A resposta para o pedido de Jungkook já era certa, eu não tinha outra escolha, ou era dormir lá ou dormir na rua depois que eles mostrassem os vídeos para os meus pais que são muito conservadores, jamais tolerariam isso. Esses meninos sabem mesmo como jogar.
Enquanto seguia Jungkook, este se manteve silencioso, estava pensativo, queria ter o suposto “poder” de ler mentes do Sehun, para saber o que Jungkook estava pensando, o que estava mantendo ele silencioso. Até que me dei conta que ele olhava para o chão e a expressão dele era rígida, como se estivesse tenso. Ele estava tímido. Timidez era algo que eu não aguardava vindo dele, ainda mais comigo, a garota que ele tinha na palma da mão.
— Quanto tempo você acha que vai ser até chegarmos a sua casa? — perguntei.
Ele me olhou um pouco assustado.
— Não sei — ele respondeu e voltou a encarar o chão.
— O que mais você quer que eu faça? — falei com a intensão de deixar ele mais sem graça ainda.
As palavras parecem ter fugido da boca dele, ou pelo menos não saíram em uma altura suficiente para serem escutadas já que a boca dele estava aberta.
— Minhas tarefas — ele falou depois de um tempo.
— Só isso? — perguntei — Não posso fazer amanhã? Não tem necessidade de eu fazer hoje.
— Não. — ele respondeu.
— Ah, fala sério Jungkook, até parece que você quer que eu durma na sua casa por causa de tarefa de casa! — me exaltei.
Ele abaixou a cabeça por um breve momento, e quando a levantou olhando para frente à expressão dele ficou atordoada, segui o olhar dele que ia em direção a um grupo de quatro pessoas, quatro homens.
— Eu os conheço — Jungkook alertou — vamos virar nessa esquina.
— Por quê? — indaguei.
— Por que você acha? — a voz dele saiu amarga — Apressa o passo, se ficarmos enrolando eles também vão alcançar a esquina.
Ele começou a andar mais rápido e eu fiz o mesmo. Meu coração palpitava e a adrenalina corria pelo meu corpo, agora eu estava sentindo o perigo real e temia que não alcançasse a esquina antes deles, já que quanto mais nós alcançávamos esta, eles também chegavam mais perto de nós.
Quando viramos a esquina, garantimos em torno de uns dois minutos à frente deles, o medo acabou passando e o Jungkook diminuirá o passo, estávamos quase crentes de que era apenas um alarme falso, quando escutamos os passos atrás de nós.
— A menina é gostosa vamos deixar passar — uma voz vinda de trás falou, provavelmente eram eles.
— Gostosa ou não, você não vai pegar seu zé ruela — outra voz disse.
Jungkook se aproximou mais de mim e voltou a apressa o passo e eu fiz o mesmo.
— Quando eu falar já assim que entramos na próxima esquina, nos corremos, vamos para avenida e se eles continuarem atrás de nós, vamos até uma delegacia que tem aqui perto, ok? — Jungkook sussurrou.
— Ok — assenti.
A próxima esquina não estava muito longe, mas a ida até lá era torturante, escutando os homens rindo atrás de nós e se aproximando cada vez.
— Não adianta fugir bebezinha — um deles falou.
Eu e o Jungkook alcançamos a próxima esquina, olhei para ele esperando a ordem, mas ele parecia esta esperando dar tempo de sumir da vista dos homens.
— Já — ele falou e correu.
Comecei a correr atrás dele, mas acompanhar o ritmo deste era mais difícil já que ele era um garoto com mais preparo físico e a minha bolsa não ajudava nada, quando ele percebeu que eu estava em desvantagem ele diminuiu a velocidade e veio até mim, segurou meu punho e começou a me puxar.
— Anda logo — ele falou.
— Eu não consigo mais que isso — falei.
Continuamos a correr nesse ritmo quando o Jungkook finalmente olhou para trás a expressão dele ficou mais rígida.
— Eles estão correndo atrás de nós — Jungkook soltou meu punho — estamos ficando em desvantagem. Corre mais!
— Com a minha bolsa não dá! — exclamei prestes a parar de correr, pouco me lixando pro que iria acontecer depois, eu já estava exausta.
— Me dá ela — Jungkook disse.
Tirei minha bolsa e passei para ele que colocou em um dos ombros dele, minha velocidade aumento consideravelmente, logo alcançamos a avenida, porém Jungkook pareceu não saber para onde ir, quando pegou o rumo em descida da avenida.
— A delegacia fica para cá? — perguntei.
— Não sei, mas pelo menos esse é o rumo da nossa casa — ele disse.
