Estranhamente já ia completar uma semana desde que Sehun não me atormentava. Ele nem ao menos falava comigo ou dirigia seu olhar para mim. E o mais curioso de tudo, ele parecia cansado. Jungkook não soube dizer o que estava acontecendo com ele, pois Sehun também passara a evita-lo. E tudo isso foi o suficiente para levantar uma boa quantidade de teorias entre os alunos da turma.
O grupo que formamos na primeira aula da quinta-feira, juntando nossas carteiras com o propósito de discutir o tema do nosso trabalho de história, passou a ter um objetivo além de desenvolver o trabalho, tentar descobrir mais sobre Sehun, já que este desde a primeira série nunca tinha revelado muito sobre ele, e poucos sabiam sobre a vida dele fora da escola.
Quem dera início a essa investigação fora Baekhyun, um dos garotos que estava na minha lista, e que agora me parece tentador riscar o nome dela. Eu tinha tentando evitar ele para não pegar afeição por este, mas com o tempo ele demostrou não ser o monstro todo que a fez questão de enfatizar, e no final está já estava virando amiga dele novamente — ambos eram amigos de infância e brigaram por um motivo que eu e a jamais conseguimos entender, mas era algo relacionado à piscina.
— Talvez ele esteja trabalhando... — Baekhyun falou de repente.
— Ele quem? — foi a primeira a pergunta uma dúvida que provavelmente todos na roda do grupo também tinham.
— O Sehun... Que vocês estavam comentando no início da aula... — ele explicou — Ele pode estar trabalhando...
— É uma boa teoria — concordou.
— Onde? — Jungkook levantou a dúvida que se estenderia pelo resto da semana e que seria responsável pela parte pratica da investigação.
— Vai saber... — Baekhyun deu de ombros e começou a folhear as páginas dos livros, até algum tipo de pensamento fantástico parecer tomar conta da mente dele — Vocês já pararam pra perceber que todos aqui na sala conhecem pelo menos um pouco da vida de cada um, mas o Sehun é o único que não sabemos nada.
— Eu já pensei nisso... — se pronunciou depois de muito tempo calada — Ele é muito reservado e quase não tem amigos e ele parece ser o tipo de garoto problemático.
— Sim — Jungkook assentiu.
Baekhyun desgrudou os olhos do livro e passou a analisar Jungkook com curiosidade.
— Vocês dois não são amigos? — ele perguntou por fim.
— Ah... Na verdade colegas... — Jungkook respondeu meio embaraçado.
— O que você sabe sobre ele Jungkook? — questionou.
— Quase a mesmas coisas que a , ou um pouco menos, eu acho... — ele a respondeu.
E o momento que eu tanto evitara chegou...
Falar sobre Sehun, o garoto que faz da minha vida um inferno. Basicamente a mesma coisa que uma vítima dizer a um polícia sobre o agressor dela.
Perigo na certa.
Todos os olhares da roda agora se dirigiam para mim, evitar entrar na conversa passou a estar fora de cogitação. Tive que escolher com cuidado cada palavra que eu iria dizer sobre o diabo conhecido como Sehun.
— Eu só sei onde ele mora — falei.
Em questão de segundos todos, com exceção eu, estavam espantados como se aquilo fosse algo inacreditável de se ouvir, talvez fosse de fato, e eu por estar constantemente sendo atormentada por Sehun não visse mais tanta coisa nisso. Costume.
— Onde ele mora? — Baekhyun perguntou.
— No inferno, onde mais ele poderia morar? — respondi imediatamente.
— Sério ... — suplicou.
— Na puta que pariu... Muito longe — expliquei tentando não dar muitas informações.
— É provavelmente na rua da casa da minha tia — Jungkook falou.
Agora os olhares curiosos pairavam sobre Jungkook que estava no outro lado extremo do grupo de frente para mim.
— Eu não sei onde é a casa dele, nem o nome da rua da minha tia, na verdade nem o nome do bairro, mas sei o caminho até lá... — ele continuou.
— Rua São Francisco — falei em um impulso, imediatamente levei as mãos até a minha boca.
— É isso mesmo! — Jungkook sorriu.
— Como é a casa dele ? — Baekhyun perguntou.
— Toda preta sabe, com uns detalhes roxos... Bem gótica — menti.
— Agora não é hora pra brincadeiras — me repreendeu.
— É uma casa no final ou no início da rua, não me recordo direito... — disse vasculhando minha memória — é nos extremos da rua... E ela é bem bonita.
