Chanyeol: Antidepressent



— O que está fazendo aqui?
Mordeu o lábio inferior, e caminhou para ficar de pé ao lado da cama.
— Eu estava passando pelo corredor e vi sua porta aberta — olhou para os próprios pés — Aconteceu... Alguma coisa com a Ha Mi?
— Não — ele respondeu — Ela parecia estar muito feliz.
— Hm?
— Ela me ignorou — foi direto — Ela estava com o BaekHyun... De novo.
Ficou surpresa ao ouvir aquela palavra sair da boca dele com tanta raiva.
— Oh... Eu sinto muito.
Ele se sentou fazendo com que ficasse m pé na frente deste, os cabelos tão lisos que era possível ver o couro cabeludo. Engoliu seco quando ele olhou para cima de forma debochada.
— Você está feliz não é? — riu com sarcasmo — Não parecia sentir nada quando desenhava aquelas coisas.
— Chan-
— , você não quer me consolar de novo? — ele a interrompeu, sorriu e limpou as lagrimas — Acho que eu me sentiria melhor a fazendo pagar na mesma moeda.
Ergueu uma sobrancelha.
— Está brincando comigo? — murmurou — Não vou servir de isca, aquilo foi um erro.
— Não é isca — rebateu — Foi você que veio aqui de pijama.
Olhou para suas roupas.
— Você disse que nós éramos como irmãos de verdade.
Ele suspirou e puxo-a para mais perto, a fazendo arfar.
— Podemos esquecer isso hoje.
Suas mãos grandes subiram a blusa de seu pijama, e os lábios deste foram subindo em beijos leves em sua barriga agora exposta. Mordeu o lábio inferior.
— A porta está aberta — reclamou sussurrando.
Os lábios dele subiram até entre seus seios enquanto blusa foi tirada deixando estes a mostra.
— É só você não fazer barulho — sua voz estava abafada pelos beijos que ainda não cessavam.
Então os lábios dele beijaram seus seios, e exprimiu os lábios tentando não fazer nenhum barulho. Era quase impossível, mas ou era isso, ou nada.
Enquanto seus dedos desciam pelas costas nuas do maior lembrava-se de quando estes mesmos dedos escorregavam pelo papel trazendo o carvão junto consigo, e enquanto alternava os movimentos o desenho se formava aos pouco, e logo o que era apenas rabiscos foi ganhando forma e dando lugar a figura de um garoto.
Mas não um garoto qualquer.
Este garoto — na figura desenhada — Estava em pé, com as mãos dentro dos bolsos enquanto uma fila de aleatórios não importantes o cercava, ele olhava para frente distraído, como se pensasse em algo que não sabia, gostaria de saber o que se passava através do costumeiro sorriso daquela pessoa.
Mas era lógico que ele não iria te contar, além do mais, Park ChanYeol poderia lidar com tudo sozinho. O grande (literalmente) idiota irritante que fazia todos a sua volta rirem enquanto disfarçava sua tristeza sobre uma expressão retardada e contente.
Tinha apenas cinco anos quando a família Park a adotou no ocidente, traços ocidentais eram contrastados firmemente em seu rosto e não se parecia em nada com eles. Qualquer um que olhasse perguntaria se estava fazendo algum tipo de intercambio na Coréia do Sul, quando iria, se estava de passagem e estas mesmas pessoas se surpreenderiam com o fato de si saber falar um coreano perfeito, já que era a única língua que sabia, já que não houve tempo de aprender outra. Se estas pessoas lhe fizessem algo, não teria nenhum problema, já que tinha seu gigante irmão para lhe defender.
ChanYeol fazia questão de deixar claro que eram irmãos, na verdade, ele sempre levou isso muito a sério. Já si, tinha confiança de quem era e de que não fazia parte daquela família, mas não poderia falar isso na frente dele, pois se o fizesse, a briga estava formada.
Não gostava quando brigavam, pois si nunca tinha a humildade de voltar e pedir perdão, sempre ficariam semanas sem se falarem até que alguém desse o primeiro passo, e esse alguém sempre era ele.
Gostaria de agradecer, mas não sabia como.
Quando entrou no ensino médio ele estava no terceiro ano, e si no primeiro, graças a esse impedimento quase nunca se falavam na escola. ChanYeol agora andava com mais quatro garotos bonitos, que aparentemente tinham muitos pretendentes (tanto homens quanto mulheres), logo soube que tendo tantos pretendentes seu irmão estaria namorando muito em breve, e assim foi.