— Acho que podemos parar de correr, eles não irão nos seguir aqui na avenida — falei.
— Não conte muito com isso — Jungkook olhava para trás — Olha ai eles.
Ficamos correndo deles por um bom tempo, até que surgiu um pouco de movimento na rua, alguns carros diminuíam a velocidade tentando entender o que estava acontecendo e por fim uma viatura passou do outro lado da avenida. Nós olhamos para trás e vimos os quatros adentrarem na rua em que eles estavam passando na frente.
— Agora conseguimos — ele parou de correr.
Parei de correr também, tentei puxar ar para os meus pulmões e coloquei a mão sobre minha barriga que pesava devido ao esforço extremo. Jungkook se sentou no meio fio enquanto recuperava o folego, resolvi fazer o mesmo.
— Essa foi por pouco — falei.
— Seu dia de sorte — ele riu.
Nem tanto pensei.
Onde está a sorte quando a pessoa ao meu lado é o Jungkook que me chantageia? E quando a culpa de eu estar nessa situação é do Sehun que me fez passar a noite na casa dele fazendo faxina.
— Não mesmo — respondi.
Ele deu de ombros e se levantou seguindo o rumo da avenida, demorei um pouquinho para me levantar e quando me levantei todos meus músculos voltaram a doer, tive dificuldade para alcançar Jungkook, e quando o alcancei o olhar dele se voltou para a direção de trás e uma expressão de espanto surgiu no rosto dele.
— Ai droga! — Jungkook exclamou e segurou meu punho — Eles voltaram e estão mais rápidos que antes.
Voltamos a correr e isso estava sendo uma tortura, meus pulmões estavam quase explodindo, meu corpo todo ardia, já estava vendo a hora de travar e não me mover mais quando Jungkook me obrigou a aumentar mais ainda a velocidade e atravessar a avenida. E de uma forma atravessar a avenida nos deu tempo, já que na hora que os quatros provavelmente foram atravessar ela algum movimento surgiu.
Jungkook me guiou para dentro de uma rua, tentei soltar meu punho em resposta disso, o que ele estava pensando? Pelo menos na avenida a probabilidade de algum movimento nos ajudar novamente era maior.
— O que você está fazendo? — perguntei.
— A delegacia fica para cá — ele falou.
Ele mentiu, corremos, fugimos, entramos em esquinas e mais esquinas, despistamos os quatro, não encontramos delegacia nenhuma, não encontramos mais nenhum indicio de vida na rua, porém também nos perdemos. Estávamos livres de sermos assaltados (por pelo menos um tempo), mas estávamos em um lugar totalmente desconhecido sem ideia de que rumo seguir.
— Eu te odeio! — falei mais uma vez.
— Você já disse isso quatro vezes — ele tampou os ouvidos — se for para você continuar falando isso, se poupe, eu ao menos consegui nos livrar dos ladrões!
— E isso vai fazer nós achar o caminho? — perguntei.
— E ficar reclamando, vai? — ele retrucou.
— Vamos parar um pouco — propus — eu estou cansada, minhas pernas estão doendo.
Acabamos nos sentando outra vez no meio fio, a única coisa boa da noite e dessa rua no qual estávamos era a escuridão, sim, por mais que a escuridão também fosse um sinônimo de perigo, a escuridão deu a possibilidade de um céu estrelado que me deixou perplexa observando.
— O céu podia ser sempre assim — Jungkook falou.
— Mas ele é sempre assim seu burro, só nós que não podemos ver por causa da poluição — murmurei.
— Hey, não me chame de burro — ele respondeu.
— Mas você é!
— Você é uma safada e nem por isso fico te chamando de safada!
— Safada por quê? Só porque eu estou ficando com dois garotos? Vocês homens fazem coisa piores...
— Mas você tem que se dar ao respeito...
— Ah me poupe Jungkook! — exclamei.
— Aceite logo a verdade, você é uma menina muito atirada! — Jungkook argumentou.
— Eu estou feliz assim, vai impedir as pessoas de serem felizes agora?
Jungkook riu.
Além de ter que aturar a chantagem desse idiota eu ainda ia ter que levar desaforo dele? Uma ira subiu em mim, a vontade de descer o tapa na cara dele naquele momento foi tentadora.
— Me diga. Você está feliz fazendo isso? Pelo que me parece não. — ele riu.
— Claro, duas pragas, uma chamada Jungkook e outra Sehun apareceram na minha vida para me ferrar — exclamei.
— Quem manda você ficar com o Jimin no banheiro?