— Agora que já temos uma noção de onde ele pelo menos, que tal nós tentarmos descobrir mais sobre a vida dele? — e foi essa proposta de Baekhyun que trouxe à tona toda essa história de descobrir mais sobre o Sehun.
Não e não. Pensei de imediato. Descobrir a vida dele, de alguma forma estaria ligado a possivelmente descobrir sobre os vídeos, sobre a lista e ir parar no ouvido dos meus pais. Simplesmente apontar a arma para ele quando eu já estou na mira deste.
Ou talvez não. Como eu já havia pensado antes, descobrir alguma coisa que nos igualassem. Algo que eu poderia usar como ameaça contra ele. E foi ai que eu comecei a gostar mais ainda do Baekhyun, senti que podia contar com ele.
— Mas qual é a estratégia? — Jungkook perguntou.
— A única possível... Segui-lo — Baekhyun foi claro.
— Seguir quem? — disse o professor com o tom de voz alto nos repreendendo.
— O Justin Timberlake... — Baekhyun respondeu imediatamente.
— Mas me diga o que esse cara tem a ver com o trabalho? — o professor continuou agressivo, isso atraiu a atenção dos diversos grupos, até de Sehun que estava mais afastado de nós.
— Mas me diga, o que você tem a ver com a nossa conversa? — Baekhyun retrucou com o tom de voz no mesmo nível do professor.
Um silencio cortante e efêmero tomou conta da classe, este foi quebrado quando algum aluno que não pude identificar sussurrou “Bem feito” e o povo começou a vaiar.
— Nada, mas a orientadora vai adorar conversar sobre esse Justin sei lá o que das contas com vocês... — ele se afastou de nós.
— Ah sim claro, e você vai ficar com o ouvido espreitado lá pra ouvir né? — Baekhyun continuou a atacar.
— Já chega, faça o favor de ir lá tomar um cafezinho com ela! — e a paciência quase existente do professor se foi.
— Opa, com prazer... — Baekhyun afastou a cadeira dele e se levantou — Até mais gente.
Antes dele sair ele deu uma piscadela sugestiva para o grupo. Ele ia aprontar algo e cabia a nós esperar sem levantar suspeitas. Será que ele já estava pondo em pratica o plano?
E sim, isso era parte de algum plano que ele bolou.
E na aula seguinte ele voltou com um bocado de informações, como eu previra, era algo relacionado à vida do Sehun.
— Esse professor é tão idiota — Baekhyun riu vitorioso — Mal sabe ele que a minha mãe é funcionária da escola.
— Ele é novato... — comentou — Enfim que pasta é essa?
— É a pasta de matricula do Sehun... — Baekhyun a abriu.
— Como tu conseguiu? — Jungkook perguntou impressionado.
— Digamos que eu tenha mentindo para a minha mãe dizendo que ele havia a solicitado... — Baekhyun explicou.
— Sempre achei sua mãezinha querida legal — exclamou contente.
— Esconde, ele está vindo — alertou.
Baekhyun colocou na bolsa dele e esperou Sehun passar por nós. Este ao passar lançou um olhar desconfiado e aconselhador para mim, ocultamente dizia “tome cuidado, estou de olho”, em resposta abaixei meu rosto e esperei ele passar, provavelmente isso daria mais confiança a ele já que pude dar a entender que estava com temor.
— Nossa qual é a dele? Ele pareceu te matar com os olhos! — Baekhyun falou — E alias como você sabe onde ele mora?
— É que uma vez quando nós éramos menores, eu fui tive que fazer um grupo de três com ele e ai era um trabalho de pesquisa e eu fui fazer na casa dele, a até foi junto, ela que não lembra — olhei para ela esperando ela fazer parte da mentira.
— Agora que você disse... Eu me recordo de algo assim... — ela me acobertou.
— Então vamos para um lugar mais reservado para ver a ficha? — Baekhyun pareceu se convencer com a resposta.
Todos os demais assentiram, logo Baekhyun tomou liderança e nos guiou para fora da sala, ele nos levou até a parte mais isolada da escola, uma área com grama e arvores espalhada por toda parte. O lugar era bem calmo e fresco, isso até me fez ficar pensativa sobre como nunca me interessei em vir antes ali.
— Vejamos — Baekhyun abriu a pasta e analisou — Olha a foto dele.
Jungkook foi o primeiro a bisbilhotar e o primeiro a dar início a sessão de risos, logo estavam todos com exceção eu o Baekhyun rindo, já que outra coisa havia prendido nossa atenção.
