War of Hormone: Capítulo 10



           Se a situação já estava mal por Sehun ter contado para os meus pais, ao ir à casa dele tirar satisfação, tudo conseguiu ir de mal a pior. Tudo ficou mais confuso a ponto de eu já não conseguir mais distinguir o que era certo e o que era errado, a ponto de eu não saber em que direção estava indo, se era para frente ou era para trás, a ponto de fazer o que Sehun queria que eu fizesse, ficar sem rumo. Ou melhor, pensar estar sem rumo, quando na verdade estava no caminho criado por ele especialmente para mim.
E dessa vez eu acredito que não teria nem o talvez que costumava existir nas minhas outras teorias, o talvez dizendo que se eu não tivesse feito isso ou aquilo, dessa vez eu tenho certeza que tenha saído como ele planejou, que ele tenha me levado justamente para um caminho reto sem desvios ou atalhos, um caminho que me levaria justamente a onde ele estaria me esperando, o Inferno.
Uma coisa que ficou claro para mim que se estivéssemos em um teatro, Sehun seria a tração principal, o ator perfeito que executa a risca todas as funções dele, eu seria apenas a novata tímida descoordenada que fica nervosa do primeiro segundo pisando no palco até o ultimo, porém lembrando que entre isso tudo, é necessário destacar que eu fazia parte da peça
Basicamente Sehun estava lá reluzente níveis acima de mim e este era a única coisa que eu podia enxergar claramente já que o resto tudo era resumido a uma vasta escuridão de desordem.
Quando coloquei os pés na rua de Jungkook na incerteza se Sehun já estaria em casa por um breve momento achei que dessas vez eu conseguiria sim estar ao lado da sorte, dessa vez eu conseguiria por ele pelo menos um nível a baixo e por Jungkook estar indo comigo eu tive mais confiança, mas esta sumiu quando nos separamos, quando ele ficou na casa da tia dele e me desejou boa sorte, que ainda sim não me encorajou tanto.
Vi pela segunda vez a madrasta de Sehun naquele dia, ela ficou surpresa ao me ver e de certo percebeu que a minha segunda visita significava algo ruim, ficou claro que ela sabia quando está me deu um sorriso encorajador.
— Ele chegou tem uns cinco minutos — ela comentou enquanto me guiava para dentro da casa — e estava quieto e indecifrável como sempre.
— Ele contou para os meus pais, ele mostrou os vídeos, ele estava lá em casa — contei.
— E seus pais? — ela parecia realmente preocupada.
— Não sei, eu sai correndo de lá — expliquei.
Ela não falou mais nada, pois já estávamos no hall próximas a porta do quarto de Sehun, ela fez um gesto para eu me manter silenciosa e se aproximou da porta onde ela deu quatro batidas leves e esperou por uma resposta que não foi dada.
— Sehun? — ela chamou — Estamos pensando em ir ao mercado você irá querer alguma coisa?
— O que você quer? — escutamos ele murmurar.
— Vou entrar ai, tudo bem? — ela perguntou colocando a mão sobre a maçaneta.
Eu não tinha parado para pensar sobre entrar de fato no quarto dele, tanto por provavelmente ele poder estar se trocando ou fazendo coisas mais maliciosas e pelo quarto dele ser quase como uma jaula onde tem um leão preso, que no caso é ele, e é um leão muito mal humorado e feroz que eu jamais enfrentaria de mãos nuas. E pensar nisso me recordou que eu tinha algumas coisas para usar contra ele, me fez acreditar que eu não estava de mãos nuas, o que dele levou ao entrar ao quarto dele. Péssima atitude.
A madrasta dele girou a maçaneta e abriu uma pequena brecha da porta do quarto dele para verificar de que não havia perigo entrar lá. E estava ai um pequeno aviso de que entrar lá era perigoso demais, se até mesmo a madrasta dele estava com receio de entrar no quarto dele, estava na cara que eu deveria ter mais ainda, afinal quem era eu comparada a madrasta de Sehun que sabia bem mais coisas dele.
