Nunca pensou sobre o amor. Na verdade, era totalmente indiferente ao amor romântico. Nunca presenciou uma cena de amor verdadeiro e também nunca viveu um — Talvez por nunca ter um namorado — Gostava de ser livre, e guardava essa sensação. Todas as suas amigas lhe diziam que quando amasse de verdade iria saber o que estavam sentindo. Esnobava completamente esse ponto de vista e ainda teimava: “Nunca irei participar de algo tão meloso como isso”.
Isso é Antes de conhecer aquele moreno.
Quando foi contratada para trabalhar no café era normal que universitários frequentassem — Ficava em frente à faculdade — e consequentemente, casais também frequentavam. Ainda não tinha chegado à faculdade, na verdade estava no primeiro ano do ensino médio. Mas aquelas pessoas mais velhas trocavam de par como trocavam de roupa e aquilo só a fez se esfriar mais em relação ao o amor. O amor romântico não era algo bom, O Amor romântico machucava as pessoas. Estava muito bem sozinha.
Certo dia, Quando estava em seu terceiro dia de trabalho, conheceu alguém. Era o garoto do qual sua colega de trabalho estava interessada, seu nome era JongIn, Kim JongIn. Mas todos o chamavam de “Kai”. De inicio não havia reparado muito nele, tudo que havia lhe mandado foi uma rápida olhada e desviado. Não gostava de aproximações com os clientes.
Mas com o tempo, de tanto sua colega insistir começou a prestar mais atenção nele. Ele era popular e era universitário. Via que tinha várias garotas o rodeando e a cor da sua pele era... Hm... Um tanto exótica para um coreano, mas isso não o deixava menos bonito...
Bonito. Sim, ele era muito bonito.
Certa vez quando se pegou pensando nele sentiu borboletas no estomago. Cabelos; Olhos; Pele; Lábios... Seu rosto corava só com o pensamento do seu sorriso. Seu coração se aquecia toda vez que via o mesmo.
Quando perguntou a sua mãe do que se tratava ela riu e lhe respondeu:
— Sem dúvida nenhuma, está gostando deste garoto.
Mas nem ao menos o conhecia! Só o havia visto de longe, no café. Não tinha nem ao menos a coragem de lhe dizer uma palavra, de repente, se sentiu insegura... E se sua personalidade não fosse agradável?
Com uma pequena ajudinha de sua colega — da qual descobriu que não gostava dele romanticamente e sim, o admirava por sua habilidades de dança — O entregou um bilhete.
Querido Oppa.
Você não sabe quem eu sou, mas já há um tempo estou interessada em tomar sorvete com a sua pessoa. Não é um encontro, só quero ir à sorveteria.
Desculpe qualquer incomodo.
Depois que aquilo havia ido parar nas mãos dele sua insegurança — Já sentida — Só aumentou. Era certo que não tinha nenhuma experiência com amor. Mas o que foi aquele “Estou interessada em tomar sorvete sua pessoa”? Parecia uma criança falando, ele iria pensar que era uma idiota infantil. Sem ter o que fazer começou a brincar com os próprios dedos. Ele com certeza iria negar, quem sairia com uma garota doida que quer tomar sorvete? Nem flertar sabia... Pelo amor de Deus...
Diferente do que esperava, Ele enviou outro bilhete.
Querida Dongsaeng.
Seria um prazer tomar sorvete com a sua pessoa.
Do balcão, desviou o olhar do bilhete para o garoto que sorria na mesa em volta de todas aquelas pessoas.
E ele lhe enviou um refrescante sorriso que fez seu coração se aquecer novamente.
E com a ajuda de um Sorvete e um encontro. Começaram a namorar.
A companhia de Kai passou a ser algo indispensável em sua vida, apesar dele ser seu primeiro namorado era como se sempre convivessem juntos. Gradativamente ele se tornou seu irmão, seu melhor amigo e seu amor. Não entendia muito bem o que era a sensação de amar, mas tinha certeza de que era algo parecido com aquilo.
Mas como em toda relação havia sim um grande problema. Kai era constantemente assediado — por ser bonito — e tinha muitas amigas. Não queria lhe dizer que aquilo incomodava por isso sempre aceitava tudo calada. Afinal, já era privilegiada o bastante por tê-lo como namorado, e se ele acabasse querendo terminar tudo por causa de um ciúme bobo? Não costumava ser uma garota segura de si, como aquelas garotas da faculdade.
Perto dele, ainda se sentia uma criança, e a sensação de que ele era mais um irmão mais velho do que um namorado era extremamente frustrante.
