Baekhyun: I am a piano


A pele leitosa, os olhos castanhos e os cabelos milimetricamente penteados... Gostava da forma como ele sorria, e gostava da voz dele quando falava, gostava de seus dedos deslizando sobre o piano de forma lenta e suave.
Movimentos suaves se tornavam rudes quando preciso. Assim como era com o piano, era consigo também.
Uma bolsa numa escola como aquela era muito cara, mas por sua dedicação e persistência conseguiu entrar, isso não mudava nenhum pouco o fato de que era uma garota pobre que vivia, comia, dormia e bebia as custas da escola.
Mas apesar de tudo isso, ainda era uma garota e garotas costumam sentia coisas em horas erradas; costumam muitas vezes ir pela voz do coração ao invés de usar o cérebro e para estar novamente em uma situação como aquela, as circunstâncias não lhe deram escolha.
Sua mãe havia ficado doente, e não tinha dinheiro para pagar o hospital, o que podia fazer naquelas situações? Seu pai estava desempregado, sua tia — que era o suporte da casa — estava trabalhando, porém seu marido estava encostado por conta de uma doença e todo o dinheiro que ela tinha era para os remédios.
Como conseguiria criar a si mesma e seu irmão se não tinha dinheiro nem ao menos para comer?
Fora as humilhações que passava, de todas aquelas pessoas ricas de nariz em pé, lhe dizendo o que fazer e fazendo pouco caso de si pelas costas, estava farta, cansada e irritada, todas as suas esperanças tinham morrido no momento.
Então, com a ajuda de algumas pessoas conseguiu arranjar um emprego, como criada na casa de um conhecido de seu pai. O tal amigo era o homem que seu pai foi motorista durante muito tempo, e arranjou uma forma de lhe reembolsar deste jeito. No primeiro dia de trabalho, as coisas foram bem fáceis, era tudo que já estava acostumada a fazer em casa, só que em dobro.
O segundo dia, é que não foi fácil.
Estava limpando o quarto do único filho do casal, o tal garoto estava viajando e chegaria naquele dia, por isso sua patroa pediu que deixasse tudo limpo para quando ele chegasse. E assim o fez, tentou deixar tudo em ordem, a maior parte da bagunça se resumia em jogos de computador espalhados pelo quarto, junto a brinquedos antigos e pôsteres de garotas asiáticas colados nas paredes...
Esse garoto tinha um gosto estranho.
 Então, continuou a limpar, e no meio de toda a bagunça havia a foto de uma garota no porta retrado, uma menina muito bonita, de cabelos cumpridos e olhos castanhos brilhantes, se perguntava internamente quem seria a tal garota que merecia um porta retrato tão bonito e o por que dela estar tão bem escondida. Talvez ele não quisesse quem a vissem? Não duvidaria se fosse por ciúmes, já que até para si, sendo uma garota, aquela menina era muito bonita. Antes que pudesse colocá-lo de novo no lugar, ouviu a porta do quarto bater. Arregalou os olhos e se sentiu perdida.
O que faria?
— Oh, então você é a tal garota da limpeza — Olhou para trás procurando pela voz que a pegara de surpresa — Alguém deveria te dizer que não é educado para uma empregada pegar as coisas dos outros sem permissão.
Deveria ficar brava com o tom de voz do garoto arrogante, e quando se virou para dizer lhe algumas poucas e boas, nada saiu.
Aquele era o garoto mais bonito que já havia visto, talvez por nunca ver garotos bonitos com muita frequência, mas tinha certeza, que em sua humilde opinião, ele superava qualquer um que já tivesse visto.
Os lábios, os cabelos, a pele, o rosto, a voz, as mãos, até mesmo as roupas. Parecia que tudo aquilo fora moldado cuidadosamente pelas mãos de Deus.
E este havia caprichado naquela sua criação.
— Você vai mesmo ficar parada aí? Como um poste? — seu tom arrogante a fez acordar de seus devaneios. Ele aproximou-se e tomou o porta-retratos de suas mãos e observou a foto nela sem nenhuma expressão — Hm, não é grande coisa. Pode jogar no lixo se quiser, empregada.