Uma garota chamada Ha Mi, era fofa e pequena, o tipo de namorada dos estereótipos de ChanYeol, ela era educada e bem criada, uma filha perfeita e bonita, não foi difícil conseguir a aprovação de sua família para que ela o namorasse.
Porém, toda a perfeição daquela garota era irritante... Aos seus olhos. E sua intuição estava certa, pois essa o havia traído, com seu melhor amigo.
— Só quero que ela seja feliz — ele disse-lhe com olhos vazios.
Sempre gostou de desenhar, era algo que fazia muito bem e por puro hobby, mas depois que aquela garota devastou seu querido irmão, seus desenhos eram todos sobre ele.
Os lábios dele, as mãos dele, os olhos dele... Ele.
Estava em toda parte de seu quarto, colados nas paredes e contornados no papel com a ajuda do carvão.
Foi então que percebeu que nenhum daqueles desenhos estavam mais tão inocentes quanto antes, que todas aquelas imagens que mais pareciam um filme criado por si própria se tornaram um fruto da sua imaginação fértil e percebeu também seu erro principal: Estava desejando seu próprio irmão.
E um dia por acidente, ele viu seus desenhos e sua reação foi bastante diferente do que imaginara.
— Você seria capaz? — perguntou se aproximando e tocando sua bochecha, os olhos seguindo até seus lábios — De fazer tudo isso que desenha?
E com uma simples pergunta, tudo havia começado. Selinhos haviam se tornado em simples beijos, e simples beijos haviam se tornado beijos intensos, e beijos intensos haviam se tornado outra coisa. Era totalmente desnecessário, Não havia sentimento da parte dele, era simplesmente toque e prazer.
Estava ali simplesmente para o seu prazer, seus próprios sentimentos deixaram de importar.
É tão triste deixar de si amar para amar outra pessoa, mas não importava, enquanto o tivesse mesmo que não fosse por inteiro, estaria feliz. Fugindo, se escondendo, inventando desculpas que não tinham nexo algum.
Tudo para ter sempre o mesmo fim, nos braços de Park ChanYeol.
Então, todos os pensamentos aleatórios sumiram de sua mente, e seu corpo arqueou chegando ao seu primeiro ápice daquela noite, Se perguntando como ele conseguia fazer de si um desastre apenas com os dedos. Sim, seus dedos, longos e bonitos... Talvez sua parte preferida do corpo dele.
Não havia parte preferida, decidiu que simplesmente gostava de tudo.
O corpo dele lhe prendia no colchão, impedindo-a de sair dali e mostrando que não poderia fugir dele mesmo se tivesse vontade, por que obviamente não tinha, não naquelas situações. Não com ele estando grande, duro e grosso dentro de si, não com ele lhe estocando lentamente como se tivessem todo tempo do mundo quando na verdade não tinham nenhum.
Ele lhe fazia esquecer-se do resto do mundo, enquanto parecia que as paredes se fechavam ao seu redor, enquanto o quarto parecia pequeno demais, enquanto seus seios eram imprensados pelo peito dele e acompanhava os seus movimentos, para cima e para baixo, quando sua respiração falhava e seu corpo tremia, quando ele lhe fazia esquecer seu próprio nome.
 As mãos grandes flexionaram suas pernas, provavelmente querendo lhe sentir mais, querendo mais do que pudesse dá-lo, querendo tudo que tinha. Quando seus gemidos aumentaram os lábios dele colaram nos seus, abafando-os para que terceiros não ouvissem, fazendo de tudo para ser o mais discreto possível, tomando cuidado para que não descobrissem o que realmente era e que estava bem longe de ser o “bobo alegre e inocente” e que na verdadefodia sua irmã adotiva praticamente na cara de seus pais.
E tudo aquilo por causa de uma perda, uma perda que foi mais um ganho, e agora toda a alegria dele era uma mascara e todos aqueles sentimentos não passavam de algo passageiro e carnal, que um dia ele se cansaria e sua alegria verdadeira voltaria.
— Por Deus, você é tão boa — sua voz grossa elogiava junto a gemidos e ofegos — Eu te amo...
Foram essas as palavras vazias que lhe preferiu antes de chegar ao seu limite novamente.
E como era de costume, ele dormiu e si se levantou, vestindo suas roupas e saindo em direção ao seu próprio quarto, voltando para realidade.
Afinal de contas, Você era só um antidepressivo.