Para qualquer pessoa você tinha o melhor emprego do mundo, era coordenadora de palco. Controlava tudo o que num show, desde o cenário até a iluminação, além de ter contato direto com diversos artistas e suas equipes.
Até uma parte, era realmente o emprego dos sonhos, o que estragava completamente era ter que lidar com idols sul-coreanos. O que você sentia por eles era completo ódio, repulsa.
Organizou alguns shows na em terras orientais e viu o quanto eram arrogantes, tanto que deixou um ótimo emprego lá e voltou para o Brasil por não suportar tais modos.
— Hei — seu chefe lhe chamou — Vem aqui na minha sala.
— Sim.
Se levantou e pegou um caderno de anotações e seguiu para ala do chefe.
— Você vai ser responsável por um grande show que vai acontecer aqui em 4 meses.
— Qual a banda? — você perguntou se sentando na cadeira de frente para seu chefe.
— Uns tais de EXO.
— Quem? — realmente não fazia ideia de quem eram.
— E X O — ele soletrou e você achou que ele indiretamente estava te chamando de burra — É um grupo sul-coreano.
Seu semblante se fechou na hora quando soube o país de origem do tal EXO.
— Não quero, passe para outro — você fechou o caderno com raiva.
— Você tem que superar isso .
— Eles são mesquinhos, chatos e irritantes. Estou superando me mantendo distante deles.
— Você nem os conhece.
— Já tive o desgosto de conhecer alguns compatriotas e não são nada agradáveis.
— Você é a única na equipe que sabe falar coreano.
— Arruma um interprete.
— É a primeira vez deles no país também e os garotos possuem uma quantidade de fãs absurda. Tem que ser perfeito e você é a única que eu confio para fazer isso ser realidade.
— Por mim, pode ser um fiasco.
— ! — ele te repreendeu e você suspirou.
— Quando é a primeira reunião? — perguntou cedendo, seu chefe sorriu e começou a te passar os detalhes e você ia anotando tudo à contra gosto, mas era paga para isso né?! Assim que ele terminou, você se levantou e voltou a sua mesa e foi pesquisar sobre os galegos.
“Voltei ao Brasil para não lidar mais com esses babacas e cá estou eu organizando show para eles outra vez, taquei fogo numa igreja na vida passada, só pode” — você pensava enquanto via algumas fotos — “Quantos meninos têm nesse grupo? É grupo ou time de futebol? Pra quê tanta gente? Tem tempo para todos cantarem? Eles andam mais maquiados que eu em dia de festa”.
E assim seguiu por toda a tarde enquanto fazia um levantamento prévio. Olhou fotos individuais, em grupo, propagandas, site de paparazzi, assistiu MVs, apresentações ao vivo e um programa de variedades. Tinha que conhecer um pouco de suas personalidades, mesmo sabendo que era tudo uma marcará que a empresa coloria como bem entendesse.
● ● ●
— Acho que vou desaprender coreano — falou parada ao lado do seu chefe no aeroporto. Saber falar coreano era desvantagem na sua vida nesse emprego.
— Desaprenda então depois que acontecer o concerto deles.
Você mostrou a língua e ele riu, era divertida sua relação com seu chefe por ambos terem entrado na mesma época, eram os “novatos” prodígios que faziam excelentes trabalhos. Pelo que pagavam a você e a ele, era bom mesmo que fosse excelente.
Estavam em pé ao lado de uma van, mais atrás havia outra estacionada e outra, tendo no total 5 vans paradas em uma das saídas do aeroporto. Lá dentro vocês ouviam uma gritaria sem fim e aquilo estava te dando ânsia, como aquelas meninas podiam amar caras que só viam em vídeos completamente editados e manipulados? Realmente não entendia as razões.
— Queria um café — falou fazendo um bico e seu chefe lhe entregou o cartão, você sorriu — Vai querer o que?
— Uma água — você assentiu e ele te passou a senha.
Entrou o saguão e viu cerca de 200 meninas se espremendo em uma das saídas e cantando as músicas que você identificou ser do EXO. Pois é, 4 meses passaram e eles estavam aterrissando em terras tupiniquins em alguns minutos, você e seu chefe estavam lá para guia-los ao escritório antes deles irem para o hotel, tinha alguns detalhes que precisavam deles para serem acertados.
Você voltou para o lado de fora com seu café e a água, entregou para seu chefe junto com o cartão e ficaram apenas esperando a hora do voo pousar, o que já devia ter acontecido.
— Idiotas — você resmungou — Acham que eu não tenho mais nada para fazer?!
— Calma .
— Calma nada — retrucou nervosa — Isso não pode ser só resolvido com o gerente deles? Por que precisamos de todos?
