War of Hormone: Capítulo 9

          Um dia que aparentemente seria normal sem nada de muito revelador ou ruim, mostrou que aquele velho ditado estava certo: as aparências enganam. E em um dia com uma aparência que nada dizia sobre ele, descobri coisas que levantou um sentimento de confusão e pena em mim, porém estes logos foram reprimidos.
E nesse mesmo dia em que eu iria fazer um pedido de desculpas amigável, por eu ter sido uma má menina no passado, tudo se tornou um caos, o que em nenhum momento me surpreendeu, afinal Sehun estava diretamente ligado a isso, e eu não esperaria nada de bom envolvendo ele. Como eu já estava crente, nada de bom aconteceu de fato, o oposto disso.
Não consigo decidir se o que foi mais marcante naquele sábado: as revelações feitas pela madrasta de Sehun, ver Suga, ver Jimin, ver Chen, ou a cara de decepcionados dos meus pais, mas tenho certeza de que esse dia, é um daqueles dias em que algo ruim acontece com você e você nunca se esquece.
Pelo menos descobrir que sempre que acho que estou dando a volta por cima, Sehun mostra que ele sempre vai estar com o controle da situação...
Eu acordei sábado às onze horas como sempre acordo, abri a cortina e me deparei com o dia caloroso e com o céu aberto, pensei como sempre que iria ser mais um sábado tedioso em que eu não iria fazer nada de produtivo, e fiquei com esse pensamento até a hora do almoço, quando tive a ideia de ir até a casa de Sehun dizer que eu sabia o porquê dele estar sendo assim comigo e que eu sinto muito por isso.
E até o momento em que eu apertei o interfone da casa dele as coisas iam bem, eu acreditava que teríamos um novo começo, na verdade teríamos, mas não significava que esse começo seria bom.
As coisas começaram a ir por agua a baixo quando a madrasta dele veio me receber, ela me reconheceu daquele dia e ainda sim sorriu simpaticamente para mim e me convidou a entrar, me levou até a sala onde pediu para eu me sentar e em seguida me ofereceu água, foi quando eu percebi que ela estava sendo gentil demais com uma pessoa cujo Sehun usou como cumplice.
— Pode chamar o Sehun? — perguntei cansada daquele joguinho falso dela.
— Na verdade ele não esta — ela se sentou em outro sofá.
Franzi minha testa claramente para ela. Se ele não estava lá, porque havia me convidado a entrar? Me confortei um pouco mais no sofá, já prevendo que eu e ela teríamos uma conversa, uma longa conversa, que eu confirmei quando estava também se confortou no sofá onde ela estava e cruzou as pernas.
— Acho que posso me abrir com você — ela falou — Afinal, eu sei que o Sehun não gosta de você também, o que nos coloca no mesmo time.
Ser colocada no mesmo time de uma senhora com cara de quem usa apenas roupas de grife e assume cargos importantes em uma empresa, até mesmo com cara de quem manda em tudo lá, me pareceu um grande elogio, até que pensei na possibilidade dela ser apenas uma oportunista plastificada que se enche com o dinheiro do marido e não faz nada demais da vida além de passar o dia no salão ou em lojas torrando dinheiro, porém voltei a me simpatizar com ele, pois vi que ela não tinha esse tipo de postura, ela era elegante e tinha a postura de uma mulher de negócios de fato.
— É ele não gosta muito de mim — confessei agora encarando minhas mãos.
A mulher além de elegante era intimidante. Em um minuto diante a presença dela percebi que eu não passava de uma jovem que não entende nada da vida de um adulto e que se achava no direito de saber palpitar sobre o que ela era e o que ela fazia. Ela estava níveis a mais que eu, e só a presença dela deixava isso claro, o que fez me perguntar como Sehun conseguia bater de frente com esta.
— Pensando bem... Me diz existe alguém que ele goste? — ela perguntou naturalmente o que me deixou mais confortável.
Essa pergunta acabou por fazer pensar por um tempo se existia alguém que Sehun gostava, pois desde que ele começara a se intrometer na minha vida ele não mostrou afeição por ninguém, nem mesmo pelo irmão dele ou pelo pai, quando me lembrei da vó dele, a vó dele me parecia um bom palpite.