— Jogue você mesmo — respondeu finalmente — Sou empregada dos seus pais, não sua. Só estou limpando seu quarto por ordens deles.
— Foi ordem deles, mexer nas minhas coisas?
Piscou e ficou calada, sem saber o que responde já que realmente, estava errada. Pegou o porta-retratos das mãos do garoto estranho e frio, e caminhou para o lado de fora do lugar, sem ter mais o que dizer, e se amaldiçoando por seu coração estar batendo tão forte diante da afronta dele.
Sucedeu-se que os dias passaram, e descobriu que aquele garoto estranho e bonito estudava na mesma escola que si, porém, para sua sorte, ele simplesmente a ignorava. O que era para si, algo bom, pois não queria que ele a tratasse mal no meio de tantas pessoas, também não queria que aqueles que já a humilhavam tivessem mais argumentos para dizer a quão errada era para estar numa escola como aquela.
Agradeceu ao garoto que descobriu se chamar BaekHyun em silêncio.
Mas tudo tinha um preço, e o preço para que ele não a perturbasse na escola foi deveras caros. E tudo começou por causa de uma conversa que poderia ser evitada e um favor que poderia muito bem ter sido negado, mas graças à ingenuidade sua, acabou por ser um problema.
— Ei, empregada — ele chamou do começo da escada, com a mesma arrogância de sempre — Tem uma coisa que eu quero que você faça.
— Estou ocupada agora — respondeu no mesmo tom.
— Não foi o que eu perguntei, apenas deixe isso e venha logo.
Bufando de raiva, o seguiu até o andar de cima com cara de poucos amigos.
O favor não era nada muito sério, somente tirar algumas malas de cima do guarda roupa e arrumar as roupas dentro dela no armário já que o outro compraria um novo guarda roupa no dia seguinte. Entendeu que ele estava organizando e tirando todo estilo adolescente de seu quarto, e até os porta-retratos e os pôsteres das tais garotas asiáticas haviam sido arrancados do lugar. Agora aquele quarto estava simples, sem enfeites ou qualquer requisito de diversão, apesar havia partituras em cima da cama que outrora havia um vídeo game.
Ele estudava música? Havia o visto algumas vezes na sala de música de sua escola, admirando com olhos brilhantes o piano.
Sim, ele encarava-o com tanto amor e ternura, com tanto desejo encarava aquele instrumentos que era tão altivo. Perguntou-se a quem mais ele dedicava aquele tipo de olhar.
Assim que subiu na cadeira a fim de tirar as malas de cima do móvel, se celular tocou em seu bolso por debaixo do avental, viu o olhar de BaekHyun — que estava sentado na cama lendo as partituras — se voltar para si de forma curiosa.
Desejou não ter atendido aquele celular, simplesmente pelo fato da noticia ser a mais aterrorizante de todas.
A doença de sua mãe era muito grave, e podia ser até curada com a ajuda de uma cirurgia, porém esta custava muito mais do que sonhava que podia pagar. E com essa noticia, as lagrimas incessantes caíram de seus olhos, e o garoto filho de seus patrões a olhava com pena e reseio de chegar perto.
No entanto ele chegou, e lhe deu um sorriso reconfortante. Então ele pediu para que lhe contasse sobre o que estava acontecendo. E fragilizada com o momento, tendo apenas aquela pessoa com um sorriso tranquilizador lhe dizendo que ficaria tudo bem, assim o fez, contou a ele sobre sua mãe doente, sobre o preço da cirurgia e sobre todas as suas dificuldades.
Depois de alguns minutos de silêncio, ele lhe veio com uma proposta que considerou naquele momento uma pura loucura.
— Escute, eu não faço isso com todo mundo — sorriu amigavelmente — Mas você não é tão ruim então, faremos assim: Eu pago todas as despesas que você tem, tanto com seu irmão quanto com sua mãe, ou seja, lá mais quem for... E em troca...
 Em troca? — incentivou desconfiada de tal bonança.
Em troca, você vai ter que fazer tudo o que eu quiser, quando eu quiser e a hora que eu quiser, não importa se estiver ocupada ou não ou em que lugar estiver, se eu pedir, você terá que fazer — ele maneou a cabeça — É pegar ou largar.
