War of Hormone: Capítulo 17

Tudo ficou tão estranho.
Sehun me trata mal, me beija, me esnoba, me beija, age como se não se importasse com nada, me beija, e agora... Suga me odeia, me ama, me odeia outra vez, me ama outra vez e me beija.
Eu não sei mais o que pensar.
Vou começar pelas perguntas e tentar respondê-las, pois isto e a única coisa que eu posso fazer nessa situação, perguntar e perguntar.
O que faz do Suga um herói?
A menos que ele me diga que ele achou um colega que sabe invadir computadores e dispositivos e que este colega tenha apagado os vídeos, eu não vejo nenhum motivo para o ver como um herói. Não, ele não é um herói, ele contou para o Sehun a única arma que eu tinha contra este.
Esse pensamento me fez empurrar Suga e separar nossos lábios, eu não consigo beijá-lo sabendo que graças a ele eu estou outra vez sendo chantageada pelo Sehun, e não é porque eu estou com raiva de Suga, é porque eu estou decepcionada, eu acreditei que ele gostasse de mim, que ele era o Suga que eu conheci, que nós teríamos a chance de até mesmo voltarmos... É decepção que eu sinto, e por estar sentindo isso eu não posso beija-lo.
— O que você quer Suga? — tive que me esforça para manter meu tom natural.
— Duas coisas, uma delas é me explicar e a outra é acabar com o Sehun. — ele me esclareceu.
Como assim acabar com o Sehun?
A resposta dele me pegou de surpresa, eu já deveria ter me surpreendido quando ele insinuou que o Sehun era um cara mal, porque se ele disse isso de alguma forma significa que ele esta se voltando contra o Sehun, certo?
Então é isso? Suga não está do lado do Sehun? Eles brigaram? Suga está com ciúmes?
Não, ciúmes não.
Suga é ao menos um pouco inteligente, se ele tivesse com ciúmes ele não teria contado para o Sehun que eu não tinha nenhuma intensão de falar a verdade para Sam, Suga com certeza imaginaria que Sehun voltaria com a chantagem e se o outro está com ciúmes ele não deixaria Sehun voltar a me chantagear.
Então só me restam as opções de que Suga por algum motivo não estar mais do lado de Sehun, ou Sehun e Suga brigaram.
— Primeiro, eu não sei nem do que você estava acusando os meninos. — Suga falou.
— Ah, por favor...— ri nervosa. — Se não foi você que não contou para o Sehun, quem foi?
— Não sei. Como eu falei, eu mal sei do que você estava acusando os meninos — Suga respondeu.
E a resposta dele me pareceu sincera, eu conhecia ele, ele estava sendo sincero sem duvidas, e então outra opção me veio à cabeça, a opção que o tempo todo Suga estava tentando me proteger de fazer uma cena pior, e teve que falar que fora ele, mesmo sem saber do que se tratava, tudo para me impedir de falar mais coisas.
— Que eu não tinha intensão de contar para o Samuel, irmão mais novo do Sehun, que a mãe deles tinha morrido. — expliquei porque de alguma forma eu estava confiando, e desta vez na pessoa certa. — Eu estava usando isso para chantagear Sehun, mas eu não tenho coragem de contar para o Sam, e alguém falou isso para o Sehun, eu até achei que fosse o Jungkook...
Não pude terminar porque escutei passos vindos de dentro da casa, então olhei para trás e vi Sehun se aproximando de nós, e mesmo sem este esboçar algum tipo de expressão, já pude concluir que ele iria adorar saber o motivo da vinda de Suga aqui, isto se ele já não sabia e já estava se divertindo com isso.
 — Veio aqui explicar a que não foi você que me contou? — Sehun perguntou assim que chegou perto de Suga.
Dava para perceber o clima pesado que envolvia os dois, ambos olhavam fixamente um para o outro, e o olhar deles travavam uma guerra, algo me dizia que nessa guerra Suga estava perdendo, e o sorriso que Sehun deu ao ver Suga engolir seco confirmou isso.
— E você acha que ao explicar isso... — Sehun se aproximou mais dele, de maneira que Suga teve que inclinar levemente o rosto para cima a fim de continuar encarar Sehun — Fará ela voltar com você?
— Sim, eu vim fazer isso, por quê? — Suga respondeu, a voz dele sairá acida.