— “Ai, não se preocupa, não vou contar pra minha mãe, só vou ferrar com a sua vida” — imitei com a voz fina o que ele falara no dia em que ele me pegou ficando com o Jimin.
— Mas eu não contei, veja o lado bom — ele argumentou.
— Isso não altera o fato que você e o Sehun tão acabando comigo! — contra argumentei.
— Por que você é burra de ficar com os meninos na escola...
— A vida é minha! Eu posso ficar com quem eu quiser, onde eu quiser, na hora que eu quiser! Vocês não tinham que vir metendo a bosta do nariz de vocês! — me levantei porque se eu continuasse sentada na certa eu empurraria eu iria para cima do Jungkook tentando estrangular ele.
— Tinha sim — Jungkook se levantou também — Pelo menos você não irá mais ficar com esses meninos!
— E o que isso vai mudar na sua vida? — bufei — Absolutamente porra nenhuma.
— Vai mudar sim — a voz dele parecia séria.
O encarei para ver se ele estava mesmo falando sério e a expressão dele confirmou. Mas como diabos eu ficar com outro garoto iria mudar algo na vida dele? A menos que ele goste de mim, o que eu duvido muito.
— Vou ficar menos entediado — ele respondeu.
— Ah, só por causa do tédio? Assisti uns pornô e bater punheta não resolve isso não? — eu acabei rindo das minhas próprias palavras.
Jungkook ficou embaraçado e eu pude ver um rubor surgi nas bochechas dele, mas ele conseguiu se conter coçando o cabelo.
— Podemos mudar de assunto? — ele falou sem graça.
— Por quê? Isso te deixa sem graça Jungkook? — provoquei.
— Eu não estou escutando nada — ele tampou os ouvidos.
— Tu é infantil mesmo viu... — cruzei os braços.
— Vamos procurar a avenida — ele desviou o assunto.
— Aposto que não tem nem quinze centímetros dentro dessa calça — zombei e tive que me segurar para não rir.
— Isso não é da sua conta, pelo menos não tenho uma cratera no meio das pernas — ele rebateu.
— Pois fique você sabendo que eu sou virgem! — falei.
— Pois fique você sabendo que eu duvido muito, só acredito vendo! — ele se embaraçou — Ah... não, não, vendo não, não quero ter a visão do inferno.
— Não quer? Mas você olha todo dia para o Sehun — era fácil zombar ele.
— Ah eu tenho um pedido para você, por favor, calar a boca — ele começou a caminhar e eu o segui.
— Mereço essas coisas mesmo! — bufei.
— Merece mesmo — ele indagou.
— Agora me diz quem teve a ideia de me filmar e me subornar? — perguntei aproveitando o momento.
— O Sehun, ele se aproximou de mim quando viu você me encarando um dia lá na sala, ele achou que tu estivesse afim de mim e me falou que te odiava, ai eu falei que vi você ficando com um menino e perguntei se era por causa disso, ai ele negou, falou que era porque odiava mesmo — Jungkook explicou.
— E... ? — eu esperava por uma continuação.
— E ele ficou interessado sobre você estar ficando com o menino lá no banheiro, ai perguntou quando eu tinha visto, eu respondi... Nós começamos a seguir você, até que um dia nós estávamos escondidos e escutamos você falar com aquela sua amiga sobre iludir vários meninos ao mesmo tempo, ai nesse mesmo dia estávamos saindo da biblioteca quando vimos você com o Chen... Ai ele filmou, depois filmou tu e o Jimin e ai surgiu a ideia.
— Ele é uma praga mesmo!
— Olha acho que é a avenida — Jungkook apontou para uma rua iluminada que estava a nossa esquerda.
— Até que enfim! — suspirei.
Seguimos até a avenida, quando entramos nela o lugar onde estávamos pareceu ser bem mais à frente da rua onde ele resolveu entrar para ir atrás da delegacia, nós já estávamos de uma avenida que corta essa onde estávamos.
— Ai essa avenida é só nos subirmos — ele explicou — já chegamos no nosso bairro.
— Mas essa avenida é do nosso bairro?
— Não, mas ela está ligada a outra avenida que é a do nosso bairro.
Andamos e andamos até chegar à outra avenida, depois de um tempo com a guarda mais baixa porque já estávamos achando que o pior já tinha passado o céu resolveu ficar com nuvens carregadas, e incrivelmente essas nuvens apareceram em um piscar de olhos. Ai eu me perguntei, onde estava a sorte? Talvez o destino tenha comida.
— Apressa o passo, já estamos perto da avenida do nosso bairro — Jungkook avisou.