Sempre que saiam juntos, as pessoas que ele conhecia a elogiavam, mas eles nunca perguntavam “Essa é sua namorada?”, eles sempre perguntavam “Quem é sua amiga?”. Era como se fosse impossível para ele namorar alguém como si. E pelo seu histórico de namoradas, acabava se sentindo pior.
Como namorado, Kai era excessivamente carinhoso e às vezes tímido, Gostava de tocar seu rosto quando ele estava corado, mas o mesmo sempre o escondia. E quando tentava ver, ele lhe roubava um beijo. Corou com a lembrança. Essas coisas conseguiam ser embaraçosas quando pensadas aleatoriamente.
A sorveteria se tornou um ponto de encontro entre os dois, apesar de vê-lo algumas vezes no café, preferia que fosse a outro lugar, pois tinha recebido uma reclamação da gerente. Kai disse que gostava de vê-la de uniforme. Na hora fingiu não dar importância, mas sempre que se olhava no espelho com o uniforme de empregada, lembrava-se de seu elogio.
Porém ultimamente, ele estava distante. Suas ligações que costumavam ser frequentes agora se resumiram a uma simples mensagem de boa noite, e sua presença no café era quase uma raridade. Sem falar que nunca mais foram à sorveteria e quando o pedia para irem ele sempre alegava que estava muito ocupado com as provas do semestre.
Sentia falta dele, mas seu coração era duro demais para implorar por sua atenção.
Em meio a sua solidão, sua Sunbae lhe apresentou Sehun. O garoto novato no café, ela alegou que como eles tinham quase a mesma idade, ela poderia explicar melhor como as coisas funcionavam por ali. Com isso, Sehun acabou se tornando seu melhor amigo, e apesar de suas brincadeiras serem um pouco idiotas, ele era uma boa pessoa. E com a ausência de Kai, ele havia se tornado seu irmão mais velho e legal, que estava sempre lá apesar de tudo.
Em uma noite Sehun resolveu lhe deixar em casa, mas... Não esperava ter mais de uma visita aquela noite.
— Sehunnie, Obrigada por me trazer até em casa — Agradeceu com um sorriso amigável.
— Aigoo... Não precisa agradecer — ele bagunçou seus cabelos — Está frio, parece que vai nevar, não é bom andar sozinha pela rua deste jeito.
— Sehunnie, quem olha de longe acha que você está preocupado mesmo.
— Mas eu estou!
— Hm,Sei.
— Eu estou sim! Eu não deixaria nada de ruim acontecer à pessoa que eu gosto.
Arregalou os olhos.
— S-Sehunnie...
Ele coçou a nuca parecendo sem graça, mas ainda sim. Não retirou ou corrigiu o que disse.
Ainda estava apática, não esperava pela declaração momentânea, mas antes que pudesse abrir a boca, O maior virou as costas.
— Acho melhor você entrar, está frio aí.
Ele foi embora e lhe deixou ali. De olhos arregalados com a neve novata que caía sobre seus ombros. Por mais que Sehun fosse um ótimo amigo, ele era só um amigo... Não era? Mas, Sehun estava sempre ali, sorrindo e dizendo coisas bobas, devagar tomando o lugar do seu Kai.
Seguindo o conselho de Sehun, virou as costas e entrou no prédio e logo, a sua vizinha de porta que descia as escadas lhe chamou atenção.
— Um garoto estava te procurando Senhorita.
— Um Garoto?
— Sim, ele subiu as escadas. Eu disse que a senhorita chegaria tarde, mas ele disse que não tinha problema e que iria esperar.
— Esse garoto... Como ele era Ahjumma?
— Ah, ele era alto e moreno, e um rapaz muito vistoso se me permite dizer.
— Obrigada, Ahjumma.
Deduzindo quem seria, subiu as escadas do prédio e chegou ao segundo andar. Em passos lentos até a sua porta viu na frente da mesma a figura morena abraçada ao próprio corpo.
Oppa...
Abaixou-se na frente dele. Estava dormindo, com a jaqueta jogada sobre os braços e tinha uma expressão tranquila, podia ver seu peito subindo e descendo conforme sua respiração. Não resistindo, ergueu a mão e timidamente, tirou a franja de sua testa, descendo esta pelas suas bochechas e contornando a pele morena.
Percebendo seu toque gelado, ele abriu os olhos devagar.
— Dongsaeng? — murmurou.
Assentiu brevemente.
— Oppa, Você não precisava ficar me esperando — Sentou ao seu lado encostando-se a porta, assim que o fez ele deitou a cabeça em seu colo. Ambos ali, no chão frio do corredor.