E esse gesto dela me fez pensar sobre como é a relação deles no dia a dia, se eles conversam ao menos um pouco, como eles conseguem fazer com que Sehun não faça uma coisa maléfica demais, como eles conseguem saber do que Sehun precisa, se eles simplesmente ficam perguntando até ele dar uma resposta afirmativa, ou se Sehun simplesmente chega neles e diz o que ele quer, o que eu acho mais improvável que a primeira hipótese já que Sehun é sem dúvidas uma pessoa orgulhosa e ter diálogos com mais de três frases com alguém parece algo um tanto tortuoso para este.
Queria mesmo saber como funcionavam a convivência deles, mas a minha situação não estava dando esse luxo, afinal eu estava na porta do Inferno e não é lá muito aconselhável ficar parada pensando sobre isto quando um problemão te espera mais afrente, porém também não acho lá aconselhável você ir e enfrenta-lo, então meu conselho é, se você estiver diante um desses problemas, corra, o mais rápido possível o mais longe possível, corra até que seus pulmões explodam, porque caso o contrário, caso você passe pela porta do Inferno, das duas umas, se você é uma pessoa masoquista você irá adorar, se você é só uma jovem comum em plena fase dos hormônios em ápice, você irá se afundar em um mar de profundo de caos, o que foi o meu caso.
Percebi outra explicação para a minha situação com Sehun, ele era o sádico e eu a vítima, o que mostrava exatamente que eu não estava em condições para enfrenta-lo, se eu ao menos fosse a masoquista iria tirar um proveito disso, mas por ele ser o único peculiar nessa história, também fora o único que se divertira com isso, afinal, me pergunto se existe algo mais prazeroso para um sádico que causar dor em suas vítimas. E é exatamente isso, por eu estar sendo a vítima de um sádico eu jamais poderia estar por cima.
E algumas dúvidas minha estavam esclarecidas, e outras precisavam apenas ser confirmadas, a principal delas era, porque ele estava fazendo isso comigo, se é mesmo por vingança do que eu fez anos atrás, ou realmente por ele ter um lado sádico e se divertir causando isso, apesar de eu acreditar que vingança tenha mais influência do que esse sadismo dele.
— Tem alguém aqui querendo conversa com você — Roberta avisou.
— Hum... — ele murmurou desinteressado.
A madrasta dele se virou para mim e afastou mais a porta para eu passar pelo olhar que ela me lançou nem mesmo esta estava crente de que algo bom sairia dali, o que por um lado era bom, já que como eu deixara claro, não esperava fazer nada de bom tendo essa conversa com ele, por outro lado esse nada de bom ela era direcionado a mim, não a ele, ela já sabia que eu ia acabar é me ferrando mais.
Respirei profundamente antes de entrar, talvez até meu subconsciente já soubesse que essa poderia ser a última vez que eu iria respirar.
Quando entrei só consegui perceber que o quarto dele estava frio, o que era um tanto irônico, um Inferno gelado, mas era bem característico de Sehun, um Inferno gelado para um imperador frio, e este frio me despertara uma simpatia pelo calor, antes nunca vivenciada por mim.
Depois encontrei Sehun sentado na cadeira próximo a escrivaninha, ele esta de costas para mim, fazendo o que ele provavelmente faria em qualquer outra situação, me ignorar. Isso me deixou com raiva e desanimada, a minha presença ali pouco importava para ele e se ele estava pouco se importando com a minha presença, significava que minhas palavras também não teriam lá grande impacto sobre ele. A menos que eu usasse as palavras certas, e eu sabia exatamente quais eram. Antes de cogitar usá-las olhei para a porta, onde segundos atrás a madrasta dele estava, porém a porta estava fechada e eu nem tinha notado quando está fora fechada, talvez pelo clima do quarto de Sehun ter chamado mais minha atenção, mas isso tinha pouca importância, o fato era que a madrasta dele não estava lá, não teria mais nada me impedindo de dizer as palavras além da minha própria voz.
— Sehun — chamei hesitante.
Ele continuo concentrado no que ele estava fazendo antes, e eu me aproximei para distinguir melhor ele e ver o que tomava a atenção dele, que era um caderno, ele estava fazendo tarefa, me aproximei furiosa por ele estar me ignorando por uma simples tarefa de casa e assim que eu estava próxima suficiente dele eu tomei o caderno dele e só assim ele olhou para mim.
— Te darei dez segundos para devolver — ele falou.
— Só vou te devolver quando você me responder tudo o que eu perguntar! — me afastei dele com o caderno.
Ele girou a cadeira na minha direção e se confortou nela, depois me olhou como se estivesse avaliando algo.