— Olha quem é responsável dele é a avó — Baekhyun compartilhou — E ele tem dezessete anos... Asiático puro. E aqui o número da casa dele, anotem ai.
e Jungkook armazenaram na agenda deles o número do Sehun, enquanto a certificou-se de tirar foto da ficha completa, já que esta iria em breve ser devolvida.
— Aqui atrás tem o histórico de notas dele — Baekhyun tirou de baixo da ficha de matricula um empilhado de folhas grampeadas.
Nessas folhas continha desde as notas da primeira série até as do último ano e depois de um pouco de observação ficamos boquiaberto com as notas mínimas que era oito e meio. Não sei se deveria ficar surpresa já deveria imaginar que ele era inteligente e esforçado.
— Esse menino é uma aberração — falou — Até na sétima, sexta e oitava ele tem notas altas!
— Olha em matemática — observou — Só tem dez e nove.
— Ele é incrível! — Baekhyun comentou contemplativo — O que me recorda que todos os anos ele era chamado para pegar diploma de bom aluno... E ele sempre passou nas olimpíadas de matemática, eu já vi ele até na segunda etapa uma vez, quando meu amigo passou e eu fui acompanhar ele...
— Eu já o vi nas de física também — complementou — E o meu irmão disse que nos jogos municipais e estaduais de futebol ou handebol que ele participa a equipe dele sempre é classificada.
— Já sei o que ele é... — Jungkook falou — Um alienígena!
— Só pode! Ou um ser modificado geneticamente, tipo aquele Kyle da série que passava antigamente... — sugeriu.
— Ou ele é hacker... — insinuou.
— Olha gente, o nome da rua onde ele mora não bate com o nome da rua que a disse — apontou.
— Talvez ele tenha se mudado... — Baekhyun supôs — E isso me dá ideia de nesse final de semana nos dividir em dois grupos, e um ir para a rua onde a disse que o Sehun mora e outro ir para esse endereço que consta aqui.
— Eu fico no grupo que vai na rua que a falou... — Jungkook se pronunciou — é a mesma rua da minha tia.
— Também vou na rua que a falou — disse.
— Eu também — falou e assim se formaram os outros grupos.
Eu, e Baekhyun ficamos encarregados de ir ao provável antigo endereço do Sehun. Ambos os grupos marcaram o ponto de encontro e o horário, acabou que ficou definido que todos iriamos nos reunir na casa do Jungkook ás três nove horas da manhã e iriamos nos separar e seguirmos os endereços, depois que o meu grupo verificasse o endereço iriamos para o endereço atual do Sehun onde passaríamos o dia na casa da tia do Jungkook.
● ● ●
O plano estava soando perfeito demais para ser verdade, e toda essa ilusão de que esse plano iria ser bem executado se foi quando ao pisar na rua o sol abrasador parecia ter se aproximado mais da Terra. Provavelmente esse clima era coisa do Destino, ou até mesmo o Inferno, de qualquer maneira, eles não tinham intensões de me ajudar.
Ao chegar à casa de Jungkook eu já estava da cor de uma cereja, os demais que já haviam chegado me olharam espantados, fiz questão de olhar feio para eles que pararam de me encarar.
— Da próxima vez use protetor solar — falou.
— Por que você não passou lá em casa? — perguntei.
— Porque você não pediu — já era previsível esse tipo de resposta vindo dela, dei de ombros.
Não demorou muito para a , a única que faltava chegar, aparecer. Quando ela chegou, repassamos de novo o plano e fomos seguir os endereços. O meu grupo e o do Jungkook foi junto até uma parte do caminho, quando tivemos que deixar a avenida e entrar na rua indicada, mas antes de nos separarmos Jungkook me explicou novamente o caminho até a casa da tia dele e por fim seguiu o trajeto dele.
Andamos só um pouco até achar a casa, e ela estava a venda pela, anotamos o número de contato e nos sentamos no banco que tinha a frente da casa. Baekhyun tomou coragem e resolveu ligar para o numero tentando buscar pelo menos uma informação sobre o antigo dono, já que não queria ter feito caminho atoa.
Estava tudo indo nos conforme até um garoto que mora possivelmente na casa ao lado da provável antiga moradia do Sehun, nos avistar na frente da casa, ele se aproximou de nós sorrindo simpaticamente.
O incrível é que o garoto era bonito, aparentou ser legal e também era asiático, e por mais que eu já estivesse pegando nojo de olhos puxados já que é o que mais tem na cidade, esse garoto conseguiu me surpreender.