No inicio claramente relutou, afinal, ninguém sabia o que se passava naquela mente estranha de BaekHyun, mas depois de alguns dias, se deu conta que não conseguiria realizar a cirurgia de sua mãe com suas economias...
E aceitou.
Só não contava que quando ele havia dito “Tudo que eu quiser” aquele “tudo” se referia a outros tipos de desejos também.
Desejos como... Luxuria.
A qualquer hora, em qualquer lugar, inclusive em um dia exaustivo em que o filho de seus patrões precisava relaxar, e quando ele decidiu que daria uma festa em sua casa, mas ainda sim foi entediante, e sua criada, com toda a sua dedicação se dispôs a ir até seu quarto, enquanto a sala estava cheia de pessoas desconhecidas, se dispôs a puxar lentamente suas roupas de baixo e a chupá-lo até o fazer revirar os olhos.
Enquanto via seus músculos se contraírem e seus braços tremerem, enquanto as mãos dele seguravam seus cabelos e tentava inutilmente segurar os gemidos roucos e estes eram emitidos de sua voz — que agora se encontrava fraca —, enquanto ele suava e arfava, enquanto ele gemia seu nome quase loucamente, seus cabelos bagunçado e seu rosto cheio dês expressões indefesas, enquanto ele se arqueava em cima da cama e se contorcia, enquanto ele finalmente chegou ao seu ápice para depois olhar em seus olhos e dizer sem quase nenhum ar:
— Bom trabalho.
Ou quando era por simples vontade, que em que ele lhe chamava no meio de sua aula, dando uma desculpa que havia algo que queria lhe dizer quando na verdade tudo que faria era Pará-la no meio do corredor vazio, em meio às aulas que aconteciam, lhe empresava em um dos armários fechados e segurava suas coxas a fim de tira-la do chão, enquanto lhe tomava os lábios em um beijo lascivo e voraz, enquanto era impedida de gemer apesar da forma como ele lhe torturava, enquanto os dedos dele que já eram acostumados ao piano lhe tocavam, enquanto estes mesmos dedos seguravam seus cabelos e ele lhe estocava, rápido e quase selvagem, implacável...
Para depois novamente dizer:
— Bom trabalho.
Ou em meio a outras situações já vividas, nunca se esqueceria da mais recente, em que seu coração batia fortemente em seu peito enquanto era colocada em cima do piano, enquanto ele sussurrava coisas doces em seu ouvido, enquanto não havia presa quando estava dentro de si, enquanto as mãos dele passeavam em seu corpo, passavam por suas curvas, enquanto aqueles lábios que tanto gostava beijavam seus seios, enquanto o piano ainda era forte o suficiente para suportar as estocadas que a fazia se mover, suas costas deitadas sobre o instrumento que outrora BaekHyun havia tocado, e que agora ele tocava a si, profundo e deliciosamente preciso, com ternura e afeto que não houve em outros toques. E seu corpo agradecia, enquanto o sentia dentro de si, quase enlouquecendo com tudo aquilo, sussurrando coisas sem nexo de tanto prazer e se entregando de verdade pela primeira vez, seu corpo sentou-se sobre o instrumento, enquanto suas pernas rodeavam a cintura do outro, abraçando suas costas e a arranhando, tentando raciocinar mesmo sabendo que era impossível.
Seus olhos observou o rosto dele, os cabelos grudados na testa pelo suor do esforço que fazia, enquanto dos lábios dele saiam arfares e seu nome como se sobrevivesse disso.
— Por favor... Por... Por favor... Não me deixe n-nunca — Ele murmurava chegando ao seu próprio ápice encostando a testa em seu ombro nu.
E seu nome continuava a ser murmurado junto a tal prece como se fosse a coisa mais importante do mundo, fracamente como um pedido de socorro, corado, seus dedos seguraram ainda mais suas coxas e puxou-a mais junto a si para senti-la melhor.
E por fim, pela primeira vez ele não disse o costumeiro bom trabalho, havia sido:
— Eu te amo.
 E então ele olhou você como costumava olhar o piano.