Assim fizemos, estávamos quase correndo quando chegamos a outra avenida. Resolvemos diminuir o passo já que essa avenida não tinha tantas nuvens.
— Em que rua você mora? — ele perguntou.
Olhei para as ruas até encontrar a minha, não estava longe, era do outro lado da avenida e tinha apenas mais três ruas até chegar a minha, apontei para ela e Jungkook apontou para a rua que ficava do lado da avenida onde estávamos e na frente da rua onde eu moro.
— Eu moro na mesma rua que você — ele falou — bom saber.
— É muito azar para uma pessoa só — olhei para baixo.
— Então... Você ia dormir na né? — Jungkook perguntou.
— Sim, eu pedi pra ela ligar pros meus pais e dizer que eu tinha ido pra lá fazer tarefa e acabei resolvendo dormir lá — expliquei.
— Onde ela mora?
— Na mesma rua que a minha, porém eu moro bem no começo e ela no final.
— Ok, acho melhor você ligar para ela avisando que está chegando — ele segurou meu punho e me arrastou em direção ao outro lado da avenida.
— Mas você não queria que eu dormisse na sua casa?
— Acho melhor não, se só de eu ficar uns cinco minutos perto de você já quase fui assaltado, tive que correr mais que os meus pulmões aguentam, me perdi, quase peguei uma chuva, imagina se você dormir lá? É capaz da casa explodi do nada.
Eu ri e ele acabou rindo também.
Talvez o Jungkook não seja em todo um menino idiota e malvado, tenho que confessar que aqueles momentos de adrenalina correndo com ele dariam uma boa história para contar depois, e ele ainda de forma indireta me protegeu, mesmo que fosse mais para proteger a própria pele dele ele também me ajudou. E agora vendo ele me acompanhando até a casa da , acredito que se ele não tivesse sido amigo do Sehun, ele seria um garoto no qual eu namoraria sem pensar duas vezes.
— Então... Acho justo você ligar para a sua amiga — ele alertou.
Ele ainda estava com a minha bolsa e a mão dele ainda sobre o meu punho até que ele percebeu meu olhar sobre a mão dele, ele sorriu sem graça e soltou, depois eu olhei para a bolsa e ele também se recordou que ainda estava com a bolsa.
— Já tinha até esquecido... — ele riu.
Peguei meu celular que estava em um dos bolsinhos dela e disquei para a . Demorou um pouco para ela atender, temi que ela já estivesse dormindo, o que eu me recusava a acreditar já que ele tem mania de dormir tarde também, porém já era quase meia noite, talvez os pais dela já estivessem dormindo e ela não queria fazer qualquer barulho que os alertasse.
— Oi? — ela atendeu.
— eu estou indo para ai — avisei.
— Que? Já é meia noite! Aliás não me diz que você ainda está no Sehun — ela exclamou.
— Não, já estou perto da sua casa — expliquei — eu sai da casa do Sehun as dez horas, porém me meti em uma confusão...
— Meus pais já estão dormindo — ela falou.
— Abre a janela do seu quarto eu pulo a cerca — falei.
— Ok, vê se não faz barulho! Meus pais tem sono leve — ela alertou.
— Tem como você me esperar ai fora? — pedi.
— Como que eu vou sair daqui? — ela perguntou.
— Pela janela né sua monga!
Jungkook que escutava a conversa riu.
— Ah é mesmo — ela concordou — vai demorar muito?
Eu já estava a três casas de distância da dela.
— Não, vai logo. Vou desligar, tchau.
Desliguei sem esperar ela dizer algo, guardei meu celular no bolso, olhei para o Jungkook preste a dizer que ele já podia ir, quando ele segurou minha mão e me levou até a calçada da casa onde estávamos passando na frente e ficou parado na minha frente.
— Antes de você ir, eu tenho mais um pedido — ele se pronunciou.
— O que? — perguntei.
— Por favor, não conta o que aconteceu hoje pro Sehun, nem pros meus pais! — ele respondeu.
Eu até entendia a parte de não contar para os pais deles, mas o que tinha de mais o Sehun saber do ocorrido? Será que o Jungkook também estava sobre alguma ameaça daquele Inferno?
— Ok, ok. Mas por que o Sehun não pode saber?
— Ah nada. Mas, por favor, ! — ele implorou.
— Ok Jungkook, não vou contar para ninguém.
Foi ai que uma ideia se iluminou na minha casa, agora eu também tinha uma arma contra ele. Era esse o momento de anular meu trabalho escravo com o Jungkook.
— Eu não vou contar... — continuei — contanto que você não me peça mais nada, me livre do seu acordo.
