Seunghoon: Confira o Catálogo

S E U N G H O O N — C O N F I R A  O  C A T Á L O G O

“7 de dezembro de 2068. A sociedade humana não é mais a mesma. A evolução chegou a um ponto tão crucial que muitos dos seres humanos de hoje são gerados geneticamente por meio da proveta. Eles são treinados apenas para satisfazer e servir como mercadorias comuns, exatamente como se fazia na antiguidade com os escravos. Porém hoje em dia há um grande comércio futurístico. A biologia não mudou em nada, mas as pessoas sim, e é como uma guerra cheia de represálias e barbárie.
Uma agencia chama Nabelle faz o recrutamento das crianças de proveta. Ela gera bebês em proveta e ensina todos os novos bons modos e regras de conduta com algum tipo de controle mental - MK Ultra. E depois, apenas distribuem os humanos, de todos os tipos e a todos os gostos, através de um extenso catálogo disponível nos sites e em sedes da empresa.”

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 Já havia escurecido há horas. Era por volta das três e meia da manhã e a chuva caia de modo feroz e incessante. Seus passos eram rápidos, praticamente corria pelas ruas vazias daquela maldita e obscura cidadela.
Seu uniforme e sapatos brancos já estavam enegrecidos pelas poças de água e lama. Arfares pesados eram soltos por todo o caminho. Sua garganta doía, suas pernas bambeavam e seus joelhos tremiam, mas você não poderia parar. Estava fugindo e mal sabia a quanto tempo estava correndo, mas não poderia parar, tinha que continuar e continuar...
O céu estava terrivelmente escuro, as nuvens cinzas no céu fugiam apressadas e por detrás delas haviam clarões, que indicavam as trovoadas que viriam a seguir. A chuva até agora era só mais uma garoa, mas já começava a se intensificar com rapidez.  
Haviam passos firmes atrás de si, alguns cães farejando e gritos furiosos. Havia lagrimas escorrendo sem permissão por seu rosto.  Era o fim.
  A noite definitivamente não era silenciosa. O barulho da chuva era como um rugir de leões famintos, caia um temporal amedrontador. Suas roupas estavam ensopadas e pingando, você mal sabia por onde andava. A escuridão era tanta que você entregava-se ao choro e ao desespero a cada segundo.
As batidas de seu coração eram altas o bastante para te fazer acreditar que poderiam te encontrar apenas ouvindo o som. Você cerrou seus dentes, tropeçou em seus próprios pés e caiu em uma poça d’água, já estava entregue ao cansaço e a dor, com as pernas tremulas e os pés em carne viva.
Seus dedos tatearam o chão enquanto seus olhos fechavam-se sem permissão e sua garganta engolia o próprio oxigênio. Suas unhas raspavam pelo chão, tamanha dificuldade que sentia em respirar. Sua visão não estava melhor, estava completamente embaçada e fosca, mas sua mente calculava com precisão que já havia chegado a estrada principal, que em pouco tempo a levaria embora para Busan.
 Mas não acabou...
 Você havia fugido de seu comprador. Havia passado por incontáveis processos médicos e caros. Sentia-se como um animal, sem destino e sem vida, vivendo dezenove anos como um cão.Sabia bem que dezenas de oficiais da Nabelle cercavam a área, mas era sua única saída.
Sofreria sem vida, condenada a escravidão ou fugiria. Mas se te pegassem, seria exilada por invalidez e erros médicos em frente a todos os outros Alons, para que sirva de lição e o deixem com medo o bastante para não fugirem.
A verdade era que uma rebelde arruinaria a empresa por completo, era mais fácil exilar uma do que solta-la e deixa-la livre. 
 Em algum momento entre a dor e a fome, seus sentidos sofreram uma epifania. Talvez causados pela pane em seu chip localizador inserido pele adentro de seu pulso. Na verdade só restava metade dele, pois a outra parte havia sido arrancada por seus dedos trêmulos, mas a parte restante fundiu-se com o sangue sujo e deslizou por entre algumas veias, ficando logo atrás delas.  Você o deixou ali mesmo, mal teve coragem de colocar os dedos ferida adentro e procurar, pensou que desta maneira sofreria uma pane e pararia de funcionar, mas claramente ainda funcionava.
 Você ainda podia ouvir, seus lábios estavam entre abertos, mas nada saia por eles. Seus olhos também estavam abertos, mas não enxergavam nada além de escuridão, havia caído com o rosto grudado sobre o lama, e mal tinha forças para pregar suas pálpebras.
Não lhe restava mais nada, a não ser esperar pela morte delicada e fria.
Mas ao invés disso teve seus cabelos puxados para trás com tamanha força que fizeram seus lábios contorcerem-se em desagrado.
— Nunca aprendeu que não se deve fugir dos compradores? — Uma voz estridente perguntou.
— Deixa ela. O comprador noventa e sete ainda tem interesse.  — Foi a última coisa que ouviu antes de entregar-se por completo a escuridão total que apossava-se do local.