Nesse momento me dei conta que se eu não fizesse algo Suga com certeza iria bater em Sehun, e isso era algo ruim, e para piorar eu não sabia nada que eu pudesse fazer para amenizar a situação.
Pensei e pensei, por um momento considerei fazer igual aos filmes e desmaiar para eles voltarem à atenção deles para mim, mas eu era péssima com atuações, eu apenas ia acabar me passando por uma idiota e dando mais um motivo para Sehun se divertir comigo.
Eu não consigo pensar em nada!
— Você é tão tolo, se colocou nessa situação porque quis! — Sehun riu soprado.
— Não, não foi porque eu quis, e sim porque foi necessário, mas um minuto e ela tinha entregado o monstro que você é. — Suga o empurrou.
— Ah, é uma pena. — Sehun se aproximou de mim e passou o braço sobre meu ombro — E ela corresponder os beijos desse monstro aqui com mais desejos que os seus. Desista suas desculpas são tolas.
Não precisa nem conhecer Suga bem para saber que aquilo foi o limite das provocações, apenas a expressão que ele fez ao escutar isso já denunciou que ele estava tomado pelo ódio, e claro ele iria reagir a isso da pior forma possível.
Em segundos Sehun já não estava mais perto de mim, mas imprensado contra o portão, enquanto Suga pressionava o antebraço dele contra o peitoral de Sehun, e ainda sobre ameaça de levar uma surra e boa de Suga, Sehun estava natural, sem nenhum sinal de medo sobre o rosto, nada.
— Cutuquei a ferida certa? — Sehun riu.
Suga em resposta a isso pressionou mais o braço dele contra Sehun e o olhou fixamente.
Eu já estava pensando em ligar para a polícia, quando a oportunidade para acabar com essa briga me apareceu, Samuel, este que provavelmente escutou o estrondo que se originou com o impacto do Sehun contra o portão, resolveu verificar o que estava acontecendo, e ai estava minha chance, se Sehun visse que Samuel estava no vão do portão assustado olhando essa cena, com certeza Sehun faria algo para mudar a situação.
— Samuel! — o chamei.
E isso teve efeito imediato, a expressão natural de Sehun se desfez para algum tipo de medo, e ele olhou diretamente para o vão do portão, Suga também acompanhou o olhar de Sehun e encontrou Sam, imediatamente Suga soltou Sehun e se afastou dele.
— Vá para dentro. — Sehun ordenou.
— Por que você quer bater no meu irmão? — Sam ignorou Sehun e encarou Suga.
 E então tudo que estava escuro, parece que começou a ficar claro. Toda a escuridão que me envolvera por muito tempo, desde que Sehun aparecera no meu caminho, começou a esvair e Suga pareceu ficar mais destacado que o resto, mas era isso, ele era o centro das atenções agora, tudo porque ele estava com uma bela “arma” na mão, prontinha para ser usada contra Sehun, e por fim a todo este jogo, prontinha para me salvar, a chave para a minha liberdade estava na ponta de língua dele, e esta era a oportunidade perfeita.
— Você quer que eu te conte tudo? — Suga perguntou com um ar vitorioso.
— Sam, vai pra dentro! — Sehun foi para frente do menino.
— Ah, Sehun que pena, eu queria tanto explicar para o seu irmãozinho. — Suga exclamou sadicamente. — Poderia até contar umas coisas extras, que a não teve coragem de contar.
— O que? — isso pegou de surpresa Sehun, o tom de voz dele era fraco.
— Porque se for preciso magoar uma criança, para salvar a , eu não hesitarei. — Suga continuou.
E bingo! A porta para a minha liberdade fora aberta, agora só faltava eu sair.
— Como assim? — Sam saiu de trás do Sehun.
— Nada. — Sehun falou.
— Me deixe contar Sehun. — Suga o provocou.
— Contar o que Sehun? — Samuel perguntou.
— Tudo bem, eu mesmo direi. — Sehun se agachou para ficar na altura do menino — A terminou comigo, esse é novo namorado dela... Ele acha que eu estou tentando roubar ela dele, mas agora eu não tenho mais nada que me ligue a ela.
Sehun olhou para nós dois e se levantou.
 Sam — no entanto — ainda continuava esperando por mais explicações.
— Hoje ela só veio aqui para se certificar de que eu apaguei todas nossas fotos, e vídeos juntos. — Sehun disse indiretamente o que Suga esperava ouvir. — Entendeu agora?