Ele me olhou em choque, talvez ele não tivesse pensado que isso seria uma arma contra ele mesmo, nisso ele era diferente do Sehun, Jungkook era espontâneo enquanto o Sehun já tinha tudo calculado, aliás se for parar pra pensar há muitas diferenças entre os dois, Jungkook é o lado mais leve de Sehun.
— Sua palavra contra os vídeos? — ele riu — Tem certeza que está disposta a isso?
Eu não considerei a possibilidade dele me confrontar, acabei vendo as falhas do meu plano, ele ainda estava em vantagem.
— Ok, você ganhou — assumi — enfim a deve estar me esperando.
— Vou com você até lá — ele se pôs a andar.
— Me conta porque o Sehun não pode saber, por favor — pedi.
— Por que ele falou que qualquer pedido que eu fizesse para você tinha que ter a permissão dele... — Jungkook explicou — Ele quer tudo do jeito dele.
— Por quê? — indaguei.
— Por que ele é retardado, você não percebeu ainda?
— Ah, isso eu sei desde sempre...
Fomos rindo até o resto do percurso, mas logo o clima de piada se desfez com o ar de raiva que exalava da do outro lado das grades do muro, ela estava com o braço cruzado e a testa franzida.
— Então, o que você disse sobre já estar chegando? — ela murmurou.
— Oi — Jungkook falou.
— E o que ele está fazendo aqui? — ela perguntou.
— Lá dentro te explicou — falei — até mais e obrigada Jungkook.
Ele se aproximou de mim, segurou minha mão e em um ato inesperado levou os lábios até a minha bochecha de ali deixou um beijo.
— Até mais, tchau — ele se afastou e foi às pressas para a rua.
— O que foi isso? — perguntou confusa.
— Nem eu entendi — subi no muro e passei a bolsa para ela.
Sofri na hora de passar para o outro lado, já que os meus músculos ainda doíam, fiquei um tempo em cima da parte de tijolo até consegui forças para passar pela grade, quando passei tive que tomar o cuidado de não fazer barulho.
— , eu acho que esse menino esta afim de você — sussurrou — e me conta o que aconteceu.
— Você acha mesmo que ele está afim de mim? Isso eu duvido muito — eu me segurei para não rir.
Ela deu de ombros e seguiu para o quarto dela, eu fui atrás quando me recordei de que eu precisava tomar banho e perguntar para ela se ela tinha roupa minha que eu deixara algum dia quando dormir lá, já que era comum eu viver na casa dela.
— Me diz, por favor, que tem roupa minha aqui — falei sentada na janela.
— Tem — ela falou — Está na gaveta do meu guarda-roupa, aquela que você se apoderou. E já tem uma toalha que deixei separada para você aqui no banheiro.
Peguei minhas roupas e fui para o banheiro, e os momentos em que eu estava no banho foram os mais relaxantes que eu tive, meu corpo agradeceu, depois que sai do chuveiro, tive que usar apenas o antisséptico bucal já que eu não trouxera escova de dente e por fim depois de me secar, me vesti. Quando sai já estava deitada na cama dela, a janela estava fechada, a luz apagada e o quarto sendo iluminado apenas pelo abajur e o colchão no qual eu dormia já estava no chão com um cobertor e travesseiro.
Me joguei no colchão, eu estava realmente cansada, sonolenta e ainda para completar vi que eu estava com fome, mas acabei deixando de lado e dei prioridade para o descanso.
— Quer que eu conte o que aconteceu? — perguntei.
— Amanha você conta, agora vamos dormir — ela respondeu.
Nem argumentei contra, essa era a melhor proposta que ela poderia dar para mim no momento, fechei meus olhos e me confortei mais ainda em baixo do cobertor e no colchão.
Devido ao meu cansaço eu acreditei que logo cairia no sono, mas os pensamentos preencheram minha cabeça, revi tudo o que acontecera hoje, eu estava carregada de informação, umas que eu ainda nem me dera conta do que aconteceu, como por exemplo, o beijo que o Jungkook me deu. No momento eu deixei passar, mas aquilo tinha um significado, ele não iria beijar minha bochecha do nada.
Aquele gesto deve ter custado muito para ele, visto que o garoto fica envergonhado de assuntos que qualquer menino falaria sem remorso nenhum, o que me fez acreditar que naquela hora que ele segurou minha mão e pediu para eu não contar sobre o ocorrido da noite para ninguém, talvez ele não fosse pedir isso e sim tentar me beijar, porém ele não encontrara forças. Cheguei a conclusão de que era isso mesmo, ele iria me beijar e o pior, os lábios desse menino “tímido” me pareciam agradáveis agora.