— A vó dele? — como eu não sabia o que responder, dei um palpite.
A madrasta dele sorriu. Não gentilmente, um sorriso um pouco malvado, o que foi um ponto negativo para ela, mesmo que Sehun fosse algum menino insuportável a vó dele não poderia ser motivo de um sorriso assim.
— Ela não é alguém que existe, não mais... — o sorriso dela se desfez.
E me lembrei de que ele havia perdido a avó dele, o que me contou como mais um ponto negativo para a madrasta dele, como ela ousava a sorrir malvadamente de uma pessoa morta?
Essa resposta dele me fez ficar ressentida e outra vez desviar o olhar dele e começar a fitar minhas mãos, eu estava começando a ficar com medo dela, como se já não bastasse a timidez.
— Enfim, não gosto de falar sobre a avó dele... Vamos logo ao assunto — ela se pronunciou ao perceber meu desconforto.
Suspirei ansiosa. O que uma mulher do nível dela teria de tão importante para falar com uma garota da minha idade?
— Primeiro quero saber... Qual é o seu nome? — ela descruzou as pernas e se levantou do sofá logo se sentando ao meu lado.
—  — respondi tentando manter minha voz firme.
A aproximação dela me causou mais medo, mais intimidação, e agora estava ficando difícil até respirar regularmente perto dela, sentia como se ela estivesse procurando qualquer tipo de sinal em mim, como se ela fosse capaz de me humilhar a qualquer momento ou qualquer fazer coisa ruim...
— Pode me chamar de Roberta — ela falou — Há quanto tempo você conhece o Sehun?
— Anos, estudamos juntos desde a primeira série — essa resposta consegui falar naturalmente, talvez por não ser algo tão íntimo.
— E porque você veio até aqui aquele dia? — ela prosseguiu com as perguntas. Dessa vez era uma pergunta que me deixava desconfortável.
— Porque... — fiquei na dúvida se contava a verdade — Eu e os meus amigos estávamos espionando a vida de Sehun, e ele por um acaso estava na casa aqui da frente e nos pegou...
— E ele só puniu você por isso? — ela tentou entender, ela sabia que tinha mais história nisso.
— Não, é que o Sehun vem me subornando desde que ele descobriu que estou ficando com dois meninos, e então ele gravou um vídeo e falou que se eu não fizer o que ele pedir ele irá mostrar os vídeos para meus pais — contei tudo. 
— E por que ele gravou este vídeo?  — ela questionou em um tom de cautela. 
— Eu acredito que tenha sido por algo que fiz quando éramos mais novos, uns nove anos... Eu o tranquei no banheiro feminino, acho que ele esta se vingando de mim, apesar dele negar isso, ele diz que é apenas porque ele quer — confessei.
— É por vingança — ela afirmou — ele se tornou um garoto vingativo.
Me perguntei o que fazia ela afirmar isso, eu já sabia que Sehun estava se vingando dela, mas nunca soube o motivo, e conversando com ela tive uma vontade enorme de pergunta porque ele estava agindo assim.
— Ela sofreu grandes traumas na infância, grandes mentiras também — a voz dela saiu lastimosa — se eu pudesse voltaria no passado... Faria tudo diferente, não o deixaria passar pelo que ele passou — pude ver os olhos dela ficarem marejados — eu tentaria ser uma mãe de verdade para ele...
E ela entro em outro assunto que eu tinha curiosidade, quem era a mãe de Sehun, onde ela estava, se ela ainda mantinha contato com ele, se ele a via no final do ano até mesmo de mês e várias outras dúvidas.
— O irmão dele não é assim... Ele era mais novo quando tudo aconteceu, por isso nem se lembra, nós achamos que Sehun por ser uma criança não entenderia o que estava acontecendo e por isso ele não ligaria para isso... — ele suspirou — nós estávamos muito enganado, e hoje ele é o que é.