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O relógio despertou, por algum motivo, as quatro e meia da manhã. Você pulou da cama com a pele limpa e cheirando a rosas, vestida com os típicos pijamas da Nabelle, camisa grande e uma bermuda até os joelhos em tafetá. O corte em seu pulso não estava mais aberto, estava costurado e devidamente marcado, não pela metade de um chip, mas por um chip inteiro. O que te levou a pensar que foi reinserido e costurado.   
Não era o seu quarto, era nitidamente mais amplo e luxuoso. Era quase cômico se fosse comparado ao alojamento em que vivia.  A escuridão não era total, mas tomava grande parte do local, deixando-o apenas com uma fina linha de luz vermelha refletida na parede lisa do quarto, luz essa que vinha diretamente do relógio. Havia alguns pontos de luzes minúsculas e brancos através da cortina da janela de vidro, de praticamente um metro de altura.
 Não estava certo, ao que sabia o comprador noventa e sete era somente mais um fazendeiro que precisava urgentemente de mais alguns pares de mãos.
Você procurou por roupas limpas, mas não encontrou nenhuma que pudesse usar. Tentou ao máximo não fazer barulho e abriu as cortinas da janela do quarto, para verificar onde estava e a que distancia estava da estrada principal, mas não conseguiu ver nada a não ser os arranha-céus luxuosos do centro de Seul.
 Um bip soou duas vezes, seguido de um chacoalhar de trancas. Você se misturou com a escuridão e manteve-se em um canto do quarto, atenta ao que se passava.
Passos por detrás da porta do cômodo tornaram-se mais nítidos, seguidos de vozes sussurradas. 
— Já assinou os papéis?
— Assinei todos. Tem cerca de oito partos marcados para amanhã de manhã, estão sobre controle... se me der licença.   
— Mantenha os seguranças onde especifiquei.
 Os passos voltaram a ser nítidos, ficando mais altos e mais altos, até a porta entre aberta do quarto em que estava ser aberta lentamente, fazendo a madeira ranger e revelar um homem alto e de face cansada. Ele é cerca de trinta centímetros mais alto que você, trajava um terno cinza e sapatos caros. Seus olhos são apertados e sua face é séria, seus cabelos são escuros e brilhantes. Não é qualquer homem, é um dos donos da empresa; Lee Seunghoon. Ele a fitou intensamente em meio a escuridão, mas você não abaixou sua cabeça, a manteve erguida, pronta para qualquer coisa.  
— Está no vigésimo sexto andar do arranha-céu da Nabelle. Não o comercial, mas o confidencial — Ele dizia com calma enquanto afrouxava sua gravata. A tensão pareceu explodir no ar enquanto o homem te lançava olhares repletos de incentivo. — Tem seguranças no final de cada corredor... Deixou de ser uma escolha quando fugiu. Existem outros modos de sair da Nabelle.
— E quando vai me levar até o comprador? — Você perguntou cautelosa, afastando-se em passos lentos até a porta.
— Você não tem permissão para sair desse quarto — A voz dele soou curta e grosseira. — Eu comprei você. Siga as regras.
 Seus lábios foram mordidos e cerrados por si mesma. Seus olhos se estreitaram e você continuou a fitar Seunghoon, que agora mantinha sua camisa social aberta e seu paletó jogado sobre a cama, seus sapatos estavam jogados perto da porta e seu cinto estava sendo aberto.
— Jogue o jogo.  
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Lee Seunghoon tinha uma única regra; obedecer. A sua frente ele era autoritário e exigente, e ao que parecia precisava apenas de uma alma para se divertir de forma malévola. Você passou a realizar as tarefas de casa, surrupiava as notas de dinheiro da carteira de seu comprador enquanto este estava no banho, andava livremente pelo apartamento de dois enormes andares, candelabros com pedras de diamantes negros e também cristalinos, paredes beges que mais se assemelhavam a de uma mansão, vigiava os corredores de mármore claro e luzes amareladas. Arquitetava planos e mais planos para uma fuga sem erros.
 Seunghoon sentava-se sobre sua poltrona todos os dias e passava a te observar com seu olhar superior e desafiador, ria incontido e falava em tom de deboche e alegria soberana. Passava a maior parte do tempo naquele edifício do que em seu escritório na Nabelle, as vezes te fazia dormir em sua cama e passa noites te observando com um olhar funesto e penetrante.  
 Passaram-se dias sem ter a suma oportunidade de sair dali, já haviam se passado cerca de um mês desde foi definitivamente comprada. E com exceção dos momentos de humilhação, poderia ser bem pior se ainda estivesse dentro dos alojamentos. Mesmo com todas as confirmações que o outro lhe dava diariamente com palavras sussurradas, ainda assim, não era ruim. Nem mesmo com todos os “Eu comprei você!” ou “Você é minha, eu posso mandar em você, tenho esse direito.”, “Faça isso... ou aquilo.” Ditos de forma tão superior, ainda assim era algo leve.
Continuava desfrutando do luxo, sem treinamentos ou noites sem dormir ou comer. Fazia obrigações do lar apenas quando o outro lhe ordenava, e mesmo assim apenas porque este gostava de assistir.
Não poderia negar que agora tinha tempo o suficiente para descansar e aperfeiçoar suas escapadas, em busca de que algum dia pudesse finalmente ir para Busan e nunca mais ouvir falar em Nabelle.