— Você sabe quais são os procedimentos — ele respondeu tranquilo, estava acostumado ao seu temperamento.
Esperávamos mais alguns minutos e finalmente alguém do aeroporto informou a vocês que eles estavam esperando numa sala em outro portão, já que naquele havia muitos fãs e a guarda do local não seria capaz de conter todas aquelas meninas enlouquecidas.
Você gargalhou enquanto entrava na van para seguirem para onde eles estavam. “Essas iludidas pagam um absurdo para verem eles no show e gastam seu tempo para vir ver esses inúteis no aeroporto e eles saem por outra porta, além de no show sequer notarem elas pois estão com viadagem um com o outro”.
Estacionaram próximos a uma saída lateral do local e ficaram ali esperando, um funcionário os chamou para entrarem e foram guiados por alguns corredores.
— Algum de vocês fala coreano? — o funcionário perguntou.
— Ela aqui — seu chefe respondeu e você deu um sorriso amarelo para ele.
— Ah ótimo — ele falou sorrindo — Estamos com um problema de comunicação, poderia traduzir algumas coisas?
— Vou ganhar o que com isso?
— ! — seu chefe ralhou e você bufou.
— Que foi? — bancou a desentendida e sorriu sarcástica.
— Aqui — o funcionário indicou uma porta e a abriu depois de algumas batidas leves para avisar que entrariam.
Assim que se aproximaram dos 12 rapazes, você olhou em volta procurando o gerente deles como qual, já havia tido algumas reuniões via vídeo conferencia.
— O gerente deles não está aqui — informou ao seu chefe num sussurro e ele te olhou com cara de espanto. Você olhou para trás e questionou para o funcionário se apenas os 12 estavam ali antes e ele confirmou.
— Ai que maravilha — comentou num tom alto que chamou a atenção dos meninos que no mesmo instante se levantaram. Deu mais alguns passos ao lado do seu chefe até estarem perto o bastante para falar sem precisar elevarem a voz.
— Hello — seu chefe os cumprimentou em seu impecável inglês. Alguns dos meninos arriscaram responder em inglês enquanto outros apenas se curvaram — Traduz — ele ordenou e você assentiu.
Ele começou a se apresentar e você prestava atenção ao que ele dizia, assim que ele fez uma pausa para que você começasse a tradução para os meninos, ouviu um deles comentar.
— Não entendi nada, não tem tradutor nesse lugar?
— Olá — você falou em seu ótimo coreano e se curvou, ao levantar fez questão de encarar o rapaz que havia adquirido a tonalidade de uma pimenta — Meu nome é e eu junto com o Sr. Siqueira — você indicou seu chefe — Somos os representantes da empresa responsável pelo palco do concerto — dito isso, você começou a traduzir para eles a apresentação que seu chefe havia feito segundos atrás.
Você traduziu mais algumas coisas, questionou onde estava o gerente e depois pediu para os meninos seguirem até a van que os esperava. Avisou o funcionário para guia-los até lá e disse que esperaria ali o gerente terminar o telefonema.
Deu passagem para os meninos e tinha uma cara de poucos amigos para eles. Mas apesar de odiar tanto esses idols, por que sabia falar o idioma deles? Sua mãe se casou com um coreano quando você era pequena, ele te ensinou o idioma por muitos anos. Explicado o motivo de dominar a língua.
— Se importa de eu ficar aqui com você? — um deles questionou, se não estava enganada, Minseok — Queria falar algo com o gerente e não queria que os meninos escutassem.
Você deu os ombros — Tanto faz — respondeu e se sentou no canto de um dos sofás que os meninos se acomodavam momentos atrás.
O mais velho sentou no outro sofá e sentiu os olhos deles sobre você algumas vezes, na verdade por todo o tempo ele ficou te observando, mas você entretida com o celular não notou pela maior parte do tempo.
— Algum problema? — perguntou de maneira informal e ele te olhou assustado.
— Nenhum — respondeu rapidamente — Desculpe.
Você suspirou, fora mal educada com o rapaz sem necessidade, mas não controlava o sentimento que tinha para com coreanos. Sua visão não mudaria tão facilmente.
— Me desculpa — disse tentando esboçar um sorriso, mas saiu de forma falsa — É que...
— Não precisa explicar.
Você assentiu indiferente e ficou em silencio esperando o gerente, estava quase levantando e indo buscar o cara pelas orelhas. Bufou e viu o rapaz sorrir, sem dúvidas era do que tinha acabado de fazer.
Ouviu uma gritaria um tanto distante e lembrou das fãs enlouquecidas que invadiram todo o saguão do aeroporto e não se segurou.
— Por que não saíram pelo portão principal? Sabia que aquelas meninas acordaram super cedo para estarem aqui e ver vocês? Sabe-se lá quando vocês vão voltar...