E eu não sabia o que fazer, a madrasta de Sehun, Roberta, estava chorando ao meu lado, contando coisas que eu não entendia, muito menos sabia, me deixando com mais dúvidas, como por exemplo, o que foi esse tudo que aconteceu que ela citou, e o que isso tinha a ver com o assunto que ela tem a tratar comigo, digo como isso de alguma maneira se relacionaria a mim? Mesmo que eu fosse uma das vítimas de Sehun, que se tornou assim devido as consequências, eu não conseguia ver nenhuma relação nisso.
— Você sabe que Sehun perdeu o contato com a mãe dele? — ela perguntou depois de um tempo, quando se recuperou.
— Só sei que a mãe dele foi embora... — respondi.
— Irei contar tudo, mas guarde segredo — ela pediu.
— Ok — concordei.
— Os pais de Sehun se divorciaram quando ele tinha sete anos... Porque o casamento dos pais dele estava ruim... E uns meses antes o pai dele começou a sair comigo... — ela fez uma pausa como se tentasse se recordar de algo — ah, não sei se é coisa da minha cabeça, mas acredito que ele te beijou na minha frente porque quando ele era menor, antes dos pais dele se divorciarem, ele flagrou eu e o pai dele nos beijando...
E essa revelação me fez entender o porquê do beijo ter sido chamado de especial por ele. Ele havia flagrado o pai dele traindo a mãe dele. Imaginei o quão ruim tenha sido para ele ver o pai dele com outra mulher, e só cheguei a conclusão de que foi ruim o bastante para uma criança de sete anos por ela ter guardado magoas por muito tempo. Mas ainda assim não acredito que isto tenha sido o suficiente para ele ser tão amargo e ruim, tinha mais por trás disso...
— Eu acredito que ele até teria superado o divórcio dos pais dele — ela comentou — talvez se eu e o pai dele tivéssemos lutado pela guarda dele também, porém ficamos contentes apenas com o Samuel que ainda era um bebe... Se ele tivesse vindo morar com nós ele não teria passado por tanta tristeza...
— Samuel é o irmão do Sehun? Aquele menininho? — perguntei.
— Sim — ela respondeu — também sou madrasta dele...
— Entendi — assenti — mas por que o Sehun é desse jeito se o divórcio não foi a causa real?
— Por que a mãe dele o abandonou — ela respondeu — e Sehun acha que foi por minha culpa e por culpa do pai dele... 
— E por acaso foi? — senti que estava perguntando demais, porém não me arrependi de ter feito.
— Vendo apenas esse lado da história sim — ela admitiu — mas precisamos voltar no passado e nos perguntar o porquê de os pais dele terem se desentendido, que é algo que o Sehun não sabe...
— E por que vocês não contam para ele? — questionei,
— Por que ele acha que a mãe dele é uma pessoa boa, e a essa altura do campeonato acredito que se ele souber a verdade ele só se tornaria um garoto pior — ela falou — Acredito que se ele descobrir que a mãe dele era alcoólatra e estava começando a se viciar em outras drogas, ele veria que toda a vida dele foi uma mentira e que o pai dele não era o real vilão.
Eu não esperava por uma confissão dessa e outra vez não soube o que fazer, apenas ter mais pena ainda de Sehun, ou pelo menos do Sehun criança, o menino que enfrentou o divórcio dos pais e o abandono da mãe que era alcoólatra, e ele não sabia. Ele deveria amar muito a mãe dele, a admirar muito, assim como eu sempre admirei meu pai, no qual eu sempre me orgulho ao falar sobre, acabei me colocando na situação de Sehun, imaginando como seria ver meu pai traindo minha mãe, como seria ver meus pais se separando, depois ver meu pai casando com outra, como seria ver minha mãe me abandonando e como seria descobrir que meu pai era um viciado e não era o herói que eu sempre sonhei que fosse. E eu digo, seria devastador, não consigo imaginar as consequências disso, o que eu faria se descobrisse, mas consigo saber que eu ficaria triste, muito triste.
— Ela foi embora uma semana depois que eu e o pai dele nos casamos, ela fugiu apenas com as roupas do corpo, enquanto Sehun dormia...  — ela falou — Quando ele acordou sentiu falta dela, então ligou para a avó materna dele já que ele não queria mais falar com nós... A avó dele já presumiu que a mãe dele não voltaria, então já ligou para nós falando que Sehun teria que morar com nós, porém ele se recusou e ele acabou indo morar com ela.