Sam assentiu, então Sehun fez ele se virar para a direção da casa e deu um leve empurrão para ele ir pra dentro.
— Então é isso... — Suga iniciou o novo assunto a ser tratado. — está livre de você?
— Ela sempre esteve livre. — Sehun falou. — Eu nunca cogitei espalhar os vídeos.
Sabe quando você termina uma prova, após se esforça muito para respondê-la, e quando você já a entregou vai discutir com seus amigos, e ver todas as possibilidades de resposta e ver que você deveria ter pensando nisso também? Era justamente essa a minha situação, e o pior é que eu descobri que a resposta para a pergunta era tão simples, e ainda sim vi a questão como algo difícil.
Mas era isso, se eu tivesse ignorado Sehun, se eu tivesse o desafiado mais, talvez eu não tivesse passado por isso tudo, se eu tivesse pensado por um momento que ele poderia ser ao menos um pouco mais humano, um pouco igual a mim, eu teria cogitado a opção de que Sehun nunca teve a intensão de espalhar o vídeo, assim como eu nunca tive a intensão de contar ao Sam.
— Agora se ela gosta de ser chantageada... — Sehun prosseguiu — Isso não é problema meu.
Ah, mas ele também tinha que sair com estilo, logico, ele ia jogar o peso para cima de mim também, onde já se viu o Sehun perder oportunidades? Ainda mais quando se tratava de provocar, não só a mim, como mais pessoas também, que na situação era o Suga.
Uma pena, eu não gostar nenhum pouco de ser chantageada, mas não irei negar que eu gostava das provocações e beijos repentinos que ainda não tive explicação do porque ele sempre fazer, acredito que um dia isso será esclarecido, não por ele, mas por mim mesma, em algum devaneio, assim como o real porque dele ter feito isso tudo, mas essa eu tive no mesmo instante.
Se Sehun nunca tivera a intensão de me entregar — espalhar meus segredos — e de alguma forma sendo igual a mim em relação ao Sam, bastou apenas eu analisar o proposito de eu usar isso — o segredo que eu tinha para tomar vantagem sobre o Sehun — para eu saber a respostar do porquê ele ter feito isso tudo,  é só eu pensa para que eu usei esse segredo contra Sehun? Não fora apenas para me livrar da chantagear, mas também para por Sehun no lugar dele, e estava ai a resposta, Sehun o tempo todo estava me pondo no meu lugar. Ele estava pregando uma peça em mim, a fim de que eu aprendesse.
— Isso tudo foi uma lição? — perguntei para Sehun.
— Fico feliz que tenha surtido efeito. — Sehun respondeu e sorriu, sim, sorriu, docilmente!
E droga! O tempo todo o menino ao mesmo tempo que era um vilão, era um tipo de mocinho que prega peças em garotas fúteis, a fim de ensinar elas a não brincar com fogo. Sehun você absolutamente não é humano, ao mesmo tempo em que é humano! E droga!
— Não que isso signifique que eu não estava me divertindo com isso. — Sehun completou — Você é tão fútil, e isso me entreteve bastante.
E agora ele não só estava respondendo, como estava falando mais do que o normal.
— Mas a lição não serviu apenas para você. — Sehun falou.
Se não serviu apenas para mim, para quem mais? Suga? É, só pode ter sido ele, pode ser que o Sehun ao menos uma vez tenha errado nos cálculos dele e pregado a lição não só em mim, mas no Suga também, é uma boa opção e me agrada saber dela, ainda mais porque mostra que o Sehun acabou sendo humano duas vezes mais, e por um erro, e erros são meramente humanos, e nossa, três vezes!
 — Enfim, boa sorte Suga, mas agora vou indo, meu irmão, o garoto cujo você não tem pena nenhuma de dizer a verdade, deve estar faminto... — Sehun anunciou.
— Você sabe que cedo ou tarde ele vai exigir respostas... — Suga não pode terminar de falar.
— Você está certo. — Sehun falou — Mas não direi nada, não agora... E de qualquer maneira, isto não é problema seu.
Suga deu de ombros e se aproximou de mim, ele ia dizer algo, mas eu ainda estava esperando mais resposta de Sehun, e então o chamei.
— Quem foi que te contou? Quem foi que tirou a foto? — perguntei.
— Quem você acha que foi? — Sehun rebateu.
— Não sei. — falei.