— Eu precisava — Ele mudou de posição, ficando de uma forma que pudesse ver seu rosto — Eu vim pedir desculpas.
— Você não tem que pedir desculpas.
— Eu tenho sim — Ele sorriu — Eu sabia que a Dongsaeng não iria me ligar se eu não o fizesse, mas eu fui tão orgulhoso.
— Orgulhoso? Eu fiz algo que o Oppa não tenha gostado? — sentiu-se confusa, mesmo com a distância esta fora totalmente sem motivo, sabia que não tinha feito algo o desagradasse.
— Eu fui ao café e eu vi você com aquele garoto. — Ele fez um bico com os lábios cheios — Vocês pareciam tão íntimos, eu não quis atrapalhar.
Ah... Ele estava com ciúmes de Sehun. Sehun... Era verdade, ele tinha motivos para ter ciúmes dele.
— O Oppa sabe que eu e o Sehunnie não temos nada — Não foi uma pergunta, foi uma afirmação — O Oppa... Kai Ssi já estava distante de mim, antes de eu se quer conhecer o Sehunnie.
— Eu sei.
— Então não deveria ficar bravo.
— Eu sei disso também — Ele suspirou — Por isso estou me desculpando.
— Eu também tenho motivos para ficar brava com o Oppa — começou desviando-se do olhar dele e encarando a porta do quarto em frente ao seu — Kai Ssi é cheio de amigos, eu só tenho o Sehun e a Unnie. Eu não queria incomodar, mas parece que não tem jeito.
— O que quer dizer? — questionou com uma expressão confusa.
— Eu... Realmente não sei como você me escolheu — levou as mãos ao rosto, constrangida — Kai, Você tem tantas amigas bonitas e da sua idade, eu me sinto uma criança quando saímos juntos.
Sentia-se arrependida de ter começado com isso. Ele havia ido até a sua casa, no frio, e ficado do lado de fora do seu apartamento sozinho, a sua espera. Devia sentir-se grata.
Mas de alguma forma, sentia também que se não tivessem aquela conversa, nada mudaria.
— Você não precisa se preocupar com isso — Ele se sentou, parecendo tão sem graça quanto si e lhe enviou um breve olhar antes de desviar o mesmo para o chão — Nenhuma daquelas garotas me interessam, e eu também não descobriria o quão gostoso é o sorvete de milho verde se tivesse saído com alguma delas, e nem poderia chamar nenhuma delas de minha Dongsaeng.
Quando ele olhou novamente nos seus olhos, viu as bochechas douradas tomarem um tom rosado. Ele desviou o olhar para o outro lado. Como era de costume, riu, e tentou ver o rosto corado dele.
— Oppa, está corando!
— Omo! O que está dizendo? Eu não coro!
Em meio às risadas ainda tentava ver seu rosto — que o próprio tentava cobrir com as mãos — Chegou mais perto e quando finalmente conseguiu tirar as mãos grandes do rosto dele, essas mesmas mãos agarraram seu rosto e terminou lhe dando um beijo dócil.
Estava corada e sentia seu coração bater freneticamente, como se fosse a primeira vez, levou uma de suas mãos até a nuca dele.
Apesar de ser apenas um toque de lábios, as sensações eram surreais. Não acreditou que por um momento achou que ele tinha lhe abandonado, sendo que ele tinha os mesmos pensamentos em relação a si. Quando seus lábios se separaram, ele sorriu encostando suas testas, um sorriso refrescante que ao mesmo tempo, aquecia seu coração.
— Oppa, Prometa que não vai mais se afastar tanto — pediu em um sussurro, enquanto suas mãos sentiam a textura de seus cabelos.
— Eu prometo . Mas você não precisava pedir, eu não pretendo mais deixá-la.
Naquele dia, dormiram abraçados aquecendo um ao outro no corredor vazio do prédio. No dia seguinte começou a nevar e com a neve veio também à renovação daquele sentimento quente. Sobre Sehun, ele não voltou mais a falar sobre gostar de si. Na verdade, alguns dias depois, ele lhe apresentou uma garota muito fofa como sua namorada. Contudo, ele continuou sendo seu irmão mais velho.
Mesmo com todas as reviravoltas que a vida ainda fazia questão de dar, agora parecia que de alguma maneira, entendeu que um sentimento verdadeiro não acaba com as dificuldades, e sim, se fortalece com ela.
Desmentiu todas suas teorias sobre o amor. Agora você conhecia alguém que tinha te feito mudar seus conceitos.
Descobriu um amor chamado Kim JongIn.