— E onde a mãe dele está agora? Vocês sabem? — fiz uma pergunta que começou a martelar na minha cabeça.
— Meu marido contratou um detetive para ficar vigiando ela, e depois de seis meses descobrimos que ela estava morando em outro estado indo de mal a pior com os vícios, e quando o Sehun tinha dez anos descobrimos que ela tinha morrido por causa das drogas, porém nunca contamos isso para ele, acredito que até hoje ele ache que ela ira voltar... — ela mais do que respondeu minha pergunta, porém eu não gostei de forma alguma da resposta, era cruel demais.
— Tem mais algum detalhe do passado dele? — perguntei.
— Quando ele soube que a mãe dele não voltaria ele começou a ficar uma criança problemática, até que ele teve que ser encaminhado para o psicólogo. E quando ele tinha uns doze anos ele começou a se isolar do mundo e acredito que foi ai que ele começou a ser frio... — ela falou — ele se tornou tão frio que eu não o vi chorar nenhuma vez durante o velório da avó dele.
Saber que Sehun não chorou ao perder alguém me surpreendeu, por mais que eu já o achasse frio, eu ainda acreditava que ele amava alguém, pelo menos a pessoa que cuidou dele, mas vendo os fatos expostos dessa maneira fortifiquei a teoria de que o coração dele só tem espaço para o ódio.
— E por que você não gosta dela? — perguntei.
— Mas eu não falei que não gostava dela... — ela respondeu.
— E porque você deu um sorriso malvado quando eu citei ela — expliquei.
— Eu sorri, porque foi ingênuo você falar dela, pois eu tenho minhas dúvidas se nos últimos anos Sehun gostasse dela... — ela falou.
— Ah sim, mas agora me diz o que essa história toda tem a ver com o assunto que você tem comigo? — perguntei.
Já estava esperando há um bom tempo a hora certa para perguntar isso sem que eu parecesse curiosa ou apressada demais, e ela pareceu disposta a responder isso logo.
— Por que eu quero que você o faça a amar — ela falou — faça ele voltar a ser um garoto sentimental.

● ● ●

A madrasta de Sehun viu que este não voltaria tão logo e acabou me deixando em casa, já que eu havia vindo sozinha e meus pais provavelmente não iriam me buscar.
Quando estava no portão da minha casa já pude ver que havia visita e tentei parecer normal, porém parecer normal e estável se tornou a coisa mais difícil quando vi que as minhas visitas eram Sehun, Chen, Suga e Jimin. E também quando vi que eles estavam conversando com meus pais, que ao me verem balançaram a cabeça negativamente, nessa hora se me perguntassem algo ou apenas falassem comigo eu começaria a chorar sem dúvidas.
Fiquei quieta até chegar perto de Sehun, este permaneceu imóvel e sem expressão mesmo diante meu olhar insistente que pedia uma explicação, ele estava pouco se lixando enquanto eu estava prestes a desabar em lagrimas.
— , estamos muito decepcionados com você — meu pai falou.
Ignorei a voz dele e continuei olhando para Sehun que não retribuía nem meu olhar continuava me ignorando e isso me fez ficar com raiva, muita raiva.
— Você falou que não iria contar para ninguém — falei ao mesmo tempo em que deixei minhas lagrimas saírem — você falou que nós tínhamos um acordo!
— Para de chorar, você não foi a única enganada aqui! — Chen murmurou.
— Cala boca Chen! — o aconselhei, eu estava tremendo de raiva — Eu estou falando com o Sehun!
E ele continuou imóvel sem me encarar enquanto todos os demais me observavam. Todos estavam olhando para mim, me vendo derrotada, prestes a escutar um tanto dos meus pais, todos sentia ao menos o clima que estava, mas Sehun parecia que nem isso sentia.
