D O N G H A E — S A L V A V I D A S
— — sua amiga corria na sua direção — Você esqueceu seu caderno na sala, aqui — ela te entregou o caderno.
— Obrigada — você agradeceu.
— Algo esta te preocupando? — ela perguntou parecendo tentar perceber alguma alteração no seu humor.
— Não... Por quê? — você perguntou confusa.
— Sei lá. Parece esta muito desligada. Enfim até mais e se cuida — ela deu de ombros e saiu correndo na direção da rua da casa dela.
Guardou o caderno de volta na mochila e continuou seu caminho até sua casa. Estava andando distraída pela rua com fone nos ouvidos, e olhava apenas para o chão, vendo a claridade do dia se escurecer, até que sente algo de puxando para um lado da rua e de repente se ver em cima de um garoto de rosto totalmente desconhecido para você.
— O que? — você perguntou confusa e se sentando na calçada.
— Preste mais atenção — o menino te repreendeu enquanto se levantava — você quase foi atropelada!
— Obrigada por me... — você ia agradecer, mas foi interrompida.
O menino segurou sua mão e te puxou pra direção dele enquanto ele já estava quase em pé, apenas inclinado para baixo.
Quando ele te puxou, fez o rosto dos dois ficarem próximo, e viu o mesmo fechar os olhos e em questão de segundos depositar um beijo no canto dos seus lábios.
— Até mais — ele falou saindo de perto de você e começando a correr para direção oposta a sua.
Você ficou um tempo congelada apenas olhando para o menino que agora corria pela rua até virar a primeira esquina. Não estava conseguindo processar isso tudo, mas acabou se lembrando de que tinha que voltar para casa e voltou a seguir seu caminho.
◆ ◇ ◆ ◇ ◆ ◇
— Tem certeza que não esta esquecendo nada? — sua mãe perguntou olhando para sua bolsa.
— Tenho — você respondeu fechando o zíper da bolsa.
— Então se divirta lá... Vamos? — ela falou indo pra fora do seu quarto.
Você ia acampar com a sua amiga esse final de semana, fazia apenas um dia desde o acontecido com o menino estranho e logico que por mais que seu dia fosse ser carregado, aquela cena estranha que ocorrera no final da tarde passada, ainda não saia da sua cabeça.
Deixou suas coisas no banco de trás e entrou no carro, sua mãe começou a dirigir rumo ao sitio onde vocês iriam passar esse final de semana.
Quando chegou no sitio, sua amiga já estava lá e veio te receber com um sorriso enorme. Você cumprimentou ela e se despediu da sua mãe, que mandou você como sempre tomar cuidado com o rio e a mata que havia ao redor do local.
— Tem certeza que vocês vão ficar seguras aqui? — perguntou sua mãe preocupada.
— Claro. Minha mãe esta aqui e o meu irmão também — sua amiga respondeu.
— Ok, até mais meninas — ela entrou no carro e deu partida.
— Assim que você deixar suas coisas no quarto, bora ir arrancar laranjas? — sua amiga propôs com os olhos brilhando.
— Ok, adora “chupar” uma laranja né, safadinha — você falou com malicia.
— Se ferrar — ela fechou a cara e te deu um tapinha de leve.
— Eu não sabia que você tinha irmão — você falou mudando de assunto.
— Ele não mora com nós... — ela explicou.
— Onde ele mora? — você perguntou.
— Com os amigos dele em um apartamento perto daquela faculdade de medicina que tem aqui no área rural da cidade — ela respondeu.
— Ata.
Vocês entraram na casa, e foram até o quarto dela, onde deixou suas coisas em cima da cama, ela te puxou as pressas para fora da casa, nem te dando a chance de cumprimentar a mãe dela e conhecer o irmão dela.
— Eu tenho medo de passar por aqui — falou hesitando se segurando em uma arvore.
— Por quê? — ela perguntou confusa.
— Olha esse rio! — você apontou para o rio que estava próximo a vocês.
— Ah, é só nadar, ele não é tão fundo — ela respondeu — Vem!
Ela tentou te puxar, porém você continuou se segurando a arvore, não estava com coragem para passar a beira do rio, pois a mesma aparentava ser escorregadia e insegura.
— Larga de ser medrosa! — ela te puxou com força te fazendo se soltar da arvore.
Você acabou concordando e começou a andar pela beira do rio atrás dela, até que... Você não pode escutar mais nada, além dela gritando seu nome e um barulho de algo caindo na agua. Sentiu uma onda de frio tomar conta de você, depois uma escuridão sobre suas vistas, e mais nada.
[...]
— Trás uma toalha — você escutou uma voz estranha pronunciar — ela abriu os olhos.
— O que aconteceu? — você perguntou tentando se levantar.
Percebeu que estava no colo de um menino que lhe parecia familiar. O menino do dia anterior que te salvara, olhou para ele pasma. Tentou falar alguma coisa, mas começou a se sentir estranha e sentiu muito frio, percebeu que seu corpo tremia, e o olhar preocupado do garoto sobre você.
Ele tirou uma mecha do seu cabelo que estava grudada na sua testa, e a puxou para trás, de repente sentiu ele colocar um braço em baixo das suas pernas e o outro sobre suas costas e se levantou com você no colo, caminhando para dentro da casa, que só agora você pode perceber que estava na varanda da casa.