Baekhyun ao ver ele se aproximar deixou de lado o celular e passou a fita-lo esperando o menino se pronunciar.
— Os pais de vocês estão querendo comprar? — o garoto perguntou.
— Ah sim, meu pai — Baekhyun mentiu — Já estamos há dois anos querendo comprar uma casa por essas bandas, mas ele nunca achou... E de repente essa casa aparece... Uma pena meu pai não ter visto antes. Sabe me dizer há quanto tempo ela está à venda? Juro que já vim nessa rua antes e não tinha visto nenhuma casa vendendo.
É tenho que admitir que Baekhyun sabe muito bem como se entrosar com os outros, na verdade esse menino é bom com muitas coisas, liderança, elaborar planos e fazer a coisa andar, estou até começando a achar que a sorte decidiu andar ao meu lado e trazer ele para me ajudar.
— Não tem muito tempo não, em torno de uns quatro meses... Eu conhecia os antigos moradores. — o garoto respondeu.
— Por que eles venderam? A casa não tem algum problema não né? — Baekhyun conseguiu perguntar de um jeito que soou tão naturalmente.
— Ah não é isso não, a antiga dona veio a falecer, já era uma idosa, só moravam ela e o neto dela ai... — o garoto nos informou.
— Ah, quase a mesma situação que aconteceu com meu pai quando minha vó morreu — Baekhyun comentou — a casa é grande demais pra uma pessoa cuidar né?
— Sim, esse foi um dos motivos que fez o meu amigo, o neto da ex-dona, se mudar...
— Tem mais algum motivo na casa que levou ele a se mudar?
— Não, o menino foi morar com o pai dele... Acredito que ele tenha a mesma idade que vocês, então não teria mesmo como ele morar sozinho.
— Olha — Baekhyun me beliscou disfarçadamente — isso não te lembra a história daquele seu vizinho?
— É mesmo — entrei no jogo — qual é o nome do menino que morava aqui mesmo?
— Sehun... — o garoto respondeu, isso fez surgir um leve sorriso sobre meus lábios.
— Acho que é o meu vizinho... — continuei — Sabe para onde o neto da ex dona daqui se mudou?
— Para o bairro Vila Nova — ele falou.
— Deve ser ele... — Baekhyun falou — Esse menino da sua rua não morava com a vó dele porque ela estava doente ?
— Então não é não — o garoto interveio — esse meu amigo, morava com a vó dele por que a mãe dele foi embora e ele não se dava muito bem com o pai...
— Ah, então não é mesmo... Porque o meu vizinho mora com a mãe dele — menti.
— Ah sim. Enfim, eu vim aqui mesmo para dizer que esse número que está na placa não está mais funcionando e ainda não deu tempo de atualizarem a placa, se vocês quiserem eu posso avisar quando eles vierem que vocês estiveram aqui — o garoto explicou.
— Ah sim, então anota meu número — Baekhyun se agilizou — e posso pedir o seu? Só por mais garantia...
Baekhyun pegou o número do garoto e passou o dele para este, trocaram mais algumas palavras até que ele nos chamou para ir para casa da tia do Jungkook, e assim fizemos, voltamos pelo mesmo caminho que viemos até chegar à avenida.
— Vocês lembram o percurso? — Baekhyun perguntou.
— Eu lembro e Baekhyun você podia ter perguntado o nome do garoto sabe — falou
— Ficou interessada? — Baekhyun riu.
— Não, é que nós podíamos procurar no Facebook e adicionar ele e já sabe... — ela tentou se justificar.
— Eu tenho o número do celular dele — Baekhyun a tranquilizou.
— Que tal se pararmos de enrolar aqui nessa esquina? — propus mal humorada — E eu já estou morrendo de sede.
— Ah aqui na minha bolsa tem uma garrafa com agua — Baekhyun pegou a garrafa e me entregou.
— Você babou aqui? — perguntei enquanto limpava o bico da garrafa com a minha blusa.
— Ai fresca, bebe ou morre de sede — ele riu.
— Com o tempo você acostuma, ela mal gosta que encostem nela — comentou.
Baekhyun quando soube disso, para me infernizar quanto para ver se era verdade colocou o braço sobre meu ombro, fazendo com que não me sobrasse outra opção a não ser empurra-lo. Eu não tinha dado esse tipo de intimidade para ele, isso acabou me enfurecendo.
— Calma , não me morde, eu só estava brincando — ele falou em meio alguns risos.
— Se acha que ela morde? Essa daí vai com a faca pra cima só pra matar na certa — continuou a expor minha personalidade, ou melhor, expor o ponto de vista dela sobre mim.