— Ok, faça as perguntas... Mas não ache que eu irei responde-las — ele concordou.
E eu não sabia dizer se isso era algo bom, ou algo ruim, eu já estava tão acostumada com a situação sair justamente o oposto do que eu planejara que quando ele concordou em ir da minha maneira fiquei tão surpresa que as perguntas fugiram imediatamente da minha cabeça, tive que me acalmar um pouco para me lembrar de alguma.
— Por que você contou? — perguntei.
— Por que eu penso mais a frente — ele respondeu.
Ah, mas estava claro que ele não seria tão legal assim, e não adiantou nada ele responder uma pergunta quando outra imediatamente surgiu na cabeça, e eu nem me dei ao trabalho de perguntar, sabia que ele não iria responder e cedo ou mais tarde eu entenderia o que ele estava falando.
— Você só está fazendo isso porque e te tranquei no banheiro... — minha voz acabou saindo tremula.
— Isso não foi uma pergunta... — ele arfou — Mas, não. Você foi estupida o bastante para achar que eu me afetaria por algo da minha infância, ainda mais causado por você?
Sim! Eu estava fazendo justamente o oposto, e essa história da situação estar andando com eu planejei era apenas uma ilusão, estava indo da maneira como ele gostava, e eu não estava recebendo resposta alguma, estava apenas me enchendo de mais dúvida e certeza de que este menino não é alguém que se brinca.
Ao menos uma dúvida fora esclarecida, ele não estava fazendo isso por vingança, porém eu ainda não conseguia acreditar que ele estava fazendo isto apenas por diversão. Não mesmo, ele estava blefando. E eu estava quase acreditando nisso, estava caindo na mentira dele. Não era apenas pela diversão dele, ele estava fazendo aquilo por vingança sim e isto me causou muito mais raiva.
— Para de mentir! — me exaltei.
— E por que eu iria mentir? — ele perguntou com a voz ainda natural.
Percebi que eu estava me descontrolando, estava mostrando fragilidade e isto contaria como um ponto a menos para mim, então esperei até estar estável antes de dizer qualquer outra coisa.
— Você está mentindo — falei — Você não é nenhum tipo de psicopata... Você é apenas um adolescente com traumas, um adolescente revoltado...
— Ah, então é isso que você acha de mim... — ele me interrompeu — É até uma teoria aceitável... Porém é só isto mesmo, uma teoria.
— Para de tentar me enganar com essa coisa de que você não é alguém que guarda rancor — conforme as palavras iam saindo da minha boca eu ia ficando mais alterada — eu já sei que você é um menino que passou por traumas, por isso você é assim!
— Você não sabe nada — ele se confortou mais na cadeira.
— Sei que você pegou seu pai traindo sua mãe! — tive que usar a primeira carta.
Eu não pensei que teria que começar a usar minha “vantagens” tão rápido, eu estava iludida achando que apenas tentar o fazer mostrar um lado sensível dele dizendo que ele é um garoto revoltado iria fazer ele se alterar mostrar alguma oscilação, mas nem mesmo a última frase dita conseguiu fazer este ficar ao menos um pouco instável, ele continuou com a mesma expressão serena que ele tinha e ainda me encarava com mais intimidação.
Diante esta situação, vendo que até mesmo argumento que eu considerava algo que o afetaria não surtiu efeito, eu perdi totalmente minha estabilidade, e uma vez que eu começasse a falar eu não pararia até por para fora todo o ódio e revolta preso dentro de mim.
E quando eu comecei parecia mesmo que seria assim, parecia mesmo que eu iria até o fim. Ilusão.
— Pare de tentar fingir — ri nervosa — eu sei que você age desta maneira hoje, porque no passado você passou por coisas que te abalaram, que você é assim comigo hoje, porque antes eu te abalei!
Ele continuou impassível, e como resultado disso aumentei minha agressividade.
— Sehun não é assim que as coisas funcionam, vingança não vai trazer nada de bom para você — continuei — você precisa aceitar que seus pais se separaram, que você não pode fazer nada para mudar isso, nem uma vingança vai mudar, seus pais se divorciaram...
E a insensibilidade ainda era presente nele, as palavras pareciam ser paradas metros antes de chegar a ele, como se existisse um muro que impedia as ondas sonoras de atravessa-lo e estas chegarem até Sehun, era quase como se ele assistisse a um filme em mudo.