Ele não sentia nada, ele também não media as consequências de nada, ele... Ele estava começando a me fazer odiá-lo mais ainda. Odiá-lo a ponto de eu perder o controle e tentar ir para cima dele o enchendo de tapas, até Suga me segurar e impedir que este fosse agredido, e mesmo quase sendo agredido ele continuou com a mesma expressão do mesmo jeito, porém agora me encarava, e o olhar dele era vazio.
— Não é violência que irá resolver as coisas — Suga falou — pelo menos não com ele.
Ignorei o Suga também, pouco me importava o que ele tinha a dizer, ele era só mais um idiota como Chen ou Jimin, Sehun era o verdadeiro perigo ali, se Sehun não tivesse filmado nada disso estaria acontecendo.
— Me diz porque você quebrou o acordo! — exigi.
— Porque eu quis — ele respondeu naturalmente.
— Agora , eu quero que você peça desculpas para eles — minha mãe falou.
Isso deveria estar sendo um gostinho e tanto para o Suga, me ver pedindo desculpa para Jimin, para o Chen, e dependendo do que eles tinham contado, se eles tinham aumentado a história era capaz de eu ter que pedir para Suga também, e até para Sehun, porém para este vendo o agir daquela maneira me dei conta que não faria diferença nenhuma um pedido de desculpas, mesmo que este fosse do fundo do coração, que não seria o caso do meu pedido, não mais.
Eu pedi desculpas, mas sabia que isso estava longe de ser o castigo e o fim dessa encrenca em que eu havia me metido, sabia que eu iria ser proibida de muitas coisas, perderia a confiança dos meus pais e até mesmo corria o risco deles acharem que minhas amigas tinham parte nisso e meus pais acabariam me proibindo de falar com elas.
Olhei um por um que estava ali na varanda, todos me olhavam com desprezo, menos Jimin, ele parecia não estar gostando disso e quando ele encontrou meu olhar desviou rapidamente, ele não queria me encarar.
— Obrigado meninos por terem nos contado — meu pai se pronunciou — acho que eu e a a mocinha que se acha na idade suficiente para sair ficando com vários meninos e fazendo listas babacas de vingancinha imbecil precisamos conversar.  
Meu pai estava com raiva e se tinha algo que eu temia mais que Sehun, era meu pai com raiva. Ele com raiva poderia ter surtos a qualquer momento e quebrar o que ele visse na frente, e se ele fizesse isso na frente dos meninos seria uma situação embaraçosa o suficiente. Isso me deixou apavorada, se eu fosse conversar com ele eu acabaria me exaltando e aumentando o tom de voz com ele e isso acarretaria em uma confusão maior, e como eu estava com tanto medo disso eu só consegui fazer uma coisa: fugir.
Não literalmente fugir, eu apenas sai correndo em direção ao portão e fui em direção a esquina mais perto que dava para a avenida, quando vi que não tinha ninguém atrás de mim parei de correr e atravessei a avenida, eu não tinha ideia de onde ir, até que só me veio um lugar a cabeça, a casa de Jungkook.
Estava perto, e dentro de dois minutos eu estava lá esperando ele vir me receber, este quando me viu, percebeu na hora que algo estava errado, na verdade não era necessário nem um esforço para saber que tinha algo errado, porque eu estava chorando outra vez.
— O que houve? — a voz dele saiu em um tom de pânico.
— Sehun contou tudo para os meus pais! — contei e isso me fez chorar mais ainda.
Jungkook ficou imóvel, porém não como o Sehun, ele ficou imóvel mais para quando eu fiquei sem voz. Ele também estava sentindo o clima, até Jungkook que não estava lá, havia sentindo algo e Sehun não.
— Mas por que você está aqui? — ele perguntou ao mesmo tempo que se aproximou de mim.
— Não sei — falei — Talvez porque você também está envolvido nisso.
— E os seus pais? Falaram o que? — vi que ele tinha muita coisa a perguntar então me encostei-me ao muro dele e me sentei na calçada. 
— Não deu tempo para eles falarem muita coisa, eu sai correndo e vim para cá — contei.
— Legal... — ele sussurrou.
Olhei para ele confusa. Não tinha nada de legal nisso, eu estava em uma tremenda encrenca e ele achando legal?
— Digo, legal você ter vindo até aqui... Acho que significa que você confia em mim ou algo do tipo — ele se explicou.
