Suho: Blue


Seus olhos acompanharam os dedos passando por seus próprios cabelos, ele sentou-se em seu sofá com uma expressão frustrada em seu rosto bonito. Da porta do quarto observou seus movimentos com atenção, estava preocupada de fato, era como uma tempestade na vida dele ter tudo aquilo lhe acontecendo de uma vez só.
Duas perdas no mesmo ano, e agora mesmo que o ano antigo havia se findado, as feridas ainda continuavam abertas.
Sempre ouviu JunMyeon dizer o quanto era feliz por ter todos que se importava por perto, ele era atencioso e carinhoso, e admitia que apesar de todas as dificuldades que haviam passado, não se arrependia nem um milésimo de escolher ficar com ele. Porém, era uma chance única que não podia desperdiçar, nem de longe havia tido na vida tantas oportunidades como seu namorado, para si tudo era mais difícil de conseguir e viver na Coréia repleta de sasaengs para todos os lados, mas ainda continuava tentando estabelecer uma boa vida desde que chegou de seu país para viver lá.
Lentamente, tirou o crachá em seu pescoço, seguido dos sapatos e tentou andar em sua direção com hesitação.
— Suhonnie? — Chamou em voz baixa, recebendo um olhar dele, um olhar cansado e um pouco choroso. — Você está bem?
— Você estava ai esse tempo todo? — perguntou, e sorriu fracamente. — Eu não tinha lhe visto.
Chegou mais perto do móvel, subindo neste e sentando, colocou suas pernas em cima do estofado e sua cabeça no ombro do mais velho. Olhou-o de escanteio.
— Você não respondeu minha pergunta.
— Eu... — ele suspirou, olhando para as mãos que estavam repousadas em seu colo. —Eu soube... Sobre você estar indo embora.
Seus olhos ainda encaravam-no.
— É algo que eu precisava fazer. — tirou sua cabeça do ombro dele, e olhou em seus olhos castanhos com seriedade. — Eu não queria que você soubesse por outra pessoa, mas eu preciso ir JunMyeon... Meu lugar não é aqui.
— Seu lugar não é aqui.
Não foi um pergunta, pois ele sabia que era verdade.
Há dois anos, havia iniciado seu ano na Coréia do Sul, sua mãe acreditava na possibilidade de achar um emprego melhor por lá já que no seu país original não estava dando certo, e seu tio morava lá já há um bom tempo. Seu tio não era asiático, mas havia se casado com uma asiática e acabou por morar no país, sua mãe estava sozinha e desamparada, fora o fato dela estar desempregada. Sua única solução foi ir de encontro à única pessoa que podia cuidar das duas. O nome da esposa de seu tio era RaNia e ela era uma jovem mulher muito carinhosa. O período de adaptação foi o pior, tentar se enturmar com pessoas de um país e com costumes diferentes do que estava acostumada. A única pessoa conhecida que tinha por perto naquele lugar era seu namorado, que mesmo a distancia continuava um contato continuo, ele era carinhoso e seu amigo de infância, talvez um dos maiores fatores para começarem a namorar.
O tempo passou, e cada dia que passava se sentia mais sozinha, tendo somente si mesma e sua criatividade, junto com a máquina de costura antiga da avó de RaNia passou a costurar as peças de roupa que escrevia em seu caderno nas aulas de Educação Física. Não se considerava tão boa, mas não era isso que diziam quando entravam em seu quarto e vinham uma coleção inteira feita em pouco mais de uma semana.
Foi então que sua mãe deu-lhe a ideia de vender as suas peças, e algo que começou na garagem de sua casa se tornou mais famoso do que deveria, ficava contente ao ver os olhos de garotas que não tinham condições para comprar peças caras felizes após ter a peça desejava por um preço mais em conta e assim, sua popularidade na Coréia do Sul foi crescendo aos poucos. Com a fama, vêm também os convites, uma moça — muito bem vestida, diga-se de passagem — passou correndo pela porta de sua casa, com várias sacolas na mão e um rosto desesperado. Quando ela viu suas peças era como se estivesse vendo o próprio Deus em sua frente. Ela perguntou quanto cobrava por doze cópias de uma roupa masculina que estava no manequim antigo perto da porta da garagem.