— Você tem que entender que descontar suas magoas não vai fazer seus pais voltarem! — minhas palavras agora estavam acidas — Para de agir feito um menino mimado, e achar que você é a vítima do mundo e que vai fazer justiça, porque não é assim!
A única pessoa que estava ficando sensível ali era eu, parecia que as palavras batiam no muro e se voltavam contra mim e eu acabava sentindo o efeito delas. Joguei o caderno dele na parede com raiva, e nem isto fez ele se mover, ele continuou inexpressivo e indecifrável apenas me encarando.
— Você não entende né? Você não entende que a droga do casamento dos seus pais estava acabado desde já, porque você não sabe que a sua mãe era uma drogada, por que você não sabe que ela morreu... — eu não pude terminar a frase porque quando eu me dei conta Sehun estava apenas cinco centímetros de distância de mim.
— Cala boca — ele sussurrou ao mesmo tempo em que colocou a mão no meu queixo.
E é nessa parte que eu me afundei no mar, é nessa parte que ele me derruba do barco e me observa satisfatoriamente me afundando no caos que ele fizera justamente para mim, fizera justamente para se divertir ao ver me afundando nas milhares de armadilhas feitas por ele.
E olha, acabei por me lembrar que eu havia dito que não tinha um talvez, mas tinha, e era nesse momento que o talvez poderia ter acontecido.
O talvez que argumentava que se eu não tivesse me concentrado demais nas palavras que eu dizia olhando para o nada, se eu não tivesse me concentrado apenas no que meu cérebro pensava, se eu tivesse me concentrado no que estava acontecendo na realidade, se eu tivesse visto Sehun se levantando da cadeira e se aproximando de mim, talvez se isso tivesse acontecido eu poderia ter dado ao menos três passos para trás, dado de encontro com a cama, e desabado no chão tomada por lagrimas de ódio, ou então o empurrado, ou esboçado qualquer reação imediata, talvez... Talvez se eu tivesse feito qualquer coisa, eu não teria caído na armadilha, não teria me emboscado na confusão que são os lábios deles, uma vez que eu não fiz, eu fui pega por uma das armadilhas mais ferozes desse imperador que eu considerava apenas frio, mas fui contrariada quando este demostrou que podia ser quente também, quando os lábios deles ao encontrarem o meu conseguiu fazer meus hormônios se agitarem, conseguiu fazer um espasmo quente e repleto de loucura percorrer por toda minha sanidade, me levando ao que eu considero um dos efeitos de se estar no Inferno, insanidade.
E o mais incrível era que eu sabia enquanto nos beijamos que isto era apenas um jogo dele, mas parece que o beijo dele estava recheado com algum tipo de loucura que me fizera me entregar a ele de qualquer jeito, me fizera me entregar ao perigo, me fizera apenas responder com o desejo físico, deixar de lado o que eu estava pensando. E mais outra característica de Sehun fora exposta, além de controlar muito bem os sentimentos dele, ele conseguia controlar os meus.
Porém entre tudo isto, toda essa minha derrota e a vitória de Sehun, aconteceu algo que ele não esperava... Quando ele me beijou, acabou por me tornar parte do que era o reino dele, e uma vez que eu fazia parte deste reino eu acabei por pegar algumas características deste, eu já não era mais a vítima dele, eu passei a ser cumplice, mesmo sem saber, mas esta ligação estava tão presente quando a união de nossas salivas e o filete de saliva que durou por um tempo efêmero assim que separamos nossos lábios, fora apenas uma demonstração disto, mas ele estava lá, mostrando que estávamos ligados e uma vez que isto estava feito, Sehun não poderia mais me machucar sem que se machucasse também, eu apenas ainda não estava entendendo como... Naquele momento. Ainda sim sentia que algo estava diferente.  
A madrasta de Sehun estava certa, até certo ponto, eu me ferrei, mas Sehun também, e o ser que eu considerava perfeito que não cometia falhas, acabou por se condenar por si só.
Eu não era mais apenas a vítima, eu agora era a sadomasoquista. A sadomasoquista pronta para apanhar e ansiosa para bater.

E parando para pensar bem, estar nesse mar não é lá tão ruim quando se é uma sadomasoquista, dá para se tirar proveito disso.