— Então descubra... Eu não direi mais nada, meu momento compaixão acabou — Sehun começou a fechar o portão. — Boa noite.
— Esse menino é muito estranho. — Suga murmurou.
— Estranha é a sua namorada. — pudemos ouvir Sehun murmurando de dentro do quintal.
Acabei me lembrando de que meus pertences ainda estavam lá, em um reflexo gritei o nome de Sehun outra vez.
— Meu material! — expliquei.
Não demorou muito para Sehun voltar ao portão e abrir este, ele indicou para eu entrar, e assim fiz, enquanto eu ia buscar ele continuou encostado no muro perto do portão e começou a conversar algo com Suga.
E outra vez Sehun sendo um garoto normal, e então me dei conta sobre a quem ele estava se referindo quando disse que mais pessoas aprenderam uma lição, não era Suga, era ele!
Algo no meu interior me dizia que Sehun nos últimos tempos, não só em convivência com Sam, mas comigo e provavelmente com outras pessoas acabou libertando algumas sensibilidades, isto explica tantas coisas, e é tão fascinante, que eu só consigo sentir alegria ao saber que o garoto que até momentos atrás eu estava sentindo pena, estava começando a ser um garoto meramente normal, que tem sentimentos e emoções e se entrega a elas, e isso explica realmente varias coisas, como o porquê dele ter se excitado no banheiro, ou o porquê de alguns beijos dele terem sentimentos e também o porquê dele me beijar repentinamente, é como se ele estivesse se esforçando para ser um garoto normal! E é isso!
Os beijos que antes foram motivos de dúvida, agora são respostas, como eu já dissera em um momento, eu e o Sehun nos tornamos cumplices, algo que ele não previra que aconteceria, mas aconteceu, e foi isso que começou a fazê-lo não só desejar meus beijos como se nutrir desses, sim.
A partir do momento em que eu e Sehun nos beijamos isso desencadeou algo nele, algo que precisava ser alimento com sentimentos bons, que no caso eram passados quando eu o beijava, e uma vez que Sehun não fizesse por onde para ter meus beijos, este algo ficaria com fome e causaria um estrondo nele.
É, uma boa teoria. Gosto de pensar que ela pode ser real, ainda que exista a chance de não ser, prefiro imaginar Sehun tendo mais sentimentos.
E foi sorrindo tomada pela alegria de saber essas ouras coisas que peguei minha bolsa, e fui para o portão, Sehun percebeu que eu estava contente, e pode concluir que eu estava começando a desvendar esse quebra-cabeça, e então ele sorriu outra vez, não fora um sorriso tão grande quanto a anterior, mas fora um sorriso.
E o meu sorriso poderia até ter durado mais, mas só durou o tempo do Sehun fechar o portão, até que eu me lembrasse de que um grande problema me aguardava em casa, bastou isso, e meu sorriso se foi.
Tudo por culpa do Sehun!
Eu agora tenho sentimentos um pouco mais amigáveis por ele, mas ele ainda é um inferno, ainda tem rastros dele em mim e não só isso como ainda existe duvidas além da pessoa que o ajudou, existe também a duvida do porque Sehun ter desistido da chantagem tão facilmente, mesmo que Suga tivesse coragem de contar, Sehun ainda conseguiria pensar em algo para sair dessa situação, afinal, estamos falando de Sehun, e bingo!
Estou começando a me entreter montando esse quebra-cabeça, uma vez que você pega o jeito, logo você esta resolvendo tudo.
O Sehun desistiu de cara, simplesmente porque ele estava ficando “humano” demais, é essa a resposta, e também tenho a opção de que ele provavelmente desistiria algum tempo depois, já que eu estava amadurecendo e perderia a graça para ele, afinal, ele se divertia comigo por eu ser tão fútil, e se eu não fosse mais, perderia a graça. 
Estou perdendo o foco, até segundos atrás eu estava com raiva de Sehun porque ele contou para meus pais sobre a lista, em consequência disso fiquei de castigo, e é isso que eu tenho que ter em mente.
E não só me lembrar que Sehun até ontem apenas me infernizava, como me lembrar de que anda tem coisas a serem esclarecidas, como por exemplo, a pessoa que tirou a foto, a pessoa que estava ao lado de Sehun, e eu já até sei quem é, dessa vez eu não estou enganada.
Eu tenho certeza e irei colocar as cartas na mesa.

Ele que me espere.