E ela só saiu de sua casa quando teve suas doze peças prontas.
A surpresa maior foi estar famosa entre suas colegas de classe, que comentavam sobre um novo grupo que havia sido lançado recentemente e que estava usando as roupas da frente de sua porta. Não demorou a logo ser convidada para fazer parte da SM Ent. Mas não como uma Idol ou algo assim, e sim como ajudante para o estilista contratado pela empresa. No começo, achava que poderia ser uma boa oportunidade para si e sua família, viver melhor e dar uma vida melhor a eles...
Estava completamente enganada.
Tudo que fazia naquele lugar era trabalhar como uma louca para todo o crédito por seu esforço ir para seu sênior, ele simplesmente copiava descaradamente suas peças, e colocava detalhes diferentes para disfarçar o tal fato. E nem ao menor podia reivindicar seus direitos, pois se não perderia o emprego, e apesar de tudo que passava era bem paga. 
Quando o conheceu, estava num show justamente deles, a espera que alguma emergência com suas roupas pudesse acontecer. E aconteceu.
Nos bastidores, sua camisa estava rasgada e si estava com seu costumeiro kit costura. Ele sorriu envergonhado e tirou-a para que pudesse costurá-la, enquanto seu rosto queimava de vergonha e seu perguntava como alguém podia ser tão bonito.
E desde aquele dia ele se tornou uma presença comum em sua vida. Seja como um amigo ciumento seja como o garoto que experimentava suas roupas, que fugia dos treinos para ir vê-la, que fugia do Manager para ir a sua casa, que fazia piadas sem graça e que se importava em como estava se alimentando.
A pessoa mais irritantemente apaixonante do mundo, a pessoa que era líder e “mãe” de doze crianças, a pessoa mais cuidadosa que já conheceu.
A pessoa pela qual estava apaixonada.
Seus sentimentos não estavam completamente explícitos até que seu namorado viesse vê-la na Coréia do Sul, e JunMyeon estivesse justamente lá.
Ainda lembrava-se do quão bravo seu ex-namorado havia ficado, e que seu anão particular tentou acalmá-lo e acabou com o nariz sangrando e choramingando em seu colo. Naquela noite em que ele dormiu como uma criança, na noite que terminou com seu namorado por causa do rosto machucado daquele Idol esquisito.
Quando estabeleceu uma relação com ele, quando coisas ruins aconteceram na vida dele — como a saída de dois integrantes do grupo do qual ele tanto prezava. — quando deveria estar ao seu lado, às coisas pioraram para si. E recebeu uma proposta tentadora de uma estilista francesa para participar na construção de sua nova coleção, uma oportunidade de uma vida melhor... Mas com a condição de se mudar para Estrasburgo.
 E aceitou essa condição, pois sabia que era o certo a fazer, por mais que amasse JunMyeon não poderia deixar que sua mãe vivesse de pequenos trabalhos e de favor na casa de seu tio para sempre, precisava dar a ela uma vida melhor, e essa era uma oportunidade que não podia deixar pra lá.
— Você sabe que eu te amo não sabe? — ele perguntou com um sorriso fraco — Eu não sei o que vou fazer quando você for embora.
— Você vai ficar bem, isso é o melhor agora.
— Eu entendo — ele abaixou os olhos, em seguido olhou para seu rosto. — Mas... Você pode ficar comigo, hoje?
Seus olhos agora estavam marejados, e si tentou não deixar que os seus os imitassem, sendo assim sorriu em resposta e aproximou seus lábios dos dele, beijando-o com carinho.
Conforme seus movimentos se tornaram mais rápidos, sentiu-se mais envolvida. Os dedos de JunMyeon agarraram seus cabelos, puxando-a para mais perto rapidamente, fazendo-a se assustar, ele nunca a havia beijado desta forma, seus lábios se entreabriram deixando-o a vontade, mesmo que hesitante. Os dedos gélidos passaram por suas coxas descobertas, subindo até a blusa larga e apertando sua pele nua. Arfou com o toque repentino. Ele empurrou-a para trás com delicadeza e pressa, sem quebrar o beijo que ainda era trocado, ao sentir sua língua morna em contato com a sua, seu corpo arrepiou-se e se sentiu quente. A sensação de tê-lo assim, tão dependente lhe deixava extasiada, e a ideia de tê-lo longe despertava em si uma saudade antecipada.