Dei de ombros e tomei a agua. Depois que eu devolvi a garrafa para Baekhyun foi a próxima a beber.
— Eita minha garrafa está virando prostituta na mão de vocês — ele falou.
Acabei rindo. Tenho que assumir que está ficando próxima dele não está sendo tão mal assim, ele é bem divertido e esperto, não fez nada até agora que fosse digno de ódio ou vingança. Sem dúvidas o nome dele não faz mais parte da lista.
— E que tal a gente sacanear o Jungkook e as meninas? — Baekhyun propôs.
— Como? — perguntou.
— Ah, sei lá, dizer que o Sehun nos viu lá e que ele está correndo atrás de nós puto da vida — Baekhyun sugeriu — Ou que tem uns ladrões nos seguindo.
— Boa ideia — concordou — Bora?
— Vamos ué — Baekhyun concordou.
— Ok, mas ladrões ou o Sehun? — perguntei.
— Ladrões dar mais drama — Baekhyun argumentou.
— Então vai ladrões — definiu.
— Pior que dá pra fazer o Jungkook acreditar mesmo... — comentei — esses dias uns ladrões estavam nos seguindo, tivemos que esticar as canelas.
— Sério? — Baekhyun riu mais uma vez.
— Sim, e não tem graça eu e o Jungkook tomo no cu — contei — e eu posso dizer que provavelmente é os mesmo daquele dia, dá mais veracidade a história.
— Então seria bom se nos fossemos correndo daqui até lá, para ficarmos ofegante de verdade... — propôs.
— Ok, quem chegar por último é a mulher do padre — Baekhyun falou e começou a correr.
Fui a segunda a correr e a acabou ficando para trás por um bom tempo até que nos alcançou quando chegamos na provável rua do Sehun. Ao entrar nela tivemos que correr com mais velocidade e não demorou para avistarmos Junkook, e sentados na frente de uma casa que provavelmente era a da tia dele.
Eles nos viram correndo e se levantaram imediatamente, quando chegamos até eles, Baekhyun colocou a mão sobre a barriga e se inclinou tentando recuperar o folego e gemendo. Eu e a apenas nos inclinamos apoiando nossas mãos no joelho tentando recuperar o ar.
— Chama a polícia — ele falou — deu tudo errado e tem uns ladrões seguindo nós.
— Jungkook acho que é os mesmo daquele dia — falei entre uma puxada de ar e outra.
A expressão dos três assumiu um tom de pânico, Jungkook ficou sem palavras por um breve momento, até que conseguiu se pronunciar.
— É mentira né? — ele perguntou desconfiado.
E o Baekhyun acabou rindo e com isso nos entregando. Jungkook suspirou aliviado e riu bobamente, e a estavam quase nos fuzilando.
— Isso significa que vocês conseguiram descobrir algo né? — perguntou.
— Muitas coisas — tive que responder já que a dona e o Baekhyun ainda riam — e vocês alguma coisa?
— Nada — respondeu chateada — e vocês dois parem de rir, já perdeu a graça. Retardados.
Ignorei eles e olhei para as casas da rua a procura da casa do Sehun, já tinha uma plena noção de como encontra-la, através da avenida e não demorou para eu encontrar a casa que estava basicamente na ponta do meu nariz.
— Ali gente — apontei para a casa — é aquela.
A casa estava do outro lado da rua e umas duas casas a baixo.
— Vamos entrar e espionar do muro escondidos entre os galhos das arvores — Jungkook sugeriu.
Foi ai que me dei conta que o pé de manga que tinha na calçada do lado de fora da casa da tia do Jungkook seria de grande ajuda para a nossa espionagem.
— Nós vamos ficar o dia inteiro aqui esperando algum movimento? — perguntou.
— Se for preciso — Baekhyun falou — Podemos revezar.
— Eu preciso ir pra minha casa almoçar — exclamou — Vocês que fiquem, mas já já vou dar no pé.
— Oh, sua idiota, minha mãe me deu dinheiro eu banco algumas besteiras hoje — Baekhyun falou.
— Idiota você! — cruzou os braços.
Baekhyun a importunou.
Jungkook se dirigiu para dentro do quintal da casa e subiu em um banco que tinha encostado ao muro, justamente perto da onde a arvore ficava, e este tinha uma altura boa para espionarmos e subirmos no muro sem obstáculos.
Jungkook e o Baekhyun sentaram no muro e eu fiz o mesmo, enquanto as meninas se limitaram e ficar em pé no banco observando.