— O... — você ia tentar falar, porém fora interrompida.
— Shhhh — ele pronunciou.
— Aqui a toalha — escutou a voz da mãe da sua amiga — leva ela pro quarto.
A mãe da sua amiga colocou a toalha no ombro dele e começou a seguir o menino estranho que foi para o quarto da sua amiga, ele te colocou deitada no coxão e se sentou a beira do mesmo, por fim pareceu ficar relaxado e soltou um riso irônico.
— Não pode ser... — ele falou pensativo — Segunda vez que te salvo só essa semana.
— O-obrigada — você agradeceu se sentando na cama.
— que susto que você me deu — falou sua amiga entrando no quarto — Donghae sai daqui, ela precisa se trocar e tomar um banho.
— Até mais menina suicida — ele falou se levantando da beira da cama e dando um sorriso fofo para você.
Você apenas olhava para os rostos no quarto confusa e meio abobalhada.
— Você tem sorte que o Donghae faz medicina e soube te socorrer — sua amiga falou.
— Vou ligar pra sua mãe — falou a mãe dela.
— Não, por favor — você pediu — ela vai em um chá de bebe com a minha tia... E não quero que ela fique preocupada hoje, deixe ela apenas se divertir, amanha eu conto — já estava quase implorando de joelhos.
— Conta mesmo? — ela perguntou.
— Sim, eu juro! — respondeu imediatamente.
— Tudo bem — ela falou saindo do quarto.
— Vai tomar banho agora — sua amiga te entregou a toalha que estava em cima da cama e abriu a porta do banheiro que ficava no quarto para você.
— Eu me afoguei mesmo? — você perguntou antes de entrar no banheiro.
— É... E o Donghae estava vindo atrás de nós, para nos chamar para comer, quando você caiu, ele pulou no rio e nadou até você, que já estava desmaiada... — ela explicou.
— E depois? — você perguntou.
— Ele correu com você até a varanda e te socorreu — ela explicou.
— Socorreu como? — perguntou tensa.
— Daquele jeito... Sim! Aquele jeito que socorrem nos filmes — ela respondeu abrindo um sorriso malicioso.
Você colocou a mão na boca e sentiu suas bochechas corarem, entrou no banheiro morrendo de vergonha, mas criou coragem e foi tomar banho.
◆ ◇ ◆ ◇ ◆ ◇
Já ia fazer quase uma hora que você estava tentando dormi, mas o ronco da sua amiga não estava ajudando nenhum pouco, por mais que fechasse os olhos e trocasse de posição, não conseguia pegar no sono.
Acabou desistindo e se levantou do coxão, caminhou até a porta do quarto e saiu do mesmo, foi para cozinha e quando chegou lá, encontrou o seu salvador sentado na cadeira se matando para descascar uma maça.
— Oh, volte a dormir! — ele falou abrindo um sorriso — agora estou travando uma guerra para descascar essa maça, não posso te salvar agora.
— Quer que eu descasque? — você perguntou pegando um copo de água e depois se sentando em uma cadeira próxima a dele.
— Não confio entregar uma faca para você — ele respondeu rindo.
Você olhou seria para ele sem ver graça nenhuma na piada dele, ele ficou tenso com isso.
— Tudo bem — ele te entregou a maça e faca.
Você pegou e começou a descascar, e acabou soltando um riso, que fez ele ficar confuso.
— Como pode? Você salva vidas, mas não é capaz de descascar uma maça... — riu da situação do menino.
— Realmente, eu sou bom em muitas coisas... Menos descascar uma maça — ele falou com a cabeça abaixada — isso é deprimente.
— Sim, se eu fosse você me jogava de uma ponte — você falou rindo dele.
— Se eu me jogasse de uma ponte, teria uma menina linda como você pra vir me salvar e fazer respiração boca a boca? — ele perguntou serio e te olhando nos olhos.
Você acabou ficando muda e até parou de descascar a maça, virou o rosto para outro lado, ainda procurando palavras para responder a pergunta dele, não sabia se ele estava apenas brincando ou dando uma indireta bem direta.
— ... — ele sussurrou.
— O que? — você perguntou.
— Minha maçã... — ele te lembrou de que tinha que terminar de descascar a maçã.
Terminou rapidinho de descascar a mesma e entregou para ele que abriu um sorriso contente.
Você se levantou da cadeira e já ia se mover para sair da cozinha quando ele segurou com firmeza seu braço, olhando serio para você.
— Fica aqui — ele se levantou da cadeira.
— P-por que? — você perguntou com a cabeça abaixada.
— Porque.... — ele falou levando seu rosto com a mão.
Você olhou pra ele por apenas alguns segundos, pois fechou os mesmo, quando viu ele com os olhos fechados aproximando o rosto dele do seu, até que os lábios de vocês se tocaram e começaram a se beijar, e roçarem a língua de ambos com desejo e um pouco de delicadeza. Ficaram nesse ritmo tranquilo e suave por um bom tempo, até que pararam aos poucos, dando selinhos e mordidinhas.
Ele colocou as mãos na sua cintura e te puxou para perto do corpo dele, dando um abraço apertado em você, que como resposta colocou os braços na costa dele e confortou sua cabeça sobre o peitoral do mesmo.
— Porque... — ele continuou — Por que se você estiver longe de mim não vou pode te salvar.