Ele confirmou e você ficou o olhando, esperava uma resposta mais completa do que um aceno positivo de cabeça.
— Acaba sendo mais para segurança delas do que nossa — ele falou e você permaneceu quieta — Elas fazem loucuras apenas para nos tocar, ter uma foto tremida ou apenas se aproximar. Como são muitas, elas podem se machucar. Por isso preferimos sair por outro portão.
— Achei que estavam apenas com frescura — confessou e ele riu — Mas não tinha pensado nisso.
— Você não gosta muito do nosso grupo né?
— Não são vocês.
— “Sou eu” — ele falou numa voz fina, tentando numa tentativa falha imitar uma voz feminina e você sorriu.
— Morei por algum tempo na Coréia do Sul e trabalhei com artistas de lá e foi uma péssima experiência — disse olhando para o chão.
— Mas nem todos são iguais.
Antes que pudesse rebater e dizer que era sim todos iguais, o gerente do grupo entrou na sala e ali a conversa entre você e Xiumin chegou ao fim. Você se dirigiu ao homem responsável pelo grupo e lhe informou onde os meninos estavam e para onde iam e em seguida saiu do cômodo, os dois iam atrás de você, só que mais afastados e por isso não era possível escutar a conversa de ambos. Não que tivesse interesse.
Saíram pela porta e logo viu seu chefe sentado no banco da frente da primeira van, o que indicava que você iria na segunda.
Foi até o carro e abriu a porta do veículo, sentou ao lado do motorista e o senhor de idade mais avançada lhe lançou um olhar interrogador que você entendeu de primeira o significado.
— Eu falo português, sou brasileira — falou sorrindo e lhe pareceu que o senhor suspirou aliviado.
◆ ◇ ◆ ◇ ◆ ◇
Fizeram os ajustes necessários no cenário e melhoraram alguns outros pontos, o dia do show havia finalmente chegado. Desde o dia do aeroporto até o presente momento, você até que tinha conversado bastante com Xiumin, sentada em uma das fileiras superiores vendo os efeitos de luz pela última vez aquela tarde, se questionava mentalmente se não estaria errada, talvez nem todos fossem iguais mesmo.
Dispensou os técnicos da sua equipe para irem se alimentar e avisou que horas tinham que estar de volta em seus postos para, tinham um tempo livre de 4 horas para fazerem o que quisessem, merecido e necessário descanso antes do show que teria 3 longas horas de duração.
— Hei — um rapaz lhe chamou e prontamente virou para ver o que ele queria — Um dos meninos reclamaram do cenário, ele disse que tem um defeito.
— Era só o que me faltava — bufou e saiu a pesados passos até a coxia. Pensou que estava demorando para um deles reclamar de alguma coisa — Quem foi o infeliz que reclamou? O cenário está perfeito, que defeito é que tem?
Olhou para trás e viu que estava sozinha em cima do palco.
— Raul? — você chamou o menino.
Sua vontade no momento foi de enforcar o menino e esquartejar quem havia dito que tinha um defeito no cenário. Tudo fora elaborado por 4 meses e no dia do show um deles dizer que tinha um problema nisso era para a mesma coisa que pedir para morrer.
— Olá — falou Xiumin se aproximando.
— Foi você que reclamou do meu cenário e disse que tem um defeito nele? — questionou o rapaz sem rodeios ou qualquer formalidade. Se fosse ele, comprovaria sua teoria que todos eles são exatamente iguais.
— Mais ou menos — ele respondeu colocando as mãos nos bolsos do casaco que usava.
— Explica — você falou autoritária.
— Eu não reclamei e nem coloquei defeito em nada, acho que você fez um excelente trabalho — ele deu um passo na sua direção, achou num primeiro momento aquilo como uma afronta, então não recuou.
— Então qual o problema aqui? — perguntou com arrogância.
— Acho que está faltando uma coisa.
— O que é? — não notou, mas estavam cara a cara e ele sustentava seu olhar raivoso sem problema algum.
— Paixão, amor talvez.
— Ai céus — você revirou os olhos — Me poupe disso por favor.
Virou de costas para o rapaz e conseguiu dar dois passos para a escada que levava a saída do lugar, porém foi impedida por uma mão extremamente gelada, estremeceu com o contato, não precisou virar para saber quem te puxava.
Seu corpo foi virado e vocês e encararam por alguns instantes, antes que pudesse protestar pela atitude dele, seus lábios foram tomados pelos dele. Tentou se afastar, porém teve sua tentativa frustradas, mas não por que ele te segurava, e sim por que gostou.