Eu ia responder ele, porém ver o carro dos meus pais passando na avenida me apavorou. Eles estavam me procurando, e se eles estavam me procurando eu não poderia esperar nada de bom disso.
— Meus pais acabaram de passar ali na avenida — falei — preciso ir...
— Para onde você vai? — ele perguntou.
— Não sei — confessei — talvez para casa da .
— Não, fica aqui — ele pediu com a voz baixa.
Eu não tinha mais nada a perder, então entrar na casa da diretora da escola não significava mais nada comparado ao caso de que meus pais sabiam que eu estava ficando com vários garotos. Eu já estava ferrada, e me topar com a diretora que já conhece minha cara e provavelmente ficaria muito furiosa ao saber que eu estava andando com o filho dela, isso não seria nada.
Aceitei o convite de Jungkook e entrei na casa dele, me senti um pouco aliviada ao ver que o carro da diretora — que eu e os meus amigos já cansamos de esvaziar o pneu — não estava lá.
Jungkook me levou até o quarto dele, que era incrivelmente organizado igual o do Sehun, e pediu para eu esperar lá até que ele apareceu com um copo de água e me entregou. 
— Viajando como de costume... — Jungkook se sentou ao meu lado — Já estou começando a me sentir dono da casa. Sou eu quem põe ordem aqui mesmo.
— O Sehun não te contou nada? — perguntei.
— Você quer saber a verdade? — Jungkook falou.
— O que? — perguntei esperando mais problemas.
— Sehun basicamente só me colocou nessa história toda porque foi eu quem contou para ele que te viu com o Jimin, porém depois que ele passou a te subornar ele ficou pouco se lixando para mim — Jungkook confessou.
— Tem mais alguma coisa por trás disso? — perguntei.
— Bem, ele também falou que não iria ficar ou tentar nenhuma intimidade com você, porque ele não tinha interesse... Porém ele acabou te beijando aquele dia — Jungkook falou — ele tinha prometido que não iria ficar com você...
— E o que tem demais ele ter ficado? — perguntei.
As bochechas de Jungkook coraram, porém eu não me surpreendi e já sabia o motivo, ele gosta de mim.
— Ele quebrou a promessa — Jungkook tentou disfarça.
— Ele é muito bom em quebrar promessas — comentei.
Jungkook me encarou por uns segundos, ele estava realmente preocupado comigo e isso me deu vontade de abraça-lo e agradecer por ele estar falando comigo, porém eu não era afetiva a esse ponto então me contentei em segurar a mão dele.
— Obrigada Jungkook — sussurrei.
— Por quê? — ele perguntou com a voz alterada, provavelmente pelo contato de nossas mãos.
— Por estar se preocupando com um problema que nem é seu — falei.
— Bem, eu acho que amigos devem fazer isso né... — ele falou.
E a dúvida que eu tinha se Jungkook estava do meu lado de esclareceu, na verdade está já estava respondida há muito tempo, porém eu algumas vezes eu espero mais confirmações para ter algo, como por exemplo, Jungkook estar do meu lado ou não, e se Sehun está fazendo isso comigo apenas porque ele quer ou por vingança.
— O Sehun não te contou o porquê dele estar fazendo isso comigo? — perguntei para verificar.
— Porque ele quer, isso é o que ele me disse da última vez que perguntei... — Jungkook falou.
Isso me fez ficar confusa de novo, vingança ou apenas diversão? E isso também me levou a cogitar seriamente em ir de novo a casa de Sehun e só sair de lá enquanto ele me desse respostas suficientes e eu estava disposta o bastante para causar mais confusão ainda, disposta o bastante para encher a cara dele de tapa. E era isso que eu iria fazer
— Tenho que ir — falei e me levantei. 
— Onde você vai? — Jungkook também se levantou e segurou meu braço antes que eu saísse do quarto dele.
— Até a casa do Sehun — respondi.

Jungkook suspirou negativamente, ele não esperava nada de bom disso, eu também não, mas era isso que eu queria, nada de bom, porém desta vez para Sehun. Queria o machucar mais ainda, e estava determinada a fazer isso.