— Fique comigo... Por favor — ele pediu em voz baixa, e seu coração quase se partiu por saber que não poderia realizar seu pedido. — Eu te amo tanto.
Retribuiu o toque do outro, apertando os dedos em seus cabelos loiros e os fios pareciam sedosos entre eles, desceu os lábios até o pescoço dele e este estremeceu ao sentir seus lábios ali. Sugou a pele do local deixando uma marca rosa formada neste, ouviu o outro gemer baixinho, as mãos pequenas desceram para a barra da camisa que o outro trajava trazendo-a lentamente para cima, tirando-a de seu corpo. Ele beijou-a mais uma vez, freneticamente, talvez enlouquecido com os toques inesperados e ao mesmo tempo tão excitantes. Apertou suas coxas nuas, deitou-se sobre si, entre suas pernas, e o sentiu pulsante entre elas. Ele encostou a testa na sua, arfando sobre seus toques. Roçou os dedos no tecido de seu short, enquanto ainda estavam envolvidos em um beijo necessário.
Desceu os dedos pelo abdômen, sentindo a pele pálida e macia em seus dedos, e este adentraram nas peças que cobriam seu objetivo. Devagar, passou a mão pelo membro saliente, o fazendo gemer de surpresa e antecipação.
Porém, este não deixou que continuasse o toque, prendendo suas mãos acima da cabeça e descendo em beijos até seu queixo, seu pescoço, sua clavícula. Até então, soltar suas mãos para retirar a blusa que vestia, observando seus seios despidos com certa fome e saciando tal fome ao levar os próprios lábios até seu bico rígido. Gemidos femininos preenchiam a sala, arqueou as costas com o prazer, arfando por ele sem se importar com o fato de que em breve não o teria mais junto a si, e que logo tudo aquilo se quebraria em pedaços como uma casa de espelhos.
Apesar de todos aqueles toques, ainda pensava em como poderia se livrar de lembranças como aquelas, de como poderia simplesmente virar as costas para todos os laços que haviam criado de uma hora pra outra. Pois sabia, que desde o começo o correto era manter distancia, até o próprio Suho tinha consciência de que tudo que começaram era errado demais e que nunca poderia vir a dar certo. E mesmo com a pouca iluminação que a lâmpada fosforescente do corredor trazia para sala, era possível ver seu rosto em uma expressão de prazer e dor, como se fosse difícil demais dizer adeus e que era tudo que aquelas carícias significavam.
Quando ele estava dentro de si, quando gemiam juntos em sincronia, com um adeus sofrido e silencioso era como se a casa de espelhos já estivesse quebrada, suas memórias, suas dores e todas as experiências que viveram era deixadas ali, naquela sala e naquele momento.
Ouvindo a voz calma e ofegante dele dizendo o quanto a amava em meio a gemidos e arrepios, enquanto seu corpo estremecia denunciando seu ápice.
O mais lindo de tudo, era que a pouca luz refletida nas cortinas de sua janela deixavam a sala em um tom neutro de azul.
E a cor Azul se tornou a cor de sua saudade, de sua tristeza, azul significava o seu egoísmo.
E agora, cinco anos mais tarde, aquelas lembranças eram enterradas em seu coração, e foram transmitidas na cor de sua nova coleção, pois depois que havia ido embora e o deixado para trás nem mesmo a fama era mais importante. O azul brilhante transparecia lindamente entre suas modelos.
— Mamãe? — chamou Haneul, com seus olhos castanhos e sua pele branca. Haneul, o céu... Azul, igualmente ao seu amor.
— Sim, querida? — respondeu mesmo que distraída. 
Em meio à confusão do desfile, a garotinha olhava para um lugar em particular com curiosidade.
— Aquele moço não para de olhar pra você, você o conhece?
Ao ver a imagem, arfou surpresa, ele estava sentado na primeira fila, junto aos outros membros. E seu olhar era plantado no seu com de surpresa e saudade.
— JunMyeon...
Talvez, suas preces estavam começando a serem ouvidas.
E o azul não era mais tristeza.
O azul... Era amor.