O osculo ganhava mais intensidade a cada segundo, ele colocou as mãos em sua cintura e te puxou contra o próprio corpo enquanto você ainda tentava para o que estava fazendo, mas o toque dele em sua pele por debaixo da blusa despertava uma vontade incontrolável de se entregar.
— Para de resistir — ele sussurrou em seu ouvido e você estremeceu.
Ele voltou a te beijar e você acabou por retribuir, com passos cegos iam para um canto isolado do local e as mãos dele desciam e subiam pela lateral do seu corpo.
— Minseok — tentou falar, mas sua voz saiu mais como um gemido e ele apertou uma de suas coxas.
Tentava inutilmente protestar e ele selou seus lábios de forma demorada para te calar.
— Você não pode mais escapar de mim — ele falou contra sua boca e sorriu, você estava entre ele e uma parede.
Partiram para um beijo mais luxurioso, ele tirou a blusa e a deixou num canto qualquer, sentia sua camiseta ser erguida e as mãos dele parando sobre seus seios, ele massageou a área coberta por algum tempo e quando se separaram para retomarem o ar, ele tirou sua camiseta e seu sutiã. Voltou a acariciar seus seios e colocou a boca em um deles, distribuindo sucções e lambidas pelo mamilo.
A única fonte de luz que tinham era de uma lâmpada que estava no lado oposto aonde estavam. Ainda assim você estava tensa, medo de ser vista por qualquer pessoa, seria constrangedor, mas aquele medo se tornava cada vez mais excitante.
— Relaxa — Minseok falou vendo seu nervosismo.
— Acho que não consigo.
— Deixa eu te ajudar então — ele falou e você assentiu.
Uma das mãos do rapaz desceu até o cós de sua calça e ele a abriu sem qualquer dificuldade, abaixou o tecido pouco abaixo de seus joelhos. Ele acariciou suas coxas por alguns instantes e depois tocou sua intimidade ainda escondida atrás do fino tecido da calcinha. Você arfou quando sentiu o toque dele e antes que se acostumasse àquela sensação ele invadiu o tecido tocando diretamente em sua intimidade e fazendo movimentos lentos.
Leves gemidos escapavam de seus lábios e o rapaz sorria de maneira satisfeita. Sua mão deslizou pelo tórax dele e foi de encontro ao membro do mesmo, passou a acaricia-lo ainda coberto. Desabotoou a calça do mesmo e colocou a mão por dentro da box dele, sentiu o membro do rapaz pulsar e foi a vez dele de soltar um gemido baixo próximo ao seu ouvido.
[...]
Com as suas costas apoiadas nas paredes, Minseok te estocava de forma ritmada e sem causar tanto atrito entre seus corpos, tinham que evitar sons altos demais, mas estava difícil manter o silencio, de vez em quando algum gemido mais alto escapava por seus lábios.
Você o chamava num sussurro, ele estava te levando à loucura diminuindo o ritmo do coito quando você quase chegava ao seu ápice.
— Ainda temos muito tempo — ele falou com a voz rouca — Quero aproveitar o máximo enquanto posso.
O sentimento de ter ele em você era indescritível, o desejo de tê-lo cada vez mais em você e para você inundava suas veias. A voz dele, seus beijos e toques, tudo entorpecia seus sentidos.
Ele permaneceu com movimentos lentos, mas eram regulares. Suas bocas se encontravam e a excitação entre vocês dois apenas aumentava, você implorava para ele ir mais rápido, aquela lentidão estava te enlouquecendo, então ele aumentou o ritmo das estocadas, deixando-as mais fortes e cada vez mais rápidas. Você arranhava as costas deles e mordia o lábio inferior. Sentiu suas pernas ficarem tremulas e espasmos atravessarem seu corpo, suas costas fizeram um arco, Minseok entendeu o que aquilo era e sorriu satisfeito, tinha feito você chegar ao máximo do prazer. Ele sorria e continuava com os movimentos, você ouvia leves estalos entre os seus corpos, agarrava-se aos braços do rapaz com os olhos fechados, ainda em êxtase pelo prazer recente, sabia que ele estava próximo do ápice também. O ouviu soltar um gemido próximo ao seu ouvido e o sentiu se desfazer dentro de você.
Ficaram abraçados por alguns instantes, esperavam suas respirações se normalizarem para começar a colocar de volta suas vestes e saírem dali sem levantar tanta suspeita.
— Sabe Minseok — você falou depois de um tempo em silencio — Eu achava que você era o mais tímido da banda.
— E sou — ele afirmou te fazendo vestir a camiseta dele — Mas isso não quer dizer que seja o mais santo.
Você riu e terminou de se vestir, voltaram para coxia de mãos dadas e nem parecia que você tinha toda aquela cisma com sul-coreanos.
— Você estava certo — você sussurrou e ele te olhou sem entender — Nem todos são iguais.
