro ereto dele enquanto nos pressionava.
Sei que nunca terei a reposta para isso, mas optei por acreditar que naquele momento ele estava cedendo ao desejo físico, ele estava sendo realmente um garoto da idade dele, deixando os hormônios falarem mais alto, me senti aliviada por isso, feliz também, porque ele estava evoluindo de alguém frio para alguém com ao menos um pouco de emoções e reações químicas que surtem efeito sobre o corpo, sendo simplesmente um garoto da idade dele.
Era um momento magico, um momento bom, porém como já dizem, tudo que é bom dura pouco, e logo isto fora provado, quando o interfone tocou e Sehun em um reflexo separou nossos lábios colocando fim a toda magia, deixando a realidade onde um Sehun com emoções não existe.
— Acho melhor você ir lá, Suga quer conversar com você — Sehun falou e abriu a porta.
— Suga? — perguntei confusa.
— Ele nos seguiu — Sehun explicou.
Não precisei nem questionar, já sabia que Sehun estava certo e ao abrir o portão lá estava Suga, inquieto chutando algumas pedrinhas que ele via no chão até que retribuiu meu olhar.
— Eu já deveria ter feito isso há muito tempo — Suga falou — Mas ainda não é tarde... É isso que os heróis fazem, salvam suas mocinhas dos caras malvados.
Não pude nem responder ou perguntar nada, porque ele me beijou depois disso.