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Era uma noite estrelada e silenciosa, Lee Seunghoon agora apertava seus braços enquanto andavam em rumo ao seu escritório, no prédio comercial da Nabelle.  Havia sido pega andando pelos corredores vazios, e nem mesmo desconfiou que era apenas um teste. Ele a apertava como se fosse um pequeno pedaço de pano de seda, mas o aperto finalmente cessou quando a porta foi trancada e um sussurro veludo “Jogue o jogo” foi dito ao pé de seu ouvido antes de Lee se sentar em sua mesa e a puxar para mais perto, quase selando ambos os lábios.
Você comprime os lábios e cerra os dentes a medida em que seu comprador a força para baixo, enquanto sua destra ocupava-se em abrir o botão e barrilha de sua calça, finalmente libertando seu pênis.
— Faça logo. — Ele apoia as mãos em sua nuca, segura seus cabelos e aproxima ainda mais sua face do baixo ventre.
Você não pensa muito, apenas segura o membro alheio pela base e desliza sua língua pela glande e, sem demora, desliza sua língua por toda a extensão. Melando-o bem, antes de desliza-lo por completo em sua cavidade.
Seunghoon impulsiona o quadril contra sua boca, você o olha e confirma que seus olhos estão semicerrados e os lábios entre abertos, por onde saem gemidos roucos e baixos. Seu corpo está tremulo e seus dedos cada vez mais apertados sobre os fios dos cabelos de sua nuca.  Você mantém seu olhar firme sobre os semelhantes e desliza o membro alheio em sua cavidade mais algumas vezes.
Até que seu comprador te afasta de súbito e a puxa para cima de novo, antes de deslizar o braço por sua mesa e liberar espaço. Seunghoon te prensa contra a madeira, praticamente colando as faces e selando ambos os lábios. Ele retirou todas as roupas que cobriam seu corpo da forma mais lenta que podia, demorando-se ao máximo ao fitar cada pedaço de sua pele nua enquanto distribuía selares pela região de seu pescoço.
Você já estava se acostumado com a rapidez de seu comprador, não o questionara quanto ao ato, mas tentava ao máximo o deixar inebriado e invadir os bolsos de sua calça a procura das chaves de seu carro.
Lee a beijou calmamente, mordiscou seus lábios e o contornou com seu musculo, parou apenas quando te virou de costas e deslizou seu membro de modo provocante pela sua intimidade, a fazendo gemer baixo e pender a cabeça para trás. Os dedos alheios estavam molhados e deslizavam por seu ponto, lhe causando arrepios involuntários e um longo revirar de olhos.
Os fios de seu cabelo foram puxados novamente, enquanto era preenchida por inteiro em um estocada lenta. Seus ombros eram apertados e suas mãos aranhavam a madeira em busca de alivio.
Seunghoon a preenchia e ambos gemiam em uníssono, vez ou outra chamando os nomes que por tanto tempo soaram tão irritantes, mas que agora eram tão desejados.
Era inebriante a forma como seu comprador movimentava-se e a preenchia, entrando e saindo, a enlouquecendo.
Em algum momento da noite ele se satisfez e se afastou, manchou todo o carpete com seu liquido e lhe devolveu suas roupas. Se recompôs e fechou a barrilha de sua calça.  
 — Jogou bem. — Ele sussurra e então ruma até a saída, deixando-a sozinha com as chaves de seu carro jogadas sobre o chão e nenhum segurança até o estacionamento. Mas ele mal sabia que agora as regras do jogo haviam mudado.
Você imita seu comprador, se recompõe e ruma atrás do mesmo de volta para o apartamento luxuoso. Com todas as novas regras em mente.