— Então vai ser isso o resto do dia? E o que vocês descobriram — murmurou.
— Querem que eu do o dinheiro para vocês irem comprar comida, refrigerante e erva pro tererê? Eu trouxe o copo e a bomba... E depois quando vocês voltarem nós contamos ou a pode contar para vocês durante o caminho... — Baekhyun falou.
— Passa ai — falou.
Ele entregou o dinheiro para elas e Jungkook falou onde tinha um comercio, e assim elas foram, nos deixando com a tarefa de observar.
— Olha uma manga madura — Jungkook apontou para o fruto — vocês querem? Vou arrancar para mim.
— Arranca uma pra mim também — Baekhyun pediu.
Jungkook caminhou pelo muro até um galho estável da arvore e se locomoveu entre os outros diversos galhos até alcançar algumas mangas maduras que ele jogava para o Baekhyun.
— Quer? — Baekhyun ofereceu.
— Não, odeio manga — respondi.
— Estou vendo que você odeia muitas coisas... Do que você gosta? — Baekhyun perguntou.
— Ficar quieta e matar quem fica me enchendo de perguntas — respondi e dei um sorriso gozador.
— Ui, essa é bruta — Jungkook zombou.
Durante a espera das meninas voltarem com as comidas, houve um certo movimento na casa onde Sehun mora, um carro chegou lá e estacionou na calçada, dele saíram uma mulher, um homem e uma criança, eles entraram na casa e ainda nenhuma notícia do Sehun.
— Será que são os pais e o irmão dele? — Jungkook perguntou.
— Deve ser a madrasta, o pai dele e o irmão — Baekhyun deixou a manga dele de lado e respondeu — Uma das coisas que nós descobrirmos é que o Sehun morava com a vó dele que veio a falecer recentemente e que a mãe dele foi embora...
— Ah sim — Jungkook assentiu.
Escutamos as meninas rindo e se aproximando da casa com as sacolas nas mãos, logo elas entraram na casa e voltaram a se sentar no muro.
— Da ai o copo e a bomba pra eu preparar o tererê — pediu pro Baekhyun.
— Aqui pega a minha bolsa e procura — ele entregou a bolsa.
Ela pegou e começou a procurar, voltei meu olhar para casa do Sehun.
Todos esses acontecimentos estavam começando a me dar esperanças de que eu poderia me livrar dele logo, e este já não estava dando muita atenção para mim mesmo, e o Jungkook parecia ter ido para o lado do bem, meus olhos com certeza brilharam de emoção. E eu estava ficando alegre e me divertindo coisa que eu não fazia há muito tempo.
— Quer beber também ? — ofereceu tererê para mim.
— Não, tem baba de vocês ai e eu não gosto — falei.
— Ela odeia o mundo — Baekhyun afirmou.
— Sim, mas tem algo que eu adoro, e é derrubar pessoas do muro — brinquei.
— Você é psicótica — ele zombou.
— Você quis dizer psicopata né? — Jungkook perguntou.
— Não, mas quero dizer que a boca é minha e se eu quiser digo que ela é o superman — Baekhyun deu mais uma daquelas respostas cortante dele — Lide com isso.
E às duas horas seguintes se resumiram as piadas do Baekhyun risadas das meninas e o Jungkook sem graça devido as diversas patadas que ele levara do Baekhyun. E eu me segurando para não perguntar para o Jungkook se ele tinha deixado de lado essa coisa do acordo.
E quando estávamos acreditando que só iriamos comer e conversar pelo resto do dia sem presenciar mais nenhum evento, foi quando tudo desandou.
Estávamos alguns sentando no muro (Baekhyun e ) de frente para a rua e e sentados na arvore também olhando em direção para rua e eu e o Jungkook em pé no banco com os braços apoiados no muro na mesma situação dos demais, olhando em direção à rua, para a casa do Sehun, esperando que qualquer coisa que fosse acontecer iria vir dali, quando na verdade o que nos esperava estava vindo de trás.
Eu e o Jungkook fomos os únicos a ouvir os passos na grama do quintal da tia dele, e ele foi o primeiro a olhar para trás, para ver quem era e quando este o fez, acabou perdendo o equilíbrio e caiu do banco caindo ajoelhado sobre a grama, isso me fez virar para trás para ver o que estava acontecendo e foi ai que eu quebrei a cara.
— O que vocês estão fazendo aqui? — Sehun perguntou com uma expressão que podemos dizer que